No futuro de Flash, o sertanejalesco

         Novamente voltamos às sacadas futurísticas de Flash Gordon Frickt, na sua viagem da já famosa portabilidade das almas, sob a batuta de Biro Lero, no Solar das Vergamotas Urineide. O avanço foi grande para a humanidade, pois ele trouxe um cabedal enorme de impressões e constatações sobre o futuro, modificando a partir daquele momento o pensamento de estudiosos e cientistas em muitos aspectos. Seus empresários Kostella e Lero firmaram um contrato de exclusividade para cedê-lo a programas de TV e estudos mais profundos em empresas e universidades. A mim só interessam as mudanças relativas à música e aos costumes da sociedade, que se apresentados num circo de variedades em outros planetas, possivelmente marcianos, venusianos, flamenguistas e cervos dariam boas risadas.
        Algo maravilhoso no setor financeiro vai ocorrer no futuro do nosso país, que provavelmente contribuirá para a valorização da nossa moeda, como dissemos em texto anterior. Nesta esteira estará o sertanejo nacional, que alcançará o reconhecimento mundial, sendo muito mais executado lá fora do que foi a bossa nova nestes últimos 50 anos, além disso, será copiado e interpretado em várias línguas, principalmente por americanos, chineses, argentinos, alemães, italianos, ingleses, russos, japoneses e o Vaticano. Vamos tentar dar um panorama geral a partir do que colhemos junto ao staff de Flash Gordon, que diz ter enfocado esse tema futurístico por pelo menos 15 dias úteis, quando naqueles tempos avançados e estranhos. Há que se dar um desconto, visto que se trata de uma pessoa igual a nós, do nosso tempo, que de um minuto para outro se depara com uma nova realidade, com características, modismos e pontos de vista alterados e inesperados. Também temos que destacar a boa vontade de Lero, Kostella e Robin para com o site da Jam, revelando informações em primeira mão, antes da grande mídia nacional. Simplesmente não temos palavras para agradecer a eles essa deferência, e desde já nos colocamos à disposição para vendermos o livro deste novo ente célebre aqui.
        Vamos para o relato do Flash via Robin, esmerilhado por mim: desde 2025 o sertanejão já estava sendo trabalhado pelas multi nos outros países, mas arrebentou num talk show inglês transmitido para 50 países, chamado Urinando com Gato Stevens. Este é o título já traduzido para nossa terrinha, tendo durante a transmissão a opção legenda e dublado. Gato recebe convidados, que ao entrarem no recinto tem uma condição sine qua non para prosseguirem na entrevista: precisam urinar em modernas latrinas de prata, desenhadas por Embruglio Iglesias (neto daquele), ao lado do Gato. Este para estar sempre disposto a acompanhar seus convidados nessa ação, ingere antes e durante o programa batidas de leite de cabra com lesmas persas e fluidos corporais, que descobrir-se-à lá por 2023 ser diurético “pra caramba”. Enquanto Gato e seus convidados (as) urinam animadamente, trocando piadinhas, rola uma cortina musical da dupla inglesa de sertenglish, Mr. Ambrosia & Sir Ambrose, da gravadora English Boyadero. Essa rotina tornou-se o item mais importante do programa, com a audiência mundial batendo recordes em cima de recordes. Então no dia 10 de novembro de 2029 aquela dupla inglesa comparece ao vivo, urinando no Urinando após a apresentação de dois coroas, The Gallagher Brothers - que também já mandavam um sertenglish alternativo -, e cantam “I’m not dog no” ou “Eu não sou cachorro não” do velho cancioneiro brega verde amarelo. Após emendam “Stayin alive” do Bee Gees no mesmo padrão, sempre com aqueles vocais chorados e cheios de cólicas, tal qual nossas duplas. O auditório presente vem abaixo, os Gallagher retornam ao palco para abraçar o duo, uma cascata de e-mails entopem os computadores e Gato Stevens serve sua batida diurética para que todos urinem de forma uníssona e triunfal, naquele momento grandioso.
        Esse fato serviu como um estopim para o sertanejaules no planeta, que naquele momento ganhava milhões de adeptos mundo afora, cantando, chorando, tendo cólicas, dor de cotovelo por seu cãozinho, amando sua amada, seu chefe e até seu inimigo, pelo menos enquanto as duplas estivessem articulando ou desarticulando seus versos e acordes. Segundo Flash, nos anos seguintes pelos quais ele portabilizou - sempre rodeado por simpáticos cervos com a camiseta do Flamengo -, foram os que mais orgulho lhe causaram em ser um brazuca, pois onde quer que fosse a filosofia sertanejalesca estava presente. Inclusive na troca da guarda do castelo de Buckingham, com os corneteiros entoando “Não chores na janela, Gabriela, com a flanela na panela”, sucesso de Fobia & Tobias. Em Nashville, alguns permanecerão fiéis aos seus cowboys, mas a maioria virará a casaca para novos ídolos como Clintwood & Eastwood, Bronson & Wayne, Superman & Robin, CSI & Friends, Billy The Kity & Durango Hits, e Hulk & Batman. Na velha Itália suas massas passaram a exigir o acompanhamento de um Canneloni & Parmegianini e de Mamma Mia & Pappa Tua, com sucessos misturando o puro sertanejaulês com a passionalidade italiana. No Japão um sertajapa de olhos puxados e muita tecnologia, estourando com Suzy & Uky e Coshiba & Tanashiba. Na China os maiorais serão os irmãos Wranglers, Bruce & Lee, americanos naturalizados chineses, sendo que os demais serão na sua maioria nossos brazucas, cantando na língua deles, mas usando seus nomes da certidão como Rebento & Bakuri, Korado & Koroado, Robeto & Dagobeto, Batata & Babaka, Kândido e Kandidatto. Talvez o único país onde os “nativos” não conseguirão ultrapassar o nível dos estrangeiros, ficando para eles apenas aplaudir, chorar e comprar os MP 2565, que em março de 2031 será o que de mais avançado existirá em som. Bilhões de chineses sucumbirão às rimas e às cólicas dessa turma pra lá de moderna e futurista. Na Rússia os produtores adaptarão a dança dos cossacos ao sertenglish, com influência direta da dupla Mr Ambrosia & Sir Ambrose, que por lá excursionarão, assim como por todo o mundo, podendo considerá-los como os Elvis do sertanejalesco do terceiro milênio. Na rússia o maior investidor e incentivador do russonejo será Vladimirovitch Raz-Pudim, da máfia pós moderna daquele país.
         No Brasil a cena estará ainda mais forte, com nosso governo isentando nossas milhares de duplas do IR e da taxa do ar, brilhando então Ernesto & Funesto, Do Prado & Do Campo, Bárbaro & Conan, Ganso & Tanço, Lothar & Lotado, Fascinado & Vacinado, Vingador & Vingativo, Conrado & Honrado, Confidente & Inconfidente, Dissidente & Disc Dente (este o primeiro dentista do mundo com tele obturação em 25 minutos), sendo que as celebridades top musicais em 2031 serão os irmãos Ambulante, Vendedor & Metamorfose espalhando suas pérolas pelo mundo. Suas letras levantarão lebres, cus-pirão no prato que comeram e teorizarão sobre a porca que torce o rabo e os que sacodem a poeira sem empestar o ambiente.
         Mudando um pouco o foco do assunto, mas permanecendo na viagem de Frickt, somente em 2025 estudos mais profundos e sérios sobre a portabilidade das almas serão realizados, tendo à frente Flávio “Batatinha” Estevelá. Este, após uma portabilidade cheia de imprevistos, quando teve sua alma anexada a um cobrador de ônibus espacial, no ano 2050, gerando a ele algumas viagens perigosas, sendo reportabilizado no exato momento em que um passageiro desgostoso agredia o corpo portabilizado. Essa experiência provocou em Batatinha um trauma, que o fez promover um grande debate sobre esse assunto controverso, sobre o qual instituições seculares se recusavam a abordar. Ele recrutará um grupo que teve relações íntimas com o tema, passando a expor as ideias e opiniões num programa de TV no Rio de Janeiro, gerado para 49 países, sempre após o clássico do futuro, Urinando com Gato Stevens. Farão parte desse programa gerações posteriores de produtores, roteiristas e atores de filmes e séries que de certa forma abordaram esse tema candente como: 2001 Uma Odisséia no Espaço, as seqüências de Alien, Star Wars e Exorcista, o velho seriado Os Invasores, o original de Vinte Mil Léguas Submarinas e outros. Eles tentarão responder perguntas que há séculos permanecem sem respostas, sempre dando uma canja para os vampiros. O programa foi extinto em 2035, quando a audiência estava baixando e a do Urinando em franca expansão, alcançando 99 países e três planetas. Algumas respostas vitais não foram divulgadas, pois Batatinha as negociou com instituições e empresas que lidam com moda e governos, deixando milhões de telespectadores viúvos delas, tais como: a portabilidade causa distenções e estiramentos?, a alma realmente se divide em financeiro, cultural e romântico?, a portabilidade entre sexos pode causar distúrbios emocionais?, a troca de casais tem a ver com portabilidade?, duas almas com gênios diferentes podem ocupar o mesmo espaço, ou uma delas deverá ser re-portabilizada?, duas almas coabitando o mesmo ser necessita de mais um CPF?, uma portabilidade de almas com um político eleito poderá causar a cassação do mesmo?, uma dupla sertanegesa pode inverter as almas através da portabilização, ou não vale pelo custo?, um portabilizado pode continuar contribuindo para o INSS? uma portabilização com um ente querido, pode resultar em um nem tão querido assim? A lamentar não podermos responder a estes questionamentos, por puro egoísmo e sede financeira de Batatinha, que além de barrar o progresso da humanidade, fará com que outras pessoas utilizem a perigosa portabilidade para tentar ir além do ano 2035, buscando essas respostas cruciais.
        Vamos parando por aqui, visto que esse tema me causa calafrios quanto ao futuro, pois tirando as duplas sertanejaulesas, o que será de nós miseráveis e cretinos mortais dessa zorra terráquea, comandada por políticos, celebridades, mídias espúrias, coronéis modernos e angelicais e corporações aparentemente idôneas. Para corroborar isso, dados assustadores trazidos por Flash revelam que numa pesquisa do IBGECO em 2027, demonstrou que os humanos terão a sexta melhor qualidade de vida do planeta, perdendo, a saber para as formigas adventistas, cobras urbanas, sapos arrogantes, cotovias rejubiladas e em primeiro, os cervos com a camiseta do Flamengo. Isso tudo dá uma ideia do que nos espera, seguindo nesse padrão cultural e financeiro, desejando no futuro sermos portabilizados para os corpos dos cervos e desde já adquirindo nossas camisetas do Flamengo. Ficam duas recomendações do presente, vindas do filho do maestro Arquivo Morto, Fichário Morto, futuro âncora bacana de TV e futuro conhecedor musical. Dois álbuns da vertente emo, “A vingança dos psico somáticos enamorados” do grupo 22 Patinhos na Lagoa Emocionalizados e “A Dureza de ter de enfrentar uma Barra de chocolate todo o dia” do grupo EMA 2.0 (Emochocolatando Meio Amargo). (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 02 / 09 / 2010)

Notícias alvissareiras que podem aumentar nosso PIB

        Sigo recebendo informações de pessoas que transitam pelo setor musical, que nos dias de hoje é apenas mais um bom negócio, célebre por cretinices e mesquinharias, do que algo a ver com cultura e arte. E essas novas são alvissareiras no âmbito financeiro, o que é rotina, pois deste setor sobraram apenas empresários que topam tudo por dinheiro e operários musicais, pobres e redundantes, que por dinheiro a tudo topam. Com isso quero dizer que as pessoas talentosas, ou estão na marginalidade do processo ou em outras áreas do “desenvolvimento humano”. Primeiro uma constatação através de um artigo do jornal americano Washington Postumus, escrito pelo articulista Bill “Comet” Harley, revelando que o Brasil no fim de 2009 atingiu sua auto-suficiência em lixo musical, assim como os USA já o haviam conseguido no fim dos 90. Somos o segundo país no mundo a ter esta marca notável e inacreditável, baseado no volume de vendas de álbuns, shows e ingresso médio mensal desse tipo de artista, de baixo calão no mercado. Isso significa que a partir de agora nós podemos fechar nossas fronteiras musicais, não permitindo a entrada de nada que venha de fora, não precisando haver mais aquelas perdas internacionais tão reclamadas por um velho político nosso, que já se foi, pelo menos nesta área dita cultural. É claro que isso não vai acontecer, pois nossos bosses cultivam rolos, conchavos, interésses, sujos e até limpos com os caras lá de fora, que resulta em grana pra todos os envolvidos, menos para nossa pátria mamãe e a maioria dos seus filhinhos, que ficam com o ônus dessas atividades.
        Comet Harley cita alguns exemplos do trash ou lixo, fazendo comparações com a nata verde amarela como Chico, Tom, Elis, Gismonti, Milton, Mutantes, Hermeto, Baden, João Gilberto, Deodato, Luis Bonfá, Raul, Joyce, Bosco, Gonzaguinha, Jorge Ben, Wagner Tiso, Tim Maia e mais algumas dezenas de reais e ótimos músicos, compositores e intérpretes, que ele bem conheceu desde os anos 60. Essa nata tem seus álbuns rolando pelas lojas desse mundão há décadas e a simples existência deles escancara e dá o nível para o nosso trash, que infesta e deteriora o cenário musical e nossas vidas, há pelo menos 20 anos. Comet cita um grupo recente que faz um sertanejo pistolão desmunhecado, o desmunejo, talvez a primeira investida nestes termos modernizando o sertenejão, que teve mudanças quase revolucionárias com o universitário. Trata-se do Cowboiolas do Asfalto, com o álbum “Alto lá machões”, tendo como figura central Arango “Tango” Queroquero. Ele destaca a superficialidade burra das letras e a pobreza melódica, vaticinando que pelo investimento que cerca os Cowboiolas, devem aparecer jamantas de grupos os imitando. Este estilo vingará no segundo semestre de 2010. As cantoneiras é outra coisa que vem aí, segundo Comet, com o grupo Josefina em Koma Arábica à frente, cantando e representando as reivindicações do pessoal que recebe bolsa família, suas vicissitudes e carências, clamando pelo aumento dos impostos para uma melhor remuneração. Comet conta que ainda não identificou de onde está partindo esse movimento, pois os bolsas não tem força nem expressividade para tanto, mas com certeza uns alguéns vão levar vantagem com isso, valendo investir um pouco neles. A outra vertente que promete inundar o mercado vem de uma nova seita, Tementes a Ateus, que tem à frente Fernando de Rebecca, que diz ter ficado dois anos no limbo e agora voltou com ensinamentos, pois lá ao invés de correr atrás de dinheiro como aqui na terra, ele passou esse tempo todo contabilizando o número de átomos que compõe seu corpo. Segundo Rebecca, quem acerta escolhe seu futuro, céu ou inferno, e como ele nem chegou próximo, foi liberado para uma reciclagem. Rebecca encabeça o grupo Becca & O Punição Exemplar Ou Comutação Pecuniária, um gospel com a ira dos deuses, o sofrimento dos pecadores, a redenção dos redentores e Rosana nas alturas com chiclets de menta. Ele declara que o que mais lhe encantou no limbo foram as manadas de cervos com a camiseta do Flamengo, correndo por entre nuvens e gramados cinzentos e fumando charutos cubanos. Um amigo revelou que Rebecca parece ter um pacto secreto com El Diablo, o maior receptador de automóveis do Paraguai.
        Agora vamos pro outro lado da constatação do excesso de lixo musical, verificando como nossos diligentes empresários estão lidando com essa situação. O maestro Arquivo Morto me responde prontamente que com esse volume, homens perspicazes como Casquinha de Siri, Homem “Sapiens” de Almeida, Roy Rogers, Kiko Bonasede, Geraldo Starlight, este o maior colecionador de alarmes do país, antes de saber do artigo do Comet já estão trabalhando no sentido de aumentar nosso PIB, via exportação dos mais representativos desse nicho-lixo, em especial os que cantem e falem na língua do país importador. Não se trata de enviar álbuns com uma mídia razoável e ficar no aguardo dos resultados, mas sim de radicar grupos tupiniquins nos outros países, absorvendo suas raízes e misturando com os nossos galhos e folhas secas, pois nossas raízes já apodreceram. Dar nomes e cidadania local à turma, para que o orgulho gringo de algo novo e “deles” reverta em plata palpável para nós. Nisso há uma semelhança com a exportação de sapatos feita aqui pelo vale dos sinos, ex meca do calçado nestes últimos 50 anos, orgulho de todos que ganharam muito. O produto sempre saiu daqui montado e pronto, “apenas” sem a marca, para ser colocada no país importador, ao sabor desse, não revelando a real fonte produtora. Basta ver quanta tralha e inutilidade a galera compra só pela marca, mas para isso quem confecciona precisa gastar para fixá-la, comprar credibilidade, coisa que nossos empresários não se deram conta ou não quiseram gastar, mais lógico para patrões terceiro mundistas. Hoje esses mesmos sapatos são fabricados pelos chineses, com mão de obra aviltada e os importadores colocando seus selos ou brasões da mesma forma. E o vale? Virado numa planície desértica, mas isso são “outros 5”, não teria “outros 500” pois a grana está curta mesmo.
        Mas seguindo com a exportação do lixo excedente, onde o que conta é despachar grupos de qualquer coisa para o mundo todo, e lá eles colocam seus nomes, grifes e estilos sob contratos draconianos, já que somos pau barato Brasil pra toda obra. Óbvio que com comissão gorda para nossos empresários, tipo o Casquinha, que revelou ao Morto que algumas experiências já estão surtindo efeito, como a dupla Vespa & Vespasiano, que vai passar do sertanejo pescoção amarrotado pro country pescoçudo amassado universitário, atuando na região que circunda Nashville, sob a batuta capaz do ex capataz Bem Cartwright. Morto revela que Bem pagou 50.000 dólares ao Siri, para explorar a dupla com este novo estilo por um ano, retendo seus passaportes e vistos, fornecendo moradia, 1000 dólares mensais ao par, mais o SUS made in USA, obtido pelo táxi driver Robert De Niru. Os dois estão saíram daqui arranhando no inglês, mas terão de parar com isso, senão Bem faz a imigração os chacoalhar. Outra exportação de Casquinha se refere ao grupo Silva & Silvana e os Podres do Planalto, com um axé de certa forma político, pois eles fazem alusão ao péssimo serviço de coleta do lixo em Brasília, dando um pau neles através de letras quase sarcásticas e semi-inteligentes. Nos states eles farão um pop axé universitário tipo friends, rendendo US 80.000 ao Siri, sendo que os Podres são professores de inglês. Casquinha possui quase cem grupos pré-ajustáveis a qualquer situação, estilo sonoro e língua mãe do importador.
        O caso mais esdrúxulo ressaltado por Morto foi do grupo de jazz “In a Silent Way”, com o vocal feminino expressivo de Ana Papa Terra e uma qualidade musical bem acima dos demais contratados dele. Eles se transformaram nos Monkeys Of Tokyo, conseguindo extrair um claro e puro Rock National Kid / Cavaleiros do Zodíaco, usando além de baixo, bateria e guitarra, o berrante, instrumento do nordeste, a cuíca com cabo usb e serrote virtual. Devo salientar que Casca tem assessoria da empresa de Hermes “Pauduca” Fedorão, Tangenciando Problemas Ltda, que torna tudo possível, as mais terríveis situações e adversidades são contornadas por ele. Para isso ele só utiliza como funcionários ex-militares, com curso de RP, belas artes ou ballet clássico. Se necessário Pauduca envia um pelotão desses ex, seja lá para onde for, resgatando o que tiver que resgatar, endireitando o que estiver torto e eliminando o que as contingências da vida assim o determinam. Fedorão iniciou em 1995, protegendo todos os galinheiros do povoado de Sherwood Sunset Boulevard da Tapioca, maior exportador de ovos do país, a 20 km de Mato Sem Cachorro e com uma população de 15 000 humanos e cinco milhões de penosas. Cada galinha tem seu CPF (cadastro de penosa física) e a cada CPF abduzido, um valor pecuniário correspondente era descontado de Fedorão. Desta forma cada galinha era protegida com a própria vida pelos seguranças, originando daí um esquadrão que recebeu nota 9,3 da prestigiada revista Cuturnos Em Cima da Cia, especializada em pelotões, pelotinhas, esquadrões de extermínio, Rambos, Seagalls, Schwarz & Neggers e escoteiros espiões. A Cuturnos também publica cotação para designs de tanques, navios de combate, uniformes, armas e tudo relativo à moda, bem como as novidades militares, além de destacar a garota da capa militar do mês.
        Além dessa exportação normal e corriqueira, Casquinha criou o que ele chamou de “Projeto Tutancâmon: infiltrando cultura alienígena nos países co-irmãos”, onde alienígena somos nós, the world of Brazil trash music, levando nossa “cultura mais recente” para os demais povos. Onde falta verba para a boa música, o próprio Casca banca. Tudo começa quando ele envia uma comissão de frente composta por um advogado, um produtor musical, um financeiro e duas socialites como observadores da situação musical local, como exemplo, para a Venezuela. Neste país, em abril de 2010, Casca conta com cinco hits na parada dos mais vendidos e todos são nossos patrícios passando-se por nativos locais. Documentação, vistos, moradias, currículos, atestados, vacinas, tudo é conseguido pelo tangenciador Fedorão, logo após a comissão de frente retornar com as impressões e constatações. Após são definidas as diretrizes básicas que serão cumpridas em trinta dias por Fedorão e seus comparsas. Segue-se o dia “D”, a invasão dos grupos capazes de encher os bolsos de um dos grandes brasileiros de todos os tempos, que agora podemos dizer com orgulho, traz divisas para o nosso país, o Siri. Esse dia na Venezuela ocorreu em dois de maio de 2009, levando duplas como Amador & Amante, Patético & Pateta, Hospedeiro & Hospedado, Soele & Soeu, mais os grupos cariocas como Párias Acróbatas, Enceradeiras Fugazes, Machões Enlatados, o famoso Duo Duodeno, que se transformaram em “Con La Boca Na Botija”, “Du Carijo”, “Meliante & Malachias”, “Forró Bodó en Lo Mocó”, “Cantante & Encantado” e “Juan Fujuto & The Masturbeiders”. Então Casca mistura os ritmos nativos deles com os nossos portentosos, sertanejo, axé, pagode, funk carioca, calypso e mais algumas coisinhas que faziam falta por lá, podendo agregar universitário a qualquer dos estilos com 25%.
        Casquinha, a bem da verdade nunca quis mudar nada nesse mundão, pois segundo ele as pessoas são o que querem ser, ou plantaram para isso. Se são ricas ou pobres, opção delas, pois principalmente no Brasil as oportunidades abundam e sobram, e se existem reclamações, isso vai por conta da natureza humana, sempre tentando ter um pouco mais ou menos, até para não ficarem sem objetivos na vida. Até admito, há 15 ou 20 anos atrás haviam algumas oportunidades, porém agora todas elas migraram para as corporações e para quem tem mucha, mas mucha, mas mucha plata, tudo isso por conta da globalização e outras mumunhas que foram empurradas à nós, flamantes terceiro mundistas por opção. De minha parte, o que Casca está fazendo equivale a disseminar, onde não existe, a gripe influenza, a dengue, a febre amarela e outras do gênero numa cultura que estava melhor assim, sem as degenerações de irmãos terceiro mundistas, bastando suas próprias e as do primeiro mundo que há muito já se impregnaram. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 06 / 04 / 2010)

O que mais eles admiram

         Estive trocando algumas sílabas com Pablo “Pingo” Torrencial, do setor de criação da Agência Industudo, a principal do município de Mato Sem Cachorro. Ela tem forte atuação no show business nacional, gerenciando a conta de várias celebridades, sendo especialista em marketing musical, desde postura e visual até que espécie de trabalho apresentar ao grande público, o que vai “colar”. Pingo relatou que nas contas maiores, eles se socorrem da Xywyonikon Enterprises, famosa empresa inglesa, perita em quase tudo e que cobra “os tubos” nas suas dicas e intervenções, principalmente quando precisa “mexer os seus pauzinhos”. A Indus fez parceria com a Xywy numa pesquisa tida como crucial por Pingo, para as próximas decisões e atitudes a serem tomadas com alguns de seus clientes. Isso porque os organizadores do Gramma Latino estão projetando novas premiações nele, observando outros aspectos no mundo musical, que também tem seu valor. Com esse pessoal, a Indus tem fortes contatos, eles lhes devem favores e estes favores lhes informaram das ampliações nas premiações, inclusive para o melhor sanitário em estúdio de gravações. Essas alterações, se o resultado for expressivo, serão adotadas no Gramma Internacional, pois ampliando a premiação, aumenta o leque dos participantes, consequentemente arrecada mais.
         Segue Torrencial, “a pesquisa foi feita inicialmente na Europa, cujos resultados não foram publicados, porém servem de base para muitas ações das majors atualmente. Nós pagamos uma fortuna e o mago da Xywyonikon, Paul Chicken e seu cotovelo direito Valentine “Val” Disnei vieram para cá e em dois meses conduziram a pesquisa, com nossa mão de obra. Foram entrevistados 5500 brasileiros das várias camadas sociais, sendo que as principais perguntas que a conduziram foram: 1)o que você mais admira na sua celebridade musical preferida (CMP), 2)o que você gostaria que melhorasse na sua CMP, 3)o que você repara de pronto, quando encontra seu namorado ou cônjuge, 4)o que você gostaria de mudar em seu próprio visual, 5)o que mais admira no político em que votou, 6) se você levasse uma surra federal, o que gostaria que os brutamontes preservassem, 7) com qual celebridade você comeria milho verde e trocaria confidências. Estas perguntas básicas foram entrelaçadas com as corriqueiras, cor preferida, filme, novela, livro, raça de cachorro, remédio, cor de caixão, número da sorte, timbre de buzina, etc. O resultado lá fora deve ter sido chocante, aqui talvez um pouco mais além, ou do além. A resposta verde amarela com dados oficiais ficou assim: feições faciais 20,32%, desembaraço verbal 18,55%, indumentárias ou fantasia (conforme o estilo a celebridade se paramenta, vide canais musicais por 4 horas) 18,48%, cabelos 10,22%, melodia e letra 10,01%, cor dos olhos 9,97%, arcada dentária 8,51%, convicções da celebridade(religião, astrologia, búzios, cartas, envelopes,sexo) 2,22%, e mais alguns itens abaixo da unidade, como cor das unhas e celebridades com parentes simpáticos. Essa pesquisa passou a direcionar a Industudo com suas celebridades e seus empresários. Pingo confidenciou que “se ela tivesse sido feita há 15 anos atrás, algumas coisinhas mais ou menos boazinhas nem teriam sido lançadas, sobrando mais para quem merece.”
         E Pingo se solta, “com isso, arregaçamos as mangas e começamos a ganhar mais. Dentre o grande número de candidatos à celebridade musical selecionamos os Umbigos Escovados, Calafrios Viscosos, Esquilos Indomáveis, Algas Zarra, Liquens Assassinos, este último de Joseph Fariasisso? e Emily Vaiquedá, dois artistas plásticos que estão tentando a sorte na musica. Fariasisso? tem esse ponto de interrogação no nome, pois seu pai quando do registro de nascimento já previa uma carreira artística para seu filho e calculou que aquele ponto poderia fazer a diferença em meio a milhões de celebridades. Por sinal Fariasisso pai, nos anos 90 lançou aquele livro de grande sucesso, “Como educar seu filho gritando e ser feliz”. Este livro veio preencher uma lacuna, pois existem pessoas que só conseguem comunicar ou orientar aos outros na base do berro. Fariasisso dá os tons certos com as frases eficazes, imprescindíveis para causar o efeito desejado em quem precisa ser educado ou manipulado. Ele tem experiência de 30 anos com escoteiros, militares, “cheff” de cozinha e administrando um banheiro público em São Paulo.O investimento maior recairá sobre o grupo Galinhas Automotivas, originário da revenda de peças mineira, GA Linhas Automotivas Ltda e tem como líder o filho do proprietário, Sidini Automotivo, que junto com Joey Ramune, Marcela Pedrão e Nicinha Come Cru completam o grupo. É a mistura do emo core autodidata com o the Flash emo core e salivadas de emulsão Scott Glen.Grana não é o problema, todos tem berço e só desejam tornarem se celebridades”.
         Segue Pingo, “Chicken e Val Disnei recomendaram para a nossa agência uma DPS, Divisão de Puxa Sacos, com eméritos e simpáticos puxa sacos, prostitutas puxadoras, políticos desenganados com potencial, tele marketings desempregados, antigos vendedores de livros re-motivados e com isso ter uma bela força tarefa para corromper, amolecer, chacoalhar, engatar, engavetar, dominar e desviar o que for necessário. Outra sugestão de Val Disnei, uma DC, Divisão Cornóloga, com antigos sertanejeiros, experientes que entendem do riscado, para produzirem letras mais espertas sobre cornos contemporâneos, neo cornos, não ficando na mão de inexperientes e jovens universitários, que atualmente infestam o mercado com letras ridículas e imbecis”.
         E Pingo acrescenta, “Val reiterou a necessidade de um grupo de elite apoiando as bandas, desde psicológica para que aceitem as condições do mercado, determinadas por nós, até para uma bajulação acima do normal para que a emoção prevaleça sobre seus parcos rendimentos. Para esse serviço recrutamos Borba “O Grego”, do grupo Esses Fabulosos Ornitorrincos, Conan, “A Barbara” da Espasmos Confinados e o cafetão profissional Clóvis “Caminho das Índias” Abvostado. Este último além da sua profissão é um emérito treinador de vacas, um dos poucos no mundo, responsável pelo saber da Fadjutta, vaquinha de estimação da princesa Sandretta do Marrocos, que a leva a todos os eventos sociais de que participa. O próprio Disnei vai treinar o trio, como fez nos anos 90, quando triplicou o faturamento da major inglesa, Amigos Fleugmatic United Records (AFU), atingindo o feito com apenas 247 bandas de rock alternativo”.
         Semana passada Julieto Cabisbaixo me perguntou de onde vinha essa motivação para escrever, inclusive algumas barbaridades e atrocidades que só eu enxergo. Eu lhe respondi na chincha, são as drogas musicais que, de acordo com pesquisas da Xywyonykon já estão superando em quantidade as drogas que infernizam a vida de muitas pessoas e famílias. O simples contato com essas drogas musicais, via audição ou visão causa uma colisão com o que tenho armazenado nos meus 54 anos e fico verde, começo a aumentar de tamanho, sai fogo pelo nariz, ouvido e boca passando a falar num linguajar esquisito, segundo minha filha. O que escrevo depois é conseqüência. Isso nunca ocorre na loja, onde não temos televisão nem rádio e o manuseio dessas drogas musicais está vetado no contrato social. A Xywyonykon, junto ao laboratório Cifron, está investigando as conseqüências sociais na Europa da exposição no longo prazo dessas drogas musicais. Chicken confidenciou ao Pingo que é desnecessário realiza-la aqui, onde os efeitos são visíveis e palpáveis, dispensando qualquer estudo mais profundo, valendo apenas o que é arrecadado. (Luiz Carlos Peretto-Jam-14/7/2009)

Re-visitando clássicos

         É visível que a padronização cultural foi articulada e imposta por nossos arautos musicais remunerados (subdesenvolvidos), que “operam” a cultura da nossa terra, situação esta copiada dos países desenvolvidos. A diferença está em que, os do primeiro mundo também “operam”, porém mantém opções melhores para os que as necessitam, mas também para livrar as caras desenvolvidas deles. Aqui tudo fica por isso, com os “nossos” servindo só o lixo, e a mediocridade campeando e se enraizando (sem opções), nos induzindo a uma paulatina “adaptação”. A padronização vai excluindo a criatividade e a inspiração, que tem custo e risco maior, mas que passam a ser dispensáveis pela repetição continuada, com formas e aparências diversas. Traduzindo, figuras produzidas com bigodes, bundas, olhos, peitões, roupas, linguajares, expressões, cavanhaques e cabelos diferentes; vão executando as mesmas ladainhas com cantos, danças, novelas, tiros, porradas, palavrões, beijos, dando a impressão de algum conteúdo, às vezes pela mistura oportuna, outras pela excessiva dinâmica. Os que aqui faturam com cultura, nos servem produtos que não exigem o uso da nossa massa cinzenta, somos meros espectadores passivos e dançantes, não precisando expectorar nada vindo do cérebro, apenas continuar consumindo o lixo que tem data de validade. Meia hora depois de encarar uma “cultura” dessas, já não lembramos de mais nada, porque nada havia. Mas como “the show must go on”, se necessário de qualquer jeito e se possível ganhando mais, nada mais show para o sistema que lucro incessante e crescente. Sem contar com os custos, em queda livre pelo excesso de mão de obra. Atores, cantores e modelos não param de surgir, pois os arautos fomentam visando obter abundância deles e custos decrescentes forever. Todos esses candidatos a celebridades, aguardam com seus books, clipes e cabelos arrumados, confiando piamente que seus 15 segundos de fama ainda virão. Nós vamos levando nossas vidas, cada vez mais atribulada e menos inteligente, caminhando junto com a manada, ansiando por melhores pastagens. Para não deixar em aberto, vamos denominar essa fase da humanidade de contra-criação com inspiração expirada, rumo à mesmice absoluta, mas bacana.
         Nós apresentamos a situação e tentamos buscar no dia a dia a confirmação real dela, na comunidade verde amarela. Neste caso específico localizamos Erpetácio Trunoco Contrapelo, o Etc e tal, que saiu do anonimato quando apresentou para Casquinha de Siri uma ideia assaz compatível, dentro dos preceitos modernos dos arautos já mencionados, onde a mesmice mascarada e bem lapidada pode gerar alguns milhares ou milhões de reais, que é só o que importa para eles, que operam sempre a curto prazo. Isso funciona, se feito com organização -amor e carinho-, que são fundamentais em qualquer projeto, ou seja, gostar do que se faz, mesmo que seja apenas copiar, chupar e adaptar. O projeto de Etc envolve re-visitar clássicos da música e do cinema, com artistas atuais, segundo ele adaptando coisas velhas e chatas às condições atuais - legais e modernas -, apesar de serem apenas cópias. Quem nos passa as informações é o próprio Siri, paladino “vivo” da nossa música.
         Ele relata, “Etc relacionou em primeiro plano quatro álbuns para serem revisitados, Sgt Peppers dos Beatles, Pet Sounds dos Beach Boys, Who’s Next do Who e Divina Comédia dos Mutantes. Eu parti para negociar os direitos das obras e Etc encarregou se de arregimentar os grupos, responsáveis em tirar o bolor daquelas coisas, ao lado do maestro Arquivo Morto, especialista em orquestras, big bands e até grupos de rotoqueras, monoqueras e minimalistas protéticos. Este último estilo nasceu e morreu nos anos 90 com o odontólogo e músico Ionosfera Rubicão, que o desenvolveu apenas com instrumentos e produtos odontológicos. Ele ganhou notoriedade acompanhando o tenor chileno Cejas Prudente, que servia bem para os devaneios das brocas e espátulas de Rubicão. Voltando a seleção, Etc pinçou Antônimo e Os Sinônimos, Cuscos Sintomáticos,Dindos Injuriados, Obstetras Obstruídos, Corvinas Project de Dado “Dedo Duro” Duran, que prega o congraçamento entre humanos e os peixes Corvina, que na visão dele tem muita afinidade. Além das duplas, Sapo & Rã Mires, Ivete & Pivete, Indiana Jones & Indianápolis, Negado & Abnegado, Repelente & Repulsivo, Cordeiro & Desordeiro e os adeptos do sacanismo, Dengosos Sacanas e o Sacanagem Desenfreada. As composições de cada trabalho serão rearranjadas num contexto pagaxesertafunk, idealizado por Morto, visando uniformizar as novas versões, criando uma unidade estilística e de linguagem para cada álbum ser reconhecido”.
         “Devido ao custo na obtenção dos direitos dos filmes, criei uma empresa cinematográfica, a MG é uma M Ltda, com possibilidades de atuar também no ramo dos comerciais e novelas underground, com direção executiva de Bondoso Sepultado. Inicialmente faremos uma versão nossa de “E o vento buscou”, com adaptação no roteiro de Almir Bom Pastel, conceituado escritor e poeta, e patrocínio de celulares, credi-cards e automóveis. Será ambientado, tal qual o original, na época da guerra da secessão americana. Naquele tempo não existiam essas maravilhas de hoje, por isso o diretor Elúbio “Primata” Moderno fará as junções no tempo, satisfazendo nossos patrocinadores. A meu pedido, incluiremos cenas inéditas com o Tyranossauros Rex e o irmão do King Kong, bem como oito nus artísticos ambientados em estábulos e bares do velho oeste, visto a grande mão de obra neste setor. Primata deverá encontrar atores similares aos originais, que o vento levou. Até cirurgias plásticas foram autorizadas pela Credi-ferrão, um dos investidores, para superarmos o original”.
         “O álbum Sgt Peppers, que já está na finalização, terá os irmãos Mires em “ With a little help from my friends e Lucy in the sky with diamonds”.Tanto Sapo quanto Rã Mires, há pelo menos um mês estão assistindo a BBC de Londres, ligados nas pronúncias e gírias, para que tudo saia a contento. Os Dindos Injuriados em “She’s leaving home” e “Getting better”, utilizando o mesmo bom gosto que os caracterizaram em seu hit “Coça, coça e lambe”. Ivete & Pivete farão a faixa título do álbum por alcançarem as notas mais altas, tanto no supletivo quanto nas músicas. Dinartinovich Malukov, russo e um dos investidores, líder dos Dengosos Sacanas, dos Cangotes Patéticos e dos Urina de Bergamota, fará o cover das demais faixas. Ele foi apelidado de Malu Bader por seu baterista e back vocal, Rick Alfredo. Todas essas bandas praticam um rock “senta a pua” federal e estadual. Malukov é o vocal das três, apenas mudando a cor do cabelo, alternando bigodes, costeletas, enchimentos na boca, nariz e ombros e a maior coleção de chapéus, depois de Rodabella Gatilho”.
         “Na Divina Comédia o líder musical do projeto será Constante Atropelado, de família sôfrega e amarga do município de Encantos Fugazes, à noroeste de Fritzburger. Atropelado, em frente de sua casa com um grupo de amigos, certa vez interpretou com grande galhardia e fogosidade aquela obra, sendo assistido no prédio em frente por nada mais nada menos do que eu. Ele é neto do King Cola, dono da maior fábrica de cola de Encantos, que teve seu apogeu quando foram descobrindo outras utilidades para ela, dando corda de forma meiga e subliminar. Três das faixas deste álbum serão na linha funk pancadão, onde as pessoas dançam e batem uns nos outros, “en passant”, com uma espécie de bastão de beisebol, recomendando que os participantes desta atividade recreativa tenham um bom plano de saúde”.
         “Estou apostando tudo neste “Re-visitando”, assim como Moustapha Di Ferrão da Credi-Ferrão, visto que alguns de seus projetos estão ferrados, principalmente depois de eclodir a crise econômica de 2008. Segundo algumas línguas, ele contraiu dívidas com traficantes colombianos de secos & molhados, que já estão no seu pé. Ele anda nervoso e sedento por dinheiro e sua cobrança recai forte sobre Atropelado, Morto e Sepultado, os executivos do projeto, portanto com seu futuro e saúde nas mãos. Rã Mires revelou que Ferrão montou e assumiu a direção do sindicato dos sertanejeiros, o SINSERO, onde ele cobra das duplas mensalidade por indivíduo, oferecendo apoio psicológico, reversão de multas e expectativas, juros menores, preços adequados no transporte com a Transferrão e descontos na cachaça Elesbão. Ele conta que uma das ideias de Ferrão é passar de dois componentes para três as duplas do sertanejo, colaborando em mais postos de trabalho no pais e arrecadando mais pra SINSERO. Ele segue o dito popular, “onde dois comem, um a mais não faz diferença”. Até agosto deste ano, 45342 duplas estavam sindicalizadas. O processo vai iniciar com Omisso & Submisso, ex AS & Paracetamol, que vai agregar o Cartão da dupla Cheque & Cartão, já que Cheque está se aposentando, nascendo o trio Omisso, Submisso & Deixadisso. Na esteira deles, Saltimbanco, Sentanobanco & Assaltoaobanco, para que a moda vingue, a economia frutifique e ele se livre dos apressados colombianos. Na reserva, para eventualidades, Elroy, Cowboy & Playboy, Papi, Papito & Papudo e o trio feminino Branca de Neve, Cinderela & Alice no País Das Maravilhas. Por sinal, Das Maravilhas integrou o cast de um programa infantil que rendeu muito para alguns adultos. Dizem aquelas línguas que, quando Ferrão legalizou o sindicato, estabeleceu empréstimos sem limite aos sócios e duas horas depois alterou para créditos normais, tal qual os seus similares. Hoje Ferrão é disparado o maior devedor do SINSERO”.
         Reconheço que Siri, Ferrão e Cia lutam para hiper viverem, e que bem ou mal investem neste saco de gatos que é a nossa cultura, proporcionando pelo menos entretenimento pra galera, enquanto pastagens melhores não surgem. Ou os arautos finalmente resolvem mostrar um outro lado, espiritual, cerebral, genial e criativo, para que não precisemos perder tempo e dinheiro com embustes. (Luiz Carlos Peretto-Jam-24/08/2009)

Criatividade para enfrentar um futuro incerto

         Como o nível geral da música foi decaindo através dos anos (especialmente na composição das melodias), atividades auxiliares foram tomando corpo e assumindo importância transcendental para que o produto saísse das prateleiras das gravadoras e ocupasse as do consumidor. Então complementos como a dança, clipes, aparência, fofocas em torno dos “artistas”, opiniões deles a respeito de assuntos momentosos e da vida transformaram-se em elementos vitais, podendo elevar as vendas do futuro sucesso. Trocando em miúdos, trata-se da construção de um ou mais personagens/celebridades, com os quais a galera se identificará e o consumirá nas diversas formas. Com a imagem sendo manipulada pelos marketeiros, assim como o pobre produto sendo maquilado conforme necessidades e carências, a fraude musical tornou-se comum e as pessoas passam a procurar os clipes,programas de rádio e TV e os pareceres de pessoas “isentas e sem compromisso” sobre a nova obra, para apoiar suas escolhas.
         Percebendo isso, presumo eu, o valente 9/12 Avos “Casquinha de Siri”Novaes formatou um projeto para servir de base para as suas peripécias futuras no mundo musical. Ele conta no seu catálogo com 3523 “bandas e solos”, em ordem alfabética, precisando desová-los e se possível ganhando algum em cada um. A ação para que isso ocorra envolverá a fundação de uma revista nacional inédita de fofocas, A Boca Grande e uma Escola Superior de Danças Aleatórias e Cosmopolitas. Para isso designará Emma Thomas Dhoy como editora-chefe da Boca e Rhodabella Gatilho para as danças. Haverá ainda um setor de criação independente para dar nome aos bois, vesti-los, criar perguntas e respostas satisfatórias, logotipos e viabilizar influências sonoras, à cargo de Fredy Strogonoff, o consultor e Henriqueta Molho Madeira, a executiva.
         Rodabella conta com 2725 danças diferentes no seu repertório, que se adaptadas transformam-se em 10.525, incluindo as do bicho de pé, células-tronco, magneto possuído, guarda noturno, alma penada, celebridade com dor de cabeça, celebridade discutindo com o síndico, celebridade sendo autuada, celebridade lendo na privada, celebridade emitindo cheque sem fundo, etc e etc. Rodabella selecionará 700 professores, para que cada um lecione somente 15 danças e cada turma tenha 25 alunos, quando o aproveitamento será máximo. Os “melhores” serão utilizados nos projetos, estando com a mensalidade da escola em dia.
         Com relação à revista Boca Grande, Emma vai lançar mão da sua principal característica, plantar, colher e publicar onde nada ou quase nada existe. Dessa forma o leitor irá se deliciar com as situações impostas às futuras celebridades, para que num amanhã elas sejam reconhecidas. Este tipo de “trabalho” miss Dhoy ensaiou na Folha do Entardecer, em Cipreste Oculto de 2002 a 2005, período onde ela pintou e bordou ganhando muito, inclusive por fora da high-society local. O braço direito de miss Dhoy será o artista de teatro mambembe Aquiles Calcanhares, mestre do disfarce, criador de 150 personagens e décimo filho de família tradicional e empoluta do norte brasileiro. Os Calcanhares são famosos pelos seus vatapás com sorvete e pimenta com galinha caipira e urbana, mas principalmente por uma empresa especializada em tratamento de canalhas, a ECV(elimineumcanalhadasuavida.com.br). Com três ou quatro sessões resolviam o problema, deixando o senhor ou a senhora, a namorada, a vovó ou a esposa tranquila novamente, pois havia a garantia de dois anos sobre o serviço. IZHO-TOPO 9008 pois os objetivos sempre eram conseguidos sem sequelas aparentes, o “tratado” passava a ter um temor respeitoso pela turma da ECV. Obviamente que o custo era compatível com o resultado, a troca de um canalha com alto custo mensal por um trabalhador abnegado e servil.
         Miss Dhoy ganhou a confiança de Casquinha, quando em maio de 2005 levou o grupo Mexilhões Desaforados a uma excursão pelo norte, com 40 shows em dois meses, todos eles previamente vendidos. A compra dos mesmos estava baseada no futuro CD deles, “Júnior, o que Bety faria?”, inspirado no livro “Eu sei o que Bety faria...e o que vocês fizeram”, que Onofre Lambuzado, líder dos Mexilhões, lançaria em breve. O livro por sua vez baseava-se em uma novela, com estréia em breve num canal nacional, “Farias o que Bety quisesse?” tendo como autor Aquiles Calcanhares, naquela altura baixo dos Mexilhões. E finalmente a novela baseava-se nos dizeres de uma fita de pulso política que dizia “Bety fez e fará!”.Dhoy compôs uma atmosfera mágica e trágica com os futuros lançamentos, envolvendo público e empresários de tal forma que todos os ingressos para os shows esgotaram e poucos lembraram da novela, do livro e do CD fantasma.
        Idêntico trabalho ela desenvolveu com o grupo Perdizes Localizadas no oeste, atingindo a marca de 67 shows. O Perdizes era composto por vários integrantes do Salsichas Vencidas e fazia um dos melhores country pescoções já elaborados em um dialeto persa. Com o grupo Glóbulos Vermelhos Facultativos a coisa não funcionou tão bem. Após a implantação rotineira dos “um sete um” e das vendas dos shows, Marjorie Krapula a vocalista principal dos Glóbulos sofreu ameaças por parte de grupos extremistas como os neo-nazistas, pós-fascistas,escoteiros, comunistas, banqueiros, doadores de orgãos, assoadores de nariz independentes, etc. O erro de Emma foi confiar a Prefacio Thapadu, editor do jornal local, a criação e execução dos “um sete um”. Ele incendiou, detonou, confundiu, trocou os pés pelas mãos, pois receberia um percentual dos ingressos. Em resumo, show cancelado, ingressos devolvidos, Prefacio e Emma discutem custos até hoje, e Marjorie Krapula passou a vender mariolas usando nova identidade em outro estado.
         Rhodabella Gatilho, por sua vez, rebolou as 10.525 danças aleatórias em 25 dias e 25 noites, ganhando assim o respeito de Casquinha e o posto na Escola. Além disso, Rhoda treinará um grupo de sósias de Elvis, Romário, Bush, Júnior, Zagalo, Tarcísio Meira, Roberto Carlos e Maluf , chamado de Projeto Uirapurú, para dançarem profissionalmente em eventos oficiais e sociais, acompanharem celebridades e políticos em situações importantes e tornarem o povo mais alegre. A prioridade de Rhoda serão as danças que retratam o dia a dia das celebridades, suas emoções, dilemas, frustrações para que o grande público os conheça mais. Assim danças como “celebridade esfregando roupa”, “celebridade dividindo cachê com empresário e o pistolão da TV”, “celebridade saindo com travestis” serão suas prioridades.
         A primeira experiência conjunta de Rhoda e Miss Dhoy surgiu em meados de 2007, com os grupos Suzie P. e as Borboletas Encapuzadas e sua dança da “Bundinha Invertida” e com a Caules Henry Gessidos, onde brotava um pagode percentualizado com letras sovinas, burlescas, tiranas e piramidais. Todas essas manobras fascinaram o velho Siri, remoçando-o em seis meses e dando coragem para enfrentar the future.
         A ideia de Siri será lançar durante os próximos 8 anos, a cada mês 1% do seu cast, um pacote com 35 novidades no mundo artístico, que multiplicados por X renderia a ele 35X mensais. É uma empreitada difícil de ser cumprida, porém com o profissionalismo e a criatividade de Rhoda, Emma, Strogonoff e Madeira a tarefa torna-se viável e o povo com certeza ficará mais feliz.
         Obs.: Este texto vai como incentivo aos que estão se lançando no mundo do show business e aos incansáveis empresários que querem tornar nosso povo mais feliz.(Luiz Carlos Peretto-Jam-17/09/2009)

Surf Peão Boiadeiro

         Estamos prestes a presenciar uma das maiores sacadas mercadológicas deste país, é o que informa o “esperançoso em espécie” Theobaldo Liso, primo da esposa de Casquinha de Siri Novaes. Ele conseguiu juntar algumas celebridades econômicas do submundo, mais o BIFI, Banco de Incremento Financeiro para sacadas Inéditas e a financeira Credi-Ferrão do popular Moustapha Di Ferrão, pai de Dôrico, líder dos Araras Escalpeladas e centro musical do projeto. Esta reunião remeterá a uma verba mirabolante de US$ 10 milhões, o que provavelmente tornará os Araras a nova mania musical deste país. Quanto às celebridades econômicas, o relato de Liso foi um tanto reticente, mencionando apenas alguns nomes estranhos como Madame Butterfly e sua namorada Frau Dulenta, loira, voz cremosa, terno listrado, chapéu de plumas e uma cano 12 representando alguns investidores da ex cortina de ferro; Dr. Sinagoogle, sapato bege, cachimbo azul, topete a lá Elvis e fusca prateado queimando óleo, trazendo seu afeto financeiro como “front man” de grupos asiáticos; e por fim Serpente De Bem, ex agente da UNCLE no Brasil, salivando, expectorando e arrotando muito, abrangendo o setor do velho mundo, Eurofalcatruas, que reúne alguns grupos ativistas brandos, não tão brandos e marlon brando.
         A principal intenção desses elementos, além de recuperar o investimento feito com juros e correção, seria de inundar o mercado nacional com mercadorias e bagulhos alternativos no setor diversão. Além deles o ministro dos esportes de Ventos Sopram ofereceu a adesão da prefeitura local em troca de apoio político e serviços gerais específicos.
        Liso comenta a boca pequena, após um gole de cana, “a intenção de nosso grupo é lançar nos próximos meses uma nova modalidade de esporte, criado em nossos laboratórios com experiências em ratos e humanos. É a junção de duas atividades de ponta, que levam muitas pessoas a praticar, acompanhar e gastar. A união do surf com os rodeios do interior paulista e outros interiores, o surf peão boiadeiro, devendo causar sensação e consumo. Nossa idéia é trazer boa parte dos dois públicos cativos para nosso lado, além de conquistar mais adeptos. Inicialmente promoveremos um grande evento ao vivo pela TV, em alguma praia do nordeste e após iniciaremos torneios estaduais. Segundo passo, catapultar quinze artistas nacionais respaldando intelectualmente o movimento, desde duplas sertanosurf até bandas misturando e rebolando vários gêneros musicais, além dos Araras. Em seguida iniciaremos a terceirização de produtos relativos a este esporte como roupas, acessórios, bebidas, vitaminas, cosméticos, sapatos, etc.. e os bagulhos alternativos no setor diversão, os quais ainda não conhecemos.”
         Segue Liso à boca murcha, “ no esporte deveremos ter um campeonato fundindo as qualidades intrínsecas de cada um e o marketing perene de ambos, para a máxima lucratividade. Já conseguimos contratar três expoentes de cada estilo para selecionarem as provas, participarem como concorrentes e expôr na mídia nacional. Haverá suporte a um km da costa com o navio do filho de J. Custeau, auxiliando nos detalhes das provas e pescando para as carrocinhas de alimentação que teremos. Assim o BIFI, a Crediferrão e os expoentes contratados determinaram as seguintes provas:
        1.O peão-surfista deverá surfar se desvencilhando de um enxame de abelhas que o acossará no momento que pegar a onda. O barco de Custeau solta o enxame após o concorrente ter sido untado com açúcar nas costas. Pontuação em picadas, zero=100pts, 1=80, 2=60, 3=40 e além=desclassificado.
         2.O peão surfista deverá usar um bambolê sobre a prancha, podendo rodá-lo em um dos braços ou na cintura. Surfando na distância acima de 40 mts=100 pontos, de 20 a 39=70, de 10 a 19=40 e abaixo de 09, desclassificado.
         3.O peão-surfista, após pegar a onda, deverá laçar uma das bóias a disposição. Custeau colocará 50 delas para cada bateria e os pontos conforme a cabeça das mesmas: modelito touro=100, vaca=80, ovelha negra=60, ovelha branca=40, poodle=20 e bicho de pé=10.
         4.Via corda de quatro metros, o peão surfista será conectado a um golfinho, após ser puxado ele deverá montar no golfinho e conduzi-lo até próximo a margem, alimenta-lo com peixes e dançar ao som da Macarena. Tarefa cumprida=200 pontos, meia tarefa 100 pontos.
         5.O peão-surfista deverá surfar e com uma tarrafa recolher no mínimo 2 bagres, 2 papa terra e três siris.Tarefa cumprida, l50 pontos, completa Liso com a boca cheia de dentes e cana.
         Quanto aos jurados, comenta Liso bocejando com seu maxilar de três tempos e engatando a segunda, “teremos dois peões e três surfistas da antiga, dois carnavalescos do Rio, um baiano perito na dinastia Ming, um esteticista, um paleontólogo e quarenta e nove celebridades da TV para julgar o desempenho dos concorrentes. A etapa feminina será feita a posteriori, conforme os resultados desta. O uniforme padrão exigido para as provas: bota com salto e esporas, sunga com franjas, cinta com fivelão, chicote e um grande chapéu de cowboy, com o merchandising dos patrocinadores oficiais, Papel Higiênico Romualdo, “em todo evento, o companheiro de seu assento” e Cachaça Elesbão, “ 65% mais bão”, dois produtos novos que vão apostar no nosso projeto”, rebate Liso derrubando a Elesbão.
         E Liso investe com a boca travada, “a estrutura de apoio será dividida em duas partes, a aquática coordenada pelo filho de Costeau, dando suporte aos concorrentes e as tarefas para que elas sejam cumpridas no rigor da lei. Eu realizarei a terrestre com auxílio de meus sócios no desmanche de carros em Budapeste do Agreste, Janota Riscado e Calandro Fundo Chapado, com toda a infra necessária desde salva vidas, segurança, alimentação Ferrão, calabresa, montanha russa, dançarinas, padres para confissões, corrida com colher e ovo, tiro ao alvo, cursos de culinária para peões e surfistas aposentados, para-médicos, videntes, professores de aeróbica, natação, coral e canto gregoriano, equitação, cópia de chaves, modelo e manequim para filhas de peões e surfistas, mãe, pai e genro de santo, trem fantasma, curso de etiqueta e milho verde. A alimentação básica para o surf-peão e presença em todas as carrocinhas Ferrão Lanches será o Donuts Ferrão, já aprovado pelos nutricionistas e pelo próprio Moustapha. Aliás, mediante poucos documentos ou com a penhora de algum bem, Ferrão liberará valores significativos com juros parecidos com os do mercado”, destaca Liso engasgando com a leveza da Elesbão.
        Cobro algo sobre os Araras Escalpelados dos Di Ferrão e Liso tasca “eu queria incluir nesta barbada o meu irmão Átomo Liso que há 10 anos luta no mundo musical, mas o poder financeiro venceu novamente com os Ferrão. Átomo teve doze bandas de ótima qualidade neste período, Gatunos Ciumentos, Sensações Lúgubres, Urubus Contemplativos, Caspas Idiossincráticas, Tarugos Esfuziantes, Vagalumes Tarados, o power trio Três Porquinhos Sedutores, Barangas Customizadas, Mondongos Bombados e a principal, Vermes Alados, anteriormente Vermes Mimados e antes ainda Vermes Românticos. Esta durou quatro anos e meio e desandava um rock mortadela/ultra leve/pizza forno à lenha danado de bom, porém foram abatidos pelo mercado. Os Araras vão regravar o sucesso da Macarena num arranjo arrojado e desabrochado do maestro Cordilheiro Abastado Vulgares, que vai conduzir o tema por caminhos nunca dantes percorridos, numa versão serta/pop/emo/nejo/chumbrega/cinta-não-liga”.
         Lambendo os beiços com fúria e disparando “vamos eleger a rainha do surf-peão num evento mágico e único. A escolhida dentre 50 candidatas será a Trisha Vinagre, uma gostosa que conheci no alpendre do Casquinha de Siri, onde fazíamos um festão de despedida de casado do Brudo Salmora. Me envolvi com Trisha e acabei prometendo coisas que seu pai Curtido Vinagre está cobrando agora”, desandando a chorar após mais um golão da Elesbão. E balbuciando “eu poderia acionar a Madame ou o Dr.Sina ou até mesmo o Serpente que tornou-se meu irmão, porém acho que estou envolvido demais com a Trisha e talvez deva consumir apenas com o velho Vinagre”.
         Já choramingando feito criança, Liso declara “no ingresso teremos um seguro ao portador garantido pela Ferrão Seguros, além disso o participante ganhará uma língua de sogra coreana, um poster do navio de Custeau, uma capa de revista com Trisha sendo a garota da capa e um passe para o meio-frango funk com polenta a ser realizado pelos Ferrão”, e ele desaba abraçado à Elesbão.
        Com o que foi dito por Theobaldo, apesar de mamado ao extremo, concluí ser uma iniciativa válida deles para com nosso país. Lamentando apenas pela entrada dos bagulhos alternativos para diversão, porém sei que nada pinta de bom neste país sem um rastro maldito e desprezível a acompanhar. Estou pleiteando uma barraquinha com pescaria e buzios para faturar junto. (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2007)

Maçanetas

         Estava pensando com meus botões e um zíper, matutando sobre nossos pecados aqui no terceiro mundão. Porque somos tão inocentes e permeáveis a tudo que estiver à nível de chinelão, quanto lixo idolatramos, quanta coisa boa nos deram só uma provinha ou nem isso, quem filtrava e ainda filtra nossos gostos, quem escolhe nossos ídolos, quem matou Odete Reutman???? Foi um trabalho árduo de décadas, nos formando como seus consumidores e pau pra toda obra no trabalho em suas empresas, com pró-labore miserável. Não estou culpando só os políticos, pois esses são somente -testas de ferro- bem remunerados de corporações, grupos e coronéis que realmente os colocaram lá, através dos nossos votos induzidos e merecem mandar no país, sugar e pedir para embrulhar. Nós, cidadãos terceiro mundistas, somos programados para não sermos exigentes no que realmente importa, aceitamos qualquer gororoba que nos empurram, independente da faixa etária e de renda que compomos, pelo pouco acesso que sempre tivemos ao todo, inclusive musical. Tivemos e temos sim alguns flashes descontextualizados do que existe e existiu, e pela internet, no caso da música, as genialidades e os espasmos de qualidade existentes no mundo já estão soterrados com o lixo feito por todos os seres vivos, compondo e gravando desmesuradamente, pois qualquer um tem direito a fazer seu som. Neste caso os flashes são escolhidos por nós, o que torna quase impossível localizar o fio da meada, ou seja, os melhores e os diferenciados, facilitando o trabalho dos marketeiros. Por isso enxergamos sempre um emaranhado, com quem tem mais poder na divulgação tornando-se o pai disso e daquilo..., mordia abutres e chutava gansos no palco..., primeiro a fazer..., matou ou morreu por..., rebola bem..., tem influências e referências de caras como Êpa, São Jorge, Britney e...quem nos fez assim? Os mesmos que forjam com sabedoria as celebridades de barro que circulam por aí, lutadores diários da nossa pseudo cultura, com suas aparições iluminadas em shows, novelas, programas de entrevistas, musicais e clipes. Neste país sub desenvolvido, multi-atrasado no que interessa à nós e adiantado no que interessa a eles, sem raízes e adquirindo essas de outros, manipulado cotidianamente por ações duvidosas das mais diversas de nativos espertalhões e gringos sugadores, fazendo com que desperdicemos nossos parcos recursos de forma irracional e desequilibrada, literalmente jogando dinheiro fora em ilusões e paliativos de grandeza e felicidade.
         Precisando redirecionar minha vida social, constatei a necessidade de passar a usar roupas com marca, automóvel do ano com grife e com isso ascender socialmente na comunidade. Isso significa que terei que lutar por alguns farelos do bolo mencionado no parágrafo anterior. Ao lado de meu amigo e oportunista Casquinha de Siri, apresento mais um projeto onde deverei ser o articulador. Após dois terem dado certo no mercado musical brasileiro, surge mais uma boquinha do Siri, produtor e empresário do ramo musical e dos espetáculos. Passo adiante essas novas idéias e formatos, para conseguir aliados nos nossos empreendimentos.
         Este será um plano especial para um forte grupo radicado em São Paulo, que funciona há 22 anos com colecionadores de todo o país, tendo sua matriz em Nebraska nos USA. Eles colecionam basicamente maçanetas, de todos os tipos, cores e nacionalidades. Seu presidente, Vindy Amin Theobaldo possui atualmente 142.374 delas no seu acervo e três livros publicados sobre o tema; seu vice, Prolibaro Jupanqui, 112.495 e quatro ensaios fotográficos com câmera digital. Eles comandam uma sociedade cujo nome é Maçanetas, Sexo & Rock’n roll & Axé com 45.512 associados só no Brasil, que pagam mensalidades e compram maçanetas de forma compulsória, pois Vindy e Prolibaro importam as mesmas de todo o mundo. Consta existir uma bancada federal com 18 políticos/colecionadores em Brasília. A ideia inicial é formar uma banda ou grupo musical que divulgue a existência de tal sociedade, somando mais associados, divulgue seus conceitos e filosofias e que futuramente vendam novas grifes de maçanetas. Como Siri está muito atarefado no momento, sem tempo para um projeto de tamanha magnitude e responsabilidade, ele repassou a mim essa possibilidade, juntamente com seu primo em Magnésio Salafrário, perito em anilinas, solfejos, gracejos e líder do Matungos Episcopais Mamados, que fazem um pop/top gun/bublle gum/tarja preta.
         A atuação do marketing será incisiva, penetrante, rasteira e abrindo todas as portas. Nossa responsabilidade inicial, identificar uma nova moda ou tendência musical e copiá-la, inserindo no mercado sete dias após o aparecimento da primeira. As músicas e as roupas estarão pré-prontas aguardando a nova tendência ser detectada para dar o acabamento, bem como coreografias, bordões, danças, textos e falas. Mídias e espaços nas TVs já bem pagos, tipo tira o deles e coloca o nosso. Completando com uma ajuda de custo e sábios conselhos para os primeiros sumirem da cena musical. Do sucesso deste projeto dependerá três outros futuros, também de fortes colecionadores,um de cata-ventos, outro de filtros hidráulicos e um terceiro de cápsulas de projéteis de arma de fogo já deflagradas(CPAFD).
         Utilizaremos os serviços da banda de rock emo-roidal “Executivos Descabelados no Oásis”, que realiza um portentoso pop chifrudo/entediado/migrante, formado por dois irmãos e três primos que brigam constantemente entre si, com safanões, sopapos, mordidas e palavras de baixo calão, inclusive no palco e com a imprensa. Bem conversados e pagos transformam o show num verdadeiro pastelão. Bonaventura Desavença e seu irmão Desventura disputam a liderança do grupo de forma até violenta e sanguinária, com Bona tendo sido atirado do terceiro andar do seu prédio e sobrevivido. Um fato peculiar, Sessão Aventura, o pai dos irmãos Desavença, sempre mencionou com insistencia a ausência de um parafuso em Bona, o que o fez empreender durante toda sua vida uma busca frenética para encontrar este item de seu cérebro. Em 2005, num concerto promovido pelo coronel Beleza de Rabanette em Vicky Vaporub do Norte, Tocantins, o piso em que Desventura se apoiava cedeu, com o músico rolando morro abaixo e ai dois jagunços o agridem violentamente com tacos de golfe.Tanto a polícia local quanto o coronel Rabanette deram o caso como uma infeliz coincidência. Em 2006, tocando no Aipim Fest em Varejeira Escamosa, à oeste de Fortaleza, Bona mudou a cor de sua pele quando foi eletrocutado.O plug da sua guitarra Pereira Stratocaster foi conectado a uma saída de 380Volts por um vulto, que simplesmente evaporou, sem deixar pistas, como relatou o delegado de Escamosa, Conserva de Rabanette, por coincidência irmão do coronel Beleza de Vicky Vaporub do Norte.
         Essas infinitas alternativas de situações inusitadas, que vão somente necessitar da divulgação adequada para terem o efeito pretendido na mídia, revela-se como um fato inédito para o marketing brasileiro, somente com similar em uma banda da Inglaterra. Quanto ao nome,adaptamos um mais plausível e adequado à finalidade, “Flexionadores de Maçanetas”.
         Quesitos indispensáveis para os Flex, indumentária lembrando maçanetas, chapéus estilo fechadura com segredo, sapatos reproduzindo uma chave mestra e letras abordando o tema de forma sutil, porém convicta da utilidade delas no mundo moderno. Inclusive a satisfação de abrir uma porta com uma boa e saudável maçaneta e sempre homenageando as velhas tramelas que no passado foram magníficas e cumpriram suas missões com denodo. No palco do show, várias portas com maçanetas importadas em inúmeros compartimentos, separando os elementos do grupo que tocam seus hits e vão abrindo e fechando portas com classe, garbo e felicidade. Nas entrevistas para a televisão, cada Flex membro deverá portar a maçaneta da hora e a exibir com orgulho e respeito. Providenciaremos em 150 tietes profissionais, que trabalharão em regime de experiência por três meses, após nova seleção será feita. Além de gritar, dançar e cantar dando respaldo à música, em ocasiões oportunas, deverão invadir o palco arrancando as roupas dos Flex, sem danificar e tirarem as maçanetas como troféus supremos(devolvendo após).
         Tendo consciência de ser um bom plano, minha conta bancária e eu ficamos no aguardo dos parceiros. (Luiz Carlos Peretto-Jam-08/01/2008)

5/12 Avos & 7/12 Avos

         Num simpósio sobre edredons e lâminas de barbear em Nabuco do Oeste, próximo a Saliente Perverso no sul do Paraná, tomei ciência através de Casquinha de Siri e seu genro, Perplexo Vulgares de um projeto musical diferente e que em conjunto compatibilizará uma ação enérgica contra os insetos de qualquer espécie e credo.
        No aspecto musical do projeto, diz Casquinha: “privilegiaremos os meus irmãos, a dupla 5/12 Avos e 7/12 Avos, eu sou Nove Doze Avos Novaes o mais novo, nosso pai adorava frações. É um sertanejo classudo, com os elementos de sempre como música mexicana, paraguaia, jovem guarda, country e brega combinado com o popular da Rússia e Coréia e as marchas militares, surgindo um novo estilo cujo rótulo será sertarussoreano positivo operante, com boinas, galochas e cabelos esvoaçantes. Meus irmãos pleiteiam cidadania do País de Gales ou loja de revenda de celulares, por isso teremos duas opções na reserva, o sisudo e impertinente Aeronáutica, Marinha & Infantaria, este na terceira voz e a fogosa dupla Amansa Burro & Burro Manso, que faziam os back vocais para os Matracas Anestesiadas, onde rolava um canto gregoriano metalizado e alucinado. A banda de apoio para qualquer das duplas ou trio será a Tabacudos Libidinosos, que por 3 anos tocaram num bar alternativo em Passo de Los Libres, fazendo com que a galera local soubesse de cor cada sílaba cantada e eles aprimorassem suas execuções. Os Libi tocam um pop gratinado, grudado, grunhido e grotesco, que vem a calhar com o sertanejão dos meus irmãos.”
         E Perplexo acrescenta: “a dupla tem 23,5 influências musicais, cito algumas como o som dos golfinhos, o ranger de um sapato molhado, o velcro tailandês, a sonoridade original de uma mesa de bilhar, o pigarro chinês, as maledicências históricas dos asiáticos e os cânticos poderosos da Antártida. As letras baseiam-se em ditos populares e textos de táticas e manobras militares, revelando de forma aprazível o conhecimento dos grandes generais do mundo. Além disso algumas faixas sinalizam de forma grotesca o ciclo da cana de açúcar, do sobretudo e da banana split. As melodias foram compostas utilizando um baralho de cartas, onde cada carta corresponde a uma nota musical, e na medida em que eram tiradas e tocadas iam saindo as mais lindas composições que já ouvi,”exclama Perplexo, perplexo.
         Conforme prospectos, gráficos e estudos empreendidos por Perplexo no seu laboratório, o Vulgares Lab, eles chegaram a um produto notável e que serve de estímulo para a venda, se o som não for bom o suficiente. Continua Perplexo: “trata-se de um CD musical, que tem numa das faces um poderoso mata insetos que será acionado pelo leitor óptico do aparelho (CD ou DVD), enquanto reproduz a música. O veneno mortal sairá por um furo de broca 8mm na parte superior da sua máquina, e que poderá ser feito nas lojas McCasquinha Drive Thru por R$35,00, exija nota e não pague um centavo a mais. Cada CD terá 10 aplicações e no tempo total ou parcial do som, ou seja, um terço do CD será para insetos de pequeno porte como mosquitos, moscas, formigas, etc., o outro terço para os de grande tais como aranhas, pernilongos, baratas e o último exalará um aroma genuíno dos alpes suíços, desenvolvido também no Vulgares Lab e que causará inveja a qualquer vizinho seu ou meu,”arremata Perplexo.
         E Casquinha descasca, “venderemos kits de 5 e 10 CD’s com preços acessíveis, a mais pura arte combinada com a eliminação de insetos perniciosos. Adquirindo 5 kits do nosso material, o cliente receberá via sedex à escolher, uma laranja mecânica ou um porquinho já recheado e temperado precisando apenas leva-lo ao forno ou ainda um lindo avental com a impressão de sua banda predileta. Iremos patentear o invento para que possamos auferir algum e aumentar a venda de outros bons artistas, que da forma convencional não seriam conhecidos.”
         Pela conversa deduzi ser uma tacada oportuna e inteligente dos irmãos Avos e Perplexo, pois o mata insetos incrementaria as vendas da música nacional já combalida e apodrecida, e sem aparentemente nenhum novo caminho para trilhar.Resolve-se assim parcialmente o problema da quantidade de venda, deixando o da qualidade para as gerações futuras ou entidades celestiais.(Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2007)

Passarinho quer dançar, e faturar

         Recebi no último dia 5 de junho um e-mail de Casquinha de Siri Novaes, propondo um negócio da china, com nuances talvez nunca feitas no nosso país. Passo a seguir a proposta, á nível de como funciona esta atividade humana do entretenimento, sem cogitar em acréscimo cultural para o povo:
         "Volto a lhe procurar, pois um sonho antigo está prestes a se realizar. Precisamos de você como gerente de mídia aí no sul, trata-se de um antigo sucesso dos anos 80, que proporcionou diversão e entretenimento a milhões de pessoas e que agora passamos a ter o domínio sobre a obra, pelo período de dois anos. Estamos falando da "Dança dos Passarinhos", um marco na música brasileira, apesar de ser versão e ainda com um potencial enorme a ser explorado”.
         “De cara teremos o patrocínio das Empilhadeiras Costa Larga, de Cético Costa e Bermudes Larga que fornecerá R$500.000,00 mensais, em troca de nas apresentações ao vivo e na TV as máquinas da empresa participarem, mostrando suas especialidades em tempo real. Além de alguns favores políticos, pois já estamos negociando a bancada do passarinho em Brasília. Afora os Costa Larga, Britadeiras Remorso participará com R$250.000,00 mensais, perfurando no palco em cada apresentação do grupo, uma camada de 2,75 metros de concreto.
         Um grupo de senhores distintos e desconhecidos, nos proporcionarão uma quantia substancial, usando nosso empreendimento para lavarem seu dinheiro, vindo sabe-se lá de onde. Este é um processo de esquentar verbas, pouco usual no nosso país. Financeiramente existe respaldo, portanto o sucesso é iminente.
         Caberá ao eclético grupo Estofamento de Galaxie, de Bartholomeu Estorvo, o popular Meu, realizar as gravações e os shows. Este é um antigo grupo de bailes, tão eclético que toca por assim dizer qualquer coisa. Neste projeto eles serão os Batráquios Encardidos, que soa melhor para vendermos nosso produto. Quanto ao álbum,"Volta ao mundo dançando com os Passarinhos", será duplo com 42 versões da "Dança" em 20 ritmos diferentes, entre eles axé, rock, pagode, tango, funk, fox-trot, calipso, new-age, rumba, valsa, etc e em 8 idiomas. Na versão a capela, Estorvo participa fazendo todas as vozes, um coral fabuloso e emocionante. Em outra, um quarteto de cordas e uma gaita de fole dá um toque escocês à obra, com o vocal de Meu oscilando entre um colibri e uma pomba-rola. Na techno, a número 23 especial para casas noturnas, o computador fabrica e sobrepõe os sons de 177 espécies de pássaros, inclusive algumas em extinção, sobre a trilha dance/rave/chumbo grosso de dez minutos que os Encardidos arranjaram, em torno do tema principal. A textura musical da versão 38 foi construída com o uso de fagote, trombone, bumbo, salto alto, pijama listrado, baralho de cartas e muito alho, e tem a letra declamada chegando a emocionar quando Meu Estorvo cita "Passarinho quer dançar, o rabinho balançar, pois acaba de nascer, chu chu chu chu". A versão preferencial para a divulgação do trabalho será a número um do álbum, um mix de sertanejo, axé, country pescoção e batida de manga, onde participa com os Encardidos a vocalista Brilda Aumentando, do grupo Pastel de Queijo Parmesão com Mamão sem Açúcar, porém com Canela e Pimenta Malagueta.
         A mídia será a mais criteriosa e engenhosa já feita neste país, pois com as verbas citadas poderemos fazer um planejamento a médio e longo prazo. Medidas a serem tomadas na divulgação:
         1.Parceria com DJ's de todo o país, com cada um rodando em toda festa que participar, no mínimo dez de quaisquer das 42 versões da dança que julgarem conveniente, em contrapartida ele receberá o CD duplo da "Dança", dez botons do passarinho, três quilos de alpiste, duas camisetas alusivas ao projeto e o seu nome na lista entre os "Amigos dos Passarinhos". É claro que tudo estará disposto num contrato de parceria, atingindo desta forma todos os "clubers"(seja lá o que for isso) do país.          2.Aparição dos Batráquios Encardidos nos dois programas de TV dominicais,durante dois anos,já com o custo diluído e negociado. Inicialmente ocupando 10 minutos por programa e aumentando progressivamente até 90 minutos nos últimos 5 meses. Sempre com as empilhadeiras e as britadeiras funcionado e vendendo seu peixe.
         3.Nas rádios adotaremos o sistema de uma mão lava a outra, trocando a execução diária no período de dois anos por favores em áreas especiais, onde temos o nosso "staff"de "conoisseurs" políticos, financeiros e tributários.
         4.Em revistas de fofocas pagas o custo é baixo, e nós envolveremos os Encardidos, principalmente Meu com as dançarinas de tal forma que cada revista terá de dobrar a tiragem e nos devolver algum.
         5.Nos shows teremos os melhores e mais gananciosos empresários, que nos colocarão sempre à frente dos demais por comissões maiores e possibilidades de negociatas interessantes.
         6.Cederemos três das versões, também por dois anos, para anúncios de um refrigerante conhecido que irá usá-las diariamente. Tendo DJ's,rádios,TV's e revistas reproduzindo a "Dança" por dois anos a fio, transformaremos este país num grande aviário.
         7.Na versão 18 temos um samba-enredo, que será cedido para uma das escolas do primeiro grupo do Rio, e que homenageará as aves. Como nossa música será o tema, forneceremos também o estilista, Gyovannazzy di Falido, italiano radicado aqui que por ter problemas com o fisco dele, refugiou-se no nosso país.
         Falido também fará a indumentária dos Encardidos e das dançarinas para as apresentações, basicamente reproduzindo aves como araras, bem-te-vi, quero-quero, joão-de-barro, urubu, pavão(Meu Estorvo), peru, marreco, ganso, etc. Ainda no visual, vamos submeter os cinco Batráquios a uma dieta rigorosa e musculação intensa, para que sempre três deles estejam usando fantasias de aves como as citadas, e os outros dois em pelo exibindo sua musculatura ao setor feminino e derivados, cativando mais consumidores. Rodabella Gatilho, já conhecida e afamada e suas garotas executarão a "Dança" ao vivo, desfilando sua pujança com tiras, linhas, bandanas, saltos, óculos e gargantilhas. À Roda caberá recrutar algumas meninas para serviços e missões extras, conforme as necessidades. Qualquer pessoa poderá exercer sua cidadania, efetuando a dança sem pudores e vergonha, que requer alguns atributos especiais, tanto com as pernas quanto com os braços. Estes serão fundamentais na parte do chu chu chu chu, quando o cidadão assume o seu lado ave e com os braços dobrados os chacoalha, como se fosse um pássaro. Isso resulta em sensações de liberdade e satisfação diante dos problemas do cotidiano, gerando esperança no futuro.
         Ainda como mídia, incorporaremos o livro "Filosofia existencial do passarinho" do físico nuclear, domador de leões, terapeuta e criador de pássaros, Vasus Trapassos, que realizará palestras e participações na TV para divulgar nossas propostas e modo de vida das aves, que podem beneficiar os humanos. Vasus será o âncora num programa matinal diário na TV, o "Família globalizada ama os Pássaros",com exercícios físicos combinados com as danças e usando linguagem de auto ajuda, motivando a família brasileira para que inicie bem o dia, sentindo a presença do passarinho. O patrocínio deste programa será do Consórcio e Empréstimo Pessoal do Passarinho, que terá o respaldo financeiro de um importante banco do país, e usará por dois anos como trilha duas versões da dança na sua própria mídia.
         Seis meses após o CD, disponibilizaremos o DVD do Passarinho, com duas horas de Estorvo e sua turma. Participarão também inúmeras celebridades da música, televisão, política e empresariado, onde nosso corpo de advogados, de posse de dossiês sobre a vida pregressa, passos errados e situações embaraçosas das mesmas, os convidará a colaborarem com os Passarinhos de forma graciosa. Neste DVD daremos partida ao próximo projeto, três clipes bônus da banda Kosteletas Afflitas, de Amanso Distraído, um raper barítono e tenor, frio e calculista, pescador e multi-uso da dinastia dos Distraidos de Varginha do Oeste. Eles farão o mesmo trabalho dosBatráquios, porém com outro sucesso, a Macarena. Aguardem!!!
        A intenção fica bem clara, com o alto investimento vamos botar o Brasil todo a ouvir, dançar e cantar os passarinhos, facilitando assim a venda de produtos e serviços no seu entorno, sendo que o seu trabalho será gerenciar e aparar arestas ai no sul. " (Luiz Carlos Peretto-Jam-25/12/2007)

Simpatia Simpática

         Atualmente no mundo musical, como de resto em todos os segmentos, os negócios estão difíceis de proporcionarem retorno ao tempo, dinheiro e expectativas investidas. Quantas empresas estão sofrendo processo de falência, muitos negócios fechando por obsolescência, internet, erros administrativos, financeiros ou de marketing, sem falar na concorrência. O certo é que cada vez mais somente os poderosos financeiramente conseguem emplacar negócios, pois investem massiçamente, tem acesso a pesquisas de mercado muito próximas da realidade, podem suportar campanhas publicitárias onerosas e longos períodos de baixa lucratividade ou até prejuízo. Para as pessoas sem esse poder econômico, sobram os pequenos investimentos em atividades já por demais saturadas, e que provocam uma concorrência onde realmente sobrevivem os mais aptos. A cada quebra surgem alguns desempregados a mais.
         Para esses últimos mencionados acima, sobram alguns artifícios ou jeitinhos que podem ajudar nos empreendimentos, além de não engordar. Como trabalhamos e gostamos de música, vamos direcionar nosso foco somente para este setor, tentando colaborar, trazendo alguns aprendizados passados e que podem ser úteis a muitos empreendedores. Isso não significa que os recursos comumente utilizados por todos devam ser desconsiderados, como ter algumas meninas bonitas, com pouca roupa, nos vocais ou danças coreografadas, a ida em programas televisivos nem que suas últimas economias estejam nisso, a amizade remunerada com programadores de rádio para execuções extras ou mentirinhas pagas em revistas.
         Estamos falando de uma simpatia específica para músicas e eleição de vereadores, que soube ser eficiente em alguns casos concretos. Como em 1992 na Republica Dominicana, o grupo de salsa/merengue/torta de banana, Alcaparras Ejectadas obteve dois “number one” no seu povoado. Em 1995 o Ratões Enciumados de Brudo Salmora, conseguiu um sucesso acima do usual em Alagoas, que o possibilitou trocar seu antigo Opala por um carro do ano. Cito da mesma forma os Samambaias Desmunhecados de Veronilda Praticamente, em Ventana do Passa Dois, que com um mês de divulgação e vendas do CD “Plataformas Disformes”, colocou em dia suas dívidas no açougue, mercadinho e na banca de jogo do bicho. Aliás, Nilda de 96 a 99 vendia bolinhos de bacalhau piratas e fazia a dança da garrafa na Harvard University, sustentando-se e ainda enviando algum para o clã dos Praticamente. Nabuco Estorvo, de família tradicional e saloba do Espírito Santo, com 33 parentes músicos na sua família, elegeu duas primas e dois irmãos para vereança em Cabo do Medo do Oeste. Caso mais recente, no final de 2006, os Muquiranas Batutas na Bahia saldaram uma dívida de dois milhões de reais com o coronel Astuto Polinésio, proprietário de extensas terras, com as vendas do álbum “Trabucos Ionizados” e assim saírem ilesos, sem nenhum arranhão de todo o processo.
         De posse destes dados irrefutáveis, vou relatar todos os passos da simpatia em questão, específica para vencedores no mundo musical e político.
         1.Separe um litro de água,( é vital exatos um litro )ferva numa panela verde com o número onze visível e à 5 cm da borda.
         Você deve usar luvas de crochê e um chapéu da SWAT, durante a operação.
         2.Deixe esfriar e depois congele a água. Esta água não poderá ficar junto das carnes no seu congelador.
         3.Repita a operação quatro vezes, sempre com os cuidados que foram observados e com a mesma água.
         4.Após ferve-esfria-congela 4 X, você deverá medir o que sobrou da água, que não poderá ser inferior a 850 ml e nem superior a 950 ml.
         5.Tendo obtido uma medida de água dentro dos parâmetros exigidos, passaremos à fase seguinte: confecção de uma gelatina, sabor caqui(exclusivo da rede de Hiper-mercados Caçulinha).
         6.Essa gelatina deverá ser ingerida na totalidade por um cão ou gato de sua confiança.
         7.Após você faz 2,5 pedidos, sempre no âmbito musical ou para vereança e comunica-os ao guarda de trânsito mais próximo, somente a ele. Isso completa a simpatia, restando apenas aguardar o sucesso.          O item mais difícil de ser alcançado, a aceitação da gelatina por parte do cão e do gato.
         Aí vai mais uma dica com o “Condicionamento auxiliar no.13, para felinos, caninos e sapos.”
         1.Alimentar por um mês, tanto o felino quanto o canino, com strogonof e batatas fritas, duas vezes ao dia.
         2.Cada refeição deverá ser anunciada por um piston, reproduzindo a alvorada dos militares(aulas de sopro com o professor Salivas Ejetado).
         3.Segue a frase que deverá ser dita pelo titular da simpatia, “Você é meu parceiro e preciso de sua ajuda”.
         4.Durante a refeição dos bichinhos, tocar a faixa 3 do álbum “Cangibrina Estelar” dos Paquidermes Voadores ( disponível nos Hiper-mercados Caçulinha). Obs 1: desconhecer o estado da cacaca dos animais, pois em 10 dias ela voltará à consistência que você já estava acostumado a recolher. Obs 2: Em qualquer situação ou momento que se dirigir aos animais, observe para estar ereto, barriga para dentro, peito para fora e num tom eloquente, porém amigo.
         Após 30 dias exatos, eles estarão tecnicamente aptos a receber a gelatina de caqui. Conforme estudos anteriores realizados em faculdades no centro do país, estima-se em felinos 62,46% e caninos 77,85% a possibilidade dos bichinhos consumirem e assim a simpatia vingar. Nada nesse mundo é infalível. Boa sorte e sucesso. (Luiz Carlos Peretto-Jam-02/02/2008)