•         E o futuro está chegando?

  •         Compactando empreendimentos

  •         Free Thinker

  •         Carta aberta à população

  •         Consórcio de Bandas

  •         Bocha Sangrenta

  •         Projeto Chinelagem

  •         Espirro Circunflexo Cibernético

  •         Em Busca de Inspiração

  •         Barnabé Bill Dog

  •         Socialites na Latrina

  •         Gritos e Sussurros




  • E o futuro está chegando?

            Nestes últimos anos venho relatando algumas ideias e “atividades” de pessoas que conheço através do meu trabalho atual, com venda de músicas em CD’s, LP’s e DVD’s e do anterior, quando por 20 anos sonorizávamos peças de teatro, desfiles, festas, boates em clubes, políticos, feiras, bandas, festivais com bandas, entregas de boletins... Estes dois ambientes, mais a internet, revelaram pesquisadores, maestros, músicos, empresários, que na sua maioria buscam um mundo melhor para eles, com mais faturamento e alegria, tentando “satisfazer” as pessoas em geral para que sua atividade, em geral, renda mais para seus bolsos. Desta vez me deparei com Censo Portinhola, ex marido de Paulinha Meejastes, ex lutador de sumo, ex playboy (a revista queria royalties dele), ex bicheiro (muito bicho de pé, até usar uma receita de madame Min), ex galanteador de mulheres (até levar um laço de Wilsinho Escopeta), agora um escritor de mãos cheias de tinta. Ele vai narrar em um livro o que Flash Gordon viu no futuro, quando no Solar das Vergamotas Urineide participou da portabilidade das almas, sob a direção de Biro Lero. Para uma melhor compreensão do que vamos relatar, recomendamos que leiam o texto “Frei Frickt vislumbrou o futuro”, constante do site da Jam, que descreve de maneira fidedigna os fatos que antecederam aos que vamos oportunizar neste aqui.
            De antemão vamos anunciar que o livro de Censo Portinhola será publicado em março de 2011, via editora Kostellero, que além deste mencionado investirá numa nova tendência a partir do próximo ano, os livros de mútua ajuda. Não sei do que se trata, mas oportunamente tentaremos esclarecer essa futura tendência. O que relataremos aqui faz parte do merchandising do livro e foi autorizado por Kostella, sendo passado a mim por Verona Unomille, agora Robin, amigo fraterno de Frei Frickt, aliás Flash Gordon Frickt. Lero & Kostella, à pedido de Frei alteraram seu nome, que segundo ele nunca foi Freibergen Frickt. Essa movimentação toda, certamente vai render frutos aos empresários desse meio, que realmente não sei bem de que “meio” se trata. O fato é que Flash Gordon foi ao futuro, voltou salvo e quase são, para nos relatar simplesmente o que grandes potências do mundo tentaram de todas as formas possíveis e imagináveis, não obtendo êxito. Tudo graças a Biro Lero e sua portabilidade das almas, furungando no oculto e linkando com o futuro, para sabermos de antemão o que as celebridades estarão usando ou arrotando, o tamanho ideal dos seios das loiras e morenas, se Ronaldinho emagreceu e se o patrimônio moral, financeiro e natural dessa nação continua sendo dilapidado.
            Então deixemos de conversa mole e vamos para a conversa do futuro, com as informações valiosas vindo de Verona Unomille, recheadas de dados que comprovam a veracidade do que revelaremos a seguir. Frickt trouxe alguns vídeos do futuro, porém eles sofreram a ação do tempo na viagem e estão sendo recuperados por Lero, para serem entregues à imprensa. No futuro do nosso país, Flash encontrou dois presidentes simultâneos no cargo, tendo sidos eleitos através de torpedos emitidos de chips instalados no cérebro de cada cidadão, em dez vezes no cartão, direto para uma central chipeirada em um programa de TV. Uma loira e um cervo vestindo a camiseta do Flamengo, em 3D, comandando o show da eleição. A escolha do nosso presidente compreendia dois casais homossexuais, um masculino e outro feminino, um computador modelo Senhor da Situação da Pereira Technology e cinco candidatos individuais, um ator de novelas baixo, uma modelo alta, um vendedor de livros médio, um agiota com grana e uma stripper sem roupa. Todos representando profissões e categorias, visto que os partidos políticos se transformaram em clubes de futebol. Venceu o casal masculino, havendo uma notória discriminação do eleitorado para com o casal feminino, a stripper e o vendedor de livros. Então vamos arrolar algumas mudanças que Flash constatou lá por volta de 2031, realizadas pelos dirigentes mundiais, inclusive nosso casal máximo, visando empregar, entreter e reduzir o número de viventes e sobreviventes:
            1) A instituição do escravo voluntário, estatal ou privado, sendo que o privilegiado estatal recebe cama, comida e ar gratuitos e o privado, com os termos do contrato a ser discutido de forma sigilosa, porém tendo que trabalhar uma hora extra diária para pagar o ar. O escravo é utilizado nos serviços perigosos e sujos, como militar interplanetário, lixeiro intergaláctico e local, removedor de humanos por falta de pagamento em prédios locados, adestramento e comando de tigres visando a segurança em condomínios finos, transporte de pedestres no próprio lombo (necessidade advinda do transito caótico), substituto do parquímetro em estacionamentos, sinalizando o término do tempo para o robot financeiro do setor, para que cobre do faltoso e afira o “clima” entre o escravo e o munícipe estacionador, caso exista um conluio nefasto. Além disso, outras tarefas, nem tão engrandecedoras como coçar as costas, carregar pacotes e ter expressões de contentamento e piadas oportunas para alegrar os cidadãos, que pagam os impostos e indiretamente os sustentam.
            2)Milhares de pessoas morando em cidades submarinas, tipo Atlântida, na condição de escravos voluntários vip, com tudo em cima, inclusive prostituição, canais televisivos próprios, internet com o “necessário”, celebridades aquáticas locais, tudo para que as pessoas não queiram retornar à superfície e aumentar a confusão. Estes seres se dedicam a produzir artesanato submarino, bordados eróticos, empadinhas anti-concepcionais, listas de noivas talhadas em madeira nobre, empalhamento de animais e humanos de estimação, que depois de prontos são enviados para a terra, tendo seu custo acrescido do frete do submarino.
            3) A extinção do trevo de quatro folhas como objeto de sorte.
            4)A utilização em larga escala do cachorro como motorista de qualquer veículo e como piloto de fórmula um, a partir da criação do Dog Chip Driver 3000, em 2029 pela Pereira Technology, nesta época com sede virtual em Hamburg na Alemanha. Muitos aderiram ao seu cãozinho de estimação ao volante, pois com aquele chip conectado ao cérebro, mais uma pequena adaptação nas patas dianteiras e as luvas para goleiro da Merry Christmas Jabulani, ele se torna ou se tornará um excelente motora. Pesquisas feitas em 2031 constataram que 58% dos veículos utilizam o animal na boléia, reduzindo em 72% os acidentes, advindo dai um desconto de 35% no seguro a ser pago pelo proprietário do veículo e do cãozinho.
            5) O nosso sertanejo, ou de vocês, com suas duplas e trios inundará o planeta em 2029, com artistas de todos os outros países encarando o estilo, e nossas feras daqui servindo na produção, consultoria e composição, obtendo divisas em cima dos gringos. Mas esse assunto fica para um próximo texto, pois tem nuances e filigranas que merecem uma atenção maior. Talvez para o dia do armário, em setembro.
            6) A cachaça Elesbão entrou com tudo e em 2025, 65% dos viciados em drogas as trocaram por ela, com o acréscimo de que na sua fórmula exclusiva, um componente obtido em Marte regenera os neurônios. E apresentando 400 garrafas vazias da Elesbão no mercadinho, o sujeito troca por um plastifígado Guentatranco da Medi-Pereira, instalado e já amaciado.
            7) Outra alteração interessante diz respeito aos seios, com uma descoberta genial a partir da mistura de cuturnos e listas telefônicas velhas, dissolvidos através de um composto químico juntamente com barbatanas de peixes, conseguindo uma textura única, maleável e moldável. Isso possibilitou a venda no mercado de kits com 20 pares de diferentes formatos e tamanhos de seios, permitindo a troca deles de forma freqüente e em poucos segundos pela usuária, que já tenha feito uma pequena cirurgia de implante de dois pinos com rosca.
            8) Uma alteração perigosa ocorrerá em 2029, tornando sem efeito as leis, juízes e advogados do sistema, passando a privilegiar decisões de um colegiado de celebridades, nomeada pelo chefe do poder executivo municipal, estadual e federal. As decisões do colegiado são legalmente irrecorríveis e eles podem deliberar disputas de quedas de braço, lutas com armas brancas ou torneios de bocha para dirimir pinimbas e dúvidas menores.
            9)Uma alteração contundente, o rebaixamento da mulher à assistente do homem, em toda área ou situação de trabalho, tornando a remuneração aos seus serviços nula, apenas acrescendo 20% à do homem, responsável pela assistente correspondente. Cada indivíduo masculino poderá ter até cinco assistentes registradas no ministério do trabalho, o que lhe dobrará a remuneração, mas acrescerá seus custos, pois ele torna-se legalmente responsável por elas.
            10)Essa é notável ou mundial. No ano de 2031 um cachorro tipo cusco, viralata que hoje é comum, vai valer uma nota, com a galera da periferia, os terceiro mundistas e os escravos voluntários catando em seus ghetos e os vendendo por muita grana. O próprio Flash presenciou quando um velho gaúcho, vendedor de discos antigos em LP’s e CD’s vendia seu cuscão por CZ$3500,00. Nossa moeda futura será o cruzal, e segundo uma projeção da Credi-Ferrão, naquele ano cada cruzal valerá 1,37 euros. O velho vendedor de discos relatou que foram fundindo só as raças nobres de cães, até o ponto do velho cusco estar em extinção, não sobrando quase nenhum deles em puro estado cuscal para a procriação. Aproveitando a ocasião, vamos fornecer algumas comparações financeiras feitas pela Credi-Ferrão, numa equivalência de CZ$1,00(um cruzal) do ano 2031, com produtos vendidos hoje, no mercado atual, ano vigente de 2010. Então um cruzal do futuro equivale a 28% de uma pizza grande de mussarela, com tele entrega, a 79% de uma lâmpada fluorescente de 40 Watts, a metade de meio frango assado sem recheio, a 2/3 de um bouquet de rosas vermelhas e a exatamente 364 gramas de mortadela da boa. Isso tudo foi calculado pela turma da Credi-Ferrão, cotejando dados futuros de Flash com os atuais, que são de pleno domínio dos Ferrões. Por tudo isso pode se dizer que o nosso dinheiro vai valorizar realmente.
            11)A substituição do pneu convencional em todos os automóveis de passeio pela roda pizza, com os sabores a serem escolhidos pelo proprietário.
            12) Outra alteração substancial para 2029, no mercado mundial de automóveis, com a entrada em definitivo da Pereira Automóveis, Velocípedes e Teco-Tecos Super Sônicos, e sua linha de vanguarda, que desde 2025 inunda o Brasil e praticamente toda a América do Sul. É a linha Zôo de veículos, com cada modelo representando um animalzinho da nossa fauna, caracterizando as formas e até a expressão do bichinho no design do carro. Flash deu ênfase a girafa, o porco espinho, o piu piu, o jacaré e a gazela, os mais vendidos no Reino Unido e nos Bálcãs, e para o louva deus, lesma, piolho e mico leão jogador, carros populares mais requisitados em economias maiores como China, USA e Brasil. Pereira e seus descendentes, junto com seu staff terá seu endereço virtual na Holanda em 2024 e no Chile em 2026.
            Flash visitou algumas bibliotecas virtuais, outras antigas com muito papel e um terceiro formato, com escravos voluntários recitando livros inteiros para sobreviverem. Foi ai que ele ficou sabendo que haverão algumas iniciativas dos senhores do mundo, tentando torna-lo mais bacana para eles, com o fomento de algumas guerras lucrativas e ao mesmo tempo redutoras da população. Porém parece que essas “atividades” não vingam mais, pois a galera não está mais a fim de lutar e se expor por ninguém que não sejam suas estúpidas celebridades, nem os mercenários com seus sindicatos atuantes. Também haverão algumas tragédias “naturais”, as quais o escravo que recitava ao Flash confidenciou desconfiar de tramas tramadas por senhores traumáticos. O certo é que algumas mudanças ocorrerão nesses próximos 20 anos, além das cidades submarinas, escravo voluntário, rebaixamento da mulher que servem para minorar problemas de distribuição de renda (renda = farelos do bolo) e tentar equacionar de forma tênue o volume populacional. Na contra partida, outras descobertas como o chip para cachorro e a fórmula da Elesbão diminuem a mortalidade humana, concorrendo para o aumento da população. E por falar em escravos voluntários, hoje somos escravos involuntários, com bocós iluminados estipulando o modo de vida, o de vestir, se portar, nossas diversões, transformando-nos em escravos do sistema, na maioria das vezes sem questionar, aceitando como se fossem “coisas da vida”.
            Todas estas mudanças comprovadas por Flash, certamente só foram possíveis pelo peso exagerado dado a mídia e a exacerbação dela -incluindo a internet, que se hoje está poluída o que dirá daqui a 20 anos-, manipulando e construindo mitos, gurus, ídolos para serem seguidos pelo povo e manobrados por quem os criou. E essas alterações se desenvolveram através de um longo processo de concentração de renda e poder no planeta, para se perpetuarem com o bolo, precisando apenas repartir de forma mais humana os farelos, pois na medida em que a população aumenta, os novos também necessitam deles, tal qual seus ancestrais, para servirem com dignidade ao sistema. Obs: esta descrição das mudanças que ocorrerão no futuro, são apenas a ponta de um iceberg, pois compõe a promoção do livro que vem por ai. Assim que obtivermos mais algumas, através de Robin, as relataremos. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 23/07/2010)

    Compactando empreendimentos

            Quando dinheiro e empregos são enxugados como se usassem rodo virtual e panos sete léguas com zípers Stravinski double, deixando tudo seco e brilhante para que os poucos sapatos importados possam desfilar com garbo e elegância, temos que reduzir custos ao máximo, cortando pessoal e despesas fúteis, pois o dinheiro gasto não volta mais. Exceto o que foi alocado em imóveis, onde o cidadão comum como o maestro Arquivo Morto pode eventualmente ter um ganho em algum negócio. Até nos automóveis, onde muitos se gabam de proezas negociais com multi nacionais ou com picaretas à nível internacional, sugerindo que levaram alguma vantagem nos seus “business” automobilísticos, trazendo para si a contemplação de seus amigos e familiares. Qualquer eventual, possível e imaginada vantagem fica por conta das leis de mercado, oferta e procura, desespero do vendedor, algum defeito ou similar. A única vantagem aparente advinda é a que o adquirente finalmente comprou o “bem” que ambicionava e agora é o senhor dele, não tendo mais pra ninguém, por enquanto.
             Nesse preâmbulo estou colocando o sentimento de dois novos produtores musicais, que conheci através de Danilo “o Réptil” Cremoso, da dupla sertanejeira aqui do sul, “Cobra & Lagarto”, onde o Réptil é o Lagarto. Trata-se da produtora Quanto Mais Solavanco Mais Me Gustta Ltda, de Queromais Solavanco e Memê Gustta, os dois producers modernos que havia referido. Conversei com Réptil na Jam, talvez por três horas e depreendi sobre a nova empresa que, a intenção inicial dos novos empresários é capturar os valores financeiros que lhes cabem, quando foram colocados aqui na terra e que no momento estão nas mãos de desconhecidos. Notei também que com eles não tem espaço pra conversa mole e muito menos fiada, a não ser que parta deles. Ali a modernidade, seja lá o que for isso e de que década estivermos falando, estacionou com tudo, montando um plantão de vendas bacana e distribuindo algodão doce e as mariolas com rum do Homem Canha para a petizada.
             O negócio musical idealizado por eles é simples, porém inteligente e dependerá da qualidade e da versatilidade dos soldados escolhidos. Memê e Mais arregimentaram um grupo reduzido de oito trabalhadores musicais, com boa bagagem e conhecimento, para tirar deles todo o suco possível. A ideia é fazer com que apenas esses oito estivadores musicais possam representar com eficiência dois grupos sertanejos, um de axé, dois de rock, dois de funk e meio de calipso. Emma Thomas Dhoy por seu conhecimento será a diretora artística, colocando cada grupo na sua função, espaço e estilo e Joe Apagado, um mestre nos disfarces, caracterizará, descaracterizará e enjambrará feições, personagens e tipos de celebridades, bem ao gosto da tiurma. Apagado adquiriu experiência quando comprou uma kitineti somente pedindo dinheiro na mesma esquina, conseguindo ser a cada dia um personagem diferente e autêntico. Após trabalhou numa grande rede de TV, cuja função era remoçar figuras que há 50 anos tem a mesma idade e fazem sempre os mesmos papéis novelísticos, idolatrados pela tiurma. Apagado e Dhoy por si só garantem de antemão um auê bem significativo, dependendo da escala em que medirmos esses auês. Com certeza serão grupos criativos nas embalagens, para ganhar o grande público. Cabe salientar que no ano passado miss Dhoy, quando consultada sugeriu que Barão Vermelho mudasse de cor e por conseqüência de nome. Deveria se chamar Barão Azul Piscina dando uma nova emulação ao grupo e mostrando uma nova cara para seus fãs. Dizem que o líder da banda, Frejato ficou pelo menos um mês em cima de um muro vermelho pensando nessa possibilidade.
            A estrutura da coisa toda vai ficar assim, para que a agressão ao mercado possa surtir algum efeito financeiro prático: dois trios de sertanejo, um de segundo grau, o Nícolas, Pícolas & Vinícolas, e o outro universitário, Emergente, Deter Gente & Rabugente. Este conforme miss Dhoy cantando de forma convincente, amparado em pesquisas sérias nas alterações de peso de Ronaldo, desde Barcelona. No axé, tendo como líder a pragmática vocalista Evita Eva, o grupo Limão e Pomada Menta no Chlavadasky, fazendo um axé subindo nas tamancas com dosagens cavalares de folk nativo russo e óleo de três tempos no radiador. No rock o ex Tempos de Apanhar, Nelson Manda Ella Fitzgerald, sujeito dotado de um falsete único e singular, tal qual uma velha panela de pressão da marca Sodoma e Gomorra apitando freneticamente. O grupo dele será o Veramotas Pinhotadas, com um rock descompromissado, vadio, negligente, tangenciador, nada com nada, curvilíneo, mas uma brasa juros de mora. O outro de rock será Os Karmens, de Judith “Quebra Mola” Karmen, banda feminina que vai buscar com afã e impertinência melhor remuneração para as mulheres que tiram a roupa. Quebra Mola ficou sabendo de algumas verdades que correm por debaixo dos panos, onde os valores declarados servem apenas para valorizar “o produto” e o que supostamente paga. Na dura e crua realidade a coisa toda só serve para mostrar o produto e ficar no aguardo dos incautos, que realmente vão entrar com o verdadeiro money. No funk dois super grupos com a laje e a cara de pau característica do estilo, o Bhosta Nossa e o Cupins Que se Funk. Este último eu realmente saúdo pela coragem de colocar o dedo na cara de uma das maiores pragas que convivem conosco, os cupins. Todas as letras atacam e os ridicularizam de todas as formas e ângulos, não deixando espaço para o revide verbal desses destruidores. Eles estão acabando com a minha, a tua, a nossa madeira. Penso as vezes que o cupim foi desenvolvido durante a guerra fria por um dos lados, - assim como tantas coisas que nos prejudicam até hoje - e depois houve um “lost control” e passamos a ter uma população notável deles vivendo na nossa dimensão e das nossas prezadas madeiras. No calipso, o grupo Cuspidas Eqüidistantes Kalypsódicas, onde Mais e Memê vão colaborar apenas com a lead vocal e o guitarrista, enquanto os demais elementos serão terceirizados.
            Cabe ressaltar que esse projeto tem similitude com um antigo que apresentamos anteriormente, o consórcio de bandas, que foi concebido em outro momento quando o dinheiro abundava e igualmente a mão de obra. Hoje permanece a mão de obra, mais acessível ainda, porém o dinheiro foi enxugado de forma drástica e maquiavélica. Caso haja necessidade de diminuir componentes pela escassez de verba, os trios de sertanejos se transformarão em duas duplas já determinadas, Marimbondo & Moribundo e Pregador & Predador, os dois grupos de rock viram eletrônico com Pancho Mostardas assumindo todo o instrumental nos computadores e Patrícia Arquente nos vocais em ambas, pois ela é extremamente versátil. O axé, o funk e o meio calypso serão sumariamente terceirizados. Quanto ao Réptil, que forneceu essas informações, ele será o roadie de todos os grupos, ao lado do Cascavel que é o Cobra da sua dupla.
            Essa extrema racionalidade pode levar esse projeto a algum sucesso, pois cada vez mais precisamos simplificar e aproveitar a tecnologia, mesmo que haja desemprego, por que o repuxo pior ficará para as próximas gerações, que terão que se funk, já que tudo parece ser incontrolável, como a voracidade dos que comandam o circo – estupradores financeiros, com mãozadas pornográficas nas verbas da nação - quanto a falta de visão e previsão dos que se divertem e se esbaldam nesse circo. Neste aspecto de economia vale registrar a dupla Simpson & Flinstone, que ensaia pela internet, dispensando onerosas passagens de ônibus e refeições caras, muitas vezes sem o suplemento alimentar necessário. Outro exemplo, mas que abre o leque dos serviços prestados vem com o grupo de pagode Exaltacama, que nos shows instala cinco cabines no palco e enquanto cinco dos seus componentes executam os laia laia, os outros cinco fazem sexo nelas com suas fãs, que foram previamente sorteadas pelo número de seus ingressos. Isso não fica caracterizado como prostituição, mas apenas como um “favorzinho” às milhares de fãs desse popular grupo, aumentando o pró labore deles e de seus empresários, pelo aumento populacional nos shows. Também o grupo Sensações de Inutilidade, de Jeremy e Rose Beeff se destaca na economia usando só play back, dispensando assim equipamentos e instrumentos caros. Nas gravações locam o mínimo necessário e nos shows, ao invés de levar músicos, usam bonecos infláveis maquiados e instrumentos de plástico, criados com exclusividade pelo artista elástico Ignácio de Portinhola Sandrão, pois geralmente o público fica distante e nem percebe.
            Quero parabenizar Emma Thomas Dhoy por seus dois últimos filmes. Não os assisti, mas tive boas referências das duplas daqui do sul, Nosferato & Bomfato, Sangue Azul & Chinelão e Taboa Para Cortar & Taboa Para Passar. Eles tem em Dhoy um exemplo de vida e de uma profissional que sabe fazer artes. Vale conferir seus dois últimos longa metragens, “Um colono caluniado na colônia, com a colônia de outro colono, no charme do verão colonial” e “Dois mandrakes impertinentes, de fraque e cartola, sob fogo errado”. Os meus conhecidos Sangue Azul & Chinelão, estão com seu mais novo trabalho na praça Carvalhíades Botão, “Efeito Estufa”, que aborda com propriedade os vários pratos culinários que podem deixar a galera estufada, inclusive sem medo de dedurar alguns “cheffs” com suas rabadas, maioneses, mondongos, feijoadas com coturnos, castores e tratores recheados, que comprometem a silhueta de bons cidadãos. Música de trabalho, Mimi Vai Cuspi. Tanto Azul quanto Chinelão trabalham há quinze anos com transporte, mais precisamente com vans, o que lhes deu um conhecimento notável e único sobre esse tema discutido e controverso, a van filosofia. Sobre este tema recairá o próximo trabalho deles, sempre na linha sertanejalhão, com título inicial e provisório de “Van Filosofia para Universitários e Pós Graduados”, com dicas interessantes sobre carburadores, pneus, amortecedores, rodados e afins. Por fim Os Justiceiros de Bermudas, grupo de rock com inclinação Paleontolítica, ano de competência 30356 AC, que canta as agruras e os amores dos homens das cavernas, suas relações estressantes e dinâmicas com mamutes, chacais, bizões e leões, vão adotar o macacão cor de taboão como uniforme fixo, pois a troca das bermudas a cada show está se tornando inviável financeiramente, principalmente por estas serem adquiridas em lojas de surf. O líder, Clávio Bermudes contraiu alguns empréstimos com agiotas e sente que em breve terá que trocar algumas ideias com eles, talvez mais rudes das que ele gostaria. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros / 23 / 02 / 2010)

    Free Thinker

            
            Ontem, no dia mundial do agiota, estava ouvindo o álbum de 1984, “Mother’s Spiritual” da Laura Nyro, quando uma letra dela brilhou na minha mente. Sobre Laura, alias uma das singer songwriter que venero, certa vez um crítico musical inglês escreveu, “ela é brilhante apenas cantando, tocando seu piano e compondo”, além de ter sido elogiada por Miles Davis. Seu porte musical é do nível de uma Joni Mitchell ou Sandy Denny, ou seja, no mais alto padrão da música popular mundial. Faleceu no meio dos 90 de câncer, com pouca grana e talvez nunca tenha sido uma celebridade como Britney, Ivete e as Spice, mas deixa um legado maravilhoso, coisa que as outras nem de muito longe vão conseguir, pelo menos até agora. A letra em questão, “A Free Thinker” ressalta a necessidade de que você ou eu, “seja você mesmo”, que pense como indivíduo, raciocine e dirija sua vida, não deixando a gôndola do super mercado ou a propaganda da TV direcionar você, ou eu. Nós somos livres pensadores, nascemos assim, ninguém tem nossa tutela para impor cores, roupas, carros, bebidas, formas, em quem votar ou quem ouvir. “Você consegue ter seu próprio estilo”, diz ela. Na prática não funciona assim, as pessoas são suscetíveis a apelos cheios de aparente beleza e riqueza, querendo ser aquelas figuras da tela e não elas mesmas. Estão sempre mudando sua aparência, bens, atitudes, acessórios por “influência de experts(alhões)”, mesmo que num futuro próximo eles tragam tudo de volta, num “ revival in ”. E as marionetes que influenciam pela telinha, acabam usufruindo de uma “credibilidade” vinda de não sei onde, tais como âncoras dos tele jornais, que na verdade são meros papagaios que apenas vomitam textos redigidos por outros “alhões”, de acordo com os interesses da rede que comunica e detém o monopólio da informação. Certamente Laura fez esta música em vão, como muitas outras, pois a força opositora equivale a várias bombas midiatômicas. As prioridades da galera são traçadas em reuniões, cheias de bundões vestidos de qualquer jeito e loucos por permutar sua “sabedoria” por muito dinheiro. E essa sabedoria é detonada via midiatralhadoras, que não permitem que um sujeito de bem saia ileso, aquilo tudo vem de roldão sem deixar respirar e tomar fôlego, tipo o vizinho já tem e a Evita Perdão da novela também já está usando, tornando a compra imperiosa. E se acrescentar o testemunho de uma Bebe Amargo, um Broismano, um Pausão, ou os âncoras jovens e simpáticos dos canais a cabo, não tem como não se render a tanta beleza, sinceridade e credibilidade.
             Um herói que nunca se rendeu para esse sistema medíocre foi Paulo di Pauline Paolo, um intelectual de Ventos Sopram, descendente de família com 93% de seus integrantes amargando rinite alérgica. Sempre buscou alternativas próprias e criativas e sua história obtivemos com seu vizinho, Roger Casulo, que conta: “conheço Paulo há muitos anos, ele é exigente e durante todos esses anos sempre o vi irado com a situação da arte no nosso país, especialmente com a música. Sempre criticou aqueles músicos fajutos, que compõe como se estivessem jogando na loteria ou no bicho, sem capacidade nem inspiração, chutando para ver se tiram à sorte grande. No momento em que herdou a fortuna de seus pais, senti que algo ele aprontaria para o establishment da sua região, que dominava a mídia e a política, que por sua vez sempre controla todo o resto. Sua luta começou quando adquiriu espaço diário de duas horas, ao meio dia na TV mais popular, com contrato irrevogável de dois anos. Gastou um monte, mas criou um baita programa chamado “Jornal do Moço”, onde mesclou com maestria variedades tipo estúpidas, que todas as TV’s utilizam, abusando das celebridades que abundam, com quadros inteligentes, instigantes e que expõe de forma não tão sutil os podres que qualquer sociedade tem, e como tem. No fundo, além da ira ele desejava melhorar o nível cultural do seu povo, custasse o que custasse. Além disso, só admitia patrocínio de micro e pequenas empresas, pois a seu ver as grandes redes tendem a eliminar as pequenas e assim detonam milhares de empregos. No longo prazo isso causa problemas insolúveis, a não ser que o governo forneça mesada para todo mundo. Na música ele encarregou o maestro Armando Barraco, cuja missão era selecionar o que ainda restou de qualidade e tentar a volta de outros que ficaram démodé com a assunção violenta do culto ao lixo”.
             “Entre os quadros, “Almoçando com migalhas”, onde celebridades que precisam aumentar seu crédito, se sujeitam a comer restos para mostrar que também sofrem e estão ao lado do povão. Jussaro Emanuele é o âncora e conta com uma mesa tipo “távola redonda”, trazendo quatro personagens por edição, alimentando os com restos de restaurantes, cujos lixos são abertos no início do quadro e servidos em finos pratos de prata. Enquanto ingerem estão livres para divulgarem assuntos dos seus interesses, como projetos e realizações, para apenas uma câmera, que só desliga quando a última celebridade põe a última porção na boca. Paolo não admite falcatruas tipo as que andam por aí. Caso alguma delas desista, Jussaro apresenta o cartão vermelho e expulsa o indivíduo célebre da mesa. Para contrastar temos, “Por onde anda você, nobre miserável” com comentários diários do caudilho São Pelego, sujeito que passou o diabo nesta vida e que agora está detonando aqueles que ele considera sujos e hipócritas. Pelego é apartidário e detesta essa situação vigente aqui, de terceiro mundo cultural. Com ele surgiu a famosa expressão “com as graxas de São Pelego”, onde graxas são os indivíduos nocivos à sociedade que ele dá um corte. Para a proteção de seu staff e dele, Paolo montou uma empresa de segurança com os funcionários muito bem pagos, que com duas semanas no ar tiveram que entrar em ação, dado as ameaças que começaram a surgir, inclusive para que o contrato fosse anulado com a TV local”.
             Casulo segue no relato, “o próprio Paolo conduz “A Farsa dos Farsantes”, esquete que aponta o farsante top da semana. Neste são feitas investigações sérias por Claudium Pordentro, ex investigador criminal, que além de tudo vasculha vida pregressa e simplesmente entrega todo o serviço de empresários e políticos, como se estivessem contando uma história da carochinha, com nomes fictícios, porém deixando pistas e insinuações. Em três meses de programa o número de ataques do coração duplicou, segundo a Medisopram. Já Clamando Clemência apresenta “Buzinas da Salvação”, uma tour bem humorada e divertida pelas diversas religiões e seitas que infestam aquela região, revelando seus bastidores. Outro esquete campeão de audiência foi “Peggy Sue, seu passado não condena”, com a cachorrinha Peggy passando uma mensagem diária para os seus semelhantes via telinha, de noventa segundos. Já no oitavo programa a cidade transformava-se num imenso canil, com milhares de cães latindo ao lado de seus donos, felizes com Paolo. Na linha circense, “Sei os anseios dos seios”, um esquete móvel e sem horário fixo para segurar a audiência e botar fogo no circo, com Madame Corcova apresentando diariamente duas meninas de seu plantel, exibindo seus seios para uma galera ávida e sedenta. No quadro “Do it you mesmo”, o mestre cuca Orlando “Ovo Virado” Calabresa fornecia receitas mágicas, sempre tentando com que o consumidor não compre nos grandes mercados e sim nos pequenos e façam seus próprios quitutes. Isso gerou em João Varejeira, presidente do sindicato do comércio varejista, um acesso de fúria que o fez atentar contra a vida de Paolo. No terceiro mês de programa, a empresa de segurança construiu “bunkers” nos moldes dos usados na 2ª. guerra mundial, em frente ao prédio da TV e no hotel de Paolo, com homens armados até os dentes. Os grupos musicais eram apresentados por Paolo em conjunto com Shulé Miranda, do grupo Torcicolos Vingadores que ao lado dos Mulas Roubadas e dos Chupadores de Sanguessugas se revezavam no acompanhamento dos artistas solos. Com o tempo, velhos e bons artistas começaram a surgir e Paolo não lhes cobrava nada para se apresentarem, fornecendo inclusive transporte, hospedagem e uma polpuda ajuda de custo.
             Em tom pesaroso segue Casulo, “no nono mês o tempo fechou, quando surgiu como participante Kiko “Gladstone” Chulumba -veterano e nacionalmente conhecido galã de novelas-, sendo designado para o “Almoçando com migalhas”. Seus mentores o cogitaram para a carreira política e já estavam vendo naquele “Jornal do Moço” um excelente veículo, inclusive para ser copiado e adaptado para a nossa real realidade, a qual eles sempre entendem mais. Chulumba fez boquinha para engolir as migalhas e foi espinafrado por Jussaro no ar, inclusive tecendo comentários desairosos sobre suas preferências sexuais e florais. Isso pegou muito mal junto aos seus mentores, pois aquele incidente certamente prejudicaria a sua imagem, construída, talhada e protegida com esmero por anos. Essa dilapidação de patrimônio fez com que a poderosa empresa mãe de Chulumba, desencadeasse uma perseguição violenta sobre Paolo e seu grupo, culminando com ataques da receita federal de sobremesas e da seita de guardas de transito “little blue”, que naturalmente “encontraram irregularidades”, protocolando-as na mais famosa BO de Ventos, a no. 52.524/2006. Paolo, São Pelego, Jussaro e Madame Corcova, os mais visados fugiram num vôo fretado para Galopargo nas ilhas Malditas. Lá permanecem até hoje com uma representada de gatos siameses, sorvetes de baunilha e morenas ”. (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2009)

    Carta aberta à população

             Recebo uma carta de Servenel Cervantes, atual empresário das duplas Banho & Tosa e Luzitano & Puritano, tentando reparar injustiças que estão sendo cometidas no show business e na mídia. Ai vai:
             “Venho por meio desta, esclarecer a quem possa interessar, sobre a paternidade do chamado sertanejo universitário. Pessoas inescrupulosas e oportunistas estão assumindo, sem realmente dar crédito a quem de fato os merece. Passo a relatar os fatos verdadeiros, que permitiram o surgimento deste estilo, que vem refrescar o sertanejo atual e dar um novo gás às milhares de duplas”.
             “Sou empresário musical e tenho na linha de frente a dupla Banho & Tosa, a qual dispensa apresentações pois tem uma folha extensa de serviços prestados ao nosso país e está se sentindo prejudicada pela falta de reconhecimento. Voltamos ao ano de 1998, quando ambos entraram na faculdade de belas artes, em Mato sem Cachorro, não deixando de lado a música, participando de rodeios e shows. No início de 2000, tendo que repetir o semestre, conversam com o reitor pedindo “ uma certa ” folga, pois não entendiam bem a matéria e tinham que cuidar de seu ganha pão. O reitor, Antero Austero, lhes disse que daria um jeito, mas teriam que participar do Sertanejo na Universidade, graciosamente, todas as sextas no auditório da faculdade. Esses eventos proporcionariam valores financeiros que seriam reinvestidos nos alunos. O reitor também lhes convenceu á alterar um pouco as letras, visto que a platéia seria composta de pessoas presumivelmente mais cultas, cabendo mencionar nelas, alguns detalhes das matérias de cada curso. Observou também que deveriam ter um visual mais clean, mais jovem, mais universitário, com cabelos e roupas do momento, ou das novelas. Antero era um puritano purista, conservador em tudo menos no setor financeiro, só ouvia Ray Conniff e Roberto Carlos, conhecendo bem seu eleitorado, que pagavam polpudas mensalidades e mereciam mais um agradinho. Na verdade deveria ser um som semelhante aos outros, apenas enfatizando que o que estavam fazendo e pagando era correto, moderno e bacana”.
             “Na verdade Austero foi imprescindível para a criação do Sertanejo Universitário, porém ele não quis nada além dos valores recebidos nas entradas e no aumento de clientes para os seus cursos. Ele foi o responsável na TV local, pelo programa “Malhação Hiperbólica”, onde um empresário ou figura pública, precisando de dinheiro, aceitava um debate ao vivo com seus inimigos, credores, familiares, desafetos em geral, acusando e destruindo-o. O programa contava com ligações telefônicas dos assistentes, rendendo um valor incrível para a produção. Austero dizia que sua parte reverteria para os estudantes, em qualidade de ensino. Ele também era sócio de Will “Little John” Scarlett, numa empresa que recondicionava fio dental, lavando com esmero, rebobinando e tendo um preço diferenciado no mercado. Era a Fio Dental Again Ltda”.
             “Voltando ao sertanejo universitário, os meses foram passando e o sucesso era evidente. Outras duplas foram surgindo e emplacando, com letras de seus cursos. No direito tínhamos Corretto & Justo, Jurado & Jurista, Dedo Duro & Judas, na medicina, Ômito & Iarrréia, Rim & Tim, Mau Hálito & Chepakol, Portador & Transmissor, nas línguas Forgetable & Unforgetable, Beto, Alfabeto & Analfabeto, único trio da turma, na administração, Agendado & Cadastrado que teve uma alteração na formação e ficou Cadastrado & Castrado, na psicologia Agachado & Cabisbaixo, Nervosinho & Agitado, Tenaz & Perseverante, Demente & Demóstenes, na relações públicas Insinuante & Penetrante, Empolgado & Jururu, Proscrito & Prostrado, na veterinária, Pernil & Pernilongo, Sabia & Sabiá, na Engenharia Condutor & Isolante, Pitágoras & Baskhara, Paralelo & Perpendicular, além dos temas livres Decorador & Paisagista, Carismático & Cara de Pau, Mão Leve & Mão Grande, Linnon & McCartynei, Alfredo & Azedo, Direi & Dirás, Giovani & Celofane e por ai afora. A cena cresceu desmesuradamente, os shows varavam a noite indo até às seis horas do outro dia. A venda das camisetas by Austero com a inscrição, “Sertanejo Universitário is wonderful and beautiful” estava bombando, bem como os adeptos universitários, que sentiam fazerem parte de algo novo. As próprias duplas estavam orgulhosas de participarem de algo com tamanha envergadura, que poderia revolucionar nossa música, que há muito carecia de algo assim. Somente uma banda acompanhava todas as duplas do SertUni, a Golpe de Mestre do filho de Austero, Romário que fazia tudo nos teclados inclusive bateria e baixo, com sua amante Gertrudes Fabiana nas guitarras. Eles, pelo trabalho estafante, recebiam o maior cachê do evento”.
             “Estou encaminhando cópias desta carta para as diversas mídias, televisionada, escrita e falada, colocando a maioria dessas duplas como testemunhas para eventuais depoimentos, comprovando onde e como nasceu o SertUni.” “PS: o que vou lhe relatar a partir de agora, não vou levar ao conhecimento dos demais e da mídia, por motivos que você vai poder julgar. Infelizmente Antero Austero não está mais no nosso país, por problemas em sua outra empresa, a Chave da Cidade e Vice e Versa Ltda. Dizem as más línguas que Austero cobrava muito das figuras locais, para numa solenidade inesquecível e pomposa entregar a chave da cidade, transformando-as em celebridades. Assim também, a mando e com o pagamento dos “donos da cidade”, ele entregava para certas pessoas, não tão queridas daqueles, a chave da outra cidade, desmerecendo essas publicamente, indicando que deveriam procurar outra cidade para morar. Geralmente “os donos” davam uma ajuda de custo e os amontoavam no município de Escora Escória, a 100 km de Mato. Austero os esculachava e depreciava tanto em público, que eles mesmos nunca mais tencionavam voltar. Numa dessas ocasiões, o “homenageado” tinha mais influência que ele havia suposto, “os donos” tiraram seus corpinhos fora, sobrando tudo para Austero, que jurado de morte se escafedeu para um local ignorado. Portanto ele não serve como testemunha neste caso do SertUni. Mas ainda assim, sobram muitas duplas com seus trabalhos que ficam para a história musical deste país. Abraços de seu mui conhecido, Cervantes.”
             Pelo visto o pessoal considera esse sertanejo universitário (ou seja lá o que for), grande coisa. De minha parte, após pelo menos 35 anos tendo a música como uma necessidade básica para o meu espírito, alma, ou qualquer coisa assim, depois de ao longo desses mesmos anos me deparar com tantas excrescências e alguns milhares de rótulos criados pelos engravatados das gravadoras, posso dizer que continuo pisando e andando sobre essas falcatruas sonoras, que pelo volume com que fazem, chego a duvidar que ainda alguma coisa verdadeira e decente possa surgir. Essas figuras produzem uma quantidade absurda de lixo musicado, pagam salários modestos para que as celebridades forjadas as interpretem, tendo um lucro absurdo, à custa da maldita ausência de cultura, que é imperdoável nos dias de hoje com todas as tralhas e bagulhos existentes de comunicação e de informação. Essa inocente galera adquire álbuns, camisetas, idolatram, choram, perdem seu tempo por coisas que na realidade não existem, enjambrações absurdas e medíocres. É uma pena que nossas escolas não ensinam nada sobre como ser um cidadão, como não ser lesado e ludibriado diariamente por esses espertalhões, que detonam a consciência de uma nação só para ficarem mais ricos e se perpetuarem no poder. E nada os detém. Nós nos transformamos num grande bando de cordeirinhos, geridos por um punhado de abutres salafrários, forever. (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/7/2009)

    Consórcio de Bandas

             Conversando com o produtor, "cuca legal" e picareta de plantão Casquinha de Siri, fiquei sabendo de um novo "business". Ele arregimentou 12 bandas variadas com um plano auto-sustentável para os componentes das mesmas, que irão trabalhar em serviços gerais como boy, modelos, camelôs, ponta de novelas, flanelinhas, comércio de números animalescos e outros, esperando seus grupos vingarem. E para que isso aconteça ele propõe um consórcio onde 200 investidores aplicariam R$ 500,00 mensais durante 2 anos. Na medida em que o sucesso surge e o dinheiro também, caberá a cada consorciado 0,3% do lucro líquido. O montante mensal auferido será investido em programas de TV aberta e fechada, rádios e revistas de fofocas com circulação nacional, conforme o perfil de cada grupo. Reproduzo o e-mail de Siri com os detalhes do plano. "Para esta nova tarefa vou nomear para a coordenação a jornalista Emma Thomas Dhoy, inglesa de nascimento tendo vindo para cá em l998, profunda conhecedora do mundo musical e que de um modo ou outro consegue atingir os seus objetivos finais.Darei carta branca para que utilize meios convencionais ou não, conforme lhe aprouver. Nabuco Vulgares costumava observar sobre ela, "a grande vantagem de miss Dhoy está em plantar, colher e publicar onde nada ou quase nada existe". Em março de 2000, o grupo Fuinhas Traiçoeiras quase foi linchado em Cipreste Oculto, quando um boato surgiu sobre a filha do prefeito. O show foi um sucesso financeiro e de público, irado e louco para executar as Fuinhas que no boato apareciam como os bad boys. Por sorte Emma Thomas já havia providenciado em segurança extra e carro blindado para elas, que intuíram que nunca mais lá voltariam.Também os Quadrúpedes Hortifrutigrangeiros e os Boiolas Aerodinâmicos foram trabalhados por Emma, quando em março de 2001 surge a oportunidade de enviar duas bandas nacionais de sucesso para a Argentina, numa produção do empresário portenho Exposito Pellanka, reunindo a nata do rock sul americano. Emma Thomas reuniu material sobre elas, referências, currículo sabe-se lá de onde, pedindo um cachê de US40 mil, que foi prontamente aceito por Pellanka e a prefeitura local. Mais uma vez o som dos grupos não foi compreendido e graças ao capitão aposentado Gerúndio do Infinito e seus comparsas, tanto as bandas quanto os US40 mil voltaram sãos e salvos. Emma participou do filme "Dois cretinos ao luar de Mojave", fazendo um homossexual sensitivo e progressivo; além disso o pai dela, Sir Sinn Thomas Dhoy, afora ter sido um emérito beberrão, se tornou um dos maiores traficantes de armas da Europa nos 70, além de "conseguir" carteira de motorista para meia Manchester no início dos 80. Isso tudo propiciou uma bagagem e tanto para miss Dhoy, por isso vou colocá-la à frente desse projeto inédito.
             Alinho a seguir os grupos disponíveis no momento, selecionados por miss Dhoy, podendo agregar mais alguns. 762 estão na fila, conforme o retorno financeiro e a satisfação dos consorciados. Cardume Sadomasoquista : letras e performances no palco sobre o tema, com muito chicote, pau de arara, algemas, salto alto, soqueiras, estilhaços de vidro,bergamota, sal grosso, carvão, ioiô, espelho-retrovisor,etc.
             Arigós Auto Didatas : aprendendo ainda a tocar, mas sem medo de ser feliz. Basta colocá-los em cima de um palco e o sucesso surgirá ao natural. Estilo ainda indefinido, porém oligárquico/ fumageiro/bom samaritano.
             Genitais Digitalizados :com seu art rock/ pop/ glam/glúteo, presunçoso e capitalista, interpretando a ópera rock "Barbeiros com Lentilha", de sua própria autoria. Dez temas longos e suados de 25 minutos cada, letras abordando broncas na idade média, sonambulismo, substituição tributária e limites do cartão de crédito.
            Parasitas de Plantão : uma mistura explosiva de pop mais turbante, chá de camomila, rock bolchevik e explorando opiniões de médiuns libaneses nas letras.
             Bestas Eletrônicas Aladas : 3 CPU's de 3 GHz,refrigeradas à àgua, 2 nerds "compondo", loopinizando, sampleando, baixando, formatando, se contorcendo, sendo influenciados e expelindo hits dance/rave/peixe-cru.
            Salamandras Degeneradas : lançará seu álbum já em MP3, que abrigará em seu seio 15 canções inéditas, cada uma com 15 versões diferentes e cada versão em 15 idiomas, inclusive esperanto, latim e chinês. Pop/português/polonês/paraibano. Acompanha 326 bônus tracks com 3 versões cada e 1260 demos com som 5.1 de ótima.qualidade.
             The Cell Cult Boys : banda que venera os celulares por ideologia e filosofia de vida. Substituiram o cachorro pelo celú como o melhor amigo do homem, dormem com ele e o consideram á nível de seus familiares ou namoradas. As composições são precárias e infantis, porém o apelo sincero e o grande público que atinge vale o risco. Fazem um som popcel sem fio/rock comunicativo/com bateria e teclados coloridos e tem 750 sugestões próprias de ringtone. Seus próprios celú também servem como desodorante roll on, podem descer a 300 metros no mar e possuem um dispositivo maneiro que aciona um guarda chuva personalizado do grupo.
             Glúteos Imaturos : com seu CD que aborda a saga de um penitente brasileiro, que possui um plano de saúde mais ou menos top e que quando consulta sobre um chiado no peito, recebe a dádiva de poder fazer 32 exames dos mais variados. Estes constatam algumas possíveis e prováveis outras doenças, seis ao todo, nenhuma a ver com chiado ou outra frequência. Assim inicia o tratamento delas com remédios oferecidos pecuniariamente pelo mercado, os da moda pelos laboratórios top gun.Após três anos, com possíveis outras disfunções, funções e contra funções surgindo de regalito, ele(o penitente) larga tudo, casa-se com uma farmacêutica e vai morar no interior com seus dois cachorros, que também faziam tratamentos variados e abre uma farmácia com 52,8% de desconto.
             Moluscos M'Vaidecidos : eles contam com pai famoso, não presente, porém influente pois trata-se de nada mais nada menos que o Chupa Cabra.Três dos componentes se dizem filhos dele e os outros dois sobrinhos. Nós não duvidamos. Fazem um som eletro-magnético/sub-cutâneo/xarope de mel guapo/vilipendiado/anel de noivado/salsicha de frango light.
             Odaliscas Chamuscadas e os Chucrutes Parbolizados : som moderno e jovem de sempre mesclando dança do ventre com a tarantela, tango e o velho rock alternativo, versão tupiniquim.
             Kalipsodélico : uma visão futurista do atual ritmo de sucesso, adicionando a psicodelia de um Menudo, Dominó ou Tiririca e a malemolência e o glamour de um Travessos Espessos.
             Falcatruas Ordinárias-Marche : rock arrochado / arrojado/ arretado/ viral/ escalpelado, funde sinais de fumaça dos indígenas americanos com a fumaça do churrasco gaúcho mais o falsete de Penélope Sô Grosso.
             Os grupos acima mencionados estarão sujeitos à alterações nos membros e estilos conforme necessidade e estratégias de miss Emma Thomas, para que os objetivos e as metas sejam alcançados. Aceitamos contra propostas como cada consorciado participar com mais cotas e receber um percentual maior, como as Rosquinhas Centopéia Ltda, que já adquiriu 8 e terá direito a 8 X 0,3=2,4% sobre o lucro líquido, além de poder incluir parentes em alguns dos projetos ou a si próprio. Aguardamos seu contato e de seus amigos, para que este brilhante projeto e a música nacional prosperem. Acompanha este e-mail, um contrato do exposto acima, elegendo o foro do Rio de Janeiro para esclarecer qualquer dúvida". PS: Emma Thomas Dhoy estará iniciando cursos de expressão, caretas, gestuais, caras e bocas, postura, corridinhas, estrelinhas e acrobacias para guitarristas, baixistas e vocalistas de rock (pop, alternativo,hard, psicodélico, metal,etc), sertanejo/romântico/country pescoção e axé (sincopado, extasiado, carrapato ou virulento). Posteriormente indicarei locais e datas desta barbada.(Luiz Carlos Peretto-Jam-10/10/2007)

    Bocha Sangrenta

             Minha pessoa recebeu um CD do grupo pós-macrobiótico e pós lava roupas com sabão em pó, Cadáveres Impertinentes, com o título de Bocha Sangrenta. Isso aguçou minha curiosidade, pois um título assim sugere muitas interpretações. Passei então a ouvi-lo com atenção, além de rastrear o envio do mesmo, no que foi resultar em um nome, Casquinha de Siri. Este contou que indicou meu nome como possível divulgador a Nelson Zubiunacarretta, pai de Little John, baixo e lead vocal dos Cadáveres, e responsável pela divulgação do CD. Trocamos alguns e-mails e fiquei sabendo que o enredo mencionado no álbum trata de um fato real ocorrido novamente em Ventos Sopram, há 12 anos atrás e que havia sido reportado por um branco velho, habitante da cidade vizinha de Montanhas Crescem. O relato foi aterrador, chocante e quase inacreditável que possa ter ocorrido aqui no nosso país. A história começa quando em Ventos Sopram, dois partidos conservadores ganham a eleição pelo trigésimo ano consecutivo, um como prefeito e outro como vice. Então uma verba federal monstruosa lhes cai nas mãos, tendo que seu uso ser comprovado por projeto e notas, senão retorna ao provedor. Imediatamente os dois partidos se mobilizam, escalam suas empreiteiras de confiança para executarem as obras, que beneficiarão o povo. O prefeito, Anacleto Cheirobom orquestra seu lance com a Ferrão Empreendimentos de Moustapha Di Ferrão, visando construir uma arena futebolística para o time local, Sopram FC. 50 mil pessoas, teto móvel, camarotes vips, ou seja, adequado para a Copa do Mundo de 2014. O vice, Zumbido de Xalera e sua troupe escalaram a Canhões de Navarone Ltda, de Atmosfera Navarone, para renovar a praça central com piscina, lavabo, lan-house, show com golfinhos, telão, coçador de pé digital, palco multi-uso-facetado, seringa descartável e o escambal. Cada facção procurando o melhor para o povo e por isso as negociações não evoluíram, o impasse estava criado.
             A queda de braço durou três meses, eram reuniões que se transformavam em pancadarias generalizadas, quando a solução mágica surgiu com Germe Ruborizado, dono do tabelionato local e sugeria a disputa da verba na forma esportiva, uma luta justa e que só beneficiaria o povo. Como Ventos Sopram haviam vencido Montanhas Crescem nos últimos dez anos, o esporte escolhido foi a Bocha. Cada facção contaria com cinco jogadores, os quais branco velho descreve assim no texto retirado do encarte original do CD: “o prefeito Cheirobom contava com sua oitava esposa, Lila Cozida, dona da Central Classuda de Manutenção e Embelezamento Feminino de Ventos, o açougueiro mor da cidade Fúlvio Desossado, o dono da ponte que era o único acesso para Montanhas, na qual Atarefado Possilga cobrava pedágio e finalmente a eminência parda de qualquer que fosse o governo de Ventos, dono de um terço das terras locais, Sagaz Richelier. Do outro lado, Xalera, com sua namorada e líder de torcida Sauva Lanolina, Best Bocha’s Player Female in the city, o banqueiro local Expedito Monetário garantindo o seu, o chefe de polícia Steve Contente e o quinto elemento, um tanto esquisita, vestida de Branca de Neve, com os sete anões, nariz adunco, pernas cabeludas, sotaque forçado e voz raspada.”
             O evento foi marcado para um domingo à tarde, torcidas organizadas clássicas e populares, fogos, cobertura da imprensa e o helicóptero da prefeitura dando rasantes e jogando guloseimas para a galera. Na medida que o jogo ia transcorrendo, alguns fatos estranhos se sucediam, os jogadores desapareciam um a um após frequentarem banheiros ou bebedouros. Em determinado momento o juiz parou o jogo, exigindo a presença de todos os contendores, porém só apareceram Sagaz Richelier e os sete anões. Uma busca foi realizada e os corpos dos players foram localizados num córrego próximo, com mortes violentas via serra elétrica, foice, machado, cortador de grama, roçadeira Nitro com quatro marchas e uma maçã envenenada. Inicialmente a culpa recaiu sobre os sete anões, porém com a verificação das digitais e a confirmação da CIA, o indiciado foi um Jason não sei o que, ator de filmes gringos educativos sobre serra elétrica e machados. O único corpo não encontrado foi da Branca de Neve.
             Sendo assim, coube ao único sobrevivente, Sagaz determinar o que seria feito com a verba. Como conta o branco velho no encarte do CD, ”Sagaz foi considerado um herói pelo povo, sobreviveu ao gringo assassino e estava com tudo para determinar o futuro dos Ventos. Como primeira medida ele deportou os sete anões para Montanhas, alegando possível colaboração com o gringo, segunda, as duas obras seriam realizadas e os recursos complementares viriam dos fundos de pensões dos municipários, sem juros e correção e devolvidos assim que possível, terceiro, naquele instante estava fundando a empreiteira Richelier, Richelier & Richelier Jr., com melhores preços que as outras para os dois trabalhos. Como última decisão, seu enteado J.J.J.Carnevelha deveria ser o novo prefeito em Ventos, pois ele era a melhor opção para a dolorosa vacância”.
             Algumas dúvidas sobre o que aconteceu pairaram sobre os Ventos, porém como o povo estava satisfeito com as obras, a polícia havia feito seu trabalho e provavelmente o assassino já havia voltado para seus filmes de origem, deu-se por encerrado o caso. O relato do branco velho e o relativo magnífico CD dos Cadáveres revelou uma faceta inusitada e sanguinária deste país e que foi vencido por heróis como o Sagaz, talvez os sete anões e os outros que deram sua vida por um mundo melhor. A formação original dos Cadáveres constante no encarte, Little John Zubiunacarretta lead vocal e baixo, Francis Penhora guitarras, Prego F. Torto na bateria e nos teclados Danos Morais. Faixa de trabalho, “Sagaz é porreta, mexe em cima, mexe em baixo”,com participação do grupo vocal ortodôntico e ortopédico Bagaceiros do Apokalypse. Atualmente Sagaz possui 43,56% das terras em Ventos Sopram e os sete anões montaram o grupo Vegetarianos Carecas Itinerantes, que realiza um rock baixinho, careca, leguminoso e sem destino. O álbum foi financiado pelo Tabelionato Ruborizado, Richelier, Richelier & Richelier Jr., Branca de Neve Festas & Petiscos e Prefeitura de Ventos Sopram, administração C.C.C. Carnevelha.(Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2007)

    Projeto Chinelagem

             Lembrando de uma conversa que tive com Trajeto Rombão no fim dos anos 90, que na época fazia 100 metros em 9,5 segundos quando fugindo de alguma autoridade, ingeria 36 pedaços de galeto ao primo canto em 24 minutos e 19 segundos e sabia imitar fluentemente o som de naves espaciais, tanto da terra como de outros planetas do sistema solar. Na ocasião Rombão era líder dos Sapos Arrogantes, grupo que desenvolvia um pop filarmônico/ aerosol/embalsamado/super descontão/em 24 vezes no cartão e estava embarcando numa turnê pelo nordeste brasileiro, para tocar nas casas da moda A Bolacharia, recém concebidas e inauguradas. Nelas, com R$ 2,50 o gajo podia comer bolachas à vontade, de todos os tipos, somente replicando o pagamento quando ingerisse algo líquido. Constatamos naquela altura a decadência visível da música em geral, inclusive a dos Sapos, com o uso massivo e nocivo da mídia para compensar a falta de qualidade. Olhando especificamente para o Brasil, uma palavra convinha e resumia a cena de modo a não deixar dúvidas para ninguém, Chinelagem. A partir daí surgiu a ideia do Projeto Chinelagem, onde os Arrogantes fariam sempre algo pior, comparado com o lixo do momento, tentando ser no mínimo 20% pior que o pior, na certeza que isso os levaria afaturar. Pois bem, isso não ocorreu pois o mercado sempre oferecia algo mais baixo, mais degradante deixando os Sapos apenas coaxando de tristeza.
             Eles ficaram dois anos rodando pela rede anteriormente citada, só parando com a quebra da mesma pelo surgimento da “Borralacharia MP3”, que acrescentava ao esquema anterior som com os novíssimos MP3, conserto de pneus, bocha, telão com garotas da capa e réplicas das lutas Curdo-Finlo-Greco-Paparazzi, onde dois contendores disputam 10 rounds de 2 minutos cada, apenas com um pé sustentando seu corpo e o outro tentando atingir tão somente o saco escrotal de seu oponente. Após a volta do grupo, em fim de 2001, surgiu Maledeto Pinguciolo, maestro, arranjador, produtor e reprodutor, responsável por 12 das piores “coisas” já feitas no cenário musical e que deram certo ou quase isso pois ele estava rico àquela altura. Ele identificou sinais positivos de faturamento nos Sapos, que lhe contaram do Projeto Chinelagem que não havia prosperado, e este comentou que já estava procedendo sem saber dessa forma, quanto pior melhor pois, “os mais desgraçados vingaram e encheram minha conta bancária”. Era preciso traçar um plano de ação, agora que Rombão e Pinguciolo estavam afinados para colocarem os Arrogantes no seu verdadeiro lugar, havendo clara possibilidade de um alto retorno financeiro. No início de 2002 o primeiro passo. Encomendaram uma pesquisa de mercado para avaliar necessidades, aspirações, níveis e concentrações de Chinelagem, bem como pontos de saturação e escassez, quociente de impurezas musicais, relatividade casual de vestir do Chinelão, origens e árvore genealógica da Chinelagem propriamente dita. Os resultados que a empresa contratada forneceu, após receber o seu milhão pelo serviço, indicavam que o céu era o limite, muitas jogadas e lambanças sinalizavam o futuro dos Sapos com Pinguciolo. Pela pesquisa a Chinelagem possui três vertentes principais, a maquiada, enrustida e escancarada. No enquadramento certo pode estar a vitória do projeto. Os Sapos, para Rombão “são verdadeiros, sinceros e nossa música sai ao natural com rompantes claudicantes e espasmódicos nas execuções, além de criarmos melodias fabulosamente drenadas e complacentes, com climas histericamente suaves”. Confessa Pinguciolo “para atingirmos o topo vamos pela auto-estrada da enrustida, pois os Sapos são muito bons e não dariam certo neste contexto, portanto teremos que modificar o som deles. Vamos criar e ressaltar defeitos, escondendo as virtudes, pedindo que esqueçam a formação acadêmica de música. O nome permanecerá pois tem 15 letras com 6 consoantes, cujo quociente de 2,5 aponta para a face oculta da lua e anda em conformidade com o curso do rio Itaquaquecetuba.”
             Pinguciolo ponderou com Rombão a entrada de dois elementos de sua confiança na banda. Um deles é o ex-padre retrógrado Terço Contão, virtuose no pandeiro, cabo de guerra e torta de limão e o ex- capitão do exército nacional nos tempos da ditadura, baixa com desonra, Aniquilado Penduralho. Este é perito em trombone de vara executando sons de tortura, que com seus mais de 60 anos ainda guarda uma lucidez anabolizante e epitelial . A idéia era enriquecer o som pop filarmônico, etc,etc dos Sapos Arrogantes com a pura loucura grotesca,volúpia desatinada e raiva bestial ponderada dos novos integrantes, para que a fórmula gerada galgue posições no top ten e reverta em espécie.
             Em agosto de 2002 os Sapos estavam prontos para a grande empreitada. O CD e os clipes foram gravados em um estúdio improvisado no centro de São Paulo, com grande vazamento de ruído. As equalizações, mixagens e masterização foram feitas por Pícollo Piccolino, ajudante de pedreiro recrutado por Pinguciolo para obter um som mais cru e verdadeiro, e um clima hostil e bagaceiro. O telhado do prédio foi substituído por zinco, três cachorros foram colocados como vizinhos na peça ao lado e todas as cadeiras foram tiradas da peça, visando um maior rendimento do grupo. O visual geral deles foi acentuado em 61% do bem vestir brega e 39% do chinelão tropical, dando mais autenticidade ao som. Alguns palavrões e absurdos do português foram introduzidos nas letras, para chamar a atenção. Como os custos foram baixos, Pinguciolo investiu a quantia de 5 milhões de reais na divulgação dos Sapos, colocando-os naquele período como um dos mais conhecidos de sua espécie. O senso crítico dos Arrogantes foi filtrado pelo trabalho de dois psicólogos, Mentes Sadhia e Cérebro Exposto, tornando-os comuns porém confiáveis para entrevistas, vendendo simpatia, sorrisos e saindo com frases históricas do tipo “eu acredito no país”, “a galera daqui é legal”, “nós compomos tudo com o coração”, “são tantas emoções”, “compus essa numa roda gigante”, etc.
             Como o mercado é impiedoso, sempre tem alguém com mais investimento, astúcia e chegada nos lugares certos, além de piores, os Sapos duraram seis meses, o tempo dos milhões de Maledeto evaporarem. Eles permaneceram por cima pelos seus 15 minutos e seis meses de fama e foram substituídos imediatamente por grupos como Supositórios Virtuais, Boiolas Aerodinâmicos, Virabrequins Atormentados e Limão com Xuxu, Açúcar, Cimento e Cana da Braba. Este último com seu CD de 12 músicas e suas danças correspondentes, permaneceram em turnê por nove meses e vendendo muito, principalmente pelas coreografias pós-modernas e pré-barrocas da Escorregadinha, Mouse safado, Lambidinha e Basculante erótica. Mas os que mais tempo ficaram foram os Cuecas Patrióticas, onde fluía um rock criterioso, defumado e pervertido, e o Pangaré de Tróia, antigo Parrudos Transformistas, que tinham letras até interessantes sobre abduções, imposto de renda e pesca submarina. Então lá por outubro de 2003, nenhum show, sem dinheiro e padrinhos os Sapos desistiram da carreira musical, abrindo uma lavagem de carros com restaurante, a Wash Sapo´s com o clássico torpedo no almoço, em Monacô da Campina ao sudoeste de Presidente Prudente. Já Maledeto Pinguciolo perdeu os seus milhões e ficou devendo mais dois, além de seus antigos contratados o abandonarem por falta de zelo. Com isso ele fugiu para o Paraguai, onde hoje trabalha com exportação de lingerie e computadores para o nosso país. (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/8/2006)



    Espirro Circunflexo Cibernético

            
             Estou passando adiante uma ideia luminosa que tive, e por não ter R$4.000.000,00 para investir desisto dela neste momento. Basicamente seria um grupo de axé /pagode /funk /hip-hop/conceitual, com o nome igual ou parecido com o título deste texto, algo talvez já existente porém sem a profundidade e o talento deste empreendimento. Após observar formigas montando seu formigueiro concluí que o número mínimo e máximo de componentes deverá ser de 36, assim distribuídos: >04 dançarinas : loira, morena , ruiva e uma a escolher(a gosto do empreendedor). >06 ocasionais : engolindo fogo, quebrando telhas, espalitando os dentes, cusparando em diagonal e zigue–zague, domando leões e executando o triplo mortal carpado. >02 hip-hopers : vestidos como, com seus trejeitos e fones ouvindo discursos variados e rimas da hora. >02 garçons : servindo aperitivos e petiscos para a galera(Obs: aqui a primeira chance de patrocínio). >08 circulantes : paramentados com os temas propostos acima. Recomenda-se neste item um líder (nato) que observará para que nenhum deles fique parado e deixe de sorrir. >08 vocais e back- vocais : de vários credos, tamanhos, tendências políticas e sexuais e obviamente com a aparência compatível com a do mercado musical.
             >04 reservas : para qualquer das posições anteriores, habilitados para substituir mediante cartão vermelho do juiz de futebol(veja abaixo) ao integrante infrator ou pouco interessado.
             >02 exterminadores do presente : prontos a eliminar pernilongos, baratas, traças, etc, tudo que estiver infectando o ambiente mediante sprays especiais(segunda chance de patrocínio) ou com as próprias mãos.
             A este grupo deverá ser incluído, uma peça de cada, psicólogo, nutricionista, maquiador, juiz de futebol, advogado, costureiro e um escritor de livros de auto-ajuda para relatar suas experiências. Adquirir através de famoso dirigente de futebol carioca um terreno de 500 m2, próximo a São Januário e instalar toda a equipe em barracas emprestadas pelos bombeiros do local. Reservar com as redes nacionais de TV’s, rádios e revistas espaços futuros, mediante polpudos depósitos e lautos jantares. Assinar carteira de trabalho de toda a equipe apontando serviços gerais e pagando adicional de periculosidade para o domador e o engolidor.Espalhar através dos meios disponíveis, programas de TV e revistas, no mínimo quinze fofocas sobre casos amorosos entre os integrantes da banda, para apimentar a imaginação dos fãs. Enviar o advogado para o exterior, escolher o elemento mais ingênuo do grupo e plantar uma acusação de atentado ao pudor, deixando-o no mínimo 30 dias na prisão, participando assim de quatro programas dominicais na TV, com interativa nacional que debata o caso e a culpabilidade do penitente. É óbvio que após provada a inocência, o empreendedor deverá dar dois tapinhas nas costas de seu funcionário e dizer - ufa, escapamos por pouco.
             Detalhe fundamental, o advogado e o psicólogo deverão pesquisar a vida pregressa e traçar o perfil psicológico dos 36 elementos, para que o empreendedor não tenha problemas futuros. O mesmo não deverá se envolver emocionalmente com nenhum dos integrantes, para não perder a autoridade sobre o grupo de trabalho.
             No futuro, com o sucesso deste projeto e aliando-se a empresários russos, poderá fundar um partido político, comprar uma cadeia nacional de TV e estrelar novelas, virando uma celebridade.
             Desejando sorte ao futuro empreendedor e alertando quanto ao repertório, ou recorre e paga a uma dupla que já compõe para 262 grupos nacionais variados, ou transforma-se no mais novo autor musical entre os milhares que já existem. A propósito, estou elaborando mais um projeto, obviamente com menos pessoal e um custo mais baixo, que inicialmente teriam nomes como Pescoços Gasosos ou Primatas Secundários, com a fusão do pop escorregadio do sul do Afeganistão e o rock sexy/amestrado de Fagundes Varela, letras sórdidas e amáveis, incluindo solos de moto–serra distorcida e betoneira.
             Qualquer duvida, no site www sabendooquefazereembuscadaperfeição.com (site em finalização para 2024). (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/7/2005)


    Em Busca de Inspiração

            Navegando pela Internet, baixei, li sobre, ouvi e re-ouvi uma banda chamada “Lonely Capachos”, que faz um rock alternativo /espinafrado /saca-rolha/empoado/auto-ajuda, botando pra fora todas suas neuras, recalques, invejas, frustrações, raivas a partir de situações inusitadas auto impostas por seu principal integrante e compositor Bruce Kusparo, aliás, Brochev Kusparov, russo de nascimento. Aos 2 anos foi para Islândia saindo daí aos 22 para Liverpool, na Inglaterra, onde fundou o grupo após ouvir muito Oasis(por ser igual a Beatles, dispensou estes) e Canalhas Ativos, banda do norte do Mato-Grosso do Sul, cujo CD lhe foi apresentado por um político Finlandês(?).
             Criando situações diversas, pode obter inspiração para várias composições como “ Watermelon needs bananas ”, quando pendurado por 2 dias no lustre da sua cozinha detectou gracejos trocados entre uma melancia ainda verde e duas bananas possivelmente drogadas. A partir daí surgiu uma letra extremamente complexa sobre as relações entre os seres vivos e as coisas fundamentais que os cercam. A melancia e as duas bananas foram congeladas para futuras apreciações. Outro fato criado, a permanência por seis dias num bueiro inglês, apenas com cinco pães de milho, cantil com água, torradeira à pilha e algumas fotos da Britney, e ele sai com a belíssima “Mouses friends spears”, balada lisérgica que compôs junto com dois ratos que passaram a idolatrá-lo na medida que dividia os pães de milho. Outra cena notável e crucial foi em que Bruce isolou-se num galinheiro por 8 dias com 19 galinhas cacarejando, comendo, pulando e colocando ovos. Daí resultou na notável Escabrosis Funestos onde simplesmente detona a vida das galinhas, a sua alimentação, higiene pessoal e trabalho não remunerado. Ele gravou todos os ruídos gerados pelas penosas durante a sua estada, advindo daí a instrumental multi facetada e visceral “ Chicken Epóxi ” onde com o computador ele transporta o poderoso som das galinhas para algo como “cacarejos espaciais”, sublime e acessível a nós, mortais. Bruce chega ao clímax misturando-se com os Hooligans, torcedores de futebol violentos, bebendo, quebrando, batendo, vociferando e . . . apanhando. Desse aprendizado surgiu “Each monkey in his galho”, onde Bruce de forma amarga e chorosa revela o passo quase fatal que deu juntando-se aos Hooligans, braço quebrado, afundamento parcial do malar, porém com uma composição e tanto na sua bagagem.
             Oito faixas compõe o CD, além das mencionadas mais quatro que foram concebidas no mês em que Bruce passou na Sibéria, trabalhando na construção de uma ferrovia. Um DVD acompanha o CD, com imagens dele no galinheiro, no bueiro inglês, em festas intimas com os Hooligans além da banda em performances ao vivo no aniversário da vovó de Bruce e no festival anual da polenta em Turim, na Itália.
             Soube que Bruce virá ao Brasil, mais precisamente ao Rio, onde trabalhará na feira de Acari por um ano vendendo missangas, percebendo salário mínimo mais bolsa família e tocará guitarra na banda “Fossa Séptica Trapezoidal”, que funde rock tresloucado e escabroso do Panamá com os bordados do nordeste brasileiro, baixo na “Carecas Besuntadas”, pop/country alternativo / fujão / rosqueado típico do salto do Jacuí e cho- Calho nos “ Bestas Indefinidas ”, sambão trip hop /
             cascagrossa/eletrônico/nos trinques/sal grosso. Dessa forma poderá estruturar seu novo álbum, provavelmente com experiências nunca dantes imaginadas por ele, aqui no nosso país. (Luiz Carlos Peretto-Jam-05/05/2006)




    Barnabé Bill Dog

            
             Estava eu num bingo em Porto Alegre, já havia perdido 25 pratas, quando um fato chamou atenção; várias vezes um senhor bem vestido gritou bingo, e havia uma interação com o pessoal da casa que vibrava junto com ele. Aproximei-me para captar alguma vibração positiva para o meu ser. Ele notou e perguntou qual era a minha e eu lhe disse que gostava muito de música e de gritar bingo. Então ele me alcançou sua cartela e disse, repita quatro vezes ‘pila vai pila vem, traga reais ao invés de vintém’ e aguarde os dois próximos números. No primeiro, confirmei, e no segundo, quando o locutor anunciou: dois patinhos na lagoa, sentei o milho e gritei com toda a força de meu ser, BBiiiiinnnngggooo. Entre abraços de familiares e a euforia que tomou conta de mim, só escutei que seu nome era 9/12 Avos Novaes, vulgo Casquinha de Siri, e lhe alcancei meu cartão.
            Uns dois meses se passaram, e eu ainda pensava como ele conseguia, que aura, quais suas ligações com as forças ocultas, quando recebo uma carta, postada de São Paulo. Era Casquinha, e a carta relato a seguir: ‘Chafurdando pelo mundo musical, vou descobrindo pérolas da nossa música brasileira e com isso tentando sempre obter ‘algum’ para os nossos empoeirados bolsos. Venho por meio desta comunicar mais um belo projeto que estou assinando e produzindo, obviamente precisando de sua parceria para os custos e também para seus frutos e rendimentos. Estamos falando de um grupo sertanejo-hip-hop-palatável-funk-comichão, que vai lançar um álbum conceitual, ou seja, com as letras girando em torno de um assunto principal, verdadeiro e cruel que um vizinho meu foi vítima. Agora, junto com um parceiro seu fará a história vir à tona. Isso dará dramaticidade ao contexto, pois iremos explorá-lo em programas de TV, rádios e revistas de fofocas da forma mais ardilosa e conveniente, inclusive com interativas em programas televisivos dominicais.
             Para que nosso projeto encontre guarida na sua pessoa ou em alguém das suas relações, forneço os seguintes detalhes: os vocais principais e as composições serão da nossa já conhecida Banho & Tosa, a mais asseada dentre os solos, duplas e trios deste planeta, e o grupo de apoio será o Trogloditas Tresloucados à Vinagrete ( TTV ), que desenvolveram trabalhos em várias áreas musicais, desde o axé progressivo até o pop contorcionista, passando pelo hip-hop e o funk mostardão desidratado. Neste caso, como o nome foge da nossa proposta nós os denominaremos de Os Sabonetes Infláveis e que constarão no nome básico do grupo, Banho & Tosa e Os Sabonetes Infláveis. O tema principal vai girar em torno de um cachorro de propriedade de Tosa, com o nome de Barnabé Bill Dog, um cão da raça pastor alemão, sempre alegre e faceiro, latindo 22 horas por dia quando alguma alteração no seu mundinho ocorre, um vento chacoalhando uma folha, uma formiga conduzindo um grão de areia ou um sussurro de borboleta. Nosso astro Bill, sempre latindo em vários tons e ritmos, alegrando a vida de Tosa e sua família, inclusive de seu caçula Tosinha. Certo dia, Barnabé aparece morto tendo ao lado de seu corpo, em forma de um círculo, oito fotos de importantes atores de novela e no centro, o corpo de um sapo embalsamado com um bilhete na boca em aramaico, o qual, um padre traduziu e lê-se “Senhor, livrai-nos do ruído eterno”.
             A revolta aflorou na comunidade, eles prezavam Barnabé e o tinham como a alegria do bairro, cujo latido já era a marca sonora do local, pois ele só parava nas suas refeições. A desconfiança de Tosa recaiu sobre o seu vizinho de fundo chamado Banho, companheiro musical seu de quinze anos nas composições e interpretações, famosos no interior paulista e sucesso nos rodeios. Essa dúvida, a rixa entre os dois se acentuando, com Banho negando o crime e Tosa abatido com a morte gerou um álbum criativo, belo e discordante, pois nas letras percebemos de forma sutil o ponto de vista e a defesa de ambos sobre a morte de Barnabé.
             Em quatro das faixas temos a típica balada sertanejona, com o duo no vocal característico e Tosa imitando o seu cachorro nos estribilhos. Numa delas, “Ainda mato um cão, por amor”, com autoria de Banho, onde ele relata seu apreço ao bicho, com várias noites em claro ouvindo seus uivos e latidos, chegando ao ponto de em uma dessas esmurrar a parede do seu quarto e levar oito pontos, por amor. A contribuição dos Sabonetes Infláveis nas sessões de gravação foi decisiva, pois a experiência em vários estilos e ritmos propiciou arranjos notáveis nas já belas melodias compostas pela dupla. Nas “Quero um queijo com menos calorias” e “Tomara que não consigam outro cão” salienta-se uma mistura fantástica de axé-calipso-bolo de fubá-country pescoção-funk me enerva, com o baixo e a bateria produzindo um som de trem a 133,62km por hora. Nos shows ao vivo teremos a presença de Rodabella Gatilho, nossa dançarina, que é ao mesmo tempo loira, morena e ruiva (nossa produção) e que participa apenas com o chapéu do patrocinador, um salto de 18,5cm e um palito na boca.
             Os Sabonetes Infláveis contam com Ladrilho Frejó, exímio musicista que nas faixas “Narinas Obscenas”, “Cachorro virou mocotó” e “Vou afogar um Banho” ele usa e abusa do serrote (sai um violino diferente), um pente com papel celofane (gaita de boca rústica) e apitos Marshall com silvos breves, longos e intermitentes. Em “A casa caiu”, “Assassino de cachorros” e “Eu não mato animais” temos a participação de Sinostrato Ocupante, de família rica e nostálgica de Pernambuco, fazendo notáveis vocais de hip-hop com seu rap cangaceiro e indolente.
             O álbum é composto por quinze faixas mais doze bônus, oito delas quando o duo era acompanhado por quatro outras bandas, Fungos Pastosos, Sapos Arrogantes, Chulés Demoníacos e Agiotas Sensuais com as quais eles faziam um sertanejo-duodeno-pastoral-ululante-troca de casais, sendo que as letras versavam sobre amores esquecidos e lembrados, saques do fundo de garantia, uso de anabolizantes e pinturas de pálpebra para diálogos sobre herbicidas em reuniões sociais.
             Na venda dos CDs para lojas ou atacados teremos, além dos descontos, brindes para quantidades. Acima de 50 peças, receberão a escolher via correio, uma serra tico-tico com 4 bitolas de serras, um manual “Como reduzir seu aluguel-573 dicas”, de Saturno Esporádico Periclitante ou um lindo mimo surpresa da Sérvia ou Montenegro.
             Para finalizar, eu preciso que você busque naquele bingo um pacote e o traga em mãos aqui para São Paulo. Com esta operação você será sócio em 2% no empreendimento, sendo que para os próximos precisarei de money.’ (Luiz Carlos Peretto-Jam-11/10/2005)

    Socialites na Latrina

             Recebi mais um projeto do produtor/empresário, o noviço bandalho Casquinha de Siri Novaes, onde ele apresenta uma planificação que julgo plausível e que talvez valha assumir os riscos. O retorno poderá ser imediato, visto que não existe nada parecido e com tal poder de penetração em segmentos da nossa sociedade abastada e sedenta por revoluções sonoras. No entanto, neste caso, precisarei de dois sócios, pois conto só com um terço do valor requerido por Siri. Relato a seguir os detalhes do empreendimento com a missiva sendo colocada na íntegra, e se por ventura alguém que lê-la quiser participar basta contatar comigo ou com o pessoal da loja. Casquinha falando:
             “Venho solicitar mais uma vez apoio de Vs. S. para o que considero “A revitalização da música popular brasileira”, onde nós juntamente com alguns abnegados estamos procurando saídas para melhorar o quadro atual, não somente visando o lucro puro e simples. Neste caso trata-se da inserção no mercado fonográfico de um grupo, vizinhos meus que aprendi a gostar, que praticam o inédito, suculento, pediátrico “sertanejão/hard core”, fundindo os dois estilos de forma decente e provocadora. O nome do grupo é sugestivo e gracioso, Pés de Chinelos Voluntários. O álbum, Socialites na Latrina, é conceitual e conta a saga de três mulheres da sociedade paulista, que saem para uma cidade vizinha a fim de combinarem um jantar dançante beneficente, grupo musical, buffet, decoração, cobertura de jornais, convites, fotos delas para colunas sociais, etc. Tomam uma estrada alternativa, porém esta encontra-se em péssimo estado e um pneu do Land Rover fura, não tendo cavalheiros à sua volta elas metem suas mãozinhas na massa. Após concluírem o serviço partem para encontrar um local aprazível onde possam lavar suas mãos e rostos, um lanche rápido e cumprir suas necessidades naturais. Encontram o boteco do Salvador, um sujeito casca grossa, porém atencioso que lhes oferece linguiça com cuca e ovo curtido, além de guarapa, indicando a dez metros dali sua latrina, que havia sido reformada à pouco e que tinha um belo córrego deslizando sob a mesma. É aí que os Pés concentram várias letras do álbum, no aspecto psicológico, o sofrimento humano, a degradação, o encontro das socialites com a latrina,onde elas desandam a chorar, vendo a que ponto chegaram, um ultraje que a vida lhes preparou, pessoas de um nível superior convivendo com mesquinharias próprias do povão. Dali retornaram para suas humildes mansões prometendo usar mais o helicóptero.
             Este super-enredo serve para as peripécias sonoras dos Pés, que deitam e rolam nas composições e interpretações. E não para por ai, pois os vocais estão a cargo da ex-dupla sertaneja Conserto & Concerto, sendo que este último é ventríloquo e assim leva para o palco uma terceira voz com o boneco Esperidião, que é fixado a ele por hastes metálicas. O instrumental é feito por quatro músicos experientes que pertenciam a duas bandas da cena hard core paulista, Abutres Exumados e Nabus Modernus.
             Sendo o que tínhamos para o momento, lembrando que Va.S deve duas parcelas do projeto anterior e aguardando uma resposta favorável quanto aos Pés, um grande abraço de seu amigo Casquinha.” (Luiz Carlos Peretto-Jam-20/6/2006)


    Gritos e Sussurros

             Recebi o trabalho demo de uma banda que julgo muito original e barulhenta, com recursos e mananciais compostos, cujo nome é Braguilhas Sensitivas. Foi enviado pelo aspirante a produtor Theobaldo Liso, primo de Casquinha de Siri Novaes. Vislumbro grandes possibilidades que cruzem algumas fronteiras, pois a descrição do marketing prevê o uso da máquina de forma astuta e calculista, tirando leite de pedra. Além disso, boa música para ser ouvida e sentida em 35% dos locais bacanas, desde montado numa roda gigante em um parque, no hipódromo apostando num pangaré ou até na paróquia do bairro comendo um bom meio frango com massa. Trata-se de pós pré-rock alternativo umedecido com pop/bélico/bochechudo, saturado de imagens e visões animalescas e situações embaraçosas como esquecer o cartão de crédito, não ter passe para o ônibus ou fugir de um poodle enraivecido.
             Após ouvir 14 vezes o CD dos Braguilhas, constatei 862 influências diversas e 68 chupadas variadas, as quais descreverei num site alternativo, se a banda vingar. Observo o seguinte sobre os diversos elementos do grupo e seus instrumentos:
             Joseph Lavoasier “Fatman” Carandiru: bateria, lembrando um mix de retro-escavadeira e máquina de concretagem numa forma alternada e harmônica. O bumbo duplo emanando sons em código morse, que se decodificados revelam receitas culinárias interessantes e dicas de decoração para sua casa. Sua banda anterior, Sovacos Inescrupulosos, faziam um alternativo pastoso e infeccionado.
             Demóstenes Cuspido: o Quarta, irmão do vocalista, com sua linha e levada no baixo tendo como base a confecção de um prato de arroz à grega, inclusive com passas. Um groove incomum no rock alternativo, capaz de fazer um urso polar e uma mandioca rebolarem e “levantar poeira”. Tocava harpa nos Instintos Extintos, que desenvolvia o saudado e incomum pop/luneta-notívago/alternativo-metroviário.
             Anápilo “Fofucho”Ferroada: guitarras furiosas e avassaladoras, porém ternas e calorosas em vários momentos, com frases que respingam cobras, lagartos e charutos com pinceladas de algarismos quânticos. Era back-vocal na Crápulas Axaropados, um alterno-nativo, sepulcral e bolorento. Só utiliza guitarras “Pereira” para os solos e pedais “Texugo Master”.
             Quintão Cuspido: o Quinta, vocais suados baseados no filme “Gritos e Sussuros”, entre o vigésimo e o septuagésimo minuto, onde o vocalista se expressa de forma dissonante, divagante, destoante e desabotoado, porém cândido e atabalhoado. Com belos e saudáveis momentos, como comer um bom bife à parmegiana e não precisar pagar, pois você foi o milésimo cliente a pisar no estabelecimento.Fez vocais, back e uivos no Rinite Sonora, onde lascava um sinuoso alterna/subalterno/carne moída/raivoso.
             Letras obscenas, transexuais e modernas baseadas em salários atrasados, dores de dente e grunindo de raiva contra pés de alface, outdoors e caixas registradoras, que infernizam nossas vidas no cotidiano. Outro ponto positivo do grupo é a volta ao uso de uniforme, comum nos anos 60, e neste caso fundindo os elementos austeros dos militares com a candura do jardim de infância e salpicos de maitre de restaurante. Tem ainda a velha saia escocesa em tons pombo correio e argamassa para construção.
             Em adendo a demo, recebi a xerox da primeira entrevista da banda, com as respostas escritas por um pajé indígena formado em sociologia, Labirinto Tanachuca e que certamente terá grande repercussão entre os intelectualóides.
             Estarei incluído no projeto com 3% do lucro, se conseguir alterar a idade de Demóstenes e Quintão Cuspido, pois eles estão treinando num importante clube do futebol paulista, com chances de seleção sub 20.
             Este texto vai em repúdio aos escribas das gravadoras ou pagos por elas, que com a imaginação de um Walt Disney ou Paulo Coelho, conseguem vender nulidades e futuros entulhos, confun-dindo mentes e corações despreparados.
             Leia este texto cinco vezes, cruze os dedos, dance a Maccarenna e faça um pedido. Só o revele a um compadre seu).(Luiz Carlos Peretto-Jam-10/9/2006)