A candidata a celebridade Gwendolin Saraivona andou aprontando de novo, provavelmente na trilha de se tornar uma dessas milhares de figuras que enriquecem nossas telas e revistas fofocanejas. Segundo relato do coroinha Abel Abílio, tudo ocorreu no dia 12 de dezembro do ano passado, na igreja matriz de Ventos Sopram, quando passaram a caixinha dos óbulos, para que Gwen contribuísse àquela entidade religiosa. Naquele momento o coral entoava “Atirei o pau no gato”, obviamente com uma letra adaptada e compatível com a cerimônia em curso. Gwen subiu no banco e iniciou uma dança sensual, enquanto o coral seguia na trilha, aparentemente a apoiando. Ela executou em dez minutos um strip tease trés joulie, segundo o coroinha narrador. A estupefação foi geral e o mais encantador, foi gravado na íntegra por outro coroinha, Caim Abílio, inclusive com um spot de luz do seu cinto de utilidades. O coral prolongou sua performance até o final do strip, quando apenas os seres masculinos ainda seguravam a batuta e os vocais excitados. Os femininos estavam indignados e constrangidos por aquele fato inusitado. O líder do cerimonial, Cipião Corcovado corria chacoalhando suas pelancas e gritando com Abel e Caim para que não caíssem em tentação. Após concluir seu feito, Gwen ainda levou uns 15 minutos para vestir suas roupas e confessar que fez o que pode, pois seu padrinho havia lhe dito que, se em algum momento não tivesse dinheiro para cumprir com suas obrigações, que fizesse o que de melhor ela soubesse. Agora de posse do vídeo, o padrinho Montecito Debandalha percorre as TVs e as revistas se informando das taxas necessárias para dar seguimento à carreira de Gwen.
Mesmo não sendo uma fonte da informação, algumas pessoas nos interpelam, mandam e-mails e nos questionam sobre alguns fatos ou situações como Esther Pospago, arquiteta maranhense. Ela perguntou sobre aquela obra que mencionamos num texto anterior, chamada Tarzan Noble Residence. O mesmo foi feito por Dagoberto Prepago, engenheiro civil com boa aceitação pelas prefeituras do interior de nosso pago. Quando citei aquele empreendimento, realmente não busquei mais informações, apenas salientei o ineditismo e a criatividade, lamentando apenas não ter dado certo por algum motivo qualquer. Nadando apenas sobre a superfície, colhi mais alguns dados significativos, que podem elucidar alguns pontos do futurístico Tarzan Noble: cidade sede deste moderno e inventivo projeto, Ventos Sopram, no bairro nobre e caixa alta Lê Petit Gateau. Tudo através da Incorporadora Ratazana de Pablo Ratazana e tendo por parceiros a Três Régis Magos Empreendimentos, de Vasco da Gama Régis, Régis Flamengo e Régis Registro. Uma empresa forte e conceituada no ramo, que tem no seu staff dois gênios na concepção predial arquitetônica, Tio Irakitan e Al Patinho. Os dois conceberam os presídios mais caros, sofisticados e belos deste país, bem como centenas de prédios para a polícia civil, com linhas modernas e arrojadas. Além disso, estão projetando um pórtico de entrada para cada um dos nossos estados visando a copa de 2014, baseados no tema “luxúria e loucuras miiis para o seu dinheiro, Gringo amigo”. Um alto funcionário do nosso estado, com sangue A positivo me confidenciou que existe uma verba de cinqüenta milhões de reais para cada pórtico. Afora isso, Tio Irakitan pleiteia a Academia de Letras, por ter escrito o thriller “Alfaces do Terror”, lançado pela editora Humildade Relativa do Ar, de Gerânio Relativo, onde se destaca o herói monossilábico Bú, que se transforma em massa à bolognesa e liquida com as Alfaces, casando com Milena Suflê, que a seguir gerou o Bú Junior Suflê e foram felizes. Mês passado fui convidado a participar de um evento social underground na nossa cidade. Era o aniversário do conhecido músico Phil Sperto, que levou seus convidados a uma grande cachorrada, nos brindando com rodadas de cachorros quentes incrementados e sucos naturais envenenados com a tradicional caninha. Tudo em volta da carrocinha do Amadeu de Deus Tadeu Amaranto, o popular Deusteu. No início das comemorações duas garçonetes, usando tiaras e patins persas serviam aos convivas travessas com pepinos di capri, regados ao molho puritano, com muito alho. Sperto providenciou um palco no terreno baldio próximo e convocou alguns talentos da nova geração para animar a festa. Antes de comentar o que rolou artisticamente, tenho que mencionar que alguns dos convidados, como o prolífico escritor sobre o lado escuro da lua, Mercy Bocudo me interpelou sobre o meu constante uso da palavra índio. A ele juntou-se Agnelo “Rocco” Moído, considerado um dos intelectuais do pornozão meia boca, bem como Ivo Starr e Freio Caneca, ambos da Freios Starr, reforçando aquela indagação indígena. Isso atraiu a atenção de alguns convivas, inclusive das patinadoras, que naquele momento eram apalpadas por Sperto. Eles formaram um semi círculo em nossa volta, pois Dinarte Arteiro estava filmando e capturando aqueles momentos únicos. Após ficar ruborizado, refleti por uns 20 ou 30 centímetros e respondi que os índios possuem uma ingenuidade genuína ou pelo menos tinham até Cabral aportar por aqui. Essa ingenuidade, nós como povo, temos em alguns aspectos e assim somos levados no bico, sofremos balõezinhos e chapeuzinhos de políticos, celebridades, mídia, cartolas e pelo contexto maior do nosso medieval status quo, à todo momento. Por isso o ÍNDIO que menciono se refere a nós como cidadãos do povo, ingênuos e infantis, excetuando-se Índio Bráulio, por ser nome próprio. A claque presente não entendeu essa minha observação, dizendo que ingênuo é o pai e o avô do Badanha e que com eles não tem para ninguém. Então me recolhi a um canto, já todo lambuzado de maionese e cebola, para observar as atrações daquele evento glamuroso e suas peculiaridades. Nestes últimos anos
venho relatando algumas ideias e “atividades” de pessoas que conheço através
do meu trabalho atual, com venda de músicas em CD’s, LP’s e DVD’s e do
anterior, quando por 20 anos sonorizávamos peças de teatro, desfiles, festas,
boates em clubes, políticos, feiras, bandas, festivais com bandas, entregas de
boletins... Estes dois ambientes, mais a internet, revelaram pesquisadores,
maestros, músicos, empresários, que na sua maioria buscam um mundo melhor para
eles, com mais faturamento e alegria, tentando “satisfazer” as pessoas em
geral para que sua atividade, em geral, renda mais para seus bolsos. Desta vez
me deparei com Censo Portinhola, ex marido de Paulinha Meejastes, ex lutador
de sumo, ex playboy (a revista queria royalties dele), ex bicheiro (muito
bicho de pé, até usar uma receita de madame Min), ex galanteador de mulheres
(até levar um laço de Wilsinho Escopeta), agora um escritor de mãos cheias de
tinta. Ele vai narrar em um livro o que Flash Gordon viu no futuro, quando no
Solar das Vergamotas Urineide participou da portabilidade das almas, sob a
direção de Biro Lero. Para uma melhor compreensão do que vamos relatar,
recomendamos que leiam o texto “Frei Frickt vislumbrou o futuro”, constante do
site da Jam, que descreve de maneira fidedigna os fatos que antecederam aos
que vamos oportunizar neste aqui.
Quando dinheiro e
empregos são enxugados como se usassem rodo virtual e panos sete léguas com
zípers Stravinski double, deixando tudo seco e brilhante para que os poucos
sapatos importados possam desfilar com garbo e elegância, temos que reduzir
custos ao máximo, cortando pessoal e despesas fúteis, pois o dinheiro gasto
não volta mais. Exceto o que foi alocado em imóveis, onde o cidadão comum como
o maestro Arquivo Morto pode eventualmente ter um ganho em algum negócio. Até
nos automóveis, onde muitos se gabam de proezas negociais com multi nacionais
ou com picaretas à nível internacional, sugerindo que levaram alguma vantagem
nos seus “business” automobilísticos, trazendo para si a contemplação de seus
amigos e familiares. Qualquer eventual, possível e imaginada vantagem fica por
conta das leis de mercado, oferta e procura, desespero do vendedor, algum
defeito ou similar. A única vantagem aparente advinda é a que o adquirente
finalmente comprou o “bem” que ambicionava e agora é o senhor dele, não tendo
mais pra ninguém, por enquanto.
Recebo uma carta de
Servenel Cervantes, atual empresário das duplas Banho & Tosa e Luzitano
& Puritano, tentando reparar injustiças que estão sendo cometidas no show
business e na mídia. Ai
vai: Conversando com o
produtor, "cuca legal" e picareta de plantão Casquinha de Siri, fiquei sabendo
de um novo "business". Ele arregimentou 12 bandas variadas com um plano
auto-sustentável para os componentes das mesmas, que irão trabalhar em
serviços gerais como boy, modelos, camelôs, ponta de novelas, flanelinhas,
comércio de números animalescos e outros, esperando seus grupos vingarem. E
para que isso aconteça ele propõe um consórcio onde 200 investidores
aplicariam R$ 500,00 mensais durante 2 anos. Na medida em que o sucesso surge
e o dinheiro também, caberá a cada consorciado 0,3% do lucro líquido. O
montante mensal auferido será investido em programas de TV aberta e fechada,
rádios e revistas de fofocas com circulação nacional, conforme o perfil de
cada grupo. Reproduzo o e-mail de Siri com os detalhes do plano. "Para esta
nova tarefa vou nomear para a coordenação a jornalista Emma Thomas Dhoy,
inglesa de nascimento tendo vindo para cá em l998, profunda conhecedora do
mundo musical e que de um modo ou outro consegue atingir os seus objetivos
finais.Darei carta branca para que utilize meios convencionais ou não,
conforme lhe aprouver. Nabuco Vulgares costumava observar sobre ela, "a grande
vantagem de miss Dhoy está em plantar, colher e publicar onde nada ou quase
nada existe". Em março de 2000, o grupo Fuinhas Traiçoeiras quase foi linchado
em Cipreste Oculto, quando um boato surgiu sobre a filha do prefeito. O show
foi um sucesso financeiro e de público, irado e louco para executar as Fuinhas
que no boato apareciam como os bad boys. Por sorte Emma Thomas já havia
providenciado em segurança extra e carro blindado para elas, que intuíram que
nunca mais lá voltariam.Também os Quadrúpedes Hortifrutigrangeiros e os
Boiolas Aerodinâmicos foram trabalhados por Emma, quando em março de 2001
surge a oportunidade de enviar duas bandas nacionais de sucesso para a
Argentina, numa produção do empresário portenho Exposito Pellanka, reunindo a
nata do rock sul americano. Emma Thomas reuniu material sobre elas,
referências, currículo sabe-se lá de onde, pedindo um cachê de US40 mil, que
foi prontamente aceito por Pellanka e a prefeitura local. Mais uma vez o som
dos grupos não foi compreendido e graças ao capitão aposentado Gerúndio do
Infinito e seus comparsas, tanto as bandas quanto os US40 mil voltaram sãos e
salvos. Emma participou do filme "Dois cretinos ao luar de Mojave", fazendo um
homossexual sensitivo e progressivo; além disso o pai dela, Sir Sinn Thomas
Dhoy, afora ter sido um emérito beberrão, se tornou um dos maiores traficantes
de armas da Europa nos 70, além de "conseguir" carteira de motorista para meia
Manchester no início dos 80. Isso tudo propiciou uma bagagem e tanto para miss
Dhoy, por isso vou colocá-la à frente desse projeto inédito.
Minha pessoa recebeu
um CD do grupo pós-macrobiótico e pós lava roupas com sabão em pó, Cadáveres
Impertinentes, com o título de Bocha Sangrenta. Isso aguçou minha curiosidade,
pois um título assim sugere muitas interpretações. Passei então a ouvi-lo com
atenção, além de rastrear o envio do mesmo, no que foi resultar em um nome,
Casquinha de Siri. Este contou que indicou meu nome como possível divulgador a
Nelson Zubiunacarretta, pai de Little John, baixo e lead vocal dos Cadáveres,
e responsável pela divulgação do CD. Trocamos alguns e-mails e fiquei sabendo
que o enredo mencionado no álbum trata de um fato real ocorrido novamente em
Ventos Sopram, há 12 anos atrás e que havia sido reportado por um branco
velho, habitante da cidade vizinha de Montanhas Crescem. O relato foi
aterrador, chocante e quase inacreditável que possa ter ocorrido aqui no nosso
país. A história começa quando em Ventos Sopram, dois partidos conservadores
ganham a eleição pelo trigésimo ano consecutivo, um como prefeito e outro como
vice. Então uma verba federal monstruosa lhes cai nas mãos, tendo que seu uso
ser comprovado por projeto e notas, senão retorna ao provedor. Imediatamente
os dois partidos se mobilizam, escalam suas empreiteiras de confiança para
executarem as obras, que beneficiarão o povo. O prefeito, Anacleto Cheirobom
orquestra seu lance com a Ferrão Empreendimentos de Moustapha Di Ferrão,
visando construir uma arena futebolística para o time local, Sopram FC. 50 mil
pessoas, teto móvel, camarotes vips, ou seja, adequado para a Copa do Mundo de
2014. O vice, Zumbido de Xalera e sua troupe escalaram a Canhões de Navarone
Ltda, de Atmosfera Navarone, para renovar a praça central com piscina, lavabo,
lan-house, show com golfinhos, telão, coçador de pé digital, palco
multi-uso-facetado, seringa descartável e o escambal. Cada facção procurando o
melhor para o povo e por isso as negociações não evoluíram, o impasse estava
criado. Lembrando de uma
conversa que tive com Trajeto Rombão no fim dos anos 90, que na época fazia
100 metros em 9,5 segundos quando fugindo de alguma autoridade, ingeria 36
pedaços de galeto ao primo canto em 24 minutos e 19 segundos e sabia imitar
fluentemente o som de naves espaciais, tanto da terra como de outros planetas
do sistema solar. Na ocasião Rombão era líder dos Sapos Arrogantes, grupo que
desenvolvia um pop filarmônico/ aerosol/embalsamado/super descontão/em 24
vezes no cartão e estava embarcando numa turnê pelo nordeste brasileiro, para
tocar nas casas da moda A Bolacharia, recém concebidas e inauguradas. Nelas,
com R$ 2,50 o gajo podia comer bolachas à vontade, de todos os tipos, somente
replicando o pagamento quando ingerisse algo líquido. Constatamos naquela
altura a decadência visível da música em geral, inclusive a dos Sapos, com o
uso massivo e nocivo da mídia para compensar a falta de qualidade. Olhando
especificamente para o Brasil, uma palavra convinha e resumia a cena de modo a
não deixar dúvidas para ninguém, Chinelagem. A partir daí surgiu a ideia do
Projeto Chinelagem, onde os Arrogantes fariam sempre algo pior, comparado com
o lixo do momento, tentando ser no mínimo 20% pior que o pior, na certeza que
isso os levaria afaturar. Pois bem, isso não ocorreu pois o mercado sempre
oferecia algo mais baixo, mais degradante deixando os Sapos apenas coaxando de
tristeza.
Navegando pela
Internet, baixei, li sobre, ouvi e re-ouvi uma banda chamada “Lonely
Capachos”, que faz um rock alternativo /espinafrado
/saca-rolha/empoado/auto-ajuda, botando pra fora todas suas neuras, recalques,
invejas, frustrações, raivas a partir de situações inusitadas auto impostas
por seu principal integrante e compositor Bruce Kusparo, aliás, Brochev
Kusparov, russo de nascimento. Aos 2 anos foi para Islândia saindo daí aos 22
para Liverpool, na Inglaterra, onde fundou o grupo após ouvir muito Oasis(por
ser igual a Beatles, dispensou estes) e Canalhas Ativos, banda do norte do
Mato-Grosso do Sul, cujo CD lhe foi apresentado por um político Finlandês(?).
Recebi mais um projeto
do produtor/empresário, o noviço bandalho Casquinha de Siri Novaes, onde ele
apresenta uma planificação que julgo plausível e que talvez valha assumir os
riscos. O retorno poderá ser imediato, visto que não existe nada parecido e
com tal poder de penetração em segmentos da nossa sociedade abastada e sedenta
por revoluções sonoras. No entanto, neste caso, precisarei de dois sócios,
pois conto só com um terço do valor requerido por Siri. Relato a seguir os
detalhes do empreendimento com a missiva sendo colocada na íntegra, e se por
ventura alguém que lê-la quiser participar basta contatar comigo ou com o
pessoal da loja. Casquinha falando:
Recebi o trabalho demo
de uma banda que julgo muito original e barulhenta, com recursos e mananciais
compostos, cujo nome é Braguilhas Sensitivas. Foi enviado pelo aspirante a
produtor Theobaldo Liso, primo de Casquinha de Siri Novaes. Vislumbro grandes
possibilidades que cruzem algumas fronteiras, pois a descrição do marketing
prevê o uso da máquina de forma astuta e calculista, tirando leite de pedra.
Além disso, boa música para ser ouvida e sentida em 35% dos locais bacanas,
desde montado numa roda gigante em um parque, no hipódromo apostando num
pangaré ou até na paróquia do bairro comendo um bom meio frango com massa.
Trata-se de pós pré-rock alternativo umedecido com pop/bélico/bochechudo,
saturado de imagens e visões animalescas e situações embaraçosas como esquecer
o cartão de crédito, não ter passe para o ônibus ou fugir de um poodle
enraivecido.
Essa curta nos remete aos pagodeiros “Klaus Willy Debrandt & Os Insetos”. Klaus é alemão de nascimento, passou dez anos como mochileiro de avião pela Europa e agora precisa recuperar o seu “Tempo perdido” (Legião dois), em cima da “Geração coca cola” (Legião um). Ele escolheu nosso país para esse intento, até por indicação de um dos insetos, que o conheceu trabalhando como carregador num aeroporto de Ughanda. Seus pais lhe deixaram posses, as quais ele foi despossuindo lentamente nas suas viagens. Klaus compôs letras em cima das suas viagens, falando de perdas financeiras nas geladas em que entrava em cada país, amores atrás de posses, guias turísticos também e por fim cachorros bondosos e humanos, sem interesse aparente. Os Insetos formam um bom grupo de apoio ao Klaus, que canta com um forte sotaque agradando as menininhas, pois este germânico tem o pagode “na sangue e no alma”.
Essa outra envolve política e tem no centro o auto-considerado preservador da moral e dos ótimos costumes. Trata-se do cidadão Dementes Queroquero, mui digno eleito deputado federal pela região que compreende as cidades de Ventos Sopram, Mato sem Cachorro e adjacências. Ele quer retirar o Brasil do nome do programa BBB. Segundo ele, “o baixo nível da proposta e dos participantes depreciam a imagem do nosso país, que não carece de mais essa”. Ele tem apoio da câmara dos notáveis de Mato sem Cachorro, enquanto a câmara dos comuns defende a permanência no nome “para valorizar o país ainda mais, com aquele rasgo de inteligência do nosso povo”, as exatas palavras de um dos eminentes comuns.
Uma estranha que vem do setor milionário do cinema made in USA, onde dois grupos de atores se reuniram em local ignorado e deliberaram em algumas alterações. E elas só foram possíveis pelo poder de barganha que essa classe tem quando se une. Os doze atores do filme “12 Homens e Uma sentença” permutaram sua sentença com os atores do filme “12 Homens e Um Destino”, pelo destino destes. Sabe-se que a turma do destino exigiu uma volta, que o pessoal da sentença cobriu, oportunizando para aquela dúzia de celebridades, vinte dias livres no melhor bordel de Las Vegas e cem caixas de mariolas made in Ventos Sopram.
Esta complicada também vem dos USA. Trata-se de um índio na quarta geração de sua família e que causou polêmica quando revelou seu nome. Traduzido é Touro Deitado em Pé, irmão mais novo de Touro Deitado, Touro Deitado de Bruços e Touro Deitado em Posição Fetal. Todos eles são filhos de Touro Sentado, que por sua vez é filho de Touro em Pé e neto de Touro Voando. Existem dois problemas na dinastia dos Touros, cada pai só pode ter um filho homem, cujo nome deve representar o Touro numa decrescente até estar em baixo da terra, onde deverá se encerrar aquela família, se não houverem mais nomes possíveis e plausíveis. Eméritos apresentadores de talk shows from USA encamparam o problema, pois os Touros Deitados não poderão ter filhos e eles próprios não poderiam continuar habitando o planeta, somente o que veio primeiro, Touro Deitado. Touro Sentado havia levado cartão amarelo no segundo e vermelho no terceiro filho, do cacique Mobil Oil. Ressalte-se que Touro Sentado é guitarrista de rock psicodélico e desopila com a dupla Mary & Juana. As ideias pipocam de todo o país, sendo que a principal e advogada pelos eminentes talk showzistas remete a uma verba do governo americano, para alocar os irmãos Deitados mais jovens num foguete, que ficasse girando na órbita da terra eternamente, sendo abastecido por toneladas de mariolas por outra nave, a cada seis meses. Uma saída que vou propor via e-mail, mais viável financeiramente, efetivar os dois Deitados em algum Big Brother in USA, como participantes eternos, podendo se casar e viver ali mesmo, tendo apenas que tomar cuidado com uma futura geração de filhos, a não ser que tenham um nome adequado.
Esta é financeira, e trata da primeira Central de Mordidas, criada pela administração da cidade de Ventos Sopram. Ela passou a tratar o receber dos contribuintes de forma mais profissional, escancarando para o mundo que prefeituras e outros órgãos públicos, só assim conseguem manter tartarugas gigantescas, com milhares de apadrinhados funcionando com dignidade, para eles mesmos. A Central possui um bom quadro de advogados, estudando diariamente as leis municipais, estaduais e federais, tendo como objetivo poder cobrar sempre algo mais do folgado contribuinte, que veio ao mundo para sustentar máquinas administrativas desde sempre. Vide império romano, a corte inglesa e a Fundação Sem Cachorro.
Esta é esportiva e conta que Sílvio Martelo, padrinho de Evelyn Montypiton, revelou que aquele time de futebol, o Íbis, que dizem algumas línguas nunca ganhou nada, na verdade nos anos 80 venceu quatro partidas e empatou duas com as Seleções de Reader Diggest, ficando com a taça “Julio Iglesias, con amor”.
E finalmente, soube de fonte segura e potável que Jerry Bruckheimer, produtor dos seriados americanos CSI está em Novo Hamburgo, negociando com dois empresários de grana (preta) aqui e lá fora, para lançar o CSI Nóia. Deverá ser rodado totalmente na avenida Maurício Cardoso, com 22 episódios mais o piloto e o cobrador. A mesma fonte revela que Jerry, disfarçado de torcedor de futebol, inicialmente com a camiseta do Grêmio e o boné do Inter e no momento, após situações constrangedoras, com a do Novo Hamburgo, circula pelo shopping local, escolhendo seus futuros astros. Dizem que ele leva em conta o charme para subir a escada rolante e o desembaraço ao ser atendido nas sofisticadas lojas. Até mais, assim que juntar mais um punhado de informações relevantes. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 22 / 08 / 2011)
Tarzan Noble Residence
Após estes dados irrefutáveis sobre os promotores do empreendimento, vamos a uma ampliação com o relato do engenheiro civil Christopher Dor Neles, irmão de Causa Dor Neles, quinta esposa do maestro Arquivo Morto, que se dispôs a colaborar: “Caros Póspago, Prépago e pessoal da Jam, considero uma tarefa difícil comentar sobre algo tão controverso, que causou a intervenção do ministério público, com a prefeitura de Ventos tendo que indenizar cada centavo aplicado pelas ricas famílias que apostaram naquela vanguardice. A coisa toda foi concebida e arquitetada pelos Régis, e tinha no fundo uma homenagem ao grande ídolo Tarzan e sua talentosa macaquinha Chita. Então Al Patinho e Tio Irakitan adaptaram o Tarzan Noble Residence ao nosso país, um condomínio fechado com todas as casas sobre frondosas árvores, tendo em cada unidade, hidromassagem, churros prive, Sala Almirante Bonachú para sexo grupal, cozinha Cremilda com isolamento de amianto e atmosfera própria para frituras, kit Las Vegas de jogos de azar, esquadrão anti bombas, bombeiros e manicure 24 horas. Isso tudo para a high soft beauty society de Sopram aplicar suas fortunas. À frente do empreendimento em termos oficiais a Incorporadora Ratazana, que já havia se mostrado brilhante no projeto Morada das Cachoeiras, sobre a área nobre de Lindoberto Longfred. Nelas, em cada entrada de residência uma cachoeira artificial de 60 m2, com a possibilidade para o swallow boogie oyster cult, sempre com a concepção dos geniais Patinho e Irikitan. Tudo continua funcionando plenamente até hoje, apenas a maioria dos soft beauty “encheram o saco” e venderam suas propriedades aos emergentes do high new hard society e do high new glitter society. Mas no Tarzan Noble, o problema foram as árvores, após dois anos começaram a ceder, criando rachaduras incontroláveis. O estopim foi na Tarzan residence do aristocrata Paulinho Escovinha , que teve que abortar uma sessão de sexo na sua própria sala Almirante Bonachú, quando o piso e as paredes começaram a vibrar.”
“Com o currículo invejável dos empreendedores, mais alguns sorrisos e agradinhos aos fiscais, o projeto do Tarzan Noble Residence foi aprovado com louvores, até pelo bispo, rainha, torre, cavalos e os peões da cidade. Com isso a prefeitura de Ventos só poderia ratificar e endossar aquela ousada e moderna forma de habitar, e auferir os impostos correspondentes. Cabe ressaltar que esse tipo de habitação foi utilizado por primeiro numa das tribos dos incas, a radical Rock’n roll Lullabye. Isso foi comprovado através de um vídeo clip feito no local, com a dupla Montenegro & Desmontenegro, interpretando seus dois sucessos sobre as ruínas de um legítimo Inca Noble Residence. Inclusive Desmonte encontrou vestígios de camisinhas, que já naquela época os Incas utilizavam nas suas aventuras amorosas, segundo o professor Wrangler. O prejuízo foi grande, pois muitos venderam suas mansões em locais nobres para morarem em cima das árvores. Consta que passados quatro anos, a prefeitura continua indenizando aquelas pobres famílias ricas”.
Com todas essas informações, creio que tenhamos respondido de forma satisfatória aos nossos leitores, Pré e Pospago e revelado que mesmo não sendo uma fonte da informação de direito, somos uma de fato. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 20 / 10 / / 2011)
Festa de Arromba
De cara pintou o grupo Valéria e os Absorventes, com a simpática Val apresentando um por um seus Absorventes e em seguida iniciando o show com muita energia e descontração. Isso cativou principalmente os moradores de rua, que logo se organizaram como se fossem um auditório, tal qual os das televisões. Val teve que bisar seu hit local, “Vem sem camisinha no meu baile”, que agradou em cheio a quase todos os presentes. Ela demonstrou um total controle sobre a plateia e os seus Absôs, executando um serta-rock universitário bom camarada, quase um romântico sacerdotal com uma pequena formiga na camisola.
Logo em seguida surgem Casaco & Cossaco, com seus suspensórios de cabo de aço. Esta é uma dupla universitária de destaque na Vila dos Aposentantes. Cantaram sucessos como, “Aleluia, veio a aposentadoria” e “Encostado e Feliz”, agradando os mais velhos, inclusive a mim, de certa forma. Naquele momento Val já havia trocado de Absorvente e abraçava Maringá, seu baterista. Os demais Absô corriam atrás das meninas da festa, oferecendo suas vantagens, enquanto Ranzinza do fanzine “Atrás da Moita” capturava os nomes dos convidados para sua próxima edição. A vizinhança estava gostando do evento, cantando quase todas das suas portas e janelas. Neste aspecto quem botou fogo foi o refrão agri-doce, recheado de preguiça “Encostado e Feliz”. Tanto Casaco quanto Cossaco tem grande empatia com a galera, e isso ficou comprovado quando passaram uma cartola recolhendo donativos para alguém doente no Paraná, com a contribuição maciça, inclusive dos moradores de rua.
Mais tarde foi a vez do grupo Espíritos Amedrontados, que para surpresa minha tinha na percussão um velho conhecido, Don Raviolli. Don era da antiga Bastardos e Eu, quando o grupo pra lá de mamado tentava executar suas músicas e nunca concluía com nenhuma delas. Soube que hoje em dia Raviolli não quer saber de seus antigos colegas, tem uma seita própria, coleciona selos e borboletas, e é o líder dos Espíritos. Durante o show o grupo ganha alguns extras, pois eles contatam com alguns espíritos amedrontados, ou seja, a pedido de parentes da plateia buscam informações com seus entes que já foram desta, para uma melhor? Isso tudo durante a execução dos que eles chamam de hinos de fé corajosos, todos compostos por Don. Após o show eles arrecadam o combinado e transmitem aos familiares os recados. Confesso que fiquei surpreso, pois não sabia desta faceta humana e intrigante dele. Raviolli me pareceu estar extremamente compenetrado na apresentação e em cumprir sua tarefa de proporcionar aquele contato. Entre uma e outra canção ele vertia um líquido vermelho por sua goela e gritava “eu não sou cachorro não”, trincando os dentes. Não acompanhei o diálogo final entre os interessados, mas notei de longe a indignação dos familiares. Então me abstive de qualquer julgamento e fui buscar mais um dogão com aquele suco etílico.
Depois do show dos Amedrontados e de algumas desinteligências entre auditório e Raviolli, Val descartou um Absorvente e foi conversar com o próprio Don. Percebi uma afinidade entre os dois, onde a conversa fluía e a proximidade deles indicava que algo poderia acontecer. De outro lado notei a indignação dos Absôs com tal contato de sua líder, talvez por estarem percebendo que ela apenas os estava usando. A esta altura Mercy Bocudo e Ivo Starr já estavam com os patins e as tiaras das garçonetes e por vezes se espatifavam em meio às risadas dos presentes. Ranger Roger e Phil Sperto dançavam a tarantela acompanhados por três cachorros de rua, enquanto Freio Caneco rolava com as duas ex patinadoras entre as hortaliças e os pés de alface de um dos vizinhos. A esta altura Dinarte Arteiro não gravava mais o evento, pois dois moradores de rua haviam tomado sua câmera e enveredado para um matagal próximo. Agnelo “Rocco” Moído tentava organizar uma equipe para resgatar a tal câmera, obtendo apoio da mamãe e da vovó de Sperto, as quais já portavam cada uma um rolo de massa e um bandejão como escudo. Naquele momento o coral misto Os Filhos da Candinha & As Filhas do Candeeiro, debaixo de uma macieira irrompem entoando Parabéns a Você, conduzidos pelo maestro Syd Marrentto, num arranjo natalino tropical universitário. A mãe e a vó de Sperto largam o rolo e o bandejão e se põe a chorar copiosamente, enquanto Phil, visivelmente emocionado grita “a copa de 2014 é nossa”. Sem dúvida aquela cena supera em muito a entrada no palco da Valéria com seus seis Absorventes.
Lá pela meia noite surge nada mais nada menos que o Cuecas Patrióticas. Soube depois que o aniversariante e compositor Phil Sperto havia trocado o show deles por uma de suas composições. No mesmo momento, Ranzinza do fanzine me procurou, pois sabia da minha ligação via e-mails com o Cuecas, querendo uma exclusiva. O seu entusiasmo era tanto que derrubou seu cachorro quente com seus 15 molhos na minha camiseta do Cuecas. Assimilei o golpe e neguei de pronto aquela mediação. Naquele dia o Cuecas me pareceu um tanto puído, gasto e cheio de furos, estando mais para um universitário mausoléu celebrativo, que o rock afirmativo e descolado que eles faziam.
Já no início do outro dia, o travesti travestido de Michael Jackson, Haligay Thor surgiu com uma proposta inusitada. Imitar e dublar aquele cantor/dançarino/celebridade, e o fez com um certo talento, porém na décima segunda música foi corrido do palco por Phil. Fiquei com a impressão que Haligay estava gostando mais de se apresentar, que a audiência de assistir, aliás como sempre transparece nesse tipo de “show”.
Don Raviolli, ao contrário do que eu pensava estava mal no fim da festa e vomitou em cima de um dos Absorventes. A Valéria pirou, pois era aquele com quem ela iria para casa e choramingando disse: “imagina que absurdo, ninguém precisa de um bêbado numa festa de arromba dessas, muito menos eu que trouxe os meus práticos Absôs!”.
Observações minhas, já emborrachadas à nível de duas da manhã, constataram que: os Absorventes pareciam ter sido jogados numa lixeira, os moradores de rua rebelados haviam se apossado das garrafas de veneno etílico, a vó e a mãe de Sperto recuperaram a filmadora e solicitavam à Valéria emprestado, dois Absorventes para irem para casa. Com um olho ativo e outro cochilando, percebi a atração de fim de noite, a artista de plástico, performática, acrobata e aeróbica Conny Ventti, para sua apresentação de danças de “vendedor de pipocas em jogo de futebol” e “flanelinha em evento gospel”. Juntei as anotações, dei um tapa no restolho do copo e fui me despedir da galera. Acenei pros Cuecas, divisei Raviolli sendo carregado por alguns Espíritos para a van e saudei surfísticamente ao Sperto e skatísticamente ao Deusteu. Voltei a pé para casa, trocando algumas pernas das cinco que me conduziam, pensando se realmente aquilo teria sido uma festa de arromba, tal qual aquela que virou música para a jovem guarda nos anos 60. Ou se é apenas um rótulo para mais uma faceta do conflito diário que vivenciamos, nesta América Medieval do Sul. Finalmente destaco o não comparecimento à festa das duplas, Dagoberto & Da Coberta e Homo Sapiens & Omo Total, sem justificativas. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 02 / 08 / 2011)
E o futuro está
chegando?
De antemão vamos anunciar
que o livro de Censo Portinhola será publicado em março de 2011, via editora
Kostellero, que além deste mencionado investirá numa nova tendência a partir
do próximo ano, os livros de mútua ajuda. Não sei do que se trata, mas
oportunamente tentaremos esclarecer essa futura tendência. O que relataremos
aqui faz parte do merchandising do livro e foi autorizado por Kostella, sendo
passado a mim por Verona Unomille, agora Robin, amigo fraterno de Frei Frickt,
aliás Flash Gordon Frickt. Lero & Kostella, à pedido de Frei alteraram seu
nome, que segundo ele nunca foi Freibergen Frickt. Essa movimentação toda,
certamente vai render frutos aos empresários desse meio, que realmente não sei
bem de que “meio” se trata. O fato é que Flash Gordon foi ao futuro, voltou
salvo e quase são, para nos relatar simplesmente o que grandes potências do
mundo tentaram de todas as formas possíveis e imagináveis, não obtendo êxito.
Tudo graças a Biro Lero e sua portabilidade das almas, furungando no oculto e
linkando com o futuro, para sabermos de antemão o que as celebridades estarão
usando ou arrotando, o tamanho ideal dos seios das loiras e morenas, se
Ronaldinho emagreceu e se o patrimônio moral, financeiro e natural dessa nação
continua sendo dilapidado.
Então deixemos de conversa
mole e vamos para a conversa do futuro, com as informações valiosas vindo de
Verona Unomille, recheadas de dados que comprovam a veracidade do que
revelaremos a seguir. Frickt trouxe alguns vídeos do futuro, porém eles
sofreram a ação do tempo na viagem e estão sendo recuperados por Lero, para
serem entregues à imprensa. No futuro do nosso país, Flash encontrou dois
presidentes simultâneos no cargo, tendo sidos eleitos através de torpedos
emitidos de chips instalados no cérebro de cada cidadão, em dez vezes no
cartão, direto para uma central chipeirada em um programa de TV. Uma loira e
um cervo vestindo a camiseta do Flamengo, em 3D, comandando o show da eleição.
A escolha do nosso presidente compreendia dois casais homossexuais, um
masculino e outro feminino, um computador modelo Senhor da Situação da Pereira
Technology e cinco candidatos individuais, um ator de novelas baixo, uma
modelo alta, um vendedor de livros médio, um agiota com grana e uma stripper
sem roupa. Todos representando profissões e categorias, visto que os partidos
políticos se transformaram em clubes de futebol. Venceu o casal masculino,
havendo uma notória discriminação do eleitorado para com o casal feminino, a
stripper e o vendedor de livros. Então vamos arrolar algumas mudanças que
Flash constatou lá por volta de 2031, realizadas pelos dirigentes mundiais,
inclusive nosso casal máximo, visando empregar, entreter e reduzir o número de
viventes e sobreviventes:
1) A instituição do
escravo voluntário, estatal ou privado, sendo que o privilegiado estatal
recebe cama, comida e ar gratuitos e o privado, com os termos do contrato a
ser discutido de forma sigilosa, porém tendo que trabalhar uma hora extra
diária para pagar o ar. O escravo é utilizado nos serviços perigosos e sujos,
como militar interplanetário, lixeiro intergaláctico e local, removedor de
humanos por falta de pagamento em prédios locados, adestramento e comando de
tigres visando a segurança em condomínios finos, transporte de pedestres no
próprio lombo (necessidade advinda do transito caótico), substituto do
parquímetro em estacionamentos, sinalizando o término do tempo para o robot
financeiro do setor, para que cobre do faltoso e afira o “clima” entre o
escravo e o munícipe estacionador, caso exista um conluio nefasto. Além disso,
outras tarefas, nem tão engrandecedoras como coçar as costas, carregar pacotes
e ter expressões de contentamento e piadas oportunas para alegrar os cidadãos,
que pagam os impostos e indiretamente os sustentam.
2)Milhares de pessoas
morando em cidades submarinas, tipo Atlântida, na condição de escravos
voluntários vip, com tudo em cima, inclusive prostituição, canais televisivos
próprios, internet com o “necessário”, celebridades aquáticas locais, tudo
para que as pessoas não queiram retornar à superfície e aumentar a confusão.
Estes seres se dedicam a produzir artesanato submarino, bordados eróticos,
empadinhas anti-concepcionais, listas de noivas talhadas em madeira nobre,
empalhamento de animais e humanos de estimação, que depois de prontos são
enviados para a terra, tendo seu custo acrescido do frete do submarino.
3) A extinção do trevo de
quatro folhas como objeto de sorte.
4)A utilização em larga
escala do cachorro como motorista de qualquer veículo e como piloto de fórmula
um, a partir da criação do Dog Chip Driver 3000, em 2029 pela Pereira
Technology, nesta época com sede virtual em Hamburg na Alemanha. Muitos
aderiram ao seu cãozinho de estimação ao volante, pois com aquele chip
conectado ao cérebro, mais uma pequena adaptação nas patas dianteiras e as
luvas para goleiro da Merry Christmas Jabulani, ele se torna ou se tornará um
excelente motora. Pesquisas feitas em 2031 constataram que 58% dos veículos
utilizam o animal na boléia, reduzindo em 72% os acidentes, advindo dai um
desconto de 35% no seguro a ser pago pelo proprietário do veículo e do
cãozinho.
5) O nosso
sertanejo, ou de vocês, com suas duplas e trios inundará o planeta em 2029,
com artistas de todos os outros países encarando o estilo, e nossas feras
daqui servindo na produção, consultoria e composição, obtendo divisas em cima
dos gringos. Mas esse assunto fica para um próximo texto, pois tem nuances e
filigranas que merecem uma atenção maior. Talvez para o dia do armário, em
setembro.
6) A cachaça
Elesbão entrou com tudo e em 2025, 65% dos viciados em drogas as trocaram por
ela, com o acréscimo de que na sua fórmula exclusiva, um componente obtido em
Marte regenera os neurônios. E apresentando 400 garrafas vazias da Elesbão no
mercadinho, o sujeito troca por um plastifígado Guentatranco da Medi-Pereira,
instalado e já amaciado.
7) Outra alteração
interessante diz respeito aos seios, com uma descoberta genial a partir da
mistura de cuturnos e listas telefônicas velhas, dissolvidos através de um
composto químico juntamente com barbatanas de peixes, conseguindo uma textura
única, maleável e moldável. Isso possibilitou a venda no mercado de kits com
20 pares de diferentes formatos e tamanhos de seios, permitindo a troca deles
de forma freqüente e em poucos segundos pela usuária, que já tenha feito uma
pequena cirurgia de implante de dois pinos com rosca.
8) Uma alteração perigosa
ocorrerá em 2029, tornando sem efeito as leis, juízes e advogados do sistema,
passando a privilegiar decisões de um colegiado de celebridades, nomeada pelo
chefe do poder executivo municipal, estadual e federal. As decisões do
colegiado são legalmente irrecorríveis e eles podem deliberar disputas de
quedas de braço, lutas com armas brancas ou torneios de bocha para dirimir
pinimbas e dúvidas menores.
9)Uma alteração
contundente, o rebaixamento da mulher à assistente do homem, em toda área ou
situação de trabalho, tornando a remuneração aos seus serviços nula, apenas
acrescendo 20% à do homem, responsável pela assistente correspondente. Cada
indivíduo masculino poderá ter até cinco assistentes registradas no ministério
do trabalho, o que lhe dobrará a remuneração, mas acrescerá seus custos, pois
ele torna-se legalmente responsável por elas.
10)Essa é notável ou
mundial. No ano de 2031 um cachorro tipo cusco, viralata que hoje é comum, vai
valer uma nota, com a galera da periferia, os terceiro mundistas e os escravos
voluntários catando em seus ghetos e os vendendo por muita grana. O próprio
Flash presenciou quando um velho gaúcho, vendedor de discos antigos em LP’s e
CD’s vendia seu cuscão por CZ$3500,00. Nossa moeda futura será o cruzal, e
segundo uma projeção da Credi-Ferrão, naquele ano cada cruzal valerá 1,37
euros. O velho vendedor de discos relatou que foram fundindo só as raças
nobres de cães, até o ponto do velho cusco estar em extinção, não sobrando
quase nenhum deles em puro estado cuscal para a procriação. Aproveitando a
ocasião, vamos fornecer algumas comparações financeiras feitas pela
Credi-Ferrão, numa equivalência de CZ$1,00(um cruzal) do ano 2031, com
produtos vendidos hoje, no mercado atual, ano vigente de 2010. Então um cruzal
do futuro equivale a 28% de uma pizza grande de mussarela, com tele entrega, a
79% de uma lâmpada fluorescente de 40 Watts, a metade de meio frango assado
sem recheio, a 2/3 de um bouquet de rosas vermelhas e a exatamente 364 gramas
de mortadela da boa. Isso tudo foi calculado pela turma da Credi-Ferrão,
cotejando dados futuros de Flash com os atuais, que são de pleno domínio dos
Ferrões. Por tudo isso pode se dizer que o nosso dinheiro vai valorizar
realmente.
11)A
substituição do pneu convencional em todos os automóveis de passeio pela roda
pizza, com os sabores a serem escolhidos pelo proprietário.
12) Outra alteração
substancial para 2029, no mercado mundial de automóveis, com a entrada em
definitivo da Pereira Automóveis, Velocípedes e Teco-Tecos Super Sônicos, e
sua linha de vanguarda, que desde 2025 inunda o Brasil e praticamente toda a
América do Sul. É a linha Zôo de veículos, com cada modelo representando um
animalzinho da nossa fauna, caracterizando as formas e até a expressão do
bichinho no design do carro. Flash deu ênfase a girafa, o porco espinho, o piu
piu, o jacaré e a gazela, os mais vendidos no Reino Unido e nos Bálcãs, e para
o louva deus, lesma, piolho e mico leão jogador, carros populares mais
requisitados em economias maiores como China, USA e Brasil. Pereira e seus
descendentes, junto com seu staff terá seu endereço virtual na Holanda em 2024
e no Chile em 2026.
Flash
visitou algumas bibliotecas virtuais, outras antigas com muito papel e um
terceiro formato, com escravos voluntários recitando livros inteiros para
sobreviverem. Foi ai que ele ficou sabendo que haverão algumas iniciativas dos
senhores do mundo, tentando torna-lo mais bacana para eles, com o fomento de
algumas guerras lucrativas e ao mesmo tempo redutoras da população. Porém
parece que essas “atividades” não vingam mais, pois a galera não está mais a
fim de lutar e se expor por ninguém que não sejam suas estúpidas celebridades,
nem os mercenários com seus sindicatos atuantes. Também haverão algumas
tragédias “naturais”, as quais o escravo que recitava ao Flash confidenciou
desconfiar de tramas tramadas por senhores traumáticos. O certo é que algumas
mudanças ocorrerão nesses próximos 20 anos, além das cidades submarinas,
escravo voluntário, rebaixamento da mulher que servem para minorar problemas
de distribuição de renda (renda = farelos do bolo) e tentar equacionar de
forma tênue o volume populacional. Na contra partida, outras descobertas como
o chip para cachorro e a fórmula da Elesbão diminuem a mortalidade humana,
concorrendo para o aumento da população. E por falar em escravos voluntários,
hoje somos escravos involuntários, com bocós iluminados estipulando o modo de
vida, o de vestir, se portar, nossas diversões, transformando-nos em escravos
do sistema, na maioria das vezes sem questionar, aceitando como se fossem
“coisas da vida”.
Todas
estas mudanças comprovadas por Flash, certamente só foram possíveis pelo peso
exagerado dado a mídia e a exacerbação dela -incluindo a internet, que se hoje
está poluída o que dirá daqui a 20 anos-, manipulando e construindo mitos,
gurus, ídolos para serem seguidos pelo povo e manobrados por quem os criou. E
essas alterações se desenvolveram através de um longo processo de concentração
de renda e poder no planeta, para se perpetuarem com o bolo, precisando apenas
repartir de forma mais humana os farelos, pois na medida em que a população
aumenta, os novos também necessitam deles, tal qual seus ancestrais, para
servirem com dignidade ao sistema. Obs: esta descrição das mudanças que
ocorrerão no futuro, são apenas a ponta de um iceberg, pois compõe a promoção
do livro que vem por ai. Assim que obtivermos mais algumas, através de Robin,
as relataremos. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 23/07/2010)
Compactando
empreendimentos
Nesse preâmbulo estou
colocando o sentimento de dois novos produtores musicais, que conheci através
de Danilo “o Réptil” Cremoso, da dupla sertanejeira aqui do sul, “Cobra &
Lagarto”, onde o Réptil é o Lagarto. Trata-se da produtora Quanto Mais
Solavanco Mais Me Gustta Ltda, de Queromais Solavanco e Memê Gustta, os dois
producers modernos que havia referido. Conversei com Réptil na Jam, talvez por
três horas e depreendi sobre a nova empresa que, a intenção inicial dos novos
empresários é capturar os valores financeiros que lhes cabem, quando foram
colocados aqui na terra e que no momento estão nas mãos de desconhecidos.
Notei também que com eles não tem espaço pra conversa mole e muito menos
fiada, a não ser que parta deles. Ali a modernidade, seja lá o que for isso e
de que década estivermos falando, estacionou com tudo, montando um plantão de
vendas bacana e distribuindo algodão doce e as mariolas com rum do Homem Canha
para a petizada.
O
negócio musical idealizado por eles é simples, porém inteligente e dependerá
da qualidade e da versatilidade dos soldados escolhidos. Memê e Mais
arregimentaram um grupo reduzido de oito trabalhadores musicais, com boa
bagagem e conhecimento, para tirar deles todo o suco possível. A ideia é fazer
com que apenas esses oito estivadores musicais possam representar com
eficiência dois grupos sertanejos, um de axé, dois de rock, dois de funk e
meio de calipso. Emma Thomas Dhoy por seu conhecimento será a diretora
artística, colocando cada grupo na sua função, espaço e estilo e Joe Apagado,
um mestre nos disfarces, caracterizará, descaracterizará e enjambrará feições,
personagens e tipos de celebridades, bem ao gosto da tiurma. Apagado adquiriu
experiência quando comprou uma kitineti somente pedindo dinheiro na mesma
esquina, conseguindo ser a cada dia um personagem diferente e autêntico. Após
trabalhou numa grande rede de TV, cuja função era remoçar figuras que há 50
anos tem a mesma idade e fazem sempre os mesmos papéis novelísticos,
idolatrados pela tiurma. Apagado e Dhoy por si só garantem de antemão um auê
bem significativo, dependendo da escala em que medirmos esses auês. Com
certeza serão grupos criativos nas embalagens, para ganhar o grande público.
Cabe salientar que no ano passado miss Dhoy, quando consultada sugeriu que
Barão Vermelho mudasse de cor e por conseqüência de nome. Deveria se chamar
Barão Azul Piscina dando uma nova emulação ao grupo e mostrando uma nova cara
para seus fãs. Dizem que o líder da banda, Frejato ficou pelo menos um mês em
cima de um muro vermelho pensando nessa
possibilidade.
A estrutura
da coisa toda vai ficar assim, para que a agressão ao mercado possa surtir
algum efeito financeiro prático: dois trios de sertanejo, um de segundo grau,
o Nícolas, Pícolas & Vinícolas, e o outro universitário, Emergente, Deter
Gente & Rabugente. Este conforme miss Dhoy cantando de forma convincente,
amparado em pesquisas sérias nas alterações de peso de Ronaldo, desde
Barcelona. No axé, tendo como líder a pragmática vocalista Evita Eva, o grupo
Limão e Pomada Menta no Chlavadasky, fazendo um axé subindo nas tamancas com
dosagens cavalares de folk nativo russo e óleo de três tempos no radiador. No
rock o ex Tempos de Apanhar, Nelson Manda Ella Fitzgerald, sujeito dotado de
um falsete único e singular, tal qual uma velha panela de pressão da marca
Sodoma e Gomorra apitando freneticamente. O grupo dele será o Veramotas
Pinhotadas, com um rock descompromissado, vadio, negligente, tangenciador,
nada com nada, curvilíneo, mas uma brasa juros de mora. O outro de rock será
Os Karmens, de Judith “Quebra Mola” Karmen, banda feminina que vai buscar com
afã e impertinência melhor remuneração para as mulheres que tiram a roupa.
Quebra Mola ficou sabendo de algumas verdades que correm por debaixo dos
panos, onde os valores declarados servem apenas para valorizar “o produto” e o
que supostamente paga. Na dura e crua realidade a coisa toda só serve para
mostrar o produto e ficar no aguardo dos incautos, que realmente vão entrar
com o verdadeiro money. No funk dois super grupos com a laje e a cara de pau
característica do estilo, o Bhosta Nossa e o Cupins Que se Funk. Este último
eu realmente saúdo pela coragem de colocar o dedo na cara de uma das maiores
pragas que convivem conosco, os cupins. Todas as letras atacam e os
ridicularizam de todas as formas e ângulos, não deixando espaço para o revide
verbal desses destruidores. Eles estão acabando com a minha, a tua, a nossa
madeira. Penso as vezes que o cupim foi desenvolvido durante a guerra fria por
um dos lados, - assim como tantas coisas que nos prejudicam até hoje - e
depois houve um “lost control” e passamos a ter uma população notável deles
vivendo na nossa dimensão e das nossas prezadas madeiras. No calipso, o grupo
Cuspidas Eqüidistantes Kalypsódicas, onde Mais e Memê vão colaborar apenas com
a lead vocal e o guitarrista, enquanto os demais elementos serão
terceirizados.
Cabe
ressaltar que esse projeto tem similitude com um antigo que apresentamos
anteriormente, o consórcio de bandas, que foi concebido em outro momento
quando o dinheiro abundava e igualmente a mão de obra. Hoje permanece a mão de
obra, mais acessível ainda, porém o dinheiro foi enxugado de forma drástica e
maquiavélica. Caso haja necessidade de diminuir componentes pela escassez de
verba, os trios de sertanejos se transformarão em duas duplas já determinadas,
Marimbondo & Moribundo e Pregador & Predador, os dois grupos de rock
viram eletrônico com Pancho Mostardas assumindo todo o instrumental nos
computadores e Patrícia Arquente nos vocais em ambas, pois ela é extremamente
versátil. O axé, o funk e o meio calypso serão sumariamente terceirizados.
Quanto ao Réptil, que forneceu essas informações, ele será o roadie de todos
os grupos, ao lado do Cascavel que é o Cobra da sua dupla.
Essa extrema racionalidade
pode levar esse projeto a algum sucesso, pois cada vez mais precisamos
simplificar e aproveitar a tecnologia, mesmo que haja desemprego, por que o
repuxo pior ficará para as próximas gerações, que terão que se funk, já que
tudo parece ser incontrolável, como a voracidade dos que comandam o circo –
estupradores financeiros, com mãozadas pornográficas nas verbas da nação -
quanto a falta de visão e previsão dos que se divertem e se esbaldam nesse
circo. Neste aspecto de economia vale registrar a dupla Simpson &
Flinstone, que ensaia pela internet, dispensando onerosas passagens de ônibus
e refeições caras, muitas vezes sem o suplemento alimentar necessário. Outro
exemplo, mas que abre o leque dos serviços prestados vem com o grupo de pagode
Exaltacama, que nos shows instala cinco cabines no palco e enquanto cinco dos
seus componentes executam os laia laia, os outros cinco fazem sexo nelas com
suas fãs, que foram previamente sorteadas pelo número de seus ingressos. Isso
não fica caracterizado como prostituição, mas apenas como um “favorzinho” às
milhares de fãs desse popular grupo, aumentando o pró labore deles e de seus
empresários, pelo aumento populacional nos shows. Também o grupo Sensações de
Inutilidade, de Jeremy e Rose Beeff se destaca na economia usando só play
back, dispensando assim equipamentos e instrumentos caros. Nas gravações locam
o mínimo necessário e nos shows, ao invés de levar músicos, usam bonecos
infláveis maquiados e instrumentos de plástico, criados com exclusividade pelo
artista elástico Ignácio de Portinhola Sandrão, pois geralmente o público fica
distante e nem percebe.
Quero parabenizar Emma
Thomas Dhoy por seus dois últimos filmes. Não os assisti, mas tive boas
referências das duplas daqui do sul, Nosferato & Bomfato, Sangue Azul
& Chinelão e Taboa Para Cortar & Taboa Para Passar. Eles tem em Dhoy
um exemplo de vida e de uma profissional que sabe fazer artes. Vale conferir
seus dois últimos longa metragens, “Um colono caluniado na colônia, com a
colônia de outro colono, no charme do verão colonial” e “Dois mandrakes
impertinentes, de fraque e cartola, sob fogo errado”. Os meus conhecidos
Sangue Azul & Chinelão, estão com seu mais novo trabalho na praça
Carvalhíades Botão, “Efeito Estufa”, que aborda com propriedade os vários
pratos culinários que podem deixar a galera estufada, inclusive sem medo de
dedurar alguns “cheffs” com suas rabadas, maioneses, mondongos, feijoadas com
coturnos, castores e tratores recheados, que comprometem a silhueta de bons
cidadãos. Música de trabalho, Mimi Vai Cuspi. Tanto Azul quanto Chinelão
trabalham há quinze anos com transporte, mais precisamente com vans, o que
lhes deu um conhecimento notável e único sobre esse tema discutido e
controverso, a van filosofia. Sobre este tema recairá o próximo trabalho
deles, sempre na linha sertanejalhão, com título inicial e provisório de “Van
Filosofia para Universitários e Pós Graduados”, com dicas interessantes sobre
carburadores, pneus, amortecedores, rodados e afins. Por fim Os Justiceiros de
Bermudas, grupo de rock com inclinação Paleontolítica, ano de competência
30356 AC, que canta as agruras e os amores dos homens das cavernas, suas
relações estressantes e dinâmicas com mamutes, chacais, bizões e leões, vão
adotar o macacão cor de taboão como uniforme fixo, pois a troca das bermudas a
cada show está se tornando inviável financeiramente, principalmente por estas
serem adquiridas em lojas de surf. O líder, Clávio Bermudes contraiu alguns
empréstimos com agiotas e sente que em breve terá que trocar algumas ideias
com eles, talvez mais rudes das que ele gostaria. (Luiz Carlos Peretto – Jam
Sons Raros / 23 / 02 / 2010)
Free Thinker
Ontem, no dia mundial do
agiota, estava ouvindo o álbum de 1984, “Mother’s Spiritual” da Laura Nyro,
quando uma letra dela brilhou na minha mente. Sobre Laura, alias uma das
singer songwriter que venero, certa vez um crítico musical inglês escreveu,
“ela é brilhante apenas cantando, tocando seu piano e compondo”, além de ter
sido elogiada por Miles Davis. Seu porte musical é do nível de uma Joni
Mitchell ou Sandy Denny, ou seja, no mais alto padrão da música popular
mundial. Faleceu no meio dos 90 de câncer, com pouca grana e talvez nunca
tenha sido uma celebridade como Britney, Ivete e as Spice, mas deixa um legado
maravilhoso, coisa que as outras nem de muito longe vão conseguir, pelo menos
até agora. A letra em questão, “A Free Thinker” ressalta a necessidade de que
você ou eu, “seja você mesmo”, que pense como indivíduo, raciocine e dirija
sua vida, não deixando a gôndola do super mercado ou a propaganda da TV
direcionar você, ou eu. Nós somos livres pensadores, nascemos assim, ninguém
tem nossa tutela para impor cores, roupas, carros, bebidas, formas, em quem
votar ou quem ouvir. “Você consegue ter seu próprio estilo”, diz ela. Na
prática não funciona assim, as pessoas são suscetíveis a apelos cheios de
aparente beleza e riqueza, querendo ser aquelas figuras da tela e não elas
mesmas. Estão sempre mudando sua aparência, bens, atitudes, acessórios por
“influência de experts(alhões)”, mesmo que num futuro próximo eles tragam tudo
de volta, num “ revival in ”. E as marionetes que influenciam pela telinha,
acabam usufruindo de uma “credibilidade” vinda de não sei onde, tais como
âncoras dos tele jornais, que na verdade são meros papagaios que apenas
vomitam textos redigidos por outros “alhões”, de acordo com os interesses da
rede que comunica e detém o monopólio da informação. Certamente Laura fez esta
música em vão, como muitas outras, pois a força opositora equivale a várias
bombas midiatômicas. As prioridades da galera são traçadas em reuniões, cheias
de bundões vestidos de qualquer jeito e loucos por permutar sua “sabedoria”
por muito dinheiro. E essa sabedoria é detonada via midiatralhadoras, que não
permitem que um sujeito de bem saia ileso, aquilo tudo vem de roldão sem
deixar respirar e tomar fôlego, tipo o vizinho já tem e a Evita Perdão da
novela também já está usando, tornando a compra imperiosa. E se acrescentar o
testemunho de uma Bebe Amargo, um Broismano, um Pausão, ou os âncoras jovens e
simpáticos dos canais a cabo, não tem como não se render a tanta beleza,
sinceridade e credibilidade.
Um herói que nunca se
rendeu para esse sistema medíocre foi Paulo di Pauline Paolo, um intelectual
de Ventos Sopram, descendente de família com 93% de seus integrantes amargando
rinite alérgica. Sempre buscou alternativas próprias e criativas e sua
história obtivemos com seu vizinho, Roger Casulo, que conta: “conheço Paulo há
muitos anos, ele é exigente e durante todos esses anos sempre o vi irado com a
situação da arte no nosso país, especialmente com a música. Sempre criticou
aqueles músicos fajutos, que compõe como se estivessem jogando na loteria ou
no bicho, sem capacidade nem inspiração, chutando para ver se tiram à sorte
grande. No momento em que herdou a fortuna de seus pais, senti que algo ele
aprontaria para o establishment da sua região, que dominava a mídia e a
política, que por sua vez sempre controla todo o resto. Sua luta começou
quando adquiriu espaço diário de duas horas, ao meio dia na TV mais popular,
com contrato irrevogável de dois anos. Gastou um monte, mas criou um baita
programa chamado “Jornal do Moço”, onde mesclou com maestria variedades tipo
estúpidas, que todas as TV’s utilizam, abusando das celebridades que abundam,
com quadros inteligentes, instigantes e que expõe de forma não tão sutil os
podres que qualquer sociedade tem, e como tem. No fundo, além da ira ele
desejava melhorar o nível cultural do seu povo, custasse o que custasse. Além
disso, só admitia patrocínio de micro e pequenas empresas, pois a seu ver as
grandes redes tendem a eliminar as pequenas e assim detonam milhares de
empregos. No longo prazo isso causa problemas insolúveis, a não ser que o
governo forneça mesada para todo mundo. Na música ele encarregou o maestro
Armando Barraco, cuja missão era selecionar o que ainda restou de qualidade e
tentar a volta de outros que ficaram démodé com a assunção violenta do culto
ao lixo”.
“Entre os
quadros, “Almoçando com migalhas”, onde celebridades que precisam aumentar seu
crédito, se sujeitam a comer restos para mostrar que também sofrem e estão ao
lado do povão. Jussaro Emanuele é o âncora e conta com uma mesa tipo “távola
redonda”, trazendo quatro personagens por edição, alimentando os com restos de
restaurantes, cujos lixos são abertos no início do quadro e servidos em finos
pratos de prata. Enquanto ingerem estão livres para divulgarem assuntos dos
seus interesses, como projetos e realizações, para apenas uma câmera, que só
desliga quando a última celebridade põe a última porção na boca. Paolo não
admite falcatruas tipo as que andam por aí. Caso alguma delas desista, Jussaro
apresenta o cartão vermelho e expulsa o indivíduo célebre da mesa. Para
contrastar temos, “Por onde anda você, nobre miserável” com comentários
diários do caudilho São Pelego, sujeito que passou o diabo nesta vida e que
agora está detonando aqueles que ele considera sujos e hipócritas. Pelego é
apartidário e detesta essa situação vigente aqui, de terceiro mundo cultural.
Com ele surgiu a famosa expressão “com as graxas de São Pelego”, onde graxas
são os indivíduos nocivos à sociedade que ele dá um corte. Para a proteção de
seu staff e dele, Paolo montou uma empresa de segurança com os funcionários
muito bem pagos, que com duas semanas no ar tiveram que entrar em ação, dado
as ameaças que começaram a surgir, inclusive para que o contrato fosse anulado
com a TV local”.
Casulo
segue no relato, “o próprio Paolo conduz “A Farsa dos Farsantes”, esquete que
aponta o farsante top da semana. Neste são feitas investigações sérias por
Claudium Pordentro, ex investigador criminal, que além de tudo vasculha vida
pregressa e simplesmente entrega todo o serviço de empresários e políticos,
como se estivessem contando uma história da carochinha, com nomes fictícios,
porém deixando pistas e insinuações. Em três meses de programa o número de
ataques do coração duplicou, segundo a Medisopram. Já Clamando Clemência
apresenta “Buzinas da Salvação”, uma tour bem humorada e divertida pelas
diversas religiões e seitas que infestam aquela região, revelando seus
bastidores. Outro esquete campeão de audiência foi “Peggy Sue, seu passado não
condena”, com a cachorrinha Peggy passando uma mensagem diária para os seus
semelhantes via telinha, de noventa segundos. Já no oitavo programa a cidade
transformava-se num imenso canil, com milhares de cães latindo ao lado de seus
donos, felizes com Paolo. Na linha circense, “Sei os anseios dos seios”, um
esquete móvel e sem horário fixo para segurar a audiência e botar fogo no
circo, com Madame Corcova apresentando diariamente duas meninas de seu
plantel, exibindo seus seios para uma galera ávida e sedenta. No quadro “Do it
you mesmo”, o mestre cuca Orlando “Ovo Virado” Calabresa fornecia receitas
mágicas, sempre tentando com que o consumidor não compre nos grandes mercados
e sim nos pequenos e façam seus próprios quitutes. Isso gerou em João
Varejeira, presidente do sindicato do comércio varejista, um acesso de fúria
que o fez atentar contra a vida de Paolo. No terceiro mês de programa, a
empresa de segurança construiu “bunkers” nos moldes dos usados na 2ª. guerra
mundial, em frente ao prédio da TV e no hotel de Paolo, com homens armados até
os dentes. Os grupos musicais eram apresentados por Paolo em conjunto com
Shulé Miranda, do grupo Torcicolos Vingadores que ao lado dos Mulas Roubadas e
dos Chupadores de Sanguessugas se revezavam no acompanhamento dos artistas
solos. Com o tempo, velhos e bons artistas começaram a surgir e Paolo não lhes
cobrava nada para se apresentarem, fornecendo inclusive transporte, hospedagem
e uma polpuda ajuda de custo.
Em tom pesaroso segue
Casulo, “no nono mês o tempo fechou, quando surgiu como participante Kiko
“Gladstone” Chulumba -veterano e nacionalmente conhecido galã de novelas-,
sendo designado para o “Almoçando com migalhas”. Seus mentores o cogitaram
para a carreira política e já estavam vendo naquele “Jornal do Moço” um
excelente veículo, inclusive para ser copiado e adaptado para a nossa real
realidade, a qual eles sempre entendem mais. Chulumba fez boquinha para
engolir as migalhas e foi espinafrado por Jussaro no ar, inclusive tecendo
comentários desairosos sobre suas preferências sexuais e florais. Isso pegou
muito mal junto aos seus mentores, pois aquele incidente certamente
prejudicaria a sua imagem, construída, talhada e protegida com esmero por
anos. Essa dilapidação de patrimônio fez com que a poderosa empresa mãe de
Chulumba, desencadeasse uma perseguição violenta sobre Paolo e seu grupo,
culminando com ataques da receita federal de sobremesas e da seita de guardas
de transito “little blue”, que naturalmente “encontraram irregularidades”,
protocolando-as na mais famosa BO de Ventos, a no. 52.524/2006. Paolo, São
Pelego, Jussaro e Madame Corcova, os mais visados fugiram num vôo fretado para
Galopargo nas ilhas Malditas. Lá permanecem até hoje com uma representada de
gatos siameses, sorvetes de baunilha e morenas ”. (Luiz Carlos
Peretto-Jam-20/6/2009)
Carta aberta à população
“Venho por meio
desta, esclarecer a quem possa interessar, sobre a paternidade do chamado
sertanejo universitário. Pessoas inescrupulosas e oportunistas estão
assumindo, sem realmente dar crédito a quem de fato os merece. Passo a relatar
os fatos verdadeiros, que permitiram o surgimento deste estilo, que vem
refrescar o sertanejo atual e dar um novo gás às milhares de duplas”.
“Sou empresário musical e
tenho na linha de frente a dupla Banho & Tosa, a qual dispensa
apresentações pois tem uma folha extensa de serviços prestados ao nosso país e
está se sentindo prejudicada pela falta de reconhecimento. Voltamos ao ano de
1998, quando ambos entraram na faculdade de belas artes, em Mato sem Cachorro,
não deixando de lado a música, participando de rodeios e shows. No início de
2000, tendo que repetir o semestre, conversam com o reitor pedindo “ uma certa
” folga, pois não entendiam bem a matéria e tinham que cuidar de seu ganha
pão. O reitor, Antero Austero, lhes disse que daria um jeito, mas teriam que
participar do Sertanejo na Universidade, graciosamente, todas as sextas no
auditório da faculdade. Esses eventos proporcionariam valores financeiros que
seriam reinvestidos nos alunos. O reitor também lhes convenceu á alterar um
pouco as letras, visto que a platéia seria composta de pessoas presumivelmente
mais cultas, cabendo mencionar nelas, alguns detalhes das matérias de cada
curso. Observou também que deveriam ter um visual mais clean, mais jovem, mais
universitário, com cabelos e roupas do momento, ou das novelas. Antero era um
puritano purista, conservador em tudo menos no setor financeiro, só ouvia Ray
Conniff e Roberto Carlos, conhecendo bem seu eleitorado, que pagavam polpudas
mensalidades e mereciam mais um agradinho. Na verdade deveria ser um som
semelhante aos outros, apenas enfatizando que o que estavam fazendo e pagando
era correto, moderno e bacana”.
“Na verdade Austero foi
imprescindível para a criação do Sertanejo Universitário, porém ele não quis
nada além dos valores recebidos nas entradas e no aumento de clientes para os
seus cursos. Ele foi o responsável na TV local, pelo programa “Malhação
Hiperbólica”, onde um empresário ou figura pública, precisando de dinheiro,
aceitava um debate ao vivo com seus inimigos, credores, familiares, desafetos
em geral, acusando e destruindo-o. O programa contava com ligações telefônicas
dos assistentes, rendendo um valor incrível para a produção. Austero dizia que
sua parte reverteria para os estudantes, em qualidade de ensino. Ele também
era sócio de Will “Little John” Scarlett, numa empresa que recondicionava fio
dental, lavando com esmero, rebobinando e tendo um preço diferenciado no
mercado. Era a Fio Dental Again Ltda”.
“Voltando ao sertanejo
universitário, os meses foram passando e o sucesso era evidente. Outras duplas
foram surgindo e emplacando, com letras de seus cursos. No direito tínhamos
Corretto & Justo, Jurado & Jurista, Dedo Duro & Judas, na
medicina, Ômito & Iarrréia, Rim & Tim, Mau Hálito & Chepakol,
Portador & Transmissor, nas línguas Forgetable & Unforgetable, Beto,
Alfabeto & Analfabeto, único trio da turma, na administração, Agendado
& Cadastrado que teve uma alteração na formação e ficou Cadastrado &
Castrado, na psicologia Agachado & Cabisbaixo, Nervosinho & Agitado,
Tenaz & Perseverante, Demente & Demóstenes, na relações públicas
Insinuante & Penetrante, Empolgado & Jururu, Proscrito &
Prostrado, na veterinária, Pernil & Pernilongo, Sabia & Sabiá, na
Engenharia Condutor & Isolante, Pitágoras & Baskhara, Paralelo &
Perpendicular, além dos temas livres Decorador & Paisagista, Carismático
& Cara de Pau, Mão Leve & Mão Grande, Linnon & McCartynei, Alfredo
& Azedo, Direi & Dirás, Giovani & Celofane e por ai afora. A cena
cresceu desmesuradamente, os shows varavam a noite indo até às seis horas do
outro dia. A venda das camisetas by Austero com a inscrição, “Sertanejo
Universitário is wonderful and beautiful” estava bombando, bem como os adeptos
universitários, que sentiam fazerem parte de algo novo. As próprias duplas
estavam orgulhosas de participarem de algo com tamanha envergadura, que
poderia revolucionar nossa música, que há muito carecia de algo assim. Somente
uma banda acompanhava todas as duplas do SertUni, a Golpe de Mestre do filho
de Austero, Romário que fazia tudo nos teclados inclusive bateria e baixo, com
sua amante Gertrudes Fabiana nas guitarras. Eles, pelo trabalho estafante,
recebiam o maior cachê do evento”.
“Estou encaminhando
cópias desta carta para as diversas mídias, televisionada, escrita e falada,
colocando a maioria dessas duplas como testemunhas para eventuais depoimentos,
comprovando onde e como nasceu o SertUni.” “PS: o que vou lhe relatar a partir
de agora, não vou levar ao conhecimento dos demais e da mídia, por motivos que
você vai poder julgar. Infelizmente Antero Austero não está mais no nosso
país, por problemas em sua outra empresa, a Chave da Cidade e Vice e Versa
Ltda. Dizem as más línguas que Austero cobrava muito das figuras locais, para
numa solenidade inesquecível e pomposa entregar a chave da cidade,
transformando-as em celebridades. Assim também, a mando e com o pagamento dos
“donos da cidade”, ele entregava para certas pessoas, não tão queridas
daqueles, a chave da outra cidade, desmerecendo essas publicamente, indicando
que deveriam procurar outra cidade para morar. Geralmente “os donos” davam uma
ajuda de custo e os amontoavam no município de Escora Escória, a 100 km de
Mato. Austero os esculachava e depreciava tanto em público, que eles mesmos
nunca mais tencionavam voltar. Numa dessas ocasiões, o “homenageado” tinha
mais influência que ele havia suposto, “os donos” tiraram seus corpinhos fora,
sobrando tudo para Austero, que jurado de morte se escafedeu para um local
ignorado. Portanto ele não serve como testemunha neste caso do SertUni. Mas
ainda assim, sobram muitas duplas com seus trabalhos que ficam para a história
musical deste país. Abraços de seu mui conhecido, Cervantes.”
Pelo visto o pessoal
considera esse sertanejo universitário (ou seja lá o que for), grande coisa.
De minha parte, após pelo menos 35 anos tendo a música como uma necessidade
básica para o meu espírito, alma, ou qualquer coisa assim, depois de ao longo
desses mesmos anos me deparar com tantas excrescências e alguns milhares de
rótulos criados pelos engravatados das gravadoras, posso dizer que continuo
pisando e andando sobre essas falcatruas sonoras, que pelo volume com que
fazem, chego a duvidar que ainda alguma coisa verdadeira e decente possa
surgir. Essas figuras produzem uma quantidade absurda de lixo musicado, pagam
salários modestos para que as celebridades forjadas as interpretem, tendo um
lucro absurdo, à custa da maldita ausência de cultura, que é imperdoável nos
dias de hoje com todas as tralhas e bagulhos existentes de comunicação e de
informação. Essa inocente galera adquire álbuns, camisetas, idolatram, choram,
perdem seu tempo por coisas que na realidade não existem, enjambrações
absurdas e medíocres. É uma pena que nossas escolas não ensinam nada sobre
como ser um cidadão, como não ser lesado e ludibriado diariamente por esses
espertalhões, que detonam a consciência de uma nação só para ficarem mais
ricos e se perpetuarem no poder. E nada os detém. Nós nos transformamos num
grande bando de cordeirinhos, geridos por um punhado de abutres salafrários,
forever. (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/7/2009)
Consórcio de
Bandas
Alinho a seguir os grupos
disponíveis no momento, selecionados por miss Dhoy, podendo agregar mais
alguns. 762 estão na fila, conforme o retorno financeiro e a satisfação dos
consorciados. Cardume Sadomasoquista : letras e performances no palco sobre o
tema, com muito chicote, pau de arara, algemas, salto alto, soqueiras,
estilhaços de vidro,bergamota, sal grosso, carvão, ioiô,
espelho-retrovisor,etc.
Arigós Auto Didatas : aprendendo ainda a tocar, mas sem medo de ser feliz.
Basta colocá-los em cima de um palco e o sucesso surgirá ao natural. Estilo
ainda indefinido, porém oligárquico/ fumageiro/bom samaritano.
Genitais Digitalizados
:com seu art rock/ pop/ glam/glúteo, presunçoso e capitalista, interpretando a
ópera rock "Barbeiros com Lentilha", de sua própria autoria. Dez temas longos
e suados de 25 minutos cada, letras abordando broncas na idade média,
sonambulismo, substituição tributária e limites do cartão de crédito.
Parasitas de Plantão : uma
mistura explosiva de pop mais turbante, chá de camomila, rock bolchevik e
explorando opiniões de médiuns libaneses nas letras.
Bestas Eletrônicas Aladas
: 3 CPU's de 3 GHz,refrigeradas à àgua, 2 nerds "compondo", loopinizando,
sampleando, baixando, formatando, se contorcendo, sendo influenciados e
expelindo hits dance/rave/peixe-cru.
Salamandras Degeneradas :
lançará seu álbum já em MP3, que abrigará em seu seio 15 canções inéditas,
cada uma com 15 versões diferentes e cada versão em 15 idiomas, inclusive
esperanto, latim e chinês. Pop/português/polonês/paraibano. Acompanha 326
bônus tracks com 3 versões cada e 1260 demos com som 5.1 de ótima.qualidade.
The Cell Cult Boys :
banda que venera os celulares por ideologia e filosofia de vida. Substituiram
o cachorro pelo celú como o melhor amigo do homem, dormem com ele e o
consideram á nível de seus familiares ou namoradas. As composições são
precárias e infantis, porém o apelo sincero e o grande público que atinge vale
o risco. Fazem um som popcel sem fio/rock comunicativo/com bateria e teclados
coloridos e tem 750 sugestões próprias de ringtone. Seus próprios celú também
servem como desodorante roll on, podem descer a 300 metros no mar e possuem um
dispositivo maneiro que aciona um guarda chuva personalizado do grupo.
Glúteos Imaturos : com
seu CD que aborda a saga de um penitente brasileiro, que possui um plano de
saúde mais ou menos top e que quando consulta sobre um chiado no peito, recebe
a dádiva de poder fazer 32 exames dos mais variados. Estes constatam algumas
possíveis e prováveis outras doenças, seis ao todo, nenhuma a ver com chiado
ou outra frequência. Assim inicia o tratamento delas com remédios oferecidos
pecuniariamente pelo mercado, os da moda pelos laboratórios top gun.Após três
anos, com possíveis outras disfunções, funções e contra funções surgindo de
regalito, ele(o penitente) larga tudo, casa-se com uma farmacêutica e vai
morar no interior com seus dois cachorros, que também faziam tratamentos
variados e abre uma farmácia com 52,8% de desconto.
Moluscos M'Vaidecidos :
eles contam com pai famoso, não presente, porém influente pois trata-se de
nada mais nada menos que o Chupa Cabra.Três dos componentes se dizem filhos
dele e os outros dois sobrinhos. Nós não duvidamos. Fazem um som
eletro-magnético/sub-cutâneo/xarope de mel guapo/vilipendiado/anel de
noivado/salsicha de frango light.
Odaliscas Chamuscadas e
os Chucrutes Parbolizados : som moderno e jovem de sempre mesclando dança do
ventre com a tarantela, tango e o velho rock alternativo, versão tupiniquim.
Kalipsodélico : uma visão
futurista do atual ritmo de sucesso, adicionando a psicodelia de um Menudo,
Dominó ou Tiririca e a malemolência e o glamour de um Travessos Espessos.
Falcatruas
Ordinárias-Marche : rock arrochado / arrojado/ arretado/ viral/ escalpelado,
funde sinais de fumaça dos indígenas americanos com a fumaça do churrasco
gaúcho mais o falsete de Penélope Sô
Grosso.
Os grupos acima
mencionados estarão sujeitos à alterações nos membros e estilos conforme
necessidade e estratégias de miss Emma Thomas, para que os objetivos e as
metas sejam alcançados. Aceitamos contra propostas como cada consorciado
participar com mais cotas e receber um percentual maior, como as Rosquinhas
Centopéia Ltda, que já adquiriu 8 e terá direito a 8 X 0,3=2,4% sobre o lucro
líquido, além de poder incluir parentes em alguns dos projetos ou a si
próprio. Aguardamos seu contato e de seus amigos, para que este brilhante
projeto e a música nacional prosperem. Acompanha este e-mail, um contrato do
exposto acima, elegendo o foro do Rio de Janeiro para esclarecer qualquer
dúvida". PS: Emma Thomas Dhoy estará iniciando cursos de expressão, caretas,
gestuais, caras e bocas, postura, corridinhas, estrelinhas e acrobacias para
guitarristas, baixistas e vocalistas de rock (pop, alternativo,hard,
psicodélico, metal,etc), sertanejo/romântico/country pescoção e axé
(sincopado, extasiado, carrapato ou virulento). Posteriormente indicarei
locais e datas desta barbada.(Luiz Carlos Peretto-Jam-10/10/2007)
Bocha Sangrenta
A queda de braço
durou três meses, eram reuniões que se transformavam em pancadarias
generalizadas, quando a solução mágica surgiu com Germe Ruborizado, dono do
tabelionato local e sugeria a disputa da verba na forma esportiva, uma luta
justa e que só beneficiaria o povo. Como Ventos Sopram haviam vencido
Montanhas Crescem nos últimos dez anos, o esporte escolhido foi a Bocha. Cada
facção contaria com cinco jogadores, os quais branco velho descreve assim no
texto retirado do encarte original do CD: “o prefeito Cheirobom contava com
sua oitava esposa, Lila Cozida, dona da Central Classuda de Manutenção e
Embelezamento Feminino de Ventos, o açougueiro mor da cidade Fúlvio Desossado,
o dono da ponte que era o único acesso para Montanhas, na qual Atarefado
Possilga cobrava pedágio e finalmente a eminência parda de qualquer que fosse
o governo de Ventos, dono de um terço das terras locais, Sagaz Richelier. Do
outro lado, Xalera, com sua namorada e líder de torcida Sauva Lanolina, Best
Bocha’s Player Female in the city, o banqueiro local Expedito Monetário
garantindo o seu, o chefe de polícia Steve Contente e o quinto elemento, um
tanto esquisita, vestida de Branca de Neve, com os sete anões, nariz adunco,
pernas cabeludas, sotaque forçado e voz raspada.”
O evento foi marcado para
um domingo à tarde, torcidas organizadas clássicas e populares, fogos,
cobertura da imprensa e o helicóptero da prefeitura dando rasantes e jogando
guloseimas para a galera. Na medida que o jogo ia transcorrendo, alguns fatos
estranhos se sucediam, os jogadores desapareciam um a um após frequentarem
banheiros ou bebedouros. Em determinado momento o juiz parou o jogo, exigindo
a presença de todos os contendores, porém só apareceram Sagaz Richelier e os
sete anões. Uma busca foi realizada e os corpos dos players foram localizados
num córrego próximo, com mortes violentas via serra elétrica, foice, machado,
cortador de grama, roçadeira Nitro com quatro marchas e uma maçã envenenada.
Inicialmente a culpa recaiu sobre os sete anões, porém com a verificação das
digitais e a confirmação da CIA, o indiciado foi um Jason não sei o que, ator
de filmes gringos educativos sobre serra elétrica e machados. O único corpo
não encontrado foi da Branca de Neve.
Sendo assim, coube ao
único sobrevivente, Sagaz determinar o que seria feito com a verba. Como conta
o branco velho no encarte do CD, ”Sagaz foi considerado um herói pelo povo,
sobreviveu ao gringo assassino e estava com tudo para determinar o futuro dos
Ventos. Como primeira medida ele deportou os sete anões para Montanhas,
alegando possível colaboração com o gringo, segunda, as duas obras seriam
realizadas e os recursos complementares viriam dos fundos de pensões dos
municipários, sem juros e correção e devolvidos assim que possível, terceiro,
naquele instante estava fundando a empreiteira Richelier, Richelier &
Richelier Jr., com melhores preços que as outras para os dois trabalhos. Como
última decisão, seu enteado J.J.J.Carnevelha deveria ser o novo prefeito em
Ventos, pois ele era a melhor opção para a dolorosa vacância”.
Algumas dúvidas sobre o
que aconteceu pairaram sobre os Ventos, porém como o povo estava satisfeito
com as obras, a polícia havia feito seu trabalho e provavelmente o assassino
já havia voltado para seus filmes de origem, deu-se por encerrado o caso. O
relato do branco velho e o relativo magnífico CD dos Cadáveres revelou uma
faceta inusitada e sanguinária deste país e que foi vencido por heróis como o
Sagaz, talvez os sete anões e os outros que deram sua vida por um mundo
melhor. A formação original dos Cadáveres constante no encarte, Little John
Zubiunacarretta lead vocal e baixo, Francis Penhora guitarras, Prego F. Torto
na bateria e nos teclados Danos Morais. Faixa de trabalho, “Sagaz é porreta,
mexe em cima, mexe em baixo”,com participação do grupo vocal ortodôntico e
ortopédico Bagaceiros do Apokalypse. Atualmente Sagaz possui 43,56% das terras
em Ventos Sopram e os sete anões montaram o grupo Vegetarianos Carecas
Itinerantes, que realiza um rock baixinho, careca, leguminoso e sem destino. O
álbum foi financiado pelo Tabelionato Ruborizado, Richelier, Richelier &
Richelier Jr., Branca de Neve Festas & Petiscos e Prefeitura de Ventos
Sopram, administração C.C.C. Carnevelha.(Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2007)
Projeto Chinelagem
Eles ficaram
dois anos rodando pela rede anteriormente citada, só parando com a quebra da
mesma pelo surgimento da “Borralacharia MP3”, que acrescentava ao esquema
anterior som com os novíssimos MP3, conserto de pneus, bocha, telão com
garotas da capa e réplicas das lutas Curdo-Finlo-Greco-Paparazzi, onde dois
contendores disputam 10 rounds de 2 minutos cada, apenas com um pé sustentando
seu corpo e o outro tentando atingir tão somente o saco escrotal de seu
oponente. Após a volta do grupo, em fim de 2001, surgiu Maledeto Pinguciolo,
maestro, arranjador, produtor e reprodutor, responsável por 12 das piores
“coisas” já feitas no cenário musical e que deram certo ou quase isso pois ele
estava rico àquela altura. Ele identificou sinais positivos de faturamento nos
Sapos, que lhe contaram do Projeto Chinelagem que não havia prosperado, e este
comentou que já estava procedendo sem saber dessa forma, quanto pior melhor
pois, “os mais desgraçados vingaram e encheram minha conta bancária”. Era
preciso traçar um plano de ação, agora que Rombão e Pinguciolo estavam
afinados para colocarem os Arrogantes no seu verdadeiro lugar, havendo clara
possibilidade de um alto retorno financeiro. No início de 2002 o primeiro
passo. Encomendaram uma pesquisa de mercado para avaliar necessidades,
aspirações, níveis e concentrações de Chinelagem, bem como pontos de saturação
e escassez, quociente de impurezas musicais, relatividade casual de vestir do
Chinelão, origens e árvore genealógica da Chinelagem propriamente dita. Os
resultados que a empresa contratada forneceu, após receber o seu milhão pelo
serviço, indicavam que o céu era o limite, muitas jogadas e lambanças
sinalizavam o futuro dos Sapos com Pinguciolo. Pela pesquisa a Chinelagem
possui três vertentes principais, a maquiada, enrustida e escancarada. No
enquadramento certo pode estar a vitória do projeto. Os Sapos, para Rombão
“são verdadeiros, sinceros e nossa música sai ao natural com rompantes
claudicantes e espasmódicos nas execuções, além de criarmos melodias
fabulosamente drenadas e complacentes, com climas histericamente suaves”.
Confessa Pinguciolo “para atingirmos o topo vamos pela auto-estrada da
enrustida, pois os Sapos são muito bons e não dariam certo neste contexto,
portanto teremos que modificar o som deles. Vamos criar e ressaltar defeitos,
escondendo as virtudes, pedindo que esqueçam a formação acadêmica de música. O
nome permanecerá pois tem 15 letras com 6 consoantes, cujo quociente de 2,5
aponta para a face oculta da lua e anda em conformidade com o curso do rio
Itaquaquecetuba.”
Pinguciolo ponderou com Rombão a entrada de dois elementos de sua confiança na
banda. Um deles é o ex-padre retrógrado Terço Contão, virtuose no pandeiro,
cabo de guerra e torta de limão e o ex- capitão do exército nacional nos
tempos da ditadura, baixa com desonra, Aniquilado Penduralho. Este é perito em
trombone de vara executando sons de tortura, que com seus mais de 60 anos
ainda guarda uma lucidez anabolizante e epitelial . A idéia era enriquecer o
som pop filarmônico, etc,etc dos Sapos Arrogantes com a pura loucura
grotesca,volúpia desatinada e raiva bestial ponderada dos novos integrantes,
para que a fórmula gerada galgue posições no top ten e reverta em espécie.
Em agosto de 2002 os
Sapos estavam prontos para a grande empreitada. O CD e os clipes foram
gravados em um estúdio improvisado no centro de São Paulo, com grande
vazamento de ruído. As equalizações, mixagens e masterização foram feitas por
Pícollo Piccolino, ajudante de pedreiro recrutado por Pinguciolo para obter um
som mais cru e verdadeiro, e um clima hostil e bagaceiro. O telhado do prédio
foi substituído por zinco, três cachorros foram colocados como vizinhos na
peça ao lado e todas as cadeiras foram tiradas da peça, visando um maior
rendimento do grupo. O visual geral deles foi acentuado em 61% do bem vestir
brega e 39% do chinelão tropical, dando mais autenticidade ao som. Alguns
palavrões e absurdos do português foram introduzidos nas letras, para chamar a
atenção. Como os custos foram baixos, Pinguciolo investiu a quantia de 5
milhões de reais na divulgação dos Sapos, colocando-os naquele período como um
dos mais conhecidos de sua espécie. O senso crítico dos Arrogantes foi
filtrado pelo trabalho de dois psicólogos, Mentes Sadhia e Cérebro Exposto,
tornando-os comuns porém confiáveis para entrevistas, vendendo simpatia,
sorrisos e saindo com frases históricas do tipo “eu acredito no país”, “a
galera daqui é legal”, “nós compomos tudo com o coração”, “são tantas
emoções”, “compus essa numa roda gigante”, etc.
Como o mercado é
impiedoso, sempre tem alguém com mais investimento, astúcia e chegada nos
lugares certos, além de piores, os Sapos duraram seis meses, o tempo dos
milhões de Maledeto evaporarem. Eles permaneceram por cima pelos seus 15
minutos e seis meses de fama e foram substituídos imediatamente por grupos
como Supositórios Virtuais, Boiolas Aerodinâmicos, Virabrequins Atormentados e
Limão com Xuxu, Açúcar, Cimento e Cana da Braba. Este último com seu CD de 12
músicas e suas danças correspondentes, permaneceram em turnê por nove meses e
vendendo muito, principalmente pelas coreografias pós-modernas e pré-barrocas
da Escorregadinha, Mouse safado, Lambidinha e Basculante erótica. Mas os que
mais tempo ficaram foram os Cuecas Patrióticas, onde fluía um rock criterioso,
defumado e pervertido, e o Pangaré de Tróia, antigo Parrudos Transformistas,
que tinham letras até interessantes sobre abduções, imposto de renda e pesca
submarina. Então lá por outubro de 2003, nenhum show, sem dinheiro e padrinhos
os Sapos desistiram da carreira musical, abrindo uma lavagem de carros com
restaurante, a Wash Sapo´s com o clássico torpedo no almoço, em Monacô da
Campina ao sudoeste de Presidente Prudente. Já Maledeto Pinguciolo perdeu os
seus milhões e ficou devendo mais dois, além de seus antigos contratados o
abandonarem por falta de zelo. Com isso ele fugiu para o Paraguai, onde hoje
trabalha com exportação de lingerie e computadores para o nosso país. (Luiz
Carlos Peretto-Jam-20/8/2006)
Espirro Circunflexo
Cibernético
Estou passando adiante
uma ideia luminosa que tive, e por não ter R$4.000.000,00 para investir
desisto dela neste momento. Basicamente seria um grupo de axé /pagode /funk
/hip-hop/conceitual, com o nome igual ou parecido com o título deste texto,
algo talvez já existente porém sem a profundidade e o talento deste
empreendimento. Após observar formigas montando seu formigueiro concluí que o
número mínimo e máximo de componentes deverá ser de 36, assim distribuídos:
>04 dançarinas : loira, morena , ruiva e uma a escolher(a gosto do
empreendedor). >06 ocasionais : engolindo fogo, quebrando telhas,
espalitando os dentes, cusparando em diagonal e zigue–zague, domando leões e
executando o triplo mortal carpado. >02 hip-hopers : vestidos como, com
seus trejeitos e fones ouvindo discursos variados e rimas da hora. >02
garçons : servindo aperitivos e petiscos para a galera(Obs: aqui a primeira
chance de patrocínio). >08 circulantes : paramentados com os temas
propostos acima. Recomenda-se neste item um líder (nato) que observará para
que nenhum deles fique parado e deixe de sorrir. >08 vocais e back- vocais
: de vários credos, tamanhos, tendências políticas e sexuais e obviamente com
a aparência compatível com a do mercado musical.
>04 reservas : para
qualquer das posições anteriores, habilitados para substituir mediante cartão
vermelho do juiz de futebol(veja abaixo) ao integrante infrator ou pouco
interessado.
>02
exterminadores do presente : prontos a eliminar pernilongos, baratas, traças,
etc, tudo que estiver infectando o ambiente mediante sprays especiais(segunda
chance de patrocínio) ou com as próprias mãos.
A este grupo deverá ser
incluído, uma peça de cada, psicólogo, nutricionista, maquiador, juiz de
futebol, advogado, costureiro e um escritor de livros de auto-ajuda para
relatar suas experiências. Adquirir através de famoso dirigente de futebol
carioca um terreno de 500 m2, próximo a São Januário e instalar toda a equipe
em barracas emprestadas pelos bombeiros do local. Reservar com as redes
nacionais de TV’s, rádios e revistas espaços futuros, mediante polpudos
depósitos e lautos jantares. Assinar carteira de trabalho de toda a equipe
apontando serviços gerais e pagando adicional de periculosidade para o domador
e o engolidor.Espalhar através dos meios disponíveis, programas de TV e
revistas, no mínimo quinze fofocas sobre casos amorosos entre os integrantes
da banda, para apimentar a imaginação dos fãs. Enviar o advogado para o
exterior, escolher o elemento mais ingênuo do grupo e plantar uma acusação de
atentado ao pudor, deixando-o no mínimo 30 dias na prisão, participando assim
de quatro programas dominicais na TV, com interativa nacional que debata o
caso e a culpabilidade do penitente. É óbvio que após provada a inocência, o
empreendedor deverá dar dois tapinhas nas costas de seu funcionário e dizer -
ufa, escapamos por pouco.
Detalhe fundamental, o advogado e o psicólogo deverão pesquisar a vida
pregressa e traçar o perfil psicológico dos 36 elementos, para que o
empreendedor não tenha problemas futuros. O mesmo não deverá se envolver
emocionalmente com nenhum dos integrantes, para não perder a autoridade sobre
o grupo de trabalho.
No
futuro, com o sucesso deste projeto e aliando-se a empresários russos, poderá
fundar um partido político, comprar uma cadeia nacional de TV e estrelar
novelas, virando uma celebridade.
Desejando sorte ao futuro
empreendedor e alertando quanto ao repertório, ou recorre e paga a uma dupla
que já compõe para 262 grupos nacionais variados, ou transforma-se no mais
novo autor musical entre os milhares que já existem. A propósito, estou
elaborando mais um projeto, obviamente com menos pessoal e um custo mais
baixo, que inicialmente teriam nomes como Pescoços Gasosos ou Primatas
Secundários, com a fusão do pop escorregadio do sul do Afeganistão e o rock
sexy/amestrado de Fagundes Varela, letras sórdidas e amáveis, incluindo solos
de moto–serra distorcida e betoneira.
Qualquer duvida, no site
www sabendooquefazereembuscadaperfeição.com (site em finalização para 2024).
(Luiz Carlos Peretto-Jam-20/7/2005)
Em Busca de
Inspiração
Criando situações
diversas, pode obter inspiração para várias composições como “ Watermelon
needs bananas ”, quando pendurado por 2 dias no lustre da sua cozinha detectou
gracejos trocados entre uma melancia ainda verde e duas bananas possivelmente
drogadas. A partir daí surgiu uma letra extremamente complexa sobre as
relações entre os seres vivos e as coisas fundamentais que os cercam. A
melancia e as duas bananas foram congeladas para futuras apreciações. Outro
fato criado, a permanência por seis dias num bueiro inglês, apenas com cinco
pães de milho, cantil com água, torradeira à pilha e algumas fotos da Britney,
e ele sai com a belíssima “Mouses friends spears”, balada lisérgica que compôs
junto com dois ratos que passaram a idolatrá-lo na medida que dividia os pães
de milho. Outra cena notável e crucial foi em que Bruce isolou-se num
galinheiro por 8 dias com 19 galinhas cacarejando, comendo, pulando e
colocando ovos. Daí resultou na notável Escabrosis Funestos onde simplesmente
detona a vida das galinhas, a sua alimentação, higiene pessoal e trabalho não
remunerado. Ele gravou todos os ruídos gerados pelas penosas durante a sua
estada, advindo daí a instrumental multi facetada e visceral “ Chicken Epóxi ”
onde com o computador ele transporta o poderoso som das galinhas para algo
como “cacarejos espaciais”, sublime e acessível a nós, mortais. Bruce chega ao
clímax misturando-se com os Hooligans, torcedores de futebol violentos,
bebendo, quebrando, batendo, vociferando e . . . apanhando. Desse aprendizado
surgiu “Each monkey in his galho”, onde Bruce de forma amarga e chorosa revela
o passo quase fatal que deu juntando-se aos Hooligans, braço quebrado,
afundamento parcial do malar, porém com uma composição e tanto na sua bagagem.
Oito faixas compõe o CD,
além das mencionadas mais quatro que foram concebidas no mês em que Bruce
passou na Sibéria, trabalhando na construção de uma ferrovia. Um DVD acompanha
o CD, com imagens dele no galinheiro, no bueiro inglês, em festas intimas com
os Hooligans além da banda em performances ao vivo no aniversário da vovó de
Bruce e no festival anual da polenta em Turim, na Itália.
Soube que Bruce virá ao
Brasil, mais precisamente ao Rio, onde trabalhará na feira de Acari por um ano
vendendo missangas, percebendo salário mínimo mais bolsa família e tocará
guitarra na banda “Fossa Séptica Trapezoidal”, que funde rock tresloucado e
escabroso do Panamá com os bordados do nordeste brasileiro, baixo na “Carecas
Besuntadas”, pop/country alternativo / fujão / rosqueado típico do salto do
Jacuí e cho- Calho nos “ Bestas Indefinidas ”, sambão trip hop /
cascagrossa/eletrônico/nos trinques/sal grosso. Dessa forma poderá estruturar
seu novo álbum, provavelmente com experiências nunca dantes imaginadas por
ele, aqui no nosso país. (Luiz Carlos Peretto-Jam-05/05/2006)
Estava eu num bingo em
Porto Alegre, já havia perdido 25 pratas, quando um fato chamou atenção;
várias vezes um senhor bem vestido gritou bingo, e havia uma interação com o
pessoal da casa que vibrava junto com ele. Aproximei-me para captar alguma
vibração positiva para o meu ser. Ele notou e perguntou qual era a minha e eu
lhe disse que gostava muito de música e de gritar bingo. Então ele me alcançou
sua cartela e disse, repita quatro vezes ‘pila vai pila vem, traga reais ao
invés de vintém’ e aguarde os dois próximos números. No primeiro, confirmei, e
no segundo, quando o locutor anunciou: dois patinhos na lagoa, sentei o milho
e gritei com toda a força de meu ser, BBiiiiinnnngggooo. Entre abraços de
familiares e a euforia que tomou conta de mim, só escutei que seu nome era
9/12 Avos Novaes, vulgo Casquinha de Siri, e lhe alcancei meu
cartão.
Uns dois meses se
passaram, e eu ainda pensava como ele conseguia, que aura, quais suas ligações
com as forças ocultas, quando recebo uma carta, postada de São Paulo. Era
Casquinha, e a carta relato a seguir: ‘Chafurdando pelo mundo musical, vou
descobrindo pérolas da nossa música brasileira e com isso tentando sempre
obter ‘algum’ para os nossos empoeirados bolsos. Venho por meio desta
comunicar mais um belo projeto que estou assinando e produzindo, obviamente
precisando de sua parceria para os custos e também para seus frutos e
rendimentos. Estamos falando de um grupo
sertanejo-hip-hop-palatável-funk-comichão, que vai lançar um álbum conceitual,
ou seja, com as letras girando em torno de um assunto principal, verdadeiro e
cruel que um vizinho meu foi vítima. Agora, junto com um parceiro seu fará a
história vir à tona. Isso dará dramaticidade ao contexto, pois iremos
explorá-lo em programas de TV, rádios e revistas de fofocas da forma mais
ardilosa e conveniente, inclusive com interativas em programas televisivos
dominicais.
Para que
nosso projeto encontre guarida na sua pessoa ou em alguém das suas relações,
forneço os seguintes detalhes: os vocais principais e as composições serão da
nossa já conhecida Banho & Tosa, a mais asseada dentre os solos, duplas e
trios deste planeta, e o grupo de apoio será o Trogloditas Tresloucados à
Vinagrete ( TTV ), que desenvolveram trabalhos em várias áreas musicais, desde
o axé progressivo até o pop contorcionista, passando pelo hip-hop e o funk
mostardão desidratado. Neste caso, como o nome foge da nossa proposta nós os
denominaremos de Os Sabonetes Infláveis e que constarão no nome básico do
grupo, Banho & Tosa e Os Sabonetes Infláveis. O tema principal vai girar
em torno de um cachorro de propriedade de Tosa, com o nome de Barnabé Bill
Dog, um cão da raça pastor alemão, sempre alegre e faceiro, latindo 22 horas
por dia quando alguma alteração no seu mundinho ocorre, um vento chacoalhando
uma folha, uma formiga conduzindo um grão de areia ou um sussurro de
borboleta. Nosso astro Bill, sempre latindo em vários tons e ritmos, alegrando
a vida de Tosa e sua família, inclusive de seu caçula Tosinha. Certo dia,
Barnabé aparece morto tendo ao lado de seu corpo, em forma de um círculo, oito
fotos de importantes atores de novela e no centro, o corpo de um sapo
embalsamado com um bilhete na boca em aramaico, o qual, um padre traduziu e
lê-se “Senhor, livrai-nos do ruído eterno”.
A revolta aflorou na
comunidade, eles prezavam Barnabé e o tinham como a alegria do bairro, cujo
latido já era a marca sonora do local, pois ele só parava nas suas refeições.
A desconfiança de Tosa recaiu sobre o seu vizinho de fundo chamado Banho,
companheiro musical seu de quinze anos nas composições e interpretações,
famosos no interior paulista e sucesso nos rodeios. Essa dúvida, a rixa entre
os dois se acentuando, com Banho negando o crime e Tosa abatido com a morte
gerou um álbum criativo, belo e discordante, pois nas letras percebemos de
forma sutil o ponto de vista e a defesa de ambos sobre a morte de Barnabé.
Em quatro das faixas
temos a típica balada sertanejona, com o duo no vocal característico e Tosa
imitando o seu cachorro nos estribilhos. Numa delas, “Ainda mato um cão, por
amor”, com autoria de Banho, onde ele relata seu apreço ao bicho, com várias
noites em claro ouvindo seus uivos e latidos, chegando ao ponto de em uma
dessas esmurrar a parede do seu quarto e levar oito pontos, por amor. A
contribuição dos Sabonetes Infláveis nas sessões de gravação foi decisiva,
pois a experiência em vários estilos e ritmos propiciou arranjos notáveis nas
já belas melodias compostas pela dupla. Nas “Quero um queijo com menos
calorias” e “Tomara que não consigam outro cão” salienta-se uma mistura
fantástica de axé-calipso-bolo de fubá-country pescoção-funk me enerva, com o
baixo e a bateria produzindo um som de trem a 133,62km por hora. Nos shows ao
vivo teremos a presença de Rodabella Gatilho, nossa dançarina, que é ao mesmo
tempo loira, morena e ruiva (nossa produção) e que participa apenas com o
chapéu do patrocinador, um salto de 18,5cm e um palito na boca.
Os Sabonetes Infláveis
contam com Ladrilho Frejó, exímio musicista que nas faixas “Narinas Obscenas”,
“Cachorro virou mocotó” e “Vou afogar um Banho” ele usa e abusa do serrote
(sai um violino diferente), um pente com papel celofane (gaita de boca
rústica) e apitos Marshall com silvos breves, longos e intermitentes. Em “A
casa caiu”, “Assassino de cachorros” e “Eu não mato animais” temos a
participação de Sinostrato Ocupante, de família rica e nostálgica de
Pernambuco, fazendo notáveis vocais de hip-hop com seu rap cangaceiro e
indolente.
O álbum é
composto por quinze faixas mais doze bônus, oito delas quando o duo era
acompanhado por quatro outras bandas, Fungos Pastosos, Sapos Arrogantes,
Chulés Demoníacos e Agiotas Sensuais com as quais eles faziam um
sertanejo-duodeno-pastoral-ululante-troca de casais, sendo que as letras
versavam sobre amores esquecidos e lembrados, saques do fundo de garantia, uso
de anabolizantes e pinturas de pálpebra para diálogos sobre herbicidas em
reuniões sociais.
Na
venda dos CDs para lojas ou atacados teremos, além dos descontos, brindes para
quantidades. Acima de 50 peças, receberão a escolher via correio, uma serra
tico-tico com 4 bitolas de serras, um manual “Como reduzir seu aluguel-573
dicas”, de Saturno Esporádico Periclitante ou um lindo mimo surpresa da Sérvia
ou Montenegro.
Para
finalizar, eu preciso que você busque naquele bingo um pacote e o traga em
mãos aqui para São Paulo. Com esta operação você será sócio em 2% no
empreendimento, sendo que para os próximos precisarei de money.’ (Luiz Carlos
Peretto-Jam-11/10/2005)
Socialites na
Latrina
“Venho solicitar mais uma
vez apoio de Vs. S. para o que considero “A revitalização da música popular
brasileira”, onde nós juntamente com alguns abnegados estamos procurando
saídas para melhorar o quadro atual, não somente visando o lucro puro e
simples. Neste caso trata-se da inserção no mercado fonográfico de um grupo,
vizinhos meus que aprendi a gostar, que praticam o inédito, suculento,
pediátrico “sertanejão/hard core”, fundindo os dois estilos de forma decente e
provocadora. O nome do grupo é sugestivo e gracioso, Pés de Chinelos
Voluntários. O álbum, Socialites na Latrina, é conceitual e conta a saga de
três mulheres da sociedade paulista, que saem para uma cidade vizinha a fim de
combinarem um jantar dançante beneficente, grupo musical, buffet, decoração,
cobertura de jornais, convites, fotos delas para colunas sociais, etc. Tomam
uma estrada alternativa, porém esta encontra-se em péssimo estado e um pneu do
Land Rover fura, não tendo cavalheiros à sua volta elas metem suas mãozinhas
na massa. Após concluírem o serviço partem para encontrar um local aprazível
onde possam lavar suas mãos e rostos, um lanche rápido e cumprir suas
necessidades naturais. Encontram o boteco do Salvador, um sujeito casca
grossa, porém atencioso que lhes oferece linguiça com cuca e ovo curtido, além
de guarapa, indicando a dez metros dali sua latrina, que havia sido reformada
à pouco e que tinha um belo córrego deslizando sob a mesma. É aí que os Pés
concentram várias letras do álbum, no aspecto psicológico, o sofrimento
humano, a degradação, o encontro das socialites com a latrina,onde elas
desandam a chorar, vendo a que ponto chegaram, um ultraje que a vida lhes
preparou, pessoas de um nível superior convivendo com mesquinharias próprias
do povão. Dali retornaram para suas humildes mansões prometendo usar mais o
helicóptero.
Este
super-enredo serve para as peripécias sonoras dos Pés, que deitam e rolam nas
composições e interpretações. E não para por ai, pois os vocais estão a cargo
da ex-dupla sertaneja Conserto & Concerto, sendo que este último é
ventríloquo e assim leva para o palco uma terceira voz com o boneco
Esperidião, que é fixado a ele por hastes metálicas. O instrumental é feito
por quatro músicos experientes que pertenciam a duas bandas da cena hard core
paulista, Abutres Exumados e Nabus Modernus.
Sendo o que tínhamos para
o momento, lembrando que Va.S deve duas parcelas do projeto anterior e
aguardando uma resposta favorável quanto aos Pés, um grande abraço de seu
amigo Casquinha.” (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2006)
Gritos e
Sussurros
Após ouvir
14 vezes o CD dos Braguilhas, constatei 862 influências diversas e 68 chupadas
variadas, as quais descreverei num site alternativo, se a banda vingar.
Observo o seguinte sobre os diversos elementos do grupo e seus instrumentos:
Joseph Lavoasier “Fatman”
Carandiru: bateria, lembrando um mix de retro-escavadeira e máquina de
concretagem numa forma alternada e harmônica. O bumbo duplo emanando sons em
código morse, que se decodificados revelam receitas culinárias interessantes e
dicas de decoração para sua casa. Sua banda anterior, Sovacos Inescrupulosos,
faziam um alternativo pastoso e infeccionado.
Demóstenes Cuspido: o
Quarta, irmão do vocalista, com sua linha e levada no baixo tendo como base a
confecção de um prato de arroz à grega, inclusive com passas. Um groove
incomum no rock alternativo, capaz de fazer um urso polar e uma mandioca
rebolarem e “levantar poeira”. Tocava harpa nos Instintos Extintos, que
desenvolvia o saudado e incomum pop/luneta-notívago/alternativo-metroviário.
Anápilo
“Fofucho”Ferroada: guitarras furiosas e avassaladoras, porém ternas e
calorosas em vários momentos, com frases que respingam cobras, lagartos e
charutos com pinceladas de algarismos quânticos. Era back-vocal na Crápulas
Axaropados, um alterno-nativo, sepulcral e bolorento. Só utiliza guitarras
“Pereira” para os solos e pedais “Texugo Master”.
Quintão Cuspido: o
Quinta, vocais suados baseados no filme “Gritos e Sussuros”, entre o vigésimo
e o septuagésimo minuto, onde o vocalista se expressa de forma dissonante,
divagante, destoante e desabotoado, porém cândido e atabalhoado. Com belos e
saudáveis momentos, como comer um bom bife à parmegiana e não precisar pagar,
pois você foi o milésimo cliente a pisar no estabelecimento.Fez vocais, back e
uivos no Rinite Sonora, onde lascava um sinuoso alterna/subalterno/carne
moída/raivoso.
Letras
obscenas, transexuais e modernas baseadas em salários atrasados, dores de
dente e grunindo de raiva contra pés de alface, outdoors e caixas
registradoras, que infernizam nossas vidas no cotidiano. Outro ponto positivo
do grupo é a volta ao uso de uniforme, comum nos anos 60, e neste caso
fundindo os elementos austeros dos militares com a candura do jardim de
infância e salpicos de maitre de restaurante. Tem ainda a velha saia escocesa
em tons pombo correio e argamassa para construção.
Em adendo a demo, recebi
a xerox da primeira entrevista da banda, com as respostas escritas por um pajé
indígena formado em sociologia, Labirinto Tanachuca e que certamente terá
grande repercussão entre os intelectualóides.
Estarei incluído no
projeto com 3% do lucro, se conseguir alterar a idade de Demóstenes e Quintão
Cuspido, pois eles estão treinando num importante clube do futebol paulista,
com chances de seleção sub 20.
Este texto vai em repúdio
aos escribas das gravadoras ou pagos por elas, que com a imaginação de um Walt
Disney ou Paulo Coelho, conseguem vender nulidades e futuros entulhos,
confun-dindo mentes e corações despreparados.
Leia este texto cinco
vezes, cruze os dedos, dance a Maccarenna e faça um pedido. Só o revele a um
compadre seu).(Luiz Carlos
Peretto-Jam-10/9/2006)