Fim de maio passado estava a ouvir um CD do grupo Pentangle, folk rock inglês de primeira e ao mesmo tempo zapeando canais do cabo sem volume, quando me deparei com a TV cultura de outro estado. Eles estavam apresentando a semana Mato Sem Cachorro, com atrações, entrevistas e documentários sobre aquela famosa cidade brasileira, cheia de celebridades e um dos berços culturais deste imenso país. Desliguei o som e aumentei o da TV para avaliar a situação, passando a me entreter com algumas novas atrações, típicas do momento em que vivemos há mais de 20 anos. Naquele momento estavam desfilando duplas de sertanejo universitário, vertente lúdico de pomar tipo Diva & Divã, Miss Lane & Miss Celania, Saibro & Brita, Eliot Ness & Monstro Lochness, Trouxa & Entrouxado e Bem Amado & Mal Amado, estes últimos filhos do pregador de pregos Kiçá Amado. Também bandas de rock póstumo como Os Funerários, Os Pentadramáticos, Os Colméias do Zé, Turbantes Turbinados, Os Cilações e Os Gravetos Incestuosos. Faço isso eventualmente, para ter a noção de para onde vai a degradação cultural que nossa fina e moderna sociedade nos brinda, ou de como uma cultura pode ser dizimada e espezinhada ao natural, sem remorsos e sem culpados. Ao sabor do “viva o vivo” e com a galera curtindo adoidado. Passo a relatar o que chamou minha atenção nos demais dias, quando acompanhei os cachorrenses.
De cara brilha um sujeito bolachudo chamado Corcunda de Nostradamus, dizendo ser um mago de 952 anos de idade, que afirma ter transmitido a portablilidade das almas por primeiro. Soube que seu visual corcunda se deve a uma fantasia adquirida junto a Joãozinho 29, utilizada no carnaval do Rio em 98, numa das gostosas. Ele contou que já foi um vampiro corrupto, um conselheiro de suicidas, por 96 anos habitou numa múmia sociality do Egito, era o puxa saco imediato do general Custer e ainda costureiro de um certo capitão Rodrigo. Lembrando agora, posso confirmar que ele previu a vinda de Paul McCartney ao Brasil para três shows, que mineiros chilenos seriam resgatados com vida de um desmoronamento, que Rita Morango da novela das oito mudaria seu penteado (?) e que Wilsinho, irmão de Wilsão colocaria um pivô verde limão no dia 05/04/11. Normalmente não acredito em nada dessas coisas, por que todas elas partem de semelhantes ambiciosos querendo auferir vantagens financeiras, mas nesse caso as coincidências extrapolaram o admissível, pelo menos assim presumo.
No segundo dia a inusitada entrevista que Silvio Silvana, do grupo Compotas Assassinas concedeu à âncora Malanie Melão. Especialmente umas jogadas novas no uso das câmeras para com ela e seu convidado. Duas estratégicas, uma fixa nas cruzadas e descruzadas de suas pernas e outra acima da cabeça focando os melões desenvolvidos. O diretor de imagens intercala rapidamente o entrevistado, a calcinha e os melões, dando uma dinâmica àquele negócio, que na maioria das vezes é muito chato, de apenas ficar ouvindo lorotas e garganteios de celebridades bundonas, vendendo seus peixes putrefatos. Silvana respondia as perguntas pré-combinadas de sempre, tirando e colocando nervosamente sua dentadura, cujas imagens também se alternavam com as protuberâncias e saliências melanosas. O ritmo dos cortes das imagens era alucinante, não precisando prestar atenção no diálogo, apenas me deliciando com o conjunto das imagens. Era perceptível o nervosismo de Silvana, cujos olhos estalados se fixavam nos melões, revelando uma emoção extra-oficial. São daquelas inovações de sempre, favorecem a aparência para o entretenimento, mas nunca privilegiam o crescimento do intelecto do próximo (à televisão).
No terceiro dia devo ressaltar o longa metragem escrito e dirigido por Remo de Canoa, aquele diretor que tem seu filme queimado nas grandes redes de televisões deste Zilzão. Recomendo para quem possa assisti-lo, tem o título de “Amora boreal e outros quitutes”, abordando elfos viciados em craques, madonas e madeixas cozinhando pernilongos e vespas para BBB’s, políticos traindo seus financiadores (tema encantador, pois estes são muito piores que aqueles), doses limítrofes de chapuletadas intimidadoras, canalhas espirituosos aplicando em víboras presunçosas, o lado tenebroso do marketing, os sete anões pintando o sete, bastidores de um ninho de vespas carioca e solitárias com bulimia. Esta película lhe proporcionou o prêmio Coisito Dom Álvares Cabrocha, sendo este um renomado escritor português de mentiras de época. O coisito foi conferido para Armando Barbante como melhor ator coadjuvante, soberbo no papel do inesquecível Ivo, um bloqueador solar fator 30. Esta película também foi indicada para melhor enredo subjetivo, melhor propaganda subliminar de ideia evasiva, melhor implante de seios com ventarola da atriz Vera Deverá e melhor guarda roupas animal (pernilongos, vespas, víboras, solitárias e BBB’s). Ressalte-se a falta de pudor e de papas na língua na abordagem daqueles temas, fazendo com que eu solicitasse que meu cachorro se retirasse imediatamente do recinto.
No quarto dia fiz feriado, o descanso de um velho guerreiro (índio), que já ouviu quase tudo e ainda sorri para a vida. Mas chega de lamúrias e vamos para o quinto dia dos cachorrenses, com o destaque inclusive recomendado pelo âncora Billy Presta. Trata-se do lançamento das duplas de sertanejão universitário à espaguete, baseados nos bang bang dos anos 70, quando os italianos se “aventuraram”. As letras reproduzem os diálogos daqueles filmes, inclusive as vestimentas, chapeus e botas, além de um assobio servindo como solo instrumental, nas deixas dos vocais em todas as canções. Duplas como Lord Belial & Guarda Belo, Talisman & Talibã, Balú & Baluarte, Convento & Senvento, Empostado & Impostor e Gato Félix & Gato Feliz serviram para mim como um entretenimento. É coisa para ser assistida uma vez na vida, olhando pelo aspecto do cômico/inusitado/pego de surpresa e nunca mais. Como dizia Nico Confidente, “prefiro ouvir um belo solo de broca, intercalados por uivos de lobos comunistas da montanha dos gorilas”. Para quem não sabe, Nico é aquele cantor ítalo-português que pintou toda sua casa em amarelo piscante, tal qual o duque Deubücuié.
No sexto dia a volta triunfal do grupo Cuecas Patrióticas. Eles tocaram quatro músicas novas, sendo que na primeira prestam uma homenagem a Vovó Mafalda, ressaltando na letra a contribuição dela à nação brasileira. A segunda é um grito de liberdade de pessoas que não aturam mais estar na moda e não ter conforto, como um belo par de sapatos e ter seu valoroso mindinho acusando a chegada de uma incômoda bolha. A terceira retrata a fuga de Temente Vasconcelos de sua casa, da repressão de sua ex-amada Ludmila, que o fazia realizar todas as tarefas de casa e ainda ensaiar ballet com ela. A letra da quarta revela o que o aqua planador Nick Contraventor viu ao olhar-se no espelho, quando um facho de luz incidiu sobre sua cabeça, formando uma aura. Ele descreve suas botas campeiras maneiras, suas tatuagens que reproduzem a era mesozóica, o cinto cravejado com as unhas de suas ex-namoradas, a calça a la Rambo e seu gorro de estopa. Salmão Bueno, guitarrista do Cuecas, musicou a letra saída daquele momento mágico contraventista. Mais tarde o analista “Big Baby” Debrussos considerou aquela descrição psicodélica como, “uma pérola da música nacional, algo que não se ouvia há muito tempo”. Naquela apresentação eles usavam suas cuecas verde-amarelas tradicionais e um colete com o logo da banda, um cervo com a camiseta do Flamengo. Todos seus integrantes tinham um ar de desprezo, uma de suas marcas registradas, ou seja, adotam uma expressão facial única e diferente em cada show.
No mais, aquela seqüência de clichês e chicles normais e naturais, sem criatividade e fedendo à comum, não dizendo nem contando nada aproveitável. Não sou a favor da censura, pois a existência pura e simples dela leva a desvios monumentais de propósitos e interesses, assim como a inexistência dela da mesma forma. Cito como exemplo no início dos anos 80, quando proibiram a execução da música “Descartável” do Luis Fraldas, por conter linguagem inadequada. Mais tarde vim a saber que seu empresário Di Magro trocava figurinhas com os censores e havia solicitado aquela proibição para chamar a atenção, valorizando seu produto. Não tem saída, de um jeito ou de outro sempre dependemos da idoneidade e da grandeza dos seres que manipulam esse circo, pois nós do povão ficamos devendo culturalmente até para os que entabulam e concebem essas novelas que andam por ai. Assim dependemos da boa vontade de políticos, empresários, funcionários públicos e outros camaradas, por isso esse mundo encantado deságua nessa macega cultural, regada diariamente pelos seus interessados. Confesso que encontrei, depois de muito tempo a expressão ideal que buscava e que descreve a situação, tal qual a enxergo: MACEGA CULTURAL, que aniquila progressivamente a grama e não para de crescer, além de juntar cobras, ratos, aranhas e toda uma fauna e flora à caráter.(Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros –20/05/2011)
Cartinha da esperança
Após muito tempo de labuta recebemos uma cartinha de Michele Faifer, do bairro Operário Desempregado da cidade de Festphallenberger, aqui do interior do Rio grande. Isso causou nos seios da Jam uma euforia desenfreada, pois mostra que esses anos todos de pesquisas musicais não foram à toa. A menina foi muito gentil nos termos que usou, apesar de estar equivocada em alguns aspectos, quanto às atividades e quanto às nossas origens musicais. Vamos colocar sua missiva na íntegra e depois responderemos às suas perguntas, pois ela solicitou que assim procedêssemos, pelo nosso site.
“Olá turma da Jam, há muito tempo queria escrever, pois os acompanho desde os anos 80, quando vocês trabalhavam numa funerária exclusiva para músicos de rock, na vila Piratini. Nos 90 vocês participaram da banda The Defunters, que tocava por todo o interior do nosso estado, difundindo as regras do futebol através das letras. No fim dos 90 vocês inauguraram a Jam Sons Raros no bairro Hamburgo Quase Velho, com a presença de grandes celebridades, tal como Índio Bráulio, Elviro Sete Luas, Samantha Focka, Lívio Tito Aliviado, Jive Bunny, Genghis Kano e outras. Li nos jornais que vocês sortearam no evento um micro-ondas do Noel Gallagher e um cadeado da Amy Whinehouse para os presentes, além de clips personalizados da loja. Admiro a pesquisa que vocês fazem e divulgam no site, pois sem dúvida trata-se do único meio que informa realmente o que acontece no nosso panorama musical. Vocês inclusive devem perder horas de lazer para bem informar o público, por isso ficam aqui meus cumprimentos e de meus familiares. Estou programando para as férias deste próximo inverno, uma visita surpresa à Jam, quando levarei um bolo de nabos injuriados e um bouquet de jasmins roqueiros, duas das especialidades da minha região. Por sinal nosso prefeito, Amargo Regresso já mandou confeccionar uma placa de prata e a chave da cidade para ofertar à vocês, pois ele também bebe naquelas informações. Mas vamos ao que me interessa, pois quero saber um pouco mais sobre a vida e o sucesso do grupo Marcelo Drogas & Os Usuários e a dupla Galanteador & Garganteador. Tenho que recorrer a vocês, pois nas revistas e na TV pouco obtenho no nível que vocês conseguem, com profundidade e saber. Beijos e abraços de Michele Faifer.”
Mesmo que algumas informações à nosso respeito não sejam tão precisas, saudamos nossa presumida única leitora e vamos atendê-la prontamente em suas necessidades sobre aqueles artistas. Para isso contatamos o maestro Arquivo Morto, agora trabalhando em uma das centenas de farmácias de Ventos Sopram, mas sempre à disposição quando o assunto é música. Aí vai a resposta dele para você, querida Faifer:
“Dear Michele e amigos da Jam, estou passando por um momento difícil na minha vida musical e por isso estou me dedicando a vender remédios com desconto, que é o tchan da hora. Inclusive sou o mestre de cerimônias de uma empresa farmacêutica, que nos fins de semana brinda seus clientes com madrugadas de shows, linha setanejalheses universitários e axé botocudo, sorteando nos intervalos remédios de ponta e assim cativando um público maior para os chamados remédios universitários. Também formei uma dupla, a Vivo &/Ou Morto ao lado de Albert Vivo e nos apresentamos sempre com o patrocínio do Estomagoal, um golaço na sua azia. Aliás, quero seu endereço Michele, para levar pessoalmente uma cartela deste milagroso remédio e assim sairmos sarados para uma noitada em sua cidade, quando lhe mostrarei meu arquivo. Mas vamos às informações e aos dados do grande Marcelo Drogas & Os Usuários: primeira e única banda de rock ambíguo absurdo, com abordagens espiraladas de médio torque de sertanejo pré-vestibular dóremi, deixando em contra partida, de conter as linguagens perenes circenses, muito comuns no universitário. Os ângulos defasados das batidas em contra ponto, favorecem para peixes e escorpião em noite de lua cheia. O grupo foi bancado financeiramente por Valenzuella Drogas, pai do Marcelo, sendo que este é o compositor e vocal principal, tendo no guitarrista Léo Vicioso o arranjador mor. Já gastaram em torno de três milhões de reais em dois meses de mídia e parece que o resultado está aparecendo, pois foram convidados a se apresentarem no Festival dos Grafiteiros em Santa Maria dos Revoltados e no Encontro dos Ascensoristas em Febre Alta, município da grande Ventos Sopram. Vou passar por fax o e-mail do Drogas, pois ele quer sugerir a vocês algumas opções tentadoras para o dia a dia de todos. Quanto a dupla Galanteador & Garganteador, tenho de lhe dizer que eles fazem um sertanejo universitário estilhaçado, com incursões no mundo gótico e no das almas penadas, transam também nos alicerces do rock Skooby Doo, com o rockanejodoo, que é uma das suas marcas registradas. Algo semelhante somente com Os Salamalandros, grupo de origem carioca, mas que chega com força apenas no leste europeu (?). Os dois fazem jus a seus nomes, dificilmente terminando um show sem uma briga com o público, seja por galanteios ao sexo feminino ou por garganteadas indevidas. No momento Galanteador se apresenta com os dois olhos roxos, enquanto Garganteador padece de um braço quebrado e de um zumbido no ouvido direito. O fato é que, de cada briga dessas surgem novas composições, que trazem satisfação à sua imensa legião de fãs, como a nossa Michele Faifer. Há que se registrar que eles brigam também com celebridades, quando alguma delas se encontra no ambiente do show, sendo que a dica vem do empresário, Carlos Assude. Desde o início da apresentação eles dirigem suas farpas e gracinhas, os instigando a saírem no braço. Garganteador traz na sua meia soquete uma soqueira, uma corrente com bitola satisfatória para acalmar os bundões e o telefone da polícia. Os demais dados fornecerei pessoalmente, quando visitar Faifer, munido do Estomagoal.”
Taí a nossa resposta Michele, conforme o prometido e de quebra uma visita do grande Arquivo Morto à sua cidade. Sugiro que você fale com o prefeito local e prepare uma recepção bem bacana ao nosso maestro e uma verba de R$25.000,00, para que Vivo &/Ou Morto se apresentem. Também sugiro a confecção de faixas sobre este evento, ressaltando o patrocínio de Estomagoal, deixando o Morto bem aceso. Mandarei na seqüência aquelas exigências normais, que qualquer artista a nível deles merece. E não esqueça, prepare uma tarde de autógrafos, pois Morto lançou dois livros, “A queda da pastilha”, que visa melhorar as relações entre cantar e o mau hálito expelido por vocalistas desse nosso Zilzão e “Dicas para futuros trambiqueiros musicais”, onde Morto dá uma aula no assunto para os mais novos e que desejam viver momentos maravilhosos neste setor, sem aqueles percalços. Ele sempre destacou que sua cara não é de pau, portanto não pode aproveitar este conhecimento adquirido, inclusive sempre foi passado para trás por seus parceiros musicais comerciais. Certa vez teve que vender sua coleção de borboletas predadoras, para cobrir um rombo por demais vexatório. Michele, curta bem o Morto por ai e quem sabe da próxima você poderá ter a turma do Drogas. Dizem que ele é muito simpático e normalmente fica uma semana nas cidades onde se apresenta, com um staff de quarenta pessoas, trocando energia e amabilidades com o pessoal local. Fiquem de olho nas duplas Pasmo & Asno e MDF & CDF e vão abraços da turma da Jam. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 27/05/2011)
Nem todas as verdades são verdadeiras
Em certo momento da vida nacional, quando da abertura lá pelo início dos anos 80 o major Tales Entalhado disse, “gostaria de comandar um exército de pés de bananeiras”. Na época não havia entendido o sentido daquela estranha frase, porém hoje sei muito bem sua conotação. Tenho um pé e não consigo me livrar dele, mesmo sendo frio e calculista, atacando o de frente ou pelas costas, enviando terceiros e quartos com experiência militar, ou com incursões no mundo dos vampiros e dos trevos de cinco folhas. Certo dia, quando procedia em mais um dos passos sugeridos por amigos para eliminar aquele ser, um dos meus sábios favoritos neste assunto, o jardineiro Miguel “Esponja” Tarantela revelou seus conhecimentos musicais. Naquele momento eu espalhava sal grosso e fino benzido por ele sobre o que restava daquele pobre, porém orgulhoso resto de pé. Aquilo me pegou de surpresa, pois ele citou artistas que eu nunca havia sequer imaginado suas existências, neste e em outros planos. Assim vim a conhecer o grupo Panacas do Cotidiano, do para mim desconhecido compositor e vocalista Sidro Bompreço, primo de Scoll Preçodeatacado, o baixista, contando ainda com Nato Melhorpreço nas guitarras e Dentinho “D’Alho” Umenoventaenove na batera. Isso me fez derramar todo o sal sobre o pé moribundo, descolar um fiapo de inço, colocando o na minha boca como se fosse um palheiro e de imediato requisitar mais informações acerca dos Panacas. Na medida em que ele despejava seu saber, pressenti que pelo menos um texto têxtil renderia, até um sorriso irônico tomava conta da minha expressão facial e de meu quase fiel cão.
“Nem todas as verdades são verdadeiras, e nem as verdadeiras são tão verdades quanto a verdade”. Esta simples, porém original frase foi proferida numa revista de sua tropa pelo general Itaguaianases Solerge Mocorungu III, quando teve que repreender um de seus subordinados, por coincidência Nato Melhorpreço, guitarrista insubordinado dos Panacas. Ele armazenou aquela verdade e a confidenciou ao resto do bando, sendo que o gênio deles, Bompreço, ficou embasbacado com o tirocínio e a sagacidade daquele militar. Isso simplesmente foi o embrião de todo um novo trabalho que surgiu, criando até um novo estilo que vem no rastro do emo, o psycho delicatelhão, que aprofunda os temas emotivos, emoglobinhos, emonautas e emoxeretas abordados pelos grupos antecessores e dá uma nova definição para isto que vem aí como moda. Além do som mais comovido que seu antecessor, a mudança mais efetiva se dará nas cabeças, com a adoção daquelas perucas usadas pelos senhores ingleses, nas cortes e no poder judiciário, louras e cacheadas. Com o design exclusivo de Libélulo La Mancha, sócio de Alice, lá do país Das Maravilhas na Lingerie Con La Mancha. Então os jovens emo reciclados continuarão a usar a indumentária padrão, somente incorporando a peruca, sendo que o ser emológico terá a opção de fazer chapinhas com ela ou deixar aqueles cachos, que agradarão em cheio as psycho girls delicatelhonas.
Após esse bombardeio de informações, fui rapidamente buscar minha caderneta de poupança, para anotar aqueles preciosos dados que Esponja estava a espremer. Meu cão e eu ficamos ouvindo a dissertação dele por pelo menos três horas, valendo ao canino uma ração extra regada a um pouco de vinho. Ao Esponja e a mim uma vizinha ofertou pedaços de bolo de nabos injuriados, com um pouco mais daquele vinho. Continuando na trilha dos Panacas, o primeiro álbum deles baseado nas verdades foi usado como veículo, na tentativa de aproximar Bompreço de seu primeiro amor, Natália Preçosdeocasião. O resto da banda, que não tem a qualificação dele, sendo por isso considerado resto, acha que seu líder merece esse retorno, mesmo que ele já seja um Bompreço. Na primeira faixa uma questão delicada é colocada, qual o melhor preço? Deixando de fora Dentinho Umenoventaenove, pois trata-se de concorrência desleal, é claro que Bompreço escancara de cara, quando no fim da canção diz, “Preçosdeocasião, volta pra mim, estou enlouquecendo no shopping sem você”. Neste verso Bom canta com a gana de um McCartney em Helter Skelter e Live and let die. A segunda canção traz os Panacas com mais força ainda, os vocais dobrados de Bompreço e Preçodeatacado deixam claro que darão total espaço e prioridade à Preçosdeocasião, seja em que circunstâncias for. Esponja, com seus cabelos espetados e com uma generosa e estranha franja, cantava cada uma dessas canções como se ele mesmo estivesse precisando da Ocasião.
A terceira e quarta faixas ele reserva para os momentos bons que passaram, quando Bompreço e Preçosdeocasião desfilavam pelos shoppings de mãos dadas, em meio a preços absurdos, lambendo sorvetes, triturando pipocas e rindo do contraste entre sua felicidade e a desgraça dos outros, tendo que adquirir naquele nível de preços. A quinta faixa é apenas um exercício emonejo futurístico, com o primo do batera D’Alho anunciando as verduras da Preços Módicos, seu estabelecimento, contando com um fundo musical universitário caótico, degradante e desprezível, que emenda na sexta faixa, quando volta o desespero de Bompreço. Nela, ele deixa explícito que não vive sem ela, pois perdeu todo seu poder de compra e barganha, ou a emulação necessária para entrar numa loja de tralhas e bagulhos e sair de lá com o pescoço e os braços cheios de sacolas. “Por que Preçosdeocasião não o quer mais?”, é a sétima. Ai ele busca uma explicação divina, pois sua mãe chama-se Divina Bompreço, e a música retrata fielmente o diálogo entre os Bompreços. Da oitava à décima segunda ele diz que cortará suas unhas e que não vai mais pinta-las de preto. Sua franja vai virar um topete a lá Elvis e a calça emo style será substituída por uma de tergal esotérica. Fará retiros espirituais, corporais, da poupança, dentes podres, cervejas da geladeira e finalmente fumará charutos interurbanos. Passará a tratar as garotas de mademoseille, e terá em Rambo, Pernalonga e sinhozinho Malta seus paradigmas de vida. Da décima terceira a décima nona, as últimas do álbum, ele promove talvez a maior choradeira da moderna música brasileira, deixando qualquer dos emosertanejalhaços e emosertanejauleses no chinelo. “As suas lamúrias são idiotassincráticas, revoltantes, desfibrilizadas, carnívoras, meia volta volver, despentelhadas, pela hora da morte e significativamente incongruentes”, revela Aníbal Canibal, rei do laço e que dá uma volta extra por cima.
A certa altura meu cachorro e eu notamos que a boca do Esponja já estava bem seca, tanto que poderíamos passa-la numa pia com desinfetante e obteríamos um brilho fácil, ou ótimo. Esponja além de narrar e cantar com fidelidade todos os fatos, eu presumo, parava apenas para soluçar, dada a emoção em que se encontrava. São versos duros e tristes de um cara que junto com os atuais sertanejalhões universitários, dizem algo para ele. Enxugou suas lágrimas e beiços, palitando os dentes com restos de nabos injuriados e disse que iria para casa, abraçar-se ao seu ursinho de pelúcia Zé Bodega, pois suas mágoas e as dos outros já estavam sonolentas. Após fechar minha caderneta de poupança, meu cão e eu avaliamos a situação, eu querendo mais bolo com aqueles nabos esquisitos, porém a vizinha já havia se recolhido e o cão, pela sua expressão da hora, cerca de 22, talvez vinho, porém Esponja já o enxugara.
Quero aproveitar a oportunidade para cumprimentar ao pastor de ovelhas grelhadas Magdo “The Champs” Eliseu, que finalmente conseguiu uma bolsa de estudos com Orlando na Flórida. Ele vai estudar pandeiro tropical e cuíca florestal. Orlando é um brasileiro que foi para a Flórida nos anos 80, tirando dezenas de meninos carentes das ruas e os ensinando a bater carteiras e bolsas, um ofício não tão nobre, porém que sem dúvida deve ter trazido prosperidade a alguns desses gringos. Tendo obtido o montante suficiente, Orlando e sua mulher, por coincidência Helena de Flórida, construíram um prédio onde estabeleceram um conservatório musical, servindo de fachada para a atividade principal, a de abduzir pertences de terceiros. “The Champs” trocará seu estudo musical por novas técnicas de recolhimento, inclusive com um criterioso sistema de triagem no ato, para não precisar levar ao QG pentes, grampos, absorventes, celulares, cortadores de unha, lenços, bloquetos de contas, etc. Magdo quer na volta se unir aos Panacas, até para aproveitar as vantagens de Preçosdeatacado e Bompreço. E se este tiver reatado com Preçodeocasião, um barato maior ainda.
Também desejamos boa sorte a promouter Tracy Chapada, que tentará vencer nos USA com o grupo de sertanejemo “Os Mágicos de Nós”, as duplas de universanejo Sincero & Sinzeiro, Reservista & Reservado (estes com Reserva na reserva) e o galã de filmes pornôs universitários Rubens de Mastro. Tornarei a falar com Esponja somente no mês de junho, pois ele deve excursionar como roadie dos grupos Os Irmãos Costa Lanhadas e Os Chinchilas Desprezíveis, ambas da linha emo tarja preta (só com receita), modelito 2º. Trimestre de 2011. Segundo Esponja, o Chinchila vocal lhe confidenciou, “serão tantas emo sons”. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 24/03/11).
Doidivando por aí
Estamos nestes meses de
novembro a janeiro procedendo em algumas mudanças na Jam, devido a alguns
ajustes típicos de um prédio antigo, que com o passar do tempo vai se tornando
permissivo e parceiro de chuvas, baixando a cabeça para a família dos cupins e
achando normal certas infiltrações. Essa aventura tem seus prós, que se
encontram lá no final desta manobra, e seus contras, nos custos e nos
envolvimentos que se colocam ao longo de seus infindáveis dias. Temos que ter
garra para conviver neste universo único das construções, paralelamente à nossa
atividade normal. O envolvimento nessa confusão é total, não sobrando muito
tempo para a reflexão sobre as coisas rotineiras que nos complicam nesse mundão
encantado, onde nós nos chacoalhamos e nos divertimos com produtos novos e
celebridades maquiavelhas e maquianovas. Mesmo assim passo a relatar alguns
acontecimentos que perturbaram a mim nos últimos meses, até como um tira gosto
desta folia construtora pré-carnavalesca em que estamos metidos. A partir do que
já relatei através desse espaço e do que relatarei, passo a me considerar um
cronista musical/social underground. E tenho a certeza de que o pessoal que
exponho neste espaço, merece tanto respeito quanto os medíocres que infestam e
literalmente vendem seu peixe putrefato através de rádios e TV’s deste país, dia
após dia, for a long, long, long time.
Pois então, dia desses
assisti num dos canais rurais o replay de uma entrevista da macaquinha do Tarzã,
a Chita, realizada originalmente nos anos 80. Estava curioso sobre o que ela
revelaria acerca dos filmes, inclusive de cara rolaram um clip musical da época,
com Chita cantando o hit “Tarzan boy” ao lado de um coral formado pelos futuros
pais dos Jonas Brothers e os seguranças da Madonna. Este programa igualmente
revelou algumas declarações de imposto de renda dela, além de vídeos em
zoológicos pelo mundo, onde sempre foi recebida como uma celebridade pelas
populações locais, tanto de símios quanto de humanos. Nunca me liguei neste tipo
de programa, porém sinto que o que falta para mim é mais cultura geral, que devo
assistir aos tele jornais, novelas, talk shows e ler revistas de abóboras, que
sem dúvida reforçarão meus conhecimentos, tão úteis nas relações do dia a dia.
Depois de assistir achei que a tradução do macacaulês não estava a contento, com
as respostas parecendo muito simples e retalhadas, principalmente sobre cipó,
algas e Johnny Weissmuller. Também não aprovei as bananas, notoriamente
passadas, que a produção colocou à disposição dela. Eles a trataram como se
fosse uma qualquer. Nos dias de hoje, com a cultura e a bagagem dela, superior à
maioria das celebridades que borboleteiam nas telas, teríamos um programa de
alto nível, sem dúvida uma atração de mãos cheias, inclusive de bananas. Também
senti falta daquela claque afiada, fazendo o fundo vibrante e abananado na
plateia, que nos dias de hoje são imprescindíveis para corroborar a suposta
qualidade da figura que está se apresentando e do âncora, elemento ímpar que
comanda o show de cultura. Claque do tipo que se o entrevistado os mandasse pra
“juta que dario”, eles o aplaudiriam fervorosamente. O visual dela também merece
reparos. Hoje o botox, o silicone e roupas adequadas, a tornariam mais
apresentável e gostosa, cativando os patrocínios para pelo menos as bananas e
seguro pessoal. Atualmente considero os primatas uma evolução da espécie humana,
pois tem uma vida mais fácil e desentupida de cacarecos, manias e rotinas, que
vamos acumulando durante nossa “evolução”, tornando nossas vidas uma busca
desenfreada ao quase nada. Temos que tirar leite de pedra, por que todas as
vacas estão pastando com os lordes. Recomendo aos canais rurais e as culturas
que cavoquem celebridades na fauna, que em pouco tempo estarão na liderança da
audiência, pois esse negócio de forjar celebridades humanas estúpidas e iguais
tem limites.
Depois desse
reconhecimento meu aos símios, algumas curtas à nível de:
Essa é homérica, pois foi o
bom Homero Pragafield que me passou. Novo Hamburgo sedeará a “Saudades de um Bom
Guarda-Chuva”, com exposição de verdadeiras obras primas deste setor, como os
guardas de Tancredo, dos Carlos, Roberto & Erasmo, dos Micks, Jagger e
Mouse, Evita, Ozzy, Salomão Ayala, Odorico Paraguassú, Leno & Lílian,
Cicciolina, Hoss Cartwright, Gene Kelly, aquele do “Singing in the rain” e o de
Batman, usado durante todo o seriado, quando o emprestava para as deixas do
Pinguim. Verdadeiras máquinas na contenção da chuva, salvaguardando seus amos e
senhores, impedindo gripes e resfriados. A iniciativa na cidade é do grupo jovem
MOCIBOMGU (Moral & Cívica só com um bom Guarda Chuva). A galera está cansada
de sair para as lides diárias, confiando suas saúdes a esses morcegos chineses,
tendo que voltar para casa putos e molhados. Sem falar em ter que repor um
traste desses, que esmorece com qualquer chacoalhada. O evento contará com
painéis, debates, exposições, experiências de vanguarda com guardas
homeopáticos, siliconados, de zinco, de urânio e shows sobre o tema, com duplas
de sertanejo universitário, na linha tementes à chuva. Neste setor da vala comum
se destacam Bagacyro & Bagacélio, Catetto & Hypotevanuso, Neimar &
Neiçude, Charlatão & Charladrão, Salmoura & Salsilva, Dama, Moinho &
Xadrez, Indo & Vindo, Soldado & Soldador e Marcelo Zona Sul &
Marcelo Zona Norte. Estes também conhecidos por Norte & Sul ou Sul &
Norte, pois discutem na justiça quem vem primeiro. Conforme Homero, a intenção é
transformar a cidade na Capital do Guarda- Chuva, como outrora fora a do
calçado.
Falo agora sobre um
trabalho, que traduz musicalmente as pesquisas de um italiano, Genovino
Vaiti-Encana, que promoveu uma extensa pesquisa acerca de Santa Claus. Ela
consistiu em entrevistar pessoas que tiveram alguma relação com ele, para obter
a verdade, seja nua e crua ou ainda bem passada ou até no ponto. Quem está
trazendo isso nas letras é a dupla Hivan & Hivanhoé, ex Frei Harthur &
Hivanhoé e que desenvolve um sertanejo universitário brocochulelé, semelhante ao
de César & Cesariano e de Nazista & Pacifista. Hivanhoé teve o trabalho
de musicar a obra de Genovino, tornando-a acessível e entendível a qualquer
mortal vivo. Segundo o musicólogo Karademetade, “seus estribilhos são
insofismáveis, andremagulhos, sôfregos e amabélicos”. Ouvindo o trabalho com
alguma atenção, depreende-se pelas letras que o velho Claus sempre recebeu
comissões da Natal Enterprises & Co., com subsidiária no Brasil, a Maré
Mansa Contornos & Extornos Ltda de Brígido Baculé. Segundo as letras, este
sistema funciona acima do comércio mundial e remunera Santa Claus em 0,003 %
sobre cada presente adquirido no mundo, com nota fiscal. De acordo com a
conservadora em plásticos Mabel Mobília, o velho Santa só movimenta suas renas
com um adiantamento em cash. Quanto à veracidade dessas informações nada posso
afirmar e confesso que fiquei surpreso, pois sei que quase tudo na vida não
passa de business, porém considerava certas figuras acima disso. É difícil crer
que ele está nessa parada somente pela grana. É claro que não boto a mão no fogo
por Vaiti-Encana, mas tenho que confessar, nutro uma certa e talvez errada má
vontade com Claus, desde quando aos sete anos havia solicitado um carrinho de
corrida e veio um caminhão com caçamba, cheia de entulho.
Outra boa esta ligada àquele
fato insólito ocorrido mês passado, amplamente noticiado nos tele jornais e na
internet, quando Lady Gengiva nua em pelo, montada no seu burrico Douglas fazia
propaganda de uma pasta de dente famosa. Então Douglas, sabe-se lá por que
cargas d’água ou alimento estava desarranjado, despejou seu estoque em cima dos
sapatos do diretor daquela digna empresa. Ele estava ao lado do burro,
praticamente massageando a Gengiva, ficando indefeso ao torpedeamento do animal.
Mas a notícia que interessa diz que Lady Gengiva está grávida de Índio Bráulio.
O futuro ser se chamará Indiolino Gengiva de Bráulio e é esperado para a segunda
dezena de abril, de 2011. Desde já quero cumprimentar ao Índio, mesmo sabendo
que em uma dúzia de suas letras musicais ele reitera ser contra a sua
paternidade, pois está em busca do nirvana e não pode perder tempo com
futilidades. De qualquer maneira, tendo sido um escorregão dele na Gengiva ou
uma mudança de planos, vão meus cumprimentos ao feliz casal da nossa society.
Vou me reportar à entrevista
que Gabriel Prensador concedeu à Rosemira Ervilha. Prensador foi o maior
inquiridor ou interrogador de presos no período da ditadura, supostamente usando
métodos análogos aos que entabularam conversações interrogativas com Tiradentes
e os outros inconfidentes. A prensa dele equivalia a uma queda do terceiro andar
ou a ser afofado durante cinco minutos por dois tacos de baseball, manipulados
por dois valentões indignados. Hoje arrependido, ele só quer compensar o mal que
fez à sociedade, se deixando chicotear trimestralmente por sua neta de seis
anos. Seu filho, Antero Prensador tem a banda de rock convencional conversível
Mistérios da Chibata, ao lado de sua namorada Rhoda de Pineu. Prensador revelou
que alguns “presos” que circulavam pelo seu setor, vinham com a recomendação que
só transitariam por ali, para que talvez no futuro fossem considerados heróis.
Com os demais a prensa deveria ser rigorosa e vigorosa. Neste momento Ervilha
soltou uma gargalhada, dizendo que conhecia um bom punhado desses heróis. Aquilo
me intrigou e me fez pensar, como essa indiada consegue tirar proveito de todas
as situações, por pior que elas possam parecer. E a mesma mão que empunha um
sorvete de morango pode manipular um taco de baseball.
Esta remete a banda Jimmy
Cupim & Os Curiós Curiosos. Uma banda de rock pos paga, que também trabalha
por percentual das entradas ou aponta no caderninho para receber numa data
oportuna. Tocam em qualquer muquifo, carregam marmita para não onerar a produção
e não se importam de levar desaforo pra casa e guardar no armário. Nas horas
vagas soltam pipa, cultivam pés de alface universitários e sentem-se
gratificados em poder remar contra a maré. Pois é essa banda que incorporará
Índio Bráulio ao seu grupo, vislumbrando maior visibilidade ao lado de um ícone
da nossa música atual. Além de que Cupim sempre foi um grande admirador dele,
até porque sua mãe, Samoela Cupim o namorou a certa altura do campeonato
nacional. O novo nome da banda girará em torno de Índio, Jimmy Cupim & Os
Curiós Curiosos Sobre Bráulio. No staff do grupo o cabeleireiro Diogo Tigela, o
rei do cafuné Bárbaro Wilson e Ademir Franco, o confiável financeiro que terá a
missão de cobrar o cachê antes dos shows.
Nós da Jam queremos
agradecer ao convite para participar da festa natalina da empresa de Walter
Buggy, a Buggy Gang. Ela patrocina o grupo Os Mortos Vivos Indecisos, o coral
Sing Sing Gapura, e o trio Alfa, Romeo & Julieta. Todos eles estão
vinculados à diretoria de marketing capitaneada por Lucy Fhera, que conforme o
progresso de um e de outro investe mais ou menos. O estranho é o trio, onde
Julieta gosta de Alfa, enquanto Romeo argumenta que tem direitos adquiridos
sobre ela.
O maestro Arquivo
Morto, responsável pela ópera Cozmic Vagabonds, na linha sertanejo universo
etário, foi sorteado pela Credi-Ferrão e recebeu um “Título de Capitalização”.
Eles o sortearam entre os clientes hard, que pagam juros estratosféricos por
mais de dezoito meses. Como prêmio ele recebeu um celular personalizado, que
pisca no visor seu nome e ao invés do ring tone tradicional, chama por Arquivo
“Capitalização” Morto. Este título gera exclusivos descontos nas boutiques e
casas de carne Obladi Oblada, nos atacadões e lanchonetes da Vila Sésamo, nas
empresas de turismo Obama & Winehouse e nas de segurança de Bruce Lindo. Sem
falar de 1,5% de desconto nos juros, por três meses.
A galera que produz o World
Music Awards, faceira com os resultados obtidos, quer financeiro, quer
econômico, vai partir para explorar outros campos. Na sua pauta estão, “The Best
Cheesburger in the World”, “The Greatest Celular in the Planet”, “The More
Marvelous Chiclets in the Universe” and “The Inolvidable Vibrators in Cosmos”.
Neste ultimo nicho, sabe-se que Vibradores Camargo já foi contatado e informado
dos trâmites e taxas necessárias para a peleia.
A afamada marca de vinhos
Dal’Magrão completou 150 anos de existência. Segundo Sara Hyevo, repórter do
Escadão de São Paulo, a empresa iniciou em 1860 no nordeste, permutando com os
índios, álcool com suco de laranja por uvas e mais tarde por terras. Na época
eram três irmãos Dal’Magrão, que em pouco tempo transformaram os silvícolas
vinícolas nos maiores silvícolas etílicos do país, e eles nos maiores
vinicultores proprietários de terras da América do Sul. A família Dal’Magrão
recebeu uma homenagem da câmara dos comuns e da dos notáveis de Mato sem
Cachorro, com três salvas de tiros e três de espirros, pela 3ª. Cavalaria de
Elementos Surpresos da Ordem dos Sem Cachorro(CESORCA). Esta é a maior honraria
que a cidade confere aos seus filhos. Vão nossos cumprimentos ao caçula
Anestésico Dal’Magrão, que atualmente gere o complexo tendo como vice o cacique
dos Currupius, sir Eye and Hand Quickly.
Considero que cumpri meu
dever, informando a galera underground de muitas coisas que são sonegadas,
retalhadas e distorcidas na mídia oficial e oficialitária, que sempre bate
continência para o capital. É como já dizia o ex treinador do meu cachorro, da
cadeira de AF (aprimoramento de faro), “a maior meleca não está no nariz”. Ou o
treinador da de EOF (expressões para obter um filé), “somos todos anjinhos,
trocando figurinhas com o diabo”. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 17 /
01 / 11)
No futuro de
Flash, o sertanejalesco
Novamente voltamos às
sacadas futurísticas de Flash Gordon Frickt, na sua viagem da já famosa
portabilidade das almas, sob a batuta de Biro Lero, no Solar das Vergamotas
Urineide. O avanço foi grande para a humanidade, pois ele trouxe um cabedal
enorme de impressões e constatações sobre o futuro, modificando a partir daquele
momento o pensamento de estudiosos e cientistas em muitos aspectos. Seus
empresários Kostella e Lero firmaram um contrato de exclusividade para cedê-lo a
programas de TV e estudos mais profundos em empresas e universidades. A mim só
interessam as mudanças relativas à música e aos costumes da sociedade, que se
apresentados num circo de variedades em outros planetas, possivelmente
marcianos, venusianos, flamenguistas e cervos dariam boas risadas.
Algo maravilhoso no setor
financeiro vai ocorrer no futuro do nosso país, que provavelmente contribuirá
para a valorização da nossa moeda, como dissemos em texto anterior. Nesta
esteira estará o sertanejo nacional, que alcançará o reconhecimento mundial,
sendo muito mais executado lá fora do que foi a bossa nova nestes últimos 50
anos, além disso, será copiado e interpretado em várias línguas, principalmente
por americanos, chineses, argentinos, alemães, italianos, ingleses, russos,
japoneses e o Vaticano. Vamos tentar dar um panorama geral a partir do que
colhemos junto ao staff de Flash Gordon, que diz ter enfocado esse tema
futurístico por pelo menos 15 dias úteis, quando naqueles tempos avançados e
estranhos. Há que se dar um desconto, visto que se trata de uma pessoa igual a
nós, do nosso tempo, que de um minuto para outro se depara com uma nova
realidade, com características, modismos e pontos de vista alterados e
inesperados. Também temos que destacar a boa vontade de Lero, Kostella e Robin
para com o site da Jam, revelando informações em primeira mão, antes da grande
mídia nacional. Simplesmente não temos palavras para agradecer a eles essa
deferência, e desde já nos colocamos à disposição para vendermos o livro deste
novo ente célebre aqui.
Vamos para o relato do Flash
via Robin, esmerilhado por mim: desde 2025 o sertanejão já estava sendo
trabalhado pelas multi nos outros países, mas arrebentou num talk show inglês
transmitido para 50 países, chamado Urinando com Gato Stevens. Este é o título
já traduzido para nossa terrinha, tendo durante a transmissão a opção legenda e
dublado. Gato recebe convidados, que ao entrarem no recinto tem uma condição
sine qua non para prosseguirem na entrevista: precisam urinar em modernas
latrinas de prata, desenhadas por Embruglio Iglesias (neto daquele), ao lado do
Gato. Este para estar sempre disposto a acompanhar seus convidados nessa ação,
ingere antes e durante o programa batidas de leite de cabra com lesmas persas e
fluidos corporais, que descobrir-se-à lá por 2023 ser diurético “pra caramba”.
Enquanto Gato e seus convidados (as) urinam animadamente, trocando piadinhas,
rola uma cortina musical da dupla inglesa de sertenglish, Mr. Ambrosia & Sir
Ambrose, da gravadora English Boyadero. Essa rotina tornou-se o item mais
importante do programa, com a audiência mundial batendo recordes em cima de
recordes. Então no dia 10 de novembro de 2029 aquela dupla inglesa comparece ao
vivo, urinando no Urinando após a apresentação de dois coroas, The Gallagher
Brothers - que também já mandavam um sertenglish alternativo -, e cantam “I’m
not dog no” ou “Eu não sou cachorro não” do velho cancioneiro brega verde
amarelo. Após emendam “Stayin alive” do Bee Gees no mesmo padrão, sempre com
aqueles vocais chorados e cheios de cólicas, tal qual nossas duplas. O auditório
presente vem abaixo, os Gallagher retornam ao palco para abraçar o duo, uma
cascata de e-mails entopem os computadores e Gato Stevens serve sua batida
diurética para que todos urinem de forma uníssona e triunfal, naquele momento
grandioso.
Esse fato serviu
como um estopim para o sertanejaules no planeta, que naquele momento ganhava
milhões de adeptos mundo afora, cantando, chorando, tendo cólicas, dor de
cotovelo por seu cãozinho, amando sua amada, seu chefe e até seu inimigo, pelo
menos enquanto as duplas estivessem articulando ou desarticulando seus versos e
acordes. Segundo Flash, nos anos seguintes pelos quais ele portabilizou - sempre
rodeado por simpáticos cervos com a camiseta do Flamengo -, foram os que mais
orgulho lhe causaram em ser um brazuca, pois onde quer que fosse a filosofia
sertanejalesca estava presente. Inclusive na troca da guarda do castelo de
Buckingham, com os corneteiros entoando “Não chores na janela, Gabriela, com a
flanela na panela”, sucesso de Fobia & Tobias. Em Nashville, alguns
permanecerão fiéis aos seus cowboys, mas a maioria virará a casaca para novos
ídolos como Clintwood & Eastwood, Bronson & Wayne, Superman & Robin,
CSI & Friends, Billy The Kity & Durango Hits, e Hulk & Batman. Na
velha Itália suas massas passaram a exigir o acompanhamento de um Canneloni
& Parmegianini e de Mamma Mia & Pappa Tua, com sucessos misturando o
puro sertanejaulês com a passionalidade italiana. No Japão um sertajapa de olhos
puxados e muita tecnologia, estourando com Suzy & Uky e Coshiba &
Tanashiba. Na China os maiorais serão os irmãos Wranglers, Bruce & Lee,
americanos naturalizados chineses, sendo que os demais serão na sua maioria
nossos brazucas, cantando na língua deles, mas usando seus nomes da certidão
como Rebento & Bakuri, Korado & Koroado, Robeto & Dagobeto, Batata
& Babaka, Kândido e Kandidatto. Talvez o único país onde os “nativos” não
conseguirão ultrapassar o nível dos estrangeiros, ficando para eles apenas
aplaudir, chorar e comprar os MP 2565, que em março de 2031 será o que de mais
avançado existirá em som. Bilhões de chineses sucumbirão às rimas e às cólicas
dessa turma pra lá de moderna e futurista. Na Rússia os produtores adaptarão a
dança dos cossacos ao sertenglish, com influência direta da dupla Mr Ambrosia
& Sir Ambrose, que por lá excursionarão, assim como por todo o mundo,
podendo considerá-los como os Elvis do sertanejalesco do terceiro milênio. Na
rússia o maior investidor e incentivador do russonejo será Vladimirovitch
Raz-Pudim, da máfia pós moderna daquele país.
No Brasil a cena estará
ainda mais forte, com nosso governo isentando nossas milhares de duplas do IR e
da taxa do ar, brilhando então Ernesto & Funesto, Do Prado & Do Campo,
Bárbaro & Conan, Ganso & Tanço, Lothar & Lotado, Fascinado &
Vacinado, Vingador & Vingativo, Conrado & Honrado, Confidente &
Inconfidente, Dissidente & Disc Dente (este o primeiro dentista do mundo com
tele obturação em 25 minutos), sendo que as celebridades top musicais em 2031
serão os irmãos Ambulante, Vendedor & Metamorfose espalhando suas pérolas
pelo mundo. Suas letras levantarão lebres, cus-pirão no prato que comeram e
teorizarão sobre a porca que torce o rabo e os que sacodem a poeira sem empestar
o ambiente.
Mudando um
pouco o foco do assunto, mas permanecendo na viagem de Frickt, somente em 2025
estudos mais profundos e sérios sobre a portabilidade das almas serão
realizados, tendo à frente Flávio “Batatinha” Estevelá. Este, após uma
portabilidade cheia de imprevistos, quando teve sua alma anexada a um cobrador
de ônibus espacial, no ano 2050, gerando a ele algumas viagens perigosas, sendo
reportabilizado no exato momento em que um passageiro desgostoso agredia o corpo
portabilizado. Essa experiência provocou em Batatinha um trauma, que o fez
promover um grande debate sobre esse assunto controverso, sobre o qual
instituições seculares se recusavam a abordar. Ele recrutará um grupo que teve
relações íntimas com o tema, passando a expor as ideias e opiniões num programa
de TV no Rio de Janeiro, gerado para 49 países, sempre após o clássico do
futuro, Urinando com Gato Stevens. Farão parte desse programa gerações
posteriores de produtores, roteiristas e atores de filmes e séries que de certa
forma abordaram esse tema candente como: 2001 Uma Odisséia no Espaço, as
seqüências de Alien, Star Wars e Exorcista, o velho seriado Os Invasores, o
original de Vinte Mil Léguas Submarinas e outros. Eles tentarão responder
perguntas que há séculos permanecem sem respostas, sempre dando uma canja para
os vampiros. O programa foi extinto em 2035, quando a audiência estava baixando
e a do Urinando em franca expansão, alcançando 99 países e três planetas.
Algumas respostas vitais não foram divulgadas, pois Batatinha as negociou com
instituições e empresas que lidam com moda e governos, deixando milhões de
telespectadores viúvos delas, tais como: a portabilidade causa distenções e
estiramentos?, a alma realmente se divide em financeiro, cultural e romântico?,
a portabilidade entre sexos pode causar distúrbios emocionais?, a troca de
casais tem a ver com portabilidade?, duas almas com gênios diferentes podem
ocupar o mesmo espaço, ou uma delas deverá ser re-portabilizada?, duas almas
coabitando o mesmo ser necessita de mais um CPF?, uma portabilidade de almas com
um político eleito poderá causar a cassação do mesmo?, uma dupla sertanegesa
pode inverter as almas através da portabilização, ou não vale pelo custo?, um
portabilizado pode continuar contribuindo para o INSS? uma portabilização com um
ente querido, pode resultar em um nem tão querido assim? A lamentar não podermos
responder a estes questionamentos, por puro egoísmo e sede financeira de
Batatinha, que além de barrar o progresso da humanidade, fará com que outras
pessoas utilizem a perigosa portabilidade para tentar ir além do ano 2035,
buscando essas respostas cruciais.
Vamos parando por aqui,
visto que esse tema me causa calafrios quanto ao futuro, pois tirando as duplas
sertanejaulesas, o que será de nós miseráveis e cretinos mortais dessa zorra
terráquea, comandada por políticos, celebridades, mídias espúrias, coronéis
modernos e angelicais e corporações aparentemente idôneas. Para corroborar isso,
dados assustadores trazidos por Flash revelam que numa pesquisa do IBGECO em
2027, demonstrou que os humanos terão a sexta melhor qualidade de vida do
planeta, perdendo, a saber para as formigas adventistas, cobras urbanas, sapos
arrogantes, cotovias rejubiladas e em primeiro, os cervos com a camiseta do
Flamengo. Isso tudo dá uma ideia do que nos espera, seguindo nesse padrão
cultural e financeiro, desejando no futuro sermos portabilizados para os corpos
dos cervos e desde já adquirindo nossas camisetas do Flamengo. Ficam duas
recomendações do presente, vindas do filho do maestro Arquivo Morto, Fichário
Morto, futuro âncora bacana de TV e futuro conhecedor musical. Dois álbuns da
vertente emo, “A vingança dos psico somáticos enamorados” do grupo 22 Patinhos
na Lagoa Emocionalizados e “A Dureza de ter de enfrentar uma Barra de chocolate
todo o dia” do grupo EMA 2.0 (Emochocolatando Meio Amargo). (Luiz Carlos Peretto
– Jam Sons Raros – 02 / 09 / 2010)
Notícias
alvissareiras que podem aumentar nosso PIB
Sigo recebendo informações de
pessoas que transitam pelo setor musical, que nos dias de hoje é apenas mais um
bom negócio, célebre por cretinices e mesquinharias, do que algo a ver com
cultura e arte. E essas novas são alvissareiras no âmbito financeiro, o que é
rotina, pois deste setor sobraram apenas empresários que topam tudo por dinheiro
e operários musicais, pobres e redundantes, que por dinheiro a tudo topam. Com
isso quero dizer que as pessoas talentosas, ou estão na marginalidade do
processo ou em outras áreas do “desenvolvimento humano”. Primeiro uma
constatação através de um artigo do jornal americano Washington Postumus,
escrito pelo articulista Bill “Comet” Harley, revelando que o Brasil no fim de
2009 atingiu sua auto-suficiência em lixo musical, assim como os USA já o haviam
conseguido no fim dos 90. Somos o segundo país no mundo a ter esta marca notável
e inacreditável, baseado no volume de vendas de álbuns, shows e ingresso médio
mensal desse tipo de artista, de baixo calão no mercado. Isso significa que a
partir de agora nós podemos fechar nossas fronteiras musicais, não permitindo a
entrada de nada que venha de fora, não precisando haver mais aquelas perdas
internacionais tão reclamadas por um velho político nosso, que já se foi, pelo
menos nesta área dita cultural. É claro que isso não vai acontecer, pois nossos
bosses cultivam rolos, conchavos, interésses, sujos e até limpos com os caras lá
de fora, que resulta em grana pra todos os envolvidos, menos para nossa pátria
mamãe e a maioria dos seus filhinhos, que ficam com o ônus dessas atividades.
Comet Harley cita alguns
exemplos do trash ou lixo, fazendo comparações com a nata verde amarela como
Chico, Tom, Elis, Gismonti, Milton, Mutantes, Hermeto, Baden, João Gilberto,
Deodato, Luis Bonfá, Raul, Joyce, Bosco, Gonzaguinha, Jorge Ben, Wagner Tiso,
Tim Maia e mais algumas dezenas de reais e ótimos músicos, compositores e
intérpretes, que ele bem conheceu desde os anos 60. Essa nata tem seus álbuns
rolando pelas lojas desse mundão há décadas e a simples existência deles
escancara e dá o nível para o nosso trash, que infesta e deteriora o cenário
musical e nossas vidas, há pelo menos 20 anos. Comet cita um grupo recente que
faz um sertanejo pistolão desmunhecado, o desmunejo, talvez a primeira investida
nestes termos modernizando o sertenejão, que teve mudanças quase revolucionárias
com o universitário. Trata-se do Cowboiolas do Asfalto, com o álbum “Alto lá
machões”, tendo como figura central Arango “Tango” Queroquero. Ele destaca a
superficialidade burra das letras e a pobreza melódica, vaticinando que pelo
investimento que cerca os Cowboiolas, devem aparecer jamantas de grupos os
imitando. Este estilo vingará no segundo semestre de 2010. As cantoneiras é
outra coisa que vem aí, segundo Comet, com o grupo Josefina em Koma Arábica à
frente, cantando e representando as reivindicações do pessoal que recebe bolsa
família, suas vicissitudes e carências, clamando pelo aumento dos impostos para
uma melhor remuneração. Comet conta que ainda não identificou de onde está
partindo esse movimento, pois os bolsas não tem força nem expressividade para
tanto, mas com certeza uns alguéns vão levar vantagem com isso, valendo investir
um pouco neles. A outra vertente que promete inundar o mercado vem de uma nova
seita, Tementes a Ateus, que tem à frente Fernando de Rebecca, que diz ter
ficado dois anos no limbo e agora voltou com ensinamentos, pois lá ao invés de
correr atrás de dinheiro como aqui na terra, ele passou esse tempo todo
contabilizando o número de átomos que compõe seu corpo. Segundo Rebecca, quem
acerta escolhe seu futuro, céu ou inferno, e como ele nem chegou próximo, foi
liberado para uma reciclagem. Rebecca encabeça o grupo Becca & O Punição
Exemplar Ou Comutação Pecuniária, um gospel com a ira dos deuses, o sofrimento
dos pecadores, a redenção dos redentores e Rosana nas alturas com chiclets de
menta. Ele declara que o que mais lhe encantou no limbo foram as manadas de
cervos com a camiseta do Flamengo, correndo por entre nuvens e gramados
cinzentos e fumando charutos cubanos. Um amigo revelou que Rebecca parece ter um
pacto secreto com El Diablo, o maior receptador de automóveis do
Paraguai.
Agora vamos pro
outro lado da constatação do excesso de lixo musical, verificando como nossos
diligentes empresários estão lidando com essa situação. O maestro Arquivo Morto
me responde prontamente que com esse volume, homens perspicazes como Casquinha
de Siri, Homem “Sapiens” de Almeida, Roy Rogers, Kiko Bonasede, Geraldo
Starlight, este o maior colecionador de alarmes do país, antes de saber do
artigo do Comet já estão trabalhando no sentido de aumentar nosso PIB, via
exportação dos mais representativos desse nicho-lixo, em especial os que cantem
e falem na língua do país importador. Não se trata de enviar álbuns com uma
mídia razoável e ficar no aguardo dos resultados, mas sim de radicar grupos
tupiniquins nos outros países, absorvendo suas raízes e misturando com os nossos
galhos e folhas secas, pois nossas raízes já apodreceram. Dar nomes e cidadania
local à turma, para que o orgulho gringo de algo novo e “deles” reverta em plata
palpável para nós. Nisso há uma semelhança com a exportação de sapatos feita
aqui pelo vale dos sinos, ex meca do calçado nestes últimos 50 anos, orgulho de
todos que ganharam muito. O produto sempre saiu daqui montado e pronto, “apenas”
sem a marca, para ser colocada no país importador, ao sabor desse, não revelando
a real fonte produtora. Basta ver quanta tralha e inutilidade a galera compra só
pela marca, mas para isso quem confecciona precisa gastar para fixá-la, comprar
credibilidade, coisa que nossos empresários não se deram conta ou não quiseram
gastar, mais lógico para patrões terceiro mundistas. Hoje esses mesmos sapatos
são fabricados pelos chineses, com mão de obra aviltada e os importadores
colocando seus selos ou brasões da mesma forma. E o vale? Virado numa planície
desértica, mas isso são “outros 5”, não teria “outros 500” pois a grana está
curta mesmo.
Mas seguindo com
a exportação do lixo excedente, onde o que conta é despachar grupos de qualquer
coisa para o mundo todo, e lá eles colocam seus nomes, grifes e estilos sob
contratos draconianos, já que somos pau barato Brasil pra toda obra. Óbvio que
com comissão gorda para nossos empresários, tipo o Casquinha, que revelou ao
Morto que algumas experiências já estão surtindo efeito, como a dupla Vespa
& Vespasiano, que vai passar do sertanejo pescoção amarrotado pro country
pescoçudo amassado universitário, atuando na região que circunda Nashville, sob
a batuta capaz do ex capataz Bem Cartwright. Morto revela que Bem pagou 50.000
dólares ao Siri, para explorar a dupla com este novo estilo por um ano, retendo
seus passaportes e vistos, fornecendo moradia, 1000 dólares mensais ao par, mais
o SUS made in USA, obtido pelo táxi driver Robert De Niru. Os dois estão saíram
daqui arranhando no inglês, mas terão de parar com isso, senão Bem faz a
imigração os chacoalhar. Outra exportação de Casquinha se refere ao grupo Silva
& Silvana e os Podres do Planalto, com um axé de certa forma político, pois
eles fazem alusão ao péssimo serviço de coleta do lixo em Brasília, dando um pau
neles através de letras quase sarcásticas e semi-inteligentes. Nos states eles
farão um pop axé universitário tipo friends, rendendo US 80.000 ao Siri, sendo
que os Podres são professores de inglês. Casquinha possui quase cem grupos
pré-ajustáveis a qualquer situação, estilo sonoro e língua mãe do importador.
O caso mais esdrúxulo
ressaltado por Morto foi do grupo de jazz “In a Silent Way”, com o vocal
feminino expressivo de Ana Papa Terra e uma qualidade musical bem acima dos
demais contratados dele. Eles se transformaram nos Monkeys Of Tokyo, conseguindo
extrair um claro e puro Rock National Kid / Cavaleiros do Zodíaco, usando além
de baixo, bateria e guitarra, o berrante, instrumento do nordeste, a cuíca com
cabo usb e serrote virtual. Devo salientar que Casca tem assessoria da empresa
de Hermes “Pauduca” Fedorão, Tangenciando Problemas Ltda, que torna tudo
possível, as mais terríveis situações e adversidades são contornadas por ele.
Para isso ele só utiliza como funcionários ex-militares, com curso de RP, belas
artes ou ballet clássico. Se necessário Pauduca envia um pelotão desses ex, seja
lá para onde for, resgatando o que tiver que resgatar, endireitando o que
estiver torto e eliminando o que as contingências da vida assim o determinam.
Fedorão iniciou em 1995, protegendo todos os galinheiros do povoado de Sherwood
Sunset Boulevard da Tapioca, maior exportador de ovos do país, a 20 km de Mato
Sem Cachorro e com uma população de 15 000 humanos e cinco milhões de penosas.
Cada galinha tem seu CPF (cadastro de penosa física) e a cada CPF abduzido, um
valor pecuniário correspondente era descontado de Fedorão. Desta forma cada
galinha era protegida com a própria vida pelos seguranças, originando daí um
esquadrão que recebeu nota 9,3 da prestigiada revista Cuturnos Em Cima da Cia,
especializada em pelotões, pelotinhas, esquadrões de extermínio, Rambos,
Seagalls, Schwarz & Neggers e escoteiros espiões. A Cuturnos também publica
cotação para designs de tanques, navios de combate, uniformes, armas e tudo
relativo à moda, bem como as novidades militares, além de destacar a garota da
capa militar do mês.
Além
dessa exportação normal e corriqueira, Casquinha criou o que ele chamou de
“Projeto Tutancâmon: infiltrando cultura alienígena nos países co-irmãos”, onde
alienígena somos nós, the world of Brazil trash music, levando nossa “cultura
mais recente” para os demais povos. Onde falta verba para a boa música, o
próprio Casca banca. Tudo começa quando ele envia uma comissão de frente
composta por um advogado, um produtor musical, um financeiro e duas socialites
como observadores da situação musical local, como exemplo, para a Venezuela.
Neste país, em abril de 2010, Casca conta com cinco hits na parada dos mais
vendidos e todos são nossos patrícios passando-se por nativos locais.
Documentação, vistos, moradias, currículos, atestados, vacinas, tudo é
conseguido pelo tangenciador Fedorão, logo após a comissão de frente retornar
com as impressões e constatações. Após são definidas as diretrizes básicas que
serão cumpridas em trinta dias por Fedorão e seus comparsas. Segue-se o dia “D”,
a invasão dos grupos capazes de encher os bolsos de um dos grandes brasileiros
de todos os tempos, que agora podemos dizer com orgulho, traz divisas para o
nosso país, o Siri. Esse dia na Venezuela ocorreu em dois de maio de 2009,
levando duplas como Amador & Amante, Patético & Pateta, Hospedeiro &
Hospedado, Soele & Soeu, mais os grupos cariocas como Párias Acróbatas,
Enceradeiras Fugazes, Machões Enlatados, o famoso Duo Duodeno, que se
transformaram em “Con La Boca Na Botija”, “Du Carijo”, “Meliante &
Malachias”, “Forró Bodó en Lo Mocó”, “Cantante & Encantado” e “Juan Fujuto
& The Masturbeiders”. Então Casca mistura os ritmos nativos deles com os
nossos portentosos, sertanejo, axé, pagode, funk carioca, calypso e mais algumas
coisinhas que faziam falta por lá, podendo agregar universitário a qualquer dos
estilos com 25%.
Casquinha, a
bem da verdade nunca quis mudar nada nesse mundão, pois segundo ele as pessoas
são o que querem ser, ou plantaram para isso. Se são ricas ou pobres, opção
delas, pois principalmente no Brasil as oportunidades abundam e sobram, e se
existem reclamações, isso vai por conta da natureza humana, sempre tentando ter
um pouco mais ou menos, até para não ficarem sem objetivos na vida. Até admito,
há 15 ou 20 anos atrás haviam algumas oportunidades, porém agora todas elas
migraram para as corporações e para quem tem mucha, mas mucha, mas mucha plata,
tudo isso por conta da globalização e outras mumunhas que foram empurradas à
nós, flamantes terceiro mundistas por opção. De minha parte, o que Casca está
fazendo equivale a disseminar, onde não existe, a gripe influenza, a dengue, a
febre amarela e outras do gênero numa cultura que estava melhor assim, sem as
degenerações de irmãos terceiro mundistas, bastando suas próprias e as do
primeiro mundo que há muito já se impregnaram. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons
Raros – 06 / 04 / 2010)
O que mais
eles admiram
Estive trocando algumas
sílabas com Pablo “Pingo” Torrencial, do setor de criação da Agência Industudo,
a principal do município de Mato Sem Cachorro. Ela tem forte atuação no show
business nacional, gerenciando a conta de várias celebridades, sendo
especialista em marketing musical, desde postura e visual até que espécie de
trabalho apresentar ao grande público, o que vai “colar”. Pingo relatou que nas
contas maiores, eles se socorrem da Xywyonikon Enterprises, famosa empresa
inglesa, perita em quase tudo e que cobra “os tubos” nas suas dicas e
intervenções, principalmente quando precisa “mexer os seus pauzinhos”. A Indus
fez parceria com a Xywy numa pesquisa tida como crucial por Pingo, para as
próximas decisões e atitudes a serem tomadas com alguns de seus clientes. Isso
porque os organizadores do Gramma Latino estão projetando novas premiações nele,
observando outros aspectos no mundo musical, que também tem seu valor. Com esse
pessoal, a Indus tem fortes contatos, eles lhes devem favores e estes favores
lhes informaram das ampliações nas premiações, inclusive para o melhor sanitário
em estúdio de gravações. Essas alterações, se o resultado for expressivo, serão
adotadas no Gramma Internacional, pois ampliando a premiação, aumenta o leque
dos participantes, consequentemente arrecada mais.
Segue Torrencial, “a
pesquisa foi feita inicialmente na Europa, cujos resultados não foram
publicados, porém servem de base para muitas ações das majors atualmente. Nós
pagamos uma fortuna e o mago da Xywyonikon, Paul Chicken e seu cotovelo direito
Valentine “Val” Disnei vieram para cá e em dois meses conduziram a pesquisa, com
nossa mão de obra. Foram entrevistados 5500 brasileiros das várias camadas
sociais, sendo que as principais perguntas que a conduziram foram: 1)o que você
mais admira na sua celebridade musical preferida (CMP), 2)o que você gostaria
que melhorasse na sua CMP, 3)o que você repara de pronto, quando encontra seu
namorado ou cônjuge, 4)o que você gostaria de mudar em seu próprio visual, 5)o
que mais admira no político em que votou, 6) se você levasse uma surra federal,
o que gostaria que os brutamontes preservassem, 7) com qual celebridade você
comeria milho verde e trocaria confidências. Estas perguntas básicas foram
entrelaçadas com as corriqueiras, cor preferida, filme, novela, livro, raça de
cachorro, remédio, cor de caixão, número da sorte, timbre de buzina, etc. O
resultado lá fora deve ter sido chocante, aqui talvez um pouco mais além, ou do
além. A resposta verde amarela com dados oficiais ficou assim: feições faciais
20,32%, desembaraço verbal 18,55%, indumentárias ou fantasia (conforme o estilo
a celebridade se paramenta, vide canais musicais por 4 horas) 18,48%, cabelos
10,22%, melodia e letra 10,01%, cor dos olhos 9,97%, arcada dentária 8,51%,
convicções da celebridade(religião, astrologia, búzios, cartas, envelopes,sexo)
2,22%, e mais alguns itens abaixo da unidade, como cor das unhas e celebridades
com parentes simpáticos. Essa pesquisa passou a direcionar a Industudo com suas
celebridades e seus empresários. Pingo confidenciou que “se ela tivesse sido
feita há 15 anos atrás, algumas coisinhas mais ou menos boazinhas nem teriam
sido lançadas, sobrando mais para quem merece.”
E Pingo se solta, “com
isso, arregaçamos as mangas e começamos a ganhar mais. Dentre o grande número de
candidatos à celebridade musical selecionamos os Umbigos Escovados, Calafrios Viscosos, Esquilos
Indomáveis, Algas
Zarra, Liquens
Assassinos, este último de Joseph Fariasisso? e Emily Vaiquedá, dois
artistas plásticos que estão tentando a sorte na musica. Fariasisso? tem esse
ponto de interrogação no nome, pois seu pai quando do registro de nascimento já
previa uma carreira artística para seu filho e calculou que aquele ponto poderia
fazer a diferença em meio a milhões de celebridades. Por sinal Fariasisso pai,
nos anos 90 lançou aquele livro de grande sucesso, “Como educar seu filho
gritando e ser feliz”. Este livro veio preencher uma lacuna, pois existem
pessoas que só conseguem comunicar ou orientar aos outros na base do berro.
Fariasisso dá os tons certos com as frases eficazes, imprescindíveis para causar
o efeito desejado em quem precisa ser educado ou manipulado. Ele tem experiência
de 30 anos com escoteiros, militares, “cheff” de cozinha e administrando um
banheiro público em São Paulo.O investimento maior recairá sobre o grupo Galinhas
Automotivas, originário da revenda de peças mineira, GA Linhas
Automotivas Ltda e tem como líder o filho do proprietário, Sidini Automotivo,
que junto com Joey Ramune, Marcela Pedrão e Nicinha Come Cru completam o grupo.
É a mistura do emo core autodidata com o the Flash emo core e salivadas de
emulsão Scott Glen.Grana não é o problema, todos tem berço e só desejam tornarem
se celebridades”.
Segue
Pingo, “Chicken e Val Disnei recomendaram para a nossa agência uma DPS, Divisão
de Puxa Sacos, com eméritos e simpáticos puxa sacos, prostitutas puxadoras,
políticos desenganados com potencial, tele marketings desempregados, antigos
vendedores de livros re-motivados e com isso ter uma bela força tarefa para
corromper, amolecer, chacoalhar, engatar, engavetar, dominar e desviar o que for
necessário. Outra sugestão de Val Disnei, uma DC, Divisão Cornóloga, com antigos
sertanejeiros, experientes que entendem do riscado, para produzirem letras mais
espertas sobre cornos contemporâneos, neo cornos, não ficando na mão de
inexperientes e jovens universitários, que atualmente infestam o mercado com
letras ridículas e imbecis”.
E Pingo acrescenta, “Val
reiterou a necessidade de um grupo de elite apoiando as bandas, desde
psicológica para que aceitem as condições do mercado, determinadas por nós, até
para uma bajulação acima do normal para que a emoção prevaleça sobre seus parcos
rendimentos. Para esse serviço recrutamos Borba “O Grego”, do grupo Esses Fabulosos Ornitorrincos,
Conan, “A Barbara” da Espasmos
Confinados e o cafetão profissional Clóvis “Caminho das Índias”
Abvostado. Este último além da sua profissão é um emérito treinador de vacas, um
dos poucos no mundo, responsável pelo saber da Fadjutta, vaquinha de estimação
da princesa Sandretta do Marrocos, que a leva a todos os eventos sociais de que
participa. O próprio Disnei vai treinar o trio, como fez nos anos 90, quando
triplicou o faturamento da major inglesa, Amigos Fleugmatic United Records
(AFU), atingindo o feito com apenas 247 bandas de rock alternativo”.
Semana passada Julieto
Cabisbaixo me perguntou de onde vinha essa motivação para escrever, inclusive
algumas barbaridades e atrocidades que só eu enxergo. Eu lhe respondi na
chincha, são as drogas musicais que, de acordo com pesquisas da Xywyonykon já
estão superando em quantidade as drogas que infernizam a vida de muitas pessoas
e famílias. O simples contato com essas drogas musicais, via audição ou visão
causa uma colisão com o que tenho armazenado nos meus 54 anos e fico verde,
começo a aumentar de tamanho, sai fogo pelo nariz, ouvido e boca passando a
falar num linguajar esquisito, segundo minha filha. O que escrevo depois é
conseqüência. Isso nunca ocorre na loja, onde não temos televisão nem rádio e o
manuseio dessas drogas musicais está vetado no contrato social. A Xywyonykon,
junto ao laboratório Cifron, está investigando as conseqüências sociais na
Europa da exposição no longo prazo dessas drogas musicais. Chicken confidenciou
ao Pingo que é desnecessário realiza-la aqui, onde os efeitos são visíveis e
palpáveis, dispensando qualquer estudo mais profundo, valendo apenas o que é
arrecadado. (Luiz Carlos Peretto-Jam-14/7/2009)
Re-visitando clássicos
É visível que a padronização
cultural foi articulada e imposta por nossos arautos musicais remunerados
(subdesenvolvidos), que “operam” a cultura da nossa terra, situação esta copiada
dos países desenvolvidos. A diferença está em que, os do primeiro mundo também
“operam”, porém mantém opções melhores para os que as necessitam, mas também
para livrar as caras desenvolvidas deles. Aqui tudo fica por isso, com os
“nossos” servindo só o lixo, e a mediocridade campeando e se enraizando (sem
opções), nos induzindo a uma paulatina “adaptação”. A padronização vai excluindo
a criatividade e a inspiração, que tem custo e risco maior, mas que passam a ser
dispensáveis pela repetição continuada, com formas e aparências diversas.
Traduzindo, figuras produzidas com bigodes, bundas, olhos, peitões, roupas,
linguajares, expressões, cavanhaques e cabelos diferentes; vão executando as
mesmas ladainhas com cantos, danças, novelas, tiros, porradas, palavrões,
beijos, dando a impressão de algum conteúdo, às vezes pela mistura oportuna,
outras pela excessiva dinâmica. Os que aqui faturam com cultura, nos servem
produtos que não exigem o uso da nossa massa cinzenta, somos meros espectadores
passivos e dançantes, não precisando expectorar nada vindo do cérebro, apenas
continuar consumindo o lixo que tem data de validade. Meia hora depois de
encarar uma “cultura” dessas, já não lembramos de mais nada, porque nada havia.
Mas como “the show must go on”, se necessário de qualquer jeito e se possível
ganhando mais, nada mais show para o sistema que lucro incessante e crescente.
Sem contar com os custos, em queda livre pelo excesso de mão de obra. Atores,
cantores e modelos não param de surgir, pois os arautos fomentam visando obter
abundância deles e custos decrescentes forever. Todos esses candidatos a
celebridades, aguardam com seus books, clipes e cabelos arrumados, confiando
piamente que seus 15 segundos de fama ainda virão. Nós vamos levando nossas
vidas, cada vez mais atribulada e menos inteligente, caminhando junto com a
manada, ansiando por melhores pastagens. Para não deixar em aberto, vamos
denominar essa fase da humanidade de contra-criação com inspiração expirada,
rumo à mesmice absoluta, mas bacana.
Nós apresentamos a situação
e tentamos buscar no dia a dia a confirmação real dela, na comunidade verde
amarela. Neste caso específico localizamos Erpetácio Trunoco Contrapelo, o Etc e
tal, que saiu do anonimato quando apresentou para Casquinha de Siri uma ideia
assaz compatível, dentro dos preceitos modernos dos arautos já mencionados, onde
a mesmice mascarada e bem lapidada pode gerar alguns milhares ou milhões de
reais, que é só o que importa para eles, que operam sempre a curto prazo. Isso
funciona, se feito com organização -amor e carinho-, que são fundamentais em
qualquer projeto, ou seja, gostar do que se faz, mesmo que seja apenas copiar,
chupar e adaptar. O projeto de Etc envolve re-visitar clássicos da música e do
cinema, com artistas atuais, segundo ele adaptando coisas velhas e chatas às
condições atuais - legais e modernas -, apesar de serem apenas cópias. Quem nos
passa as informações é o próprio Siri, paladino “vivo” da nossa música.
Ele relata, “Etc relacionou
em primeiro plano quatro álbuns para serem revisitados, Sgt Peppers dos Beatles,
Pet Sounds dos Beach Boys, Who’s Next do Who e Divina Comédia dos Mutantes. Eu
parti para negociar os direitos das obras e Etc encarregou se de arregimentar os
grupos, responsáveis em tirar o bolor daquelas coisas, ao lado do maestro
Arquivo Morto, especialista em orquestras, big bands e até grupos de rotoqueras,
monoqueras e minimalistas protéticos. Este último estilo nasceu e morreu nos
anos 90 com o odontólogo e músico Ionosfera Rubicão, que o desenvolveu apenas
com instrumentos e produtos odontológicos. Ele ganhou notoriedade acompanhando o
tenor chileno Cejas Prudente, que servia bem para os devaneios das brocas e
espátulas de Rubicão. Voltando a seleção, Etc pinçou Antônimo e Os Sinônimos, Cuscos
Sintomáticos,Dindos Injuriados,
Obstetras Obstruídos, Corvinas Project de Dado “Dedo Duro” Duran, que prega o
congraçamento entre humanos e os peixes Corvina, que na visão dele tem muita
afinidade. Além das duplas, Sapo & Rã Mires, Ivete & Pivete, Indiana
Jones & Indianápolis, Negado & Abnegado, Repelente & Repulsivo,
Cordeiro & Desordeiro e os adeptos do sacanismo, Dengosos Sacanas
e o Sacanagem Desenfreada. As composições de cada trabalho serão rearranjadas
num contexto pagaxesertafunk, idealizado por Morto, visando uniformizar as novas
versões, criando uma unidade estilística e de linguagem para cada álbum ser
reconhecido”.
“Devido ao
custo na obtenção dos direitos dos filmes, criei uma empresa cinematográfica, a
MG é uma M Ltda, com possibilidades de atuar também no ramo dos comerciais e
novelas underground, com direção executiva de Bondoso Sepultado. Inicialmente
faremos uma versão nossa de “E o vento buscou”, com adaptação no roteiro de
Almir Bom Pastel, conceituado escritor e poeta, e patrocínio de celulares,
credi-cards e automóveis. Será ambientado, tal qual o original, na época da
guerra da secessão americana. Naquele tempo não existiam essas maravilhas de
hoje, por isso o diretor Elúbio “Primata” Moderno fará as junções no tempo,
satisfazendo nossos patrocinadores. A meu pedido, incluiremos cenas inéditas com
o Tyranossauros Rex e o irmão do King Kong, bem como oito nus artísticos
ambientados em estábulos e bares do velho oeste, visto a grande mão de obra
neste setor. Primata deverá encontrar atores similares aos originais, que o
vento levou. Até cirurgias plásticas foram autorizadas pela Credi-ferrão, um dos
investidores, para superarmos o
original”.
“O álbum Sgt
Peppers, que já está na finalização, terá os irmãos Mires em “ With a little
help from my friends e Lucy in the sky with diamonds”.Tanto Sapo quanto Rã
Mires, há pelo menos um mês estão assistindo a BBC de Londres, ligados nas
pronúncias e gírias, para que tudo saia a contento. Os Dindos Injuriados em
“She’s leaving home” e “Getting better”, utilizando o mesmo bom gosto que os
caracterizaram em seu hit “Coça, coça e lambe”. Ivete & Pivete farão a faixa
título do álbum por alcançarem as notas mais altas, tanto no supletivo quanto
nas músicas. Dinartinovich Malukov, russo e um dos investidores, líder dos
Dengosos Sacanas, dos Cangotes Patéticos e dos Urina de Bergamota, fará o cover
das demais faixas. Ele foi apelidado de Malu Bader por seu baterista e back
vocal, Rick Alfredo. Todas essas bandas praticam um rock “senta a pua” federal e
estadual. Malukov é o vocal das três, apenas mudando a cor do cabelo, alternando
bigodes, costeletas, enchimentos na boca, nariz e ombros e a maior coleção de
chapéus, depois de Rodabella Gatilho”.
“Na Divina Comédia o líder
musical do projeto será Constante Atropelado, de família sôfrega e amarga do
município de Encantos Fugazes, à noroeste de Fritzburger. Atropelado, em frente
de sua casa com um grupo de amigos, certa vez interpretou com grande galhardia e
fogosidade aquela obra, sendo assistido no prédio em frente por nada mais nada
menos do que eu. Ele é neto do King Cola, dono da maior fábrica de cola de
Encantos, que teve seu apogeu quando foram descobrindo outras utilidades para
ela, dando corda de forma meiga e subliminar. Três das faixas deste álbum serão
na linha funk pancadão, onde as pessoas dançam e batem uns nos outros, “en
passant”, com uma espécie de bastão de beisebol, recomendando que os
participantes desta atividade recreativa tenham um bom plano de saúde”.
“Estou apostando tudo neste
“Re-visitando”, assim como Moustapha Di Ferrão da Credi-Ferrão, visto que alguns
de seus projetos estão ferrados, principalmente depois de eclodir a crise
econômica de 2008. Segundo algumas línguas, ele contraiu dívidas com traficantes
colombianos de secos & molhados, que já estão no seu pé. Ele anda nervoso e
sedento por dinheiro e sua cobrança recai forte sobre Atropelado, Morto e
Sepultado, os executivos do projeto, portanto com seu futuro e saúde nas mãos.
Rã Mires revelou que Ferrão montou e assumiu a direção do sindicato dos
sertanejeiros, o SINSERO, onde ele cobra das duplas mensalidade por indivíduo,
oferecendo apoio psicológico, reversão de multas e expectativas, juros menores,
preços adequados no transporte com a Transferrão e descontos na cachaça Elesbão.
Ele conta que uma das ideias de Ferrão é passar de dois componentes para três as
duplas do sertanejo, colaborando em mais postos de trabalho no pais e
arrecadando mais pra SINSERO. Ele segue o dito popular, “onde dois comem, um a
mais não faz diferença”. Até agosto deste ano, 45342 duplas estavam
sindicalizadas. O processo vai iniciar com Omisso & Submisso, ex AS &
Paracetamol, que vai agregar o Cartão da dupla Cheque & Cartão, já que
Cheque está se aposentando, nascendo o trio Omisso, Submisso & Deixadisso.
Na esteira deles, Saltimbanco, Sentanobanco & Assaltoaobanco, para que a
moda vingue, a economia frutifique e ele se livre dos apressados colombianos. Na
reserva, para eventualidades, Elroy, Cowboy & Playboy, Papi, Papito &
Papudo e o trio feminino Branca de Neve, Cinderela & Alice no País Das
Maravilhas. Por sinal, Das Maravilhas integrou o cast de um programa infantil
que rendeu muito para alguns adultos. Dizem aquelas línguas que, quando Ferrão
legalizou o sindicato, estabeleceu empréstimos sem limite aos sócios e duas
horas depois alterou para créditos normais, tal qual os seus similares. Hoje
Ferrão é disparado o maior devedor do SINSERO”.
Reconheço que Siri, Ferrão
e Cia lutam para hiper viverem, e que bem ou mal investem neste saco de gatos
que é a nossa cultura, proporcionando pelo menos entretenimento pra galera,
enquanto pastagens melhores não surgem. Ou os arautos finalmente resolvem
mostrar um outro lado, espiritual, cerebral, genial e criativo, para que não
precisemos perder tempo e dinheiro com embustes. (Luiz Carlos
Peretto-Jam-24/08/2009)
Criatividade para enfrentar
um futuro incerto
Como o nível geral da música
foi decaindo através dos anos (especialmente na composição das melodias),
atividades auxiliares foram tomando corpo e assumindo importância transcendental
para que o produto saísse das prateleiras das gravadoras e ocupasse as do
consumidor. Então complementos como a dança, clipes, aparência, fofocas em torno
dos “artistas”, opiniões deles a respeito de assuntos momentosos e da vida
transformaram-se em elementos vitais, podendo elevar as vendas do futuro
sucesso. Trocando em miúdos, trata-se da construção de um ou mais
personagens/celebridades, com os quais a galera se identificará e o consumirá
nas diversas formas. Com a imagem sendo manipulada pelos marketeiros, assim como
o pobre produto sendo maquilado conforme necessidades e carências, a fraude
musical tornou-se comum e as pessoas passam a procurar os clipes,programas de
rádio e TV e os pareceres de pessoas “isentas e sem compromisso” sobre a nova
obra, para apoiar suas escolhas.
Percebendo isso, presumo
eu, o valente 9/12 Avos “Casquinha de Siri”Novaes formatou um projeto para
servir de base para as suas peripécias futuras no mundo musical. Ele conta no
seu catálogo com 3523 “bandas e solos”, em ordem alfabética, precisando
desová-los e se possível ganhando algum em cada um. A ação para que isso ocorra
envolverá a fundação de uma revista nacional inédita de fofocas, A Boca Grande e
uma Escola Superior de Danças Aleatórias e Cosmopolitas. Para isso designará
Emma Thomas Dhoy como editora-chefe da Boca e Rhodabella Gatilho para as danças.
Haverá ainda um setor de criação independente para dar nome aos bois, vesti-los,
criar perguntas e respostas satisfatórias, logotipos e viabilizar influências
sonoras, à cargo de Fredy Strogonoff, o consultor e Henriqueta Molho Madeira, a
executiva.
Rodabella conta
com 2725 danças diferentes no seu repertório, que se adaptadas transformam-se em
10.525, incluindo as do bicho de pé, células-tronco, magneto possuído, guarda
noturno, alma penada, celebridade com dor de cabeça, celebridade discutindo com
o síndico, celebridade sendo autuada, celebridade lendo na privada, celebridade
emitindo cheque sem fundo, etc e etc. Rodabella selecionará 700 professores,
para que cada um lecione somente 15 danças e cada turma tenha 25 alunos, quando
o aproveitamento será máximo. Os “melhores” serão utilizados nos projetos,
estando com a mensalidade da escola em dia.
Com relação à revista Boca
Grande, Emma vai lançar mão da sua principal característica, plantar, colher e
publicar onde nada ou quase nada existe. Dessa forma o leitor irá se deliciar
com as situações impostas às futuras celebridades, para que num amanhã elas
sejam reconhecidas. Este tipo de “trabalho” miss Dhoy ensaiou na Folha do
Entardecer, em Cipreste Oculto de 2002 a 2005, período onde ela pintou e bordou
ganhando muito, inclusive por fora da high-society local. O braço direito de
miss Dhoy será o artista de teatro mambembe Aquiles Calcanhares, mestre do
disfarce, criador de 150 personagens e décimo filho de família tradicional e
empoluta do norte brasileiro. Os Calcanhares são famosos pelos seus vatapás com
sorvete e pimenta com galinha caipira e urbana, mas principalmente por uma
empresa especializada em tratamento de canalhas, a
ECV(elimineumcanalhadasuavida.com.br). Com três ou quatro sessões resolviam o
problema, deixando o senhor ou a senhora, a namorada, a vovó ou a esposa
tranquila novamente, pois havia a garantia de dois anos sobre o serviço.
IZHO-TOPO 9008 pois os objetivos sempre eram conseguidos sem sequelas aparentes,
o “tratado” passava a ter um temor respeitoso pela turma da ECV. Obviamente que
o custo era compatível com o resultado, a troca de um canalha com alto custo
mensal por um trabalhador abnegado e servil.
Miss Dhoy ganhou a
confiança de Casquinha, quando em maio de 2005 levou o grupo Mexilhões Desaforados a uma excursão pelo
norte, com 40 shows em dois meses, todos eles previamente vendidos. A compra dos
mesmos estava baseada no futuro CD deles, “Júnior, o que Bety faria?”, inspirado
no livro “Eu sei o que Bety faria...e o que vocês fizeram”, que Onofre
Lambuzado, líder dos Mexilhões, lançaria em breve. O livro por sua vez
baseava-se em uma novela, com estréia em breve num canal nacional, “Farias o que
Bety quisesse?” tendo como autor Aquiles Calcanhares, naquela altura baixo dos
Mexilhões. E finalmente a novela baseava-se nos dizeres de uma fita de pulso
política que dizia “Bety fez e fará!”.Dhoy compôs uma atmosfera mágica e trágica
com os futuros lançamentos, envolvendo público e empresários de tal forma que
todos os ingressos para os shows esgotaram e poucos lembraram da novela, do
livro e do CD fantasma.
Idêntico trabalho ela
desenvolveu com o grupo Perdizes Localizadas no oeste, atingindo a marca de 67
shows. O Perdizes era composto por vários integrantes do Salsichas Vencidas e
fazia um dos melhores country pescoções já elaborados em um dialeto persa. Com o
grupo Glóbulos Vermelhos Facultativos a coisa não funcionou tão bem. Após a
implantação rotineira dos “um sete um” e das vendas dos shows, Marjorie Krapula
a vocalista principal dos Glóbulos sofreu ameaças por parte de grupos
extremistas como os neo-nazistas, pós-fascistas,escoteiros, comunistas,
banqueiros, doadores de orgãos, assoadores de nariz independentes, etc. O erro
de Emma foi confiar a Prefacio Thapadu, editor do jornal local, a criação e
execução dos “um sete um”. Ele incendiou, detonou, confundiu, trocou os pés
pelas mãos, pois receberia um percentual dos ingressos. Em resumo, show
cancelado, ingressos devolvidos, Prefacio e Emma discutem custos até hoje, e
Marjorie Krapula passou a vender mariolas usando nova identidade em outro
estado.
Rhodabella Gatilho,
por sua vez, rebolou as 10.525 danças aleatórias em 25 dias e 25 noites,
ganhando assim o respeito de Casquinha e o posto na Escola. Além disso, Rhoda
treinará um grupo de sósias de Elvis, Romário, Bush, Júnior, Zagalo, Tarcísio
Meira, Roberto Carlos e Maluf , chamado de Projeto Uirapurú, para dançarem
profissionalmente em eventos oficiais e sociais, acompanharem celebridades e
políticos em situações importantes e tornarem o povo mais alegre. A prioridade
de Rhoda serão as danças que retratam o dia a dia das celebridades, suas
emoções, dilemas, frustrações para que o grande público os conheça mais. Assim
danças como “celebridade esfregando roupa”, “celebridade dividindo cachê com
empresário e o pistolão da TV”, “celebridade saindo com travestis” serão suas
prioridades.
A primeira
experiência conjunta de Rhoda e Miss Dhoy surgiu em meados de 2007, com os
grupos Suzie P. e as Borboletas Encapuzadas e sua dança da “Bundinha Invertida”
e com a Caules Henry Gessidos, onde brotava um pagode percentualizado com letras
sovinas, burlescas, tiranas e piramidais. Todas essas manobras fascinaram o
velho Siri, remoçando-o em seis meses e dando coragem para enfrentar the future.
A ideia de Siri será lançar
durante os próximos 8 anos, a cada mês 1% do seu cast, um pacote com 35
novidades no mundo artístico, que multiplicados por X renderia a ele 35X
mensais. É uma empreitada difícil de ser cumprida, porém com o profissionalismo
e a criatividade de Rhoda, Emma, Strogonoff e Madeira a tarefa torna-se viável e
o povo com certeza ficará mais
feliz.
Obs.: Este texto vai
como incentivo aos que estão se lançando no mundo do show business e aos
incansáveis empresários que querem tornar nosso povo mais feliz.(Luiz Carlos
Peretto-Jam-17/09/2009)
Surf Peão
Boiadeiro
Estamos prestes a presenciar
uma das maiores sacadas mercadológicas deste país, é o que informa o
“esperançoso em espécie” Theobaldo Liso, primo da esposa de Casquinha de Siri
Novaes. Ele conseguiu juntar algumas celebridades econômicas do submundo, mais o
BIFI, Banco de Incremento Financeiro para sacadas Inéditas e a financeira
Credi-Ferrão do popular Moustapha Di Ferrão, pai de Dôrico, líder dos Araras
Escalpeladas e centro musical do projeto. Esta reunião remeterá a uma
verba mirabolante de US$ 10 milhões, o que provavelmente tornará os Araras a
nova mania musical deste país. Quanto às celebridades econômicas, o relato de
Liso foi um tanto reticente, mencionando apenas alguns nomes estranhos como
Madame Butterfly e sua namorada Frau Dulenta, loira, voz cremosa, terno
listrado, chapéu de plumas e uma cano 12 representando alguns investidores da ex
cortina de ferro; Dr. Sinagoogle, sapato bege, cachimbo azul, topete a lá Elvis
e fusca prateado queimando óleo, trazendo seu afeto financeiro como “front man”
de grupos asiáticos; e por fim Serpente De Bem, ex agente da UNCLE no Brasil,
salivando, expectorando e arrotando muito, abrangendo o setor do velho mundo,
Eurofalcatruas, que reúne alguns grupos ativistas brandos, não tão brandos e
marlon brando.
A principal
intenção desses elementos, além de recuperar o investimento feito com juros e
correção, seria de inundar o mercado nacional com mercadorias e bagulhos
alternativos no setor diversão. Além deles o ministro dos esportes de Ventos
Sopram ofereceu a adesão da prefeitura local em troca de apoio político e
serviços gerais específicos.
Liso comenta a boca pequena,
após um gole de cana, “a intenção de nosso grupo é lançar nos próximos meses uma
nova modalidade de esporte, criado em nossos laboratórios com experiências em
ratos e humanos. É a junção de duas atividades de ponta, que levam muitas
pessoas a praticar, acompanhar e gastar. A união do surf com os rodeios do
interior paulista e outros interiores, o surf peão boiadeiro, devendo causar
sensação e consumo. Nossa idéia é trazer boa parte dos dois públicos cativos
para nosso lado, além de conquistar mais adeptos. Inicialmente promoveremos um
grande evento ao vivo pela TV, em alguma praia do nordeste e após iniciaremos
torneios estaduais. Segundo passo, catapultar quinze artistas nacionais
respaldando intelectualmente o movimento, desde duplas sertanosurf até bandas
misturando e rebolando vários gêneros musicais, além dos Araras. Em seguida
iniciaremos a terceirização de produtos relativos a este esporte como roupas,
acessórios, bebidas, vitaminas, cosméticos, sapatos, etc.. e os bagulhos
alternativos no setor diversão, os quais ainda não conhecemos.”
Segue Liso à boca murcha, “
no esporte deveremos ter um campeonato fundindo as qualidades intrínsecas de
cada um e o marketing perene de ambos, para a máxima lucratividade. Já
conseguimos contratar três expoentes de cada estilo para selecionarem as provas,
participarem como concorrentes e expôr na mídia nacional. Haverá suporte a um km
da costa com o navio do filho de J. Custeau, auxiliando nos detalhes das provas
e pescando para as carrocinhas de alimentação que teremos. Assim o BIFI, a
Crediferrão e os expoentes contratados determinaram as seguintes provas:
1.O peão-surfista deverá
surfar se desvencilhando de um enxame de abelhas que o acossará no momento que
pegar a onda. O barco de Custeau solta o enxame após o concorrente ter sido
untado com açúcar nas costas. Pontuação em picadas, zero=100pts, 1=80, 2=60,
3=40 e além=desclassificado.
2.O peão surfista deverá
usar um bambolê sobre a prancha, podendo rodá-lo em um dos braços ou na cintura.
Surfando na distância acima de 40 mts=100 pontos, de 20 a 39=70, de 10 a 19=40 e
abaixo de 09, desclassificado.
3.O peão-surfista, após
pegar a onda, deverá laçar uma das bóias a disposição. Custeau colocará 50 delas
para cada bateria e os pontos conforme a cabeça das mesmas: modelito touro=100,
vaca=80, ovelha negra=60, ovelha branca=40, poodle=20 e bicho de
pé=10.
4.Via corda de quatro
metros, o peão surfista será conectado a um golfinho, após ser puxado ele deverá
montar no golfinho e conduzi-lo até próximo a margem, alimenta-lo com peixes e
dançar ao som da Macarena. Tarefa cumprida=200 pontos, meia tarefa 100 pontos.
5.O peão-surfista deverá
surfar e com uma tarrafa recolher no mínimo 2 bagres, 2 papa terra e três
siris.Tarefa cumprida, l50 pontos, completa Liso com a boca cheia de dentes e
cana.
Quanto aos jurados,
comenta Liso bocejando com seu maxilar de três tempos e engatando a segunda,
“teremos dois peões e três surfistas da antiga, dois carnavalescos do Rio, um
baiano perito na dinastia Ming, um esteticista, um paleontólogo e quarenta e
nove celebridades da TV para julgar o desempenho dos concorrentes. A etapa
feminina será feita a posteriori, conforme os resultados desta. O uniforme
padrão exigido para as provas: bota com salto e esporas, sunga com franjas,
cinta com fivelão, chicote e um grande chapéu de cowboy, com o merchandising dos
patrocinadores oficiais, Papel Higiênico Romualdo, “em todo evento, o
companheiro de seu assento” e Cachaça Elesbão, “ 65% mais bão”, dois produtos
novos que vão apostar no nosso projeto”, rebate Liso derrubando a Elesbão.
E Liso investe com a boca
travada, “a estrutura de apoio será dividida em duas partes, a aquática
coordenada pelo filho de Costeau, dando suporte aos concorrentes e as tarefas
para que elas sejam cumpridas no rigor da lei. Eu realizarei a terrestre com
auxílio de meus sócios no desmanche de carros em Budapeste do Agreste, Janota
Riscado e Calandro Fundo Chapado, com toda a infra necessária desde salva vidas,
segurança, alimentação Ferrão, calabresa, montanha russa, dançarinas, padres
para confissões, corrida com colher e ovo, tiro ao alvo, cursos de culinária
para peões e surfistas aposentados, para-médicos, videntes, professores de
aeróbica, natação, coral e canto gregoriano, equitação, cópia de chaves, modelo
e manequim para filhas de peões e surfistas, mãe, pai e genro de santo, trem
fantasma, curso de etiqueta e milho verde. A alimentação básica para o surf-peão
e presença em todas as carrocinhas Ferrão Lanches será o Donuts Ferrão, já
aprovado pelos nutricionistas e pelo próprio Moustapha. Aliás, mediante poucos
documentos ou com a penhora de algum bem, Ferrão liberará valores significativos
com juros parecidos com os do mercado”, destaca Liso engasgando com a leveza da
Elesbão.
Cobro algo sobre os
Araras Escalpelados dos Di Ferrão e Liso tasca “eu queria incluir nesta barbada
o meu irmão Átomo Liso que há 10 anos luta no mundo musical, mas o poder
financeiro venceu novamente com os Ferrão. Átomo teve doze bandas de ótima
qualidade neste período, Gatunos Ciumentos, Sensações Lúgubres, Urubus
Contemplativos, Caspas Idiossincráticas, Tarugos Esfuziantes, Vagalumes Tarados,
o power trio Três Porquinhos
Sedutores, Barangas Customizadas, Mondongos Bombados e a principal, Vermes
Alados, anteriormente Vermes Mimados e antes ainda Vermes Românticos. Esta durou
quatro anos e meio e desandava um rock mortadela/ultra leve/pizza forno à lenha
danado de bom, porém foram abatidos pelo mercado. Os Araras vão regravar o
sucesso da Macarena num arranjo arrojado e desabrochado do maestro Cordilheiro
Abastado Vulgares, que vai conduzir o tema por caminhos nunca dantes
percorridos, numa versão serta/pop/emo/nejo/chumbrega/cinta-não-liga”.
Lambendo os beiços com
fúria e disparando “vamos eleger a rainha do surf-peão num evento mágico e
único. A escolhida dentre 50 candidatas será a Trisha Vinagre, uma gostosa que
conheci no alpendre do Casquinha de Siri, onde fazíamos um festão de despedida
de casado do Brudo Salmora. Me envolvi com Trisha e acabei prometendo coisas que
seu pai Curtido Vinagre está cobrando agora”, desandando a chorar após mais um
golão da Elesbão. E balbuciando “eu poderia acionar a Madame ou o Dr.Sina ou até
mesmo o Serpente que tornou-se meu irmão, porém acho que estou envolvido demais
com a Trisha e talvez deva consumir apenas com o velho Vinagre”.
Já choramingando feito
criança, Liso declara “no ingresso teremos um seguro ao portador garantido pela
Ferrão Seguros, além disso o participante ganhará uma língua de sogra coreana,
um poster do navio de Custeau, uma capa de revista com Trisha sendo a garota da
capa e um passe para o meio-frango funk com polenta a ser realizado pelos
Ferrão”, e ele desaba abraçado à Elesbão.
Com o que foi dito por
Theobaldo, apesar de mamado ao extremo, concluí ser uma iniciativa válida deles
para com nosso país. Lamentando apenas pela entrada dos bagulhos alternativos
para diversão, porém sei que nada pinta de bom neste país sem um rastro maldito
e desprezível a acompanhar. Estou pleiteando uma barraquinha com pescaria e
buzios para faturar junto. (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2007)
Maçanetas
Estava pensando com meus
botões e um zíper, matutando sobre nossos pecados aqui no terceiro mundão.
Porque somos tão inocentes e permeáveis a tudo que estiver à nível de chinelão,
quanto lixo idolatramos, quanta coisa boa nos deram só uma provinha ou nem isso,
quem filtrava e ainda filtra nossos gostos, quem escolhe nossos ídolos, quem
matou Odete Reutman???? Foi um trabalho árduo de décadas, nos formando como seus
consumidores e pau pra toda obra no trabalho em suas empresas, com pró-labore
miserável. Não estou culpando só os políticos, pois esses são somente -testas de
ferro- bem remunerados de corporações, grupos e coronéis que realmente os
colocaram lá, através dos nossos votos induzidos e merecem mandar no país, sugar
e pedir para embrulhar. Nós, cidadãos terceiro mundistas, somos programados para
não sermos exigentes no que realmente importa, aceitamos qualquer gororoba que
nos empurram, independente da faixa etária e de renda que compomos, pelo pouco
acesso que sempre tivemos ao todo, inclusive musical. Tivemos e temos sim alguns
flashes descontextualizados do que existe e existiu, e pela internet, no caso da
música, as genialidades e os espasmos de qualidade existentes no mundo já estão
soterrados com o lixo feito por todos os seres vivos, compondo e gravando
desmesuradamente, pois qualquer um tem direito a fazer seu som. Neste caso os
flashes são escolhidos por nós, o que torna quase impossível localizar o fio da
meada, ou seja, os melhores e os diferenciados, facilitando o trabalho dos
marketeiros. Por isso enxergamos sempre um emaranhado, com quem tem mais poder
na divulgação tornando-se o pai disso e daquilo..., mordia abutres e chutava
gansos no palco..., primeiro a fazer..., matou ou morreu por..., rebola bem...,
tem influências e referências de caras como Êpa, São Jorge, Britney e...quem nos
fez assim? Os mesmos que forjam com sabedoria as celebridades de barro que
circulam por aí, lutadores diários da nossa pseudo cultura, com suas aparições
iluminadas em shows, novelas, programas de entrevistas, musicais e clipes. Neste
país sub desenvolvido, multi-atrasado no que interessa à nós e adiantado no que
interessa a eles, sem raízes e adquirindo essas de outros, manipulado
cotidianamente por ações duvidosas das mais diversas de nativos espertalhões e
gringos sugadores, fazendo com que desperdicemos nossos parcos recursos de forma
irracional e desequilibrada, literalmente jogando dinheiro fora em ilusões e
paliativos de grandeza e felicidade.
Precisando redirecionar
minha vida social, constatei a necessidade de passar a usar roupas com marca,
automóvel do ano com grife e com isso ascender socialmente na comunidade. Isso
significa que terei que lutar por alguns farelos do bolo mencionado no parágrafo
anterior. Ao lado de meu amigo e oportunista Casquinha de Siri, apresento mais
um projeto onde deverei ser o articulador. Após dois terem dado certo no mercado
musical brasileiro, surge mais uma boquinha do Siri, produtor e empresário do
ramo musical e dos espetáculos. Passo adiante essas novas idéias e formatos,
para conseguir aliados nos nossos empreendimentos.
Este será um plano especial
para um forte grupo radicado em São Paulo, que funciona há 22 anos com
colecionadores de todo o país, tendo sua matriz em Nebraska nos USA. Eles
colecionam basicamente maçanetas, de todos os tipos, cores e nacionalidades. Seu
presidente, Vindy Amin Theobaldo possui atualmente 142.374 delas no seu acervo e
três livros publicados sobre o tema; seu vice, Prolibaro Jupanqui, 112.495 e
quatro ensaios fotográficos com câmera digital. Eles comandam uma sociedade cujo
nome é Maçanetas, Sexo & Rock’n roll & Axé com 45.512 associados só no
Brasil, que pagam mensalidades e compram maçanetas de forma compulsória, pois
Vindy e Prolibaro importam as mesmas de todo o mundo. Consta existir uma bancada
federal com 18 políticos/colecionadores em Brasília. A ideia inicial é formar
uma banda ou grupo musical que divulgue a existência de tal sociedade, somando
mais associados, divulgue seus conceitos e filosofias e que futuramente vendam
novas grifes de maçanetas. Como Siri está muito atarefado no momento, sem tempo
para um projeto de tamanha magnitude e responsabilidade, ele repassou a mim essa
possibilidade, juntamente com seu primo em Magnésio Salafrário, perito em
anilinas, solfejos, gracejos e líder do Matungos Episcopais Mamados, que fazem
um pop/top gun/bublle gum/tarja preta.
A atuação do marketing será
incisiva, penetrante, rasteira e abrindo todas as portas. Nossa responsabilidade
inicial, identificar uma nova moda ou tendência musical e copiá-la, inserindo no
mercado sete dias após o aparecimento da primeira. As músicas e as roupas
estarão pré-prontas aguardando a nova tendência ser detectada para dar o
acabamento, bem como coreografias, bordões, danças, textos e falas. Mídias e
espaços nas TVs já bem pagos, tipo tira o deles e coloca o nosso. Completando
com uma ajuda de custo e sábios conselhos para os primeiros sumirem da cena
musical. Do sucesso deste projeto dependerá três outros futuros, também de
fortes colecionadores,um de cata-ventos, outro de filtros hidráulicos e um
terceiro de cápsulas de projéteis de arma de fogo já deflagradas(CPAFD).
Utilizaremos os serviços da
banda de rock emo-roidal “Executivos Descabelados no Oásis”, que realiza um portentoso pop
chifrudo/entediado/migrante, formado por dois irmãos e três primos que brigam
constantemente entre si, com safanões, sopapos, mordidas e palavras de baixo
calão, inclusive no palco e com a imprensa. Bem conversados e pagos transformam
o show num verdadeiro pastelão. Bonaventura Desavença e seu irmão Desventura
disputam a liderança do grupo de forma até violenta e sanguinária, com Bona
tendo sido atirado do terceiro andar do seu prédio e sobrevivido. Um fato
peculiar, Sessão Aventura, o pai dos irmãos Desavença, sempre mencionou com
insistencia a ausência de um parafuso em Bona, o que o fez empreender durante
toda sua vida uma busca frenética para encontrar este item de seu cérebro. Em
2005, num concerto promovido pelo coronel Beleza de Rabanette em Vicky Vaporub
do Norte, Tocantins, o piso em que Desventura se apoiava cedeu, com o músico
rolando morro abaixo e ai dois jagunços o agridem violentamente com tacos de
golfe.Tanto a polícia local quanto o coronel Rabanette deram o caso como uma
infeliz coincidência. Em 2006, tocando no Aipim Fest em Varejeira Escamosa, à
oeste de Fortaleza, Bona mudou a cor de sua pele quando foi eletrocutado.O plug
da sua guitarra Pereira Stratocaster foi conectado a uma saída de 380Volts por
um vulto, que simplesmente evaporou, sem deixar pistas, como relatou o delegado
de Escamosa, Conserva de Rabanette, por coincidência irmão do coronel Beleza de
Vicky Vaporub do Norte.
Essas infinitas alternativas de situações inusitadas, que vão somente necessitar
da divulgação adequada para terem o efeito pretendido na mídia, revela-se como
um fato inédito para o marketing brasileiro, somente com similar em uma banda da
Inglaterra. Quanto ao nome,adaptamos um mais plausível e adequado à finalidade,
“Flexionadores de Maçanetas”.
Quesitos indispensáveis
para os Flex, indumentária lembrando maçanetas, chapéus estilo fechadura com
segredo, sapatos reproduzindo uma chave mestra e letras abordando o tema de
forma sutil, porém convicta da utilidade delas no mundo moderno. Inclusive a
satisfação de abrir uma porta com uma boa e saudável maçaneta e sempre
homenageando as velhas tramelas que no passado foram magníficas e cumpriram suas
missões com denodo. No palco do show, várias portas com maçanetas importadas em
inúmeros compartimentos, separando os elementos do grupo que tocam seus hits e
vão abrindo e fechando portas com classe, garbo e felicidade. Nas entrevistas
para a televisão, cada Flex membro deverá portar a maçaneta da hora e a exibir
com orgulho e respeito. Providenciaremos em 150 tietes profissionais, que
trabalharão em regime de experiência por três meses, após nova seleção será
feita. Além de gritar, dançar e cantar dando respaldo à música, em ocasiões
oportunas, deverão invadir o palco arrancando as roupas dos Flex, sem danificar
e tirarem as maçanetas como troféus supremos(devolvendo após).
Tendo consciência de ser um
bom plano, minha conta bancária e eu ficamos no aguardo dos parceiros. (Luiz
Carlos Peretto-Jam-08/01/2008)
5/12 Avos & 7/12 Avos
Num simpósio sobre edredons
e lâminas de barbear em Nabuco do Oeste, próximo a Saliente Perverso no sul do
Paraná, tomei ciência através de Casquinha de Siri e seu genro, Perplexo
Vulgares de um projeto musical diferente e que em conjunto compatibilizará uma
ação enérgica contra os insetos de qualquer espécie e credo.
No aspecto musical do
projeto, diz Casquinha: “privilegiaremos os meus irmãos, a dupla 5/12 Avos e
7/12 Avos, eu sou Nove Doze Avos Novaes o mais novo, nosso pai adorava frações.
É um sertanejo classudo, com os elementos de sempre como música mexicana,
paraguaia, jovem guarda, country e brega combinado com o popular da Rússia e
Coréia e as marchas militares, surgindo um novo estilo cujo rótulo será
sertarussoreano positivo operante, com boinas, galochas e cabelos esvoaçantes.
Meus irmãos pleiteiam cidadania do País de Gales ou loja de revenda de
celulares, por isso teremos duas opções na reserva, o sisudo e impertinente
Aeronáutica, Marinha & Infantaria, este na terceira voz e a fogosa dupla
Amansa Burro & Burro
Manso, que faziam os back vocais para os Matracas Anestesiadas, onde
rolava um canto gregoriano metalizado e alucinado. A banda de apoio para
qualquer das duplas ou trio será a Tabacudos Libidinosos, que por 3 anos tocaram num bar alternativo
em Passo de Los Libres, fazendo com que a galera local soubesse de cor cada
sílaba cantada e eles aprimorassem suas execuções. Os Libi tocam um pop
gratinado, grudado, grunhido e grotesco, que vem a calhar com o sertanejão dos
meus irmãos.”
E Perplexo
acrescenta: “a dupla tem 23,5 influências musicais, cito algumas como o som dos
golfinhos, o ranger de um sapato molhado, o velcro tailandês, a sonoridade
original de uma mesa de bilhar, o pigarro chinês, as maledicências históricas
dos asiáticos e os cânticos poderosos da Antártida. As letras baseiam-se em
ditos populares e textos de táticas e manobras militares, revelando de forma
aprazível o conhecimento dos grandes generais do mundo. Além disso algumas
faixas sinalizam de forma grotesca o ciclo da cana de açúcar, do sobretudo e da
banana split. As melodias foram compostas utilizando um baralho de cartas, onde
cada carta corresponde a uma nota musical, e na medida em que eram tiradas e
tocadas iam saindo as mais lindas composições que já ouvi,”exclama Perplexo,
perplexo.
Conforme
prospectos, gráficos e estudos empreendidos por Perplexo no seu laboratório, o
Vulgares Lab, eles chegaram a um produto notável e que serve de estímulo para a
venda, se o som não for bom o suficiente. Continua Perplexo: “trata-se de um CD
musical, que tem numa das faces um poderoso mata insetos que será acionado pelo
leitor óptico do aparelho (CD ou DVD), enquanto reproduz a música. O veneno
mortal sairá por um furo de broca 8mm na parte superior da sua máquina, e que
poderá ser feito nas lojas McCasquinha Drive Thru por R$35,00, exija nota
e não pague um centavo a mais. Cada CD terá 10 aplicações e no tempo total ou
parcial do som, ou seja, um terço do CD será para insetos de pequeno porte como
mosquitos, moscas, formigas, etc., o outro terço para os de grande tais como
aranhas, pernilongos, baratas e o último exalará um aroma genuíno dos alpes
suíços, desenvolvido também no Vulgares Lab e que causará inveja a qualquer
vizinho seu ou meu,”arremata Perplexo.
E Casquinha descasca,
“venderemos kits de 5 e 10 CD’s com preços acessíveis, a mais pura arte
combinada com a eliminação de insetos perniciosos. Adquirindo 5 kits do nosso
material, o cliente receberá via sedex à escolher, uma laranja mecânica ou um
porquinho já recheado e temperado precisando apenas leva-lo ao forno ou ainda um
lindo avental com a impressão de sua banda predileta. Iremos patentear o invento
para que possamos auferir algum e aumentar a venda de outros bons artistas, que
da forma convencional não seriam conhecidos.”
Pela conversa deduzi ser
uma tacada oportuna e inteligente dos irmãos Avos e Perplexo, pois o mata
insetos incrementaria as vendas da música nacional já combalida e apodrecida, e
sem aparentemente nenhum novo caminho para trilhar.Resolve-se assim parcialmente
o problema da quantidade de venda, deixando o da qualidade para as gerações
futuras ou entidades celestiais.(Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2007)
Passarinho quer dançar, e
faturar
Recebi no último dia 5 de
junho um e-mail de Casquinha de Siri Novaes, propondo um negócio da china, com
nuances talvez nunca feitas no nosso país. Passo a seguir a proposta, á nível de
como funciona esta atividade humana do entretenimento, sem cogitar em acréscimo
cultural para o povo:
"Volto a lhe procurar, pois um sonho antigo está prestes a se realizar.
Precisamos de você como gerente de mídia aí no sul, trata-se de um antigo
sucesso dos anos 80, que proporcionou diversão e entretenimento a milhões de
pessoas e que agora passamos a ter o domínio sobre a obra, pelo período de dois
anos. Estamos falando da "Dança dos Passarinhos", um marco na música brasileira,
apesar de ser versão e ainda com um potencial enorme a ser explorado”.
“De cara teremos o
patrocínio das Empilhadeiras Costa Larga, de Cético Costa e Bermudes Larga que
fornecerá R$500.000,00 mensais, em troca de nas apresentações ao vivo e na TV as
máquinas da empresa participarem, mostrando suas especialidades em tempo real.
Além de alguns favores políticos, pois já estamos negociando a bancada do
passarinho em Brasília. Afora os Costa Larga, Britadeiras Remorso participará
com R$250.000,00 mensais, perfurando no palco em cada apresentação do grupo, uma
camada de 2,75 metros de concreto.
Um grupo de senhores
distintos e desconhecidos, nos proporcionarão uma quantia substancial, usando
nosso empreendimento para lavarem seu dinheiro, vindo sabe-se lá de onde. Este é
um processo de esquentar verbas, pouco usual no nosso país. Financeiramente
existe respaldo, portanto o sucesso é iminente.
Caberá ao eclético grupo
Estofamento de Galaxie, de Bartholomeu Estorvo, o popular Meu, realizar as
gravações e os shows. Este é um antigo grupo de bailes, tão eclético que toca
por assim dizer qualquer coisa. Neste projeto eles serão os Batráquios Encardidos, que
soa melhor para vendermos nosso produto. Quanto ao álbum,"Volta ao mundo
dançando com os Passarinhos", será duplo com 42 versões da "Dança" em 20 ritmos
diferentes, entre eles axé, rock, pagode, tango, funk, fox-trot, calipso,
new-age, rumba, valsa, etc e em 8 idiomas. Na versão a capela, Estorvo participa
fazendo todas as vozes, um coral fabuloso e emocionante. Em outra, um quarteto
de cordas e uma gaita de fole dá um toque escocês à obra, com o vocal de Meu
oscilando entre um colibri e uma pomba-rola. Na techno, a número 23 especial
para casas noturnas, o computador fabrica e sobrepõe os sons de 177 espécies de
pássaros, inclusive algumas em extinção, sobre a trilha dance/rave/chumbo grosso
de dez minutos que os Encardidos arranjaram, em torno do tema principal. A
textura musical da versão 38 foi construída com o uso de fagote, trombone,
bumbo, salto alto, pijama listrado, baralho de cartas e muito alho, e tem a
letra declamada chegando a emocionar quando Meu Estorvo cita "Passarinho quer
dançar, o rabinho balançar, pois acaba de nascer, chu chu chu chu". A versão
preferencial para a divulgação do trabalho será a número um do álbum, um mix de
sertanejo, axé, country pescoção e batida de manga, onde participa com os
Encardidos a vocalista Brilda Aumentando, do grupo Pastel de Queijo Parmesão com Mamão sem Açúcar, porém com
Canela e Pimenta Malagueta.
A mídia será a mais
criteriosa e engenhosa já feita neste país, pois com as verbas citadas poderemos
fazer um planejamento a médio e longo prazo. Medidas a serem tomadas na
divulgação:
1.Parceria com
DJ's de todo o país, com cada um rodando em toda festa que participar, no mínimo
dez de quaisquer das 42 versões da dança que julgarem conveniente, em
contrapartida ele receberá o CD duplo da "Dança", dez botons do passarinho, três
quilos de alpiste, duas camisetas alusivas ao projeto e o seu nome na lista
entre os "Amigos dos Passarinhos". É claro que tudo estará disposto num contrato
de parceria, atingindo desta forma todos os "clubers"(seja lá o que for isso) do
país. 2.Aparição dos Batráquios
Encardidos nos dois programas de TV dominicais,durante dois anos,já com o custo
diluído e negociado. Inicialmente ocupando 10 minutos por programa e aumentando
progressivamente até 90 minutos nos últimos 5 meses. Sempre com as empilhadeiras
e as britadeiras funcionado e vendendo seu peixe.
3.Nas rádios adotaremos o
sistema de uma mão lava a outra, trocando a execução diária no período de dois
anos por favores em áreas especiais, onde temos o nosso "staff"de "conoisseurs"
políticos, financeiros e tributários.
4.Em revistas de fofocas
pagas o custo é baixo, e nós envolveremos os Encardidos, principalmente Meu com
as dançarinas de tal forma que cada revista terá de dobrar a tiragem e nos
devolver algum.
5.Nos shows
teremos os melhores e mais gananciosos empresários, que nos colocarão sempre à
frente dos demais por comissões maiores e possibilidades de negociatas
interessantes.
6.Cederemos
três das versões, também por dois anos, para anúncios de um refrigerante
conhecido que irá usá-las diariamente. Tendo DJ's,rádios,TV's e revistas
reproduzindo a "Dança" por dois anos a fio, transformaremos este país num grande
aviário.
7.Na versão 18
temos um samba-enredo, que será cedido para uma das escolas do primeiro grupo do
Rio, e que homenageará as aves. Como nossa música será o tema, forneceremos
também o estilista, Gyovannazzy di Falido, italiano radicado aqui que por ter
problemas com o fisco dele, refugiou-se no nosso país.
Falido também fará a
indumentária dos Encardidos e das dançarinas para as apresentações, basicamente
reproduzindo aves como araras, bem-te-vi, quero-quero, joão-de-barro, urubu,
pavão(Meu Estorvo), peru, marreco, ganso, etc. Ainda no visual, vamos submeter
os cinco Batráquios a uma dieta rigorosa e musculação intensa, para que sempre
três deles estejam usando fantasias de aves como as citadas, e os outros dois em
pelo exibindo sua musculatura ao setor feminino e derivados, cativando mais
consumidores. Rodabella Gatilho, já conhecida e afamada e suas garotas
executarão a "Dança" ao vivo, desfilando sua pujança com tiras, linhas,
bandanas, saltos, óculos e gargantilhas. À Roda caberá recrutar algumas meninas
para serviços e missões extras, conforme as necessidades. Qualquer pessoa poderá
exercer sua cidadania, efetuando a dança sem pudores e vergonha, que requer
alguns atributos especiais, tanto com as pernas quanto com os braços. Estes
serão fundamentais na parte do chu chu chu chu, quando o cidadão assume o seu
lado ave e com os braços dobrados os chacoalha, como se fosse um pássaro. Isso
resulta em sensações de liberdade e satisfação diante dos problemas do
cotidiano, gerando esperança no futuro.
Ainda como mídia,
incorporaremos o livro "Filosofia existencial do passarinho" do físico nuclear,
domador de leões, terapeuta e criador de pássaros, Vasus Trapassos, que
realizará palestras e participações na TV para divulgar nossas propostas e modo
de vida das aves, que podem beneficiar os humanos. Vasus será o âncora num
programa matinal diário na TV, o "Família globalizada ama os Pássaros",com
exercícios físicos combinados com as danças e usando linguagem de auto ajuda,
motivando a família brasileira para que inicie bem o dia, sentindo a presença do
passarinho. O patrocínio deste programa será do Consórcio e Empréstimo Pessoal
do Passarinho, que terá o respaldo financeiro de um importante banco do país, e
usará por dois anos como trilha duas versões da dança na sua própria
mídia.
Seis meses após o CD,
disponibilizaremos o DVD do Passarinho, com duas horas de Estorvo e sua turma.
Participarão também inúmeras celebridades da música, televisão, política e
empresariado, onde nosso corpo de advogados, de posse de dossiês sobre a vida
pregressa, passos errados e situações embaraçosas das mesmas, os convidará a
colaborarem com os Passarinhos de forma graciosa. Neste DVD daremos partida ao
próximo projeto, três clipes bônus da banda Kosteletas Afflitas, de Amanso Distraído, um
raper barítono e tenor, frio e calculista, pescador e multi-uso da dinastia dos
Distraidos de Varginha do Oeste. Eles farão o mesmo trabalho dosBatráquios,
porém com outro sucesso, a Macarena. Aguardem!!!
A intenção fica bem clara,
com o alto investimento vamos botar o Brasil todo a ouvir, dançar e cantar os
passarinhos, facilitando assim a venda de produtos e serviços no seu entorno,
sendo que o seu trabalho será gerenciar e aparar arestas ai no sul. " (Luiz
Carlos Peretto-Jam-25/12/2007)
Simpatia
Simpática
Atualmente no mundo musical,
como de resto em todos os segmentos, os negócios estão difíceis de
proporcionarem retorno ao tempo, dinheiro e expectativas investidas. Quantas
empresas estão sofrendo processo de falência, muitos negócios fechando por
obsolescência, internet, erros administrativos, financeiros ou de marketing, sem
falar na concorrência. O certo é que cada vez mais somente os poderosos
financeiramente conseguem emplacar negócios, pois investem massiçamente, tem
acesso a pesquisas de mercado muito próximas da realidade, podem suportar
campanhas publicitárias onerosas e longos períodos de baixa lucratividade ou até
prejuízo. Para as pessoas sem esse poder econômico, sobram os pequenos
investimentos em atividades já por demais saturadas, e que provocam uma
concorrência onde realmente sobrevivem os mais aptos. A cada quebra surgem
alguns desempregados a mais.
Para esses últimos
mencionados acima, sobram alguns artifícios ou jeitinhos que podem ajudar nos
empreendimentos, além de não engordar. Como trabalhamos e gostamos de música,
vamos direcionar nosso foco somente para este setor, tentando colaborar,
trazendo alguns aprendizados passados e que podem ser úteis a muitos
empreendedores. Isso não significa que os recursos comumente utilizados por
todos devam ser desconsiderados, como ter algumas meninas bonitas, com pouca
roupa, nos vocais ou danças coreografadas, a ida em programas televisivos nem
que suas últimas economias estejam nisso, a amizade remunerada com programadores
de rádio para execuções extras ou mentirinhas pagas em revistas.
Estamos falando de uma
simpatia específica para músicas e eleição de vereadores, que soube ser
eficiente em alguns casos concretos. Como em 1992 na Republica Dominicana, o
grupo de salsa/merengue/torta de banana, Alcaparras Ejectadas obteve dois
“number one” no seu povoado. Em 1995 o Ratões Enciumados de Brudo Salmora, conseguiu um sucesso
acima do usual em Alagoas, que o possibilitou trocar seu antigo Opala por um
carro do ano. Cito da mesma forma os Samambaias Desmunhecados de Veronilda
Praticamente, em Ventana do Passa Dois, que com um mês de divulgação e vendas do
CD “Plataformas Disformes”, colocou em dia suas dívidas no açougue, mercadinho e
na banca de jogo do bicho. Aliás, Nilda de 96 a 99 vendia bolinhos de bacalhau
piratas e fazia a dança da garrafa na Harvard University, sustentando-se e ainda
enviando algum para o clã dos Praticamente. Nabuco Estorvo, de família
tradicional e saloba do Espírito Santo, com 33 parentes músicos na sua família,
elegeu duas primas e dois irmãos para vereança em Cabo do Medo do Oeste. Caso
mais recente, no final de 2006, os Muquiranas Batutas na Bahia saldaram uma
dívida de dois milhões de reais com o coronel Astuto Polinésio, proprietário de
extensas terras, com as vendas do álbum “Trabucos Ionizados” e assim saírem
ilesos, sem nenhum arranhão de todo o processo.
De posse destes dados
irrefutáveis, vou relatar todos os passos da simpatia em questão, específica
para vencedores no mundo musical e político.
1.Separe um litro de água,(
é vital exatos um litro )ferva numa panela verde com o número onze visível e à 5
cm da borda.
Você deve usar
luvas de crochê e um chapéu da SWAT, durante a operação.
2.Deixe esfriar e depois
congele a água. Esta água não poderá ficar junto das carnes no seu congelador.
3.Repita a operação quatro
vezes, sempre com os cuidados que foram observados e com a mesma água.
4.Após ferve-esfria-congela
4 X, você deverá medir o que sobrou da água, que não poderá ser inferior a 850
ml e nem superior a 950 ml.
5.Tendo obtido uma medida de água dentro dos parâmetros exigidos, passaremos à
fase seguinte: confecção de uma gelatina, sabor caqui(exclusivo da rede de
Hiper-mercados Caçulinha).
6.Essa gelatina deverá ser ingerida na totalidade por um cão ou gato de sua
confiança.
7.Após você faz
2,5 pedidos, sempre no âmbito musical ou para vereança e comunica-os ao guarda
de trânsito mais próximo, somente a ele. Isso completa a simpatia, restando
apenas aguardar o sucesso. O
item mais difícil de ser alcançado, a aceitação da gelatina por parte do cão e
do gato.
Aí vai mais uma
dica com o “Condicionamento auxiliar no.13, para felinos, caninos e sapos.”
1.Alimentar por um mês,
tanto o felino quanto o canino, com strogonof e batatas fritas, duas vezes ao
dia.
2.Cada refeição deverá
ser anunciada por um piston, reproduzindo a alvorada dos militares(aulas de
sopro com o professor Salivas Ejetado).
3.Segue a frase que deverá
ser dita pelo titular da simpatia, “Você é meu parceiro e preciso de sua
ajuda”.
4.Durante a refeição
dos bichinhos, tocar a faixa 3 do álbum “Cangibrina Estelar” dos Paquidermes
Voadores ( disponível nos Hiper-mercados Caçulinha). Obs 1: desconhecer o estado
da cacaca dos animais, pois em 10 dias ela voltará à consistência que você já
estava acostumado a recolher. Obs 2: Em qualquer situação ou momento que se
dirigir aos animais, observe para estar ereto, barriga para dentro, peito para
fora e num tom eloquente, porém amigo.
Após 30 dias exatos, eles
estarão tecnicamente aptos a receber a gelatina de caqui. Conforme estudos
anteriores realizados em faculdades no centro do país, estima-se em felinos
62,46% e caninos 77,85% a possibilidade dos bichinhos consumirem e assim a
simpatia vingar. Nada nesse mundo é infalível. Boa sorte e sucesso. (Luiz Carlos
Peretto-Jam-02/02/2008)