Estamos modestamente tentando, através dos textos no site da Jam, encontrar saídas para a nossa música seguir sobrevivendo, e não só enriquecendo os 526 empresários e donos dos meios de comunicações pelo mundo afora. Já não me importa a forma, esperando que num futuro ela possa melhorar na qualidade e ser simplesmente ouvida novamente. Por enquanto nos contentamos com algumas barrigas cheias a mais, visto ser esta nossa economia miserável e desgraçada, onde a maioria vai levando a vida do jeito que dá e a minoria embolsando tudo que vê pela frente. Neste aspecto, as letras do grupo Mateus & Os Ateus revelam que alguma melhora virá para o ano de 2035, sendo que o único que acredita é o próprio Mateus. Prova disso são os projetos que tomo conhecimento, pipocando de várias partes do mundo, revelando a preocupação daqueles que hoje faturam horrores de tubos. A tradução de um texto pelo sábio contemporâneo Elvio Fresley, demonstra o esforço da gravadora inglesa Stapafurdion Records, que sente que a coisa vai de mal a pior e que no futuro, talvez tenham que vender chinelos, alimentos, celulares, roupas e computadores como todo mundo. Eles partem do princípio que não existe mais nada excepcional, nem excelente, nem muito bom, talvez algumas coisas boas ou mais ou menos. O princípio da coisa toda seria fundir alguns grupos razoáveis, para ver se conseguem algo superior e que alavamquem as vendas por décadas, como é o caso de Stones, Beatles, AC/DC, Dylan, Floyd, Doors, Led, etc, etc e etc. Buck Cryolina, manager da Stapafurdion, em novembro de 2009 iniciou essas junções na Inglaterra, passando as tintas para sua subsidiária aqui no Brasil, a Tortuga Records. Aliás, Buck cogita do Oasis para as junções, pois ele a considera uma das melhores bandas mais ou menos produzidas no seu país. Ele tem por norma que com 95% de esperteza, 5% de sensibilidade e grana, dá para tirar proveito de qualquer situação.
Vamos novamente nos basear nas informações obtidas por nosso amigo Arquivo Morto, orientador sonoro e confidente de Gildofredo Onça, técnico de som e mesário da Tortuga Records, de Emílio Estevem Tortuga. Esta gravadora distinguiu-se no início de 2009, quando a dupla Moranjo & Arcanjo em dueto com Anão & Pagão obteve sucesso com “Você está me sufocando com um travesseiro velho e bolorento”. A repercussão foi tão grande que várias duplas e grupos, inclusive de rock super bowl cabeça dinossauro com boné migraram para ela. Então no início de 2010 Tortuga, estimulado e orientado pelo inglês Cryolina partiu para as junções dos grupos. A primeira reunião, e que vai nortear a seqüência deste projeto, baseia-se numa vitoriosa ocorrida no fim dos anos 60 em USA, Crosby, Stills, Nash & Young que durou pouco tempo, mas rendeu frutos financeira e musicalmente, sendo que seus discos constam de qualquer catálogo decente pelo mundo. Os seus integrantes vinham de bandas já famosas, Byrds, Buffalo Springfield e Hollies. A turma tupiniquim “apadrinhada” pelo Tortuga, igualmente tem origem em grupos que estão atuando na cena musical, até com certo relevo. Assim temos Gaivota, Bakury, Petrófilo & Schlevenwald, nos quais Tortuga e Cryolina, este à distância, vão apostar suas fichas tentando um som melhor e que perdure mais, resultando em um retorno mais duradouro.
Para que se possa avaliar com mais acuidade, vou descrever a origem e as qualidades desse quarteto, segundo Onça e Morto, tentando prever se este esforço de melhorar nossa esquálida música terá futuro. De antemão penso ser difícil impor algo melhor, pois a maioria das cabecinhas nacionais já estão minadas com o som deles, tipo lixo, de cada dia. Antes disso cabe salientar que Tortuga possui além do estúdio, duas empresas que pelos resultados na bolsa de valores vão bem obrigado, e de acordo com Onça, garantem investimentos no longo prazo. Uma delas, a Algumas Mãos Lavam as Outras e Vice Versa SA tem a ver com sentimentos, perdão, compreensão, visando a conciliação entre os seres, neste cruel e injusto mundo. É uma empresa de prestação de serviços, na qual as pessoas que cometeram erros ou injustiças com algum ente querido ou amigo fraterno, e não encontram o perdão, recorrem ao Tortuga, para que tudo volte a ser com antes. Ele disponibiliza e arma um circo em local público, com transmissão pela internet ou até pela TV local, com a mediação por uma celebridade nacional, se a verba comportar, anúncios em jornais, locações de roupas para os participantes e atores, limusines para ir e vir, buffet para após o perdão e grupos musicais para uma esticada geral. Se a intenção do que ambiciona o perdão não ficar clara, Tortuga pode incluir apedrejamentos, açoites e outras torturas que farão o público e o detentor do perdão irem às lágrimas, tal como qualquer desses medíocres reality shows que andam por ai. Tortuga conta com 15 filiais no nosso país e você poderá obter mais informações pelo site mãoslimpasnovamente.com.bum.
Faço questão de revelar estes dados, para que todos possam atestar a veracidade e a força com que cada projeto vai ser detonado. A outra empresa de Tortuga opera pela internet, e diz respeito à escolha de qual a religião, seita, místicos, holísticos ou terapias é mais adequada a cada cidadão ou personalidade humana. Através de algumas entrevistas virtuais, Tortuga e seu staff designam qual a melhor opção para o seu perfil psicológico, financeiro, religioso e emocional, além de possuir um catálogo com 5.236.472 títulos de livros de auto ajuda, à pronta entrega e 5535 amigos conselheiros espirituais e carnais, para todas as horas, por quantias risíveis e em todos os estados da federação. Voltamos então para o quarteto fantástico, que poderá alterar o rumo da nossa música. Vamos descrevê-los, dissecando seus feitos musicais anteriores, para medirmos a qualidade do que será ejaculado para nós, os profissão - brasileiro :
- Gaivota, nome de batismo: Gaivota de Terno de Reis Magos, 32 anos, signo de Cotovelo, começou em Jundiá, Distrito Federal, no grupo de axé com ritos hispânicos, Calda de Jibóia. Ganhou por dez anos o primeiro lugar na corrida “colher com ovo na boca”, tendo como pai o latifundiário Bentevi de Reis Magos, que explora com muito sucesso a terra, as pessoas e a natureza. Bem cotado nas colunas sociais de Jundiá e nos meios políticos, para cuja caixinha ele é o maior provedor na região. Apenas algumas dúvidas pairam sobre pessoas que o rodeavam e sumiram de forma intempestiva. O olhar morto de Tortuga recai sobre Bentevi, talvez ambicionando alguns valores dele na seqüência desse belo projeto, até por ter encaminhado seu filho.
- Bakury, nome de batismo: Badefon Kury, 35 anos, nascido em 4 de julho sob o signo de Víbora, iniciando sua carreira no grupo de rock angular afrodisíaco, Lombrigas Fascinantes e depois no Esquilos Lascivos, um rock maternal. Ganhou por seis anos consecutivos o concurso de dança em Natal, sua cidade natal, juntamente com o transexual Floriano De Quatro, este com provável parentesco com Suzi Quatro. Seu pai é o maior e mais eficiente explorador da vaidade humana, vendendo desde carros novos, passando por roupas da moda até jóias caras, meus caríssimos amigos, com 350 lojas por este país. Tortuga tem um olho no grupo e outro em Detefon Kury, pai do Bakury.
- Petrófilo, nome de batismo: Petrófilo Petróleo, 37 anos, nascido sob o signo de Pistolão em conflagrância com Netuno, era o Eununca da dupla Eununca & Eunuco, filho de Uirapuru Petróleo, que explora seu sobrenome em terras estranhas e alhures, com dicas favoráveis mediante generosos óbulos às pessoas mais indicadas e influentes do meio. Neste, Tortuga fixa um olho e meio no Uirapuru, e meio no quarteto.
- Schlevenwald, nome de batismo: Buffon Schlevenwald, 40 anos, nascido em Forrest Gump, ao sul de Walwerdes, sob o signo de Armário. Era o principal vocal dos Energéticos Deprimidos e Estilete com Banana – não confundir com Gilete com Banana - e foi por quinze anos indicado como um dos três melhores sons automotivos de Forrest Gump, vitoriando-se em 14 vezes. Seu pai, Buchwald “Bode” Schlevenwald tem um passado estranho, atualmente recebe quatro aposentadorias polpudas de quatro países diferentes, pois segundo Morto ele era uma espécie de bode expiatório para esses países, ou seja, realizava consultas e espias não autorizadas em assuntos delicados como o militar e o industrial . O bode metia seu nariz expiatório onde de forma nenhuma havia sido chamado, fora isso participava do grupo nacional mais distinto de corruptos, desde a guerra fria. Em Buchwald, Tortuga e Cryolina metem os quatro olhos e deixam o grupo por conta. Nas descrições acima, modifiquei o horóscopo original para o alternativo da profi Walkarla Treméia, que aplicou a fórmula Mendonça e o criou. Fiz isso, pois noto que a maioria das pessoas desdenha do horóscopo “oficial”. Para mim, nem um nem outro deles fez ou faz parte da minha praia, lago, açude ou poça d’água.
É óbvio que lendo o currículo dessas figuras, depreende-se que nada de bom continuará a sair desse angu musical nacional. Quanto aos gringos tudo é possível, principalmente no primeiro mundo, onde os “artistas” não precisam correr para encherem suas barrigas. Lá ainda existem pessoas com boa bagagem de cultura gerenciando a cena, enquanto que na nossa terrinha, se ainda sobrou alguém, deve estar apagando a luz amanhã ou depois. No período que tentava elaborar este texto, assisti a alguns shows em DVD da Joni Mitchell, John Coltrane, Led Zeppelin, Incredible String Band, George Benson (fase jazz + soul) e Elis Regina – é inacreditável o que a pimentinha consegue com um microfone shure ou neuman, sem nenhum efeito-, que me emocionaram e me distanciaram mais ainda desse angu descerebrado e sem nenhum feeling, predominante, vigente e imposto. Num intervalo, trocando o DVD, ficou o fundo da TV a cabo, onde rolava um clip com duas barangas, quando um amigo de minha filha exclamou, “elas são lésbicas tio”. O tio coçou a careca na paralela e na perpendicular e retrucou, “não sei, pelo menos é o que os produtores dessa p.... querem fazer parecer, para vender o entulho”. Obs: Gildofredo Onça alertou para a nova dupla que vem aí, Cupim & Cupincha que estão gravando seu álbum na Tortuga, sendo que o Cupim é um compositor de mãos cheias de gordura por ser açougueiro e seu parceiro é mesmo apenas seu cupincha. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 08 / 05 /2010)
Família Aiousilver
Há alguns anos atrás, quando já estávamos na geração rosbife, que sucedeu a geração coca cola, pensei no nosso globo terrestre que continuava dando voltas, seguindo sua trajetória normal e corriqueira, que há milhões de anos lhe foi atribuída como função específica, para que plantas, animais, humanos e cervos com a camiseta do Flamengo sigam suas vidas normais. Sempre achei engraçada a atividade das formiguinhas humanas sobre ele, matando, roubando, batendo cabeça, ludibriando, encenando, invadindo, tentando sobreviver, soltando fumaça pelas ventas, depredando, cuspindo pregos e enjambrando leis, condutas padronizadas e regras sempre convenientes, enquanto nosso velho globo continuava a girar. Hoje em 2010, em plena geração nadanacabeça_tudonatelinha.com, ele já esta todo remendado, como se fosse uma velha bola de futebol, usada um dia sim e outro também por hordas de bestas e insanos. Assistindo a telinha dá a impressão de que existem celebridades que se importam com o globão, fazendo um auê(?), filiando-se a ongs ou adquirindo o crachá delas, discursando entusiasticamente em espaços pagos, criando fundações que arrecadam, mas que na prática é só jogo pra torcida, para fortalecer seus egos, posições no sistema e contas bancárias. Quanto às leis necessárias ao bom convívio das formiguinhas, como dizia o exterminador do futuro, Carolino “Bodegueiro” Eufrasiano, “elas só se concretizam de três maneiras, quando não atrapalham os bosses e as coitadas das formigas precisam de um estímulo pra continuar crendo no sistema, ou quando os que financiam os políticos as necessitam, como um vaso sanitário precisa de uma boa descarga, e finalmente quando os bosses arrotam que é imprescindível para o próprio sistema (deles) sobreviver”.
Na verdade gosto mesmo de me ater às formiguinhas humanas desgraçadas, passivas e conformadas, ou bobos alegres das quais faço parte, bem como nossos chefes, os bosses boçais, que tem o dom de “controlar e manipular a situação”, seja ela qual for. Estes boçais já são formigas maiores, tipo saúva, com ambição desmedida e desprovidos de escrúpulos, que ao lado de seus cupinchas – de nível inferior e sem dinheiro-, realizam atividades que geram cobras e lagartos e que se multiplicam feito inço, gerando um retrocesso que pode ser constatado a olho nu na nossa sociedade. E nós, os bobos, somos felizes mesmo, como quando Cabral distribuiu espelhos para nossos antepassados, ou quando pinta o carnaval ou ainda quando um botocudo qualquer do “reality” fica, sai ou sei lá. Nessa trama global, multinacional e multi irracional, tomei ciência de mais uma faceta desse nosso circo, que pode até gerar empregos neste nosso “ingênuo formigueiro”, e que por isso talvez agrade ao globo.
Tem a ver com a viagem que nosso conterrâneo, Aládio “Bisnaguinha” Aiousilver fez em 2009 à Itália, acompanhando a dupla Bordô & Bordoada e o grupo “Múmias Depravadas”, que faziam uma turnê pela zona do meretrício italiana, tendo à frente Agnes Sexibolt, que enquanto canta, encanta a plateia com strip-teases melancólicos, góticos e líricos. Além das apresentações, Sexibolt ministrou cursos às italianas do ramo, contratada pelo empresário Stefanho Cannellonione, para atualizar e ter seu plantel a alguns strips à frente dos concorrentes. As múmias fazem um axé contornante e retornante tipo fall in love again, com ou sem borda de catupiri e letras saudando a democracia no Brasil. Desta vez o relato vem através de Elíptio Cuia, entregador de pizza do maestro Arquivo Morto e irmão da falecida esposa de Aiousilver, Darlene Marlene. Ele conta que lá fora a coisa toda saiu de controle, com as múmias realizando todas as suas fantasias em italiano. Num determinado dia Aiou foi assistir a um velho sonho seu, uma legítima ópera flaneloni com tudo à que tinha direito, vestido de pingüim, fumando finos charutos paraguaios de U$1000,00, manteiga vegetal light nos cabelos, meias térmicas da polinésia, mariolas da Indonésia e luvas de box de Cassius Clay, arrematadas num leilão de Leila Pujante, brasileira radicada há dois trimestres em Roma, numa quebrada. O camarote para ele e Sexibolt foi obtido por um cambista brasileiro, o bacana Silvanione, também radicado ali há quase dois bimestres. A coisa rolava legal, com Sexibolt vestindo trajes indígenas usados em antigos faroestes italianos, também arrematados com a Leila, quando por uma fresta Silver divisou no camarote ao lado alguns italianos da gema excitados, assistindo num telão a um filme pornô-zão. Ele sacou seu pé de cabra folheado em ouro, idem no Leilalão e abriu mais a fresta, testemunhando uma comunhão inédita, o filme dando tudo e ao fundo aquela maviosa trilha operística, com baixos, barítonos, tenores, contraltos, mezzos e sopranos no recadão. Como ressaltou Cuia, “que noite irada, Aiou estava embevecido em barris de carvalho”, enquanto Sexibolt tratava de se atualizar com as novidades da película.
No retorno ao Brasil, conforme Elíptio, Aiou reuniu-se com Casquinha de Siri e expôs seu plano, registrando em seguida no Marcas com Latrinas & Patentes sua ideia genial, com os nomes de Pornópera e Pornomusicão, unindo o visual frenético sexual, baderno e mocorábico ao som das óperas, talvez até universitárias, pois Casca vai acionar Valdir Bom Pastel. Com isso ele cria o Núcleo Educare Pró Pornópera de Mato Sem Cachorro, inicialmente estabelecendo um patamar de quinze filmes, com seus dois filhos, Lucho “Kacetete” e Catraca “Flika” Aiousilver alternando-se nos seus papeis principais, com locação no zoológico local, com figurantes e acessórios compatíveis para as finalidades requeridas. Os roteiros desses quinze filmes estarão baseados em um já existente, o thriller de terror “Fuga para Groselha” de Bom Pastel, onde a cidade vizinha de Framboesa possui 99% da sua população corrupta, dois lobisomens liberais, dois serial killers românticos, duas bruxas progressistas e três apresentadores da MTViva. Assim o 1% restante foge para Groselha levando todos seus pertences, sendo conduzidos pelos heróis Moisés Kid e Sapecos Bill. O roteiro de Pastel deixa claro que a turma em fuga já está farta da Framboesa.
Estes filmes terão um incremento na movimentação cênica, com a porno-atividade dos atores agregando um plus com a coreografia porno axé-ballett de Rodabella Gatilho. Isso proporciona um dinamismo maior nas cenas, com os protagonistas executando as suas tarefas sexuais normais, mais as movimentações extras determinadas por Gatilho e simultaneamente dublando suas deixas da ópera universitária, com garra e sentimento, para uma pós-produção do vocal definitivo no estúdio. Estes incrementos devem valorizar e estimular produções desse gênero, visto que muitas delas caem numa mesmice mecânica, carecendo de mais criatividade e emoção. Conforme Elíptio, Aiousilver tem a sensibilidade necessária para criar um produto novo, possivelmente agradando ao velho mundo pelas óperas tipo pedra lascada e o sexo tirando lasca made in Brazil. Para a interpretação visual temos a barata mão e o resto de obra tupiniquim abundante, nas cantorias uma voz guia para cada faixa, fazendo as alterações e correções necessárias no estúdio Caphim Level, de Yochan Caphim. Aiou escalou para baixo e barítono a dupla Buda & Peste, que no momento faz um sertanejaulês robocop big brother, para tenor o duo Visita & Parasita que assina um prontuário musical tipo nejaserta transmigraseccional composto universitário. Para contralto, mezzo e soprano Agnes Sexibolt, que sabe tudo, pois há cinco anos transa com as múmias.
A intenção futura do clã Aiousilver é lançar novelas nessa linha, a pornovelópera, pois segundo eles nossas crianças, adolescentes e o público em geral já estão plenamente preparados para agüentar qualquer tranco, tendo em vista o que passa e o que vem por aí na famigerada telinha. O padrão de qualidade para a Pornópera é similar ao empregado pela família nas suas demais empresas, como a Empreiteraiou dirigida por Welmo, o “Bisnaguinha II”. Nela eles criaram um composto para construções, as Aioumelecas Estruturais, que misturadas ao cuspe humano - usado como catalizador -, substitui com vantagem as massas feitas com cimento, além de custarem a metade e terem a garantia do clã. Desta forma e com apoio de uma verba substancial, eles pretendem cultivar a marca e a qualidade Pornópera, levando-a aos mais longínquos rincões deste globo, agora plenamente globalizado, matando a galinha na china e entregando a carne na Inglaterra abaixo do preço, e a ossada polida vindo para a brazuca, em troca de laranjas frescas e couro cru. Sempre para o deleite das conformadas, porém ávidas por novidades banais, formiguinhas humanas. (Luiz Carlos Peretto – Jam Sons Raros – 23 / 04 / 2010)
O nosso lixo musical já está em outro planeta
No mês de setembro deste ano em curso, um fato estava me preocupando, não sabendo se era real, fantasioso ou até perigoso. Segundo o maestro Anuvio Vulgares, eram contatos imediatos de alguns graus, através do computador, pois alguém ou algo tentava obter informações musicais, revelando pouco conhecimento da matéria. Os e-mails eram originários do Canadá e a língua, o portugalês. Respondi a todos os questionamentos, até por temer alguma represália. Anuvio Vulgares também estuda fenômenos para-normais, para-escassos e para-volumosos, dentro de uma normalidade de 20 bits, além de três dimensões paralelas, as quais ele as denomina de Huguinho, Luizinho e Zezinho e duas perpendiculares, a Batman e Robin, seus ídolos. Relatando-lhe as condições e o perfil do “contato”, Anuvio concluiu que poderia ser da dimensão perpendicular Batman ou então de algum outro planeta do sistema solar, especialmente pela linguagem, observada em outros casos. Algo semelhante havia acontecido com Viviane “Vivi” Aspargos, filha do contador de anedotas Viviano “Vivo” Aspargos. Anuvio tentou auxiliar Vivi, porém nada ficou esclarecido. Neste caso o ser, via internet. cobrava dela seus conhecimentos sobre calcinhas, marcas, tipo de material, formas e formatos e sua experiência no uso diário. Anuvio em princípio pendeu para um ser extraterrestre, porém depois que Vivi sofreu três tentativas de estupro, ele tendeu a concluir ser da dimensão Zezinho, normalmente mais ousados e violentos que as outras.
O cara do contato pela internet me chamava de gajo Luiz e eu o chamarei de Sr. H para efeito das perigosas descrições que se seguem. Ele questionou sobre Rolling Stones, Daniel, Pink Floyd, Dirty Harry, NX0, Van Morrison, Sapos Arrogantes, Miles Davis, Tarzan, Banho & Tosa, Beatles, Paulinha Meejastes & Timothy Hutton, Helter Skelter, Brad Pitt, Sherlock Holmes, Índio Bráulio e por ai afora. Eu disse que ele deveria separar músicos de atores, figuras reais das criadas e principalmente o joio do trigo. Também lhe disse que nem tudo que fazem em termos musicais é ruim, existe um pequeno percentual ótimo e superior, mas só com tempo, indicações isentas, audições continuadas e comparativas poderemos realmente chegar no sumo, na qualidade superior, mandando pra “juta que dario” o resto. Driblando assim os inúmeros artifícios de que as produções das “coisas medíocres no cerne” se valem.
Outros questionamentos vieram, mas criei coragem e perguntei ao Sr. H de onde conhecia Índio Bráulio. Relatou que junto com alguns gajos e raparigas, no ano solar de 250.432 DB, quando sua nave havia pousado próximo a um lugarejo chamado Campos Quase Verdes, detectaram o anúncio de um evento nativo, “Não percam Xafurdaço – a maior festa sub / under / baixaria do planeta”. Como descreve H, as raparigas principalmente ficaram “exercitadas” com aquele cartaz, tratando de ver como seriam os nativos do local, que foram monitorados pelo circuito interplanetário fechado da nave. Então todos se vestiram a caráter e foram ter com o tal Xafurdaço. Segundo H não foi difícil se misturar com a multidão, que parecia enfurecida, brigando, quebrando e tomando líquidos com cores estranhas, que os estavam deixando ainda mais fora de controle. Alcançaram um palanque, em cuja volta 32.535 nativos dançavam, contagem esta feita, conforme H, pelo instrumento chamado Nativômetro. Na chegada deles, uma tal de Ivete com o microfone soltava frases insossas e grupos de vogais conforme acusou o instrumento Alfabetímetro Intergaláctico, com os nativos pulando e chacoalhando conforme era o desejo e as ordens da tal. Aqui cabe um parêntese nessa narração,pois minhas preocupações aumentaram ao me deparar com as palavras nave, ano solar, posado,
nativos e os instrumentos, reiterando que essa descrição é uma tradução da original, em portugalês, onde tive a colaboração do professor de linguística Osnino Semântica. Fico temeroso, tomo fôlego e sigo narrando: depois da tal, surgiu o gajo Índio Bráulio, baixinho e petulante, com a banda Ancestrais Chapados, segundo H causando um alvoroço nos presentes. Os Chapados tinham um músico que duelava com Bráulio nos vocais e solava surrando sua guitarra, conhecido como Touro Agachado. Esse desempenho causava reações diversas na plateia como indignação, raiva e até adoração, diferente da anterior onde a letargia, o conformismo e a necessidade de fazer tudo igual aos outros era a tônica. H consultou um vizinho da plateia, que revelava cultuar Índio e os seus Ancestrais, sobre o som que eles estavam realizando. A resposta foi taxativa, “é um axé / punk / rockfeller!” Naquela mesma noite H ressaltou que gostou muito da dupla Ponta de Estoque & Ponta de Areia e dos grupos Panquecas Selvagens, Babacas Personalistas e Bacilos Empoados.
Conforme Vulgares, os Ancestrais Chapados foram os pioneiros em relançar o chapéu tipo três mosqueteiros, com um penacho colorido na ponta. Hoje isso é comum, inclusive nas novelas, programas de entrevistas e em eventos sociais, segundo alguns parentes meus. Vulgares, verificando em alguns filmes como Guerra nas Estrelas e Jornada nas Estrelas, trocando e-mails com ufólogos, além de estar saindo com uma astróloga formada, constatou que o ano solar fornecido pelo Sr. H corresponde a 2007 no nosso calendário. Ele também conversou com alguns cidadãos quase verdenses, que revelaram alguns fatos inusitados naquele Xafurdaço, como a TV a cabo não sintonizar, os celulares não conectavam os números pares, os guarda chuvas abriam por conta, a maré de sorte baixou, os passarinhos cantavam mais graves, os aparelhos de ar condicionado operavam com 3,5 graus a menos que o normal, o cacetinho dos padeiros crescia menos e nenhuma mulher quase verdense menstruou naqueles três dias fatídicos. O dado mais assustador, 50 pessoas que em 2007 completavam 35 anos desapareceram por dois meses, no retorno afirmaram ter passado esse tempo num belo gramado azul, entre
centenas de cervos com a camiseta do Flamengo, ordenhando vacas com olhos verdes. Entre eles Índio Bráulio - numa próxima oportunidade abordarei sua volta - que pela descrição de Vulgares, veio um pouco mais fora de controle.
Em fim de outubro ocorreu o último contato com o Sr. H, por e-mail, quando ele me fez alguns questionamentos que reputo interessantes, mas um tanto quanto controversos, difíceis de serem respondidos. Então me desculpei por sentir-me incapacitado de responde-las, talvez por isso nunca mais tenha me retornado. Vou deixar as questões do H, para os que por ventura lerem este texto, possam refletir e tê-las na ponta da língua, caso uma situação idêntica ocorra: Será que o Bonsai? Por que a lei de diretrizes orçamentárias mudou a direção? O manto continua sagrado? Por que o antônimo de sinônimo é antônimo? Aquele sapatinho era mesmo da Cinderela? Se chove no molhado é preciso secar? (Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-25/10/2009)
Tributo ao Ventilador
Nestes anos todos, ouvindo e tendo a música como “indispensável para uma vida saudável” tenho que confessar, um artifício dos produtores musicais tornou-se claro para mim nos anos 90, especialmente como negócio bom para todos os lados, menos para um. O Tributo. Usei a palavra artifício, pois é assim que enquadro este negócio que visa satisfazer e melhorar a vida de três dos quatro participantes ativos desta jogada. Ele pré-supõe a admiração de um indivíduo ou grupo por outro ou outros, sendo que desta admiração brotará uma homenagem aos criadores e/ou primeiros executores da obra. Não quero generalizar, pois existem alguns tributos muito bons, porém sempre valorizo mais o original, pela obra ter nascido dele, com seus sentimentos, feeling, bagagem de vida, inspiração e tudo mais que compõe e motiva uma criação. Sempre existiu o “cover”, ou uma nova versão de músicas e o próprio tributo, mas de forma esporádica e de acordo com a normalidade do mercado. Então no início dos anos 90, o volume deles não parou mais de crescer, com centenas revelando muitos homenageados sem o devido estofo para tanto e milhares de homenageantes, sem a mínima aptidão para colorir obras de outros, muito menos para criar algo relevante. O resultado disso quase sempre deixa o que já era limitado mais pobre ainda, porém aparentemente diferente. Este esquema compreende dois componentes distintos de artistas, necessitados de alguma coisa, como dinheiro ( por exemplo), para isso precisando que um deles, o esquecido retorne a cena “por cima” e o novo, surja de cara com o carimbo de alguém de peso, interpretando algo que já passou pelo crivo dos “experts”. O terceiro componente é o produtor/ empresário, sempre necessitado, que fará o enlace ou contrato entre os dois artistas e ele próprio, estabelecendo regras, prazos, ganhos, mídias e administrando recursos. Na medida em que o produto estiver pronto e divulgado, surgirá o quarto participante, até aí sem saber da trama, porém sendo o alvo desde o princípio dela, o consumidor. Ele adquire a velha obra com pintura nova, respaldando o negócio. Surgiram novas gravadoras, cheias de amor e tributos assim como as velhas de guerra, não deixando barato pro consumidor, ejetando um leque grande de produtos, com pouco ou nada a ver com arte.
Essa conversa toda para narrar algo novo que está surgindo com fins pecuniários, visando ganhos em médio prazo no setor musical e a longo no político. Desta vez os nomes verdadeiros serão substituídos, por considerarmos esta uma situação perigosa. Então Rolph Marreca será o personagem principal e o Agente 008 o narrador das ações, que deverão desencadear em possíveis eventos futuros. Vamos a explanação do 008: “um partido político de expressão estará lançando Rolph Merreca a nível nacional para 2012, e para tanto fará com que ele trilhe um caminho cheio de realizações e feitos até lá. Tudo vai começar com um projeto audacioso dele e de Paul de Arake, da Arake Records. A ideia é atacar pra valer nos tributos, porém não em cima de astros ou compositores passados, mas sim às facilidades do mundo moderno, que nos auxiliam a vencer com galhardia o dia a dia. Uma triagem profunda na nossa música, localizará canções que fazem referências a essa utilidades, juntando-as em álbuns individuais sobre cada um desses temas”.
Segue 008, “Paul de Arake já tomou as devidas providências quanto aos direitos autorais e outras formalidades desse meio, a seleção das bandas está em fase final, para podermos disparar os novos trabalhos. Em princípio serão cinco álbuns, prestando o devido tributo aos seguintes utensílios: Ventilador, Comprimido para dor de cabeça, Panela de pressão, Celular com máquina fotográfica e Fralda
descartável. De Arake já está com a demo do Ventilador praticamente concluído, com a participação de duas bandas americanas, a Stupid Ghosts e a Sense of Ridiculous, cantando num portingles do meio oeste, pois lá no Tio Sam eles também estão se trombando. São 20 bandas abordando o tema, alternando entre os estilos “the Flash emo core” e “constranger rock”, que em dois estados of USA já estão fazendo um enorme sucesso. Nestes dois estilos Arake quer ser o precursor no nosso país. O the Flash é tão rápido que as notas musicais dos versos posteriores são atropeladas pelas anteriores, exigindo do vocalista uma destreza ímpar, tendo que ter língua e mandíbula extremamente ágeis e velozes. Já o constranger rock é aquele na qual o compositor hesita em falar tudo, tem pudor, não querendo magoar ninguém. Não tem a verticalidade do rock normal, gerando letras longas, que pouco ou quase nada dizem, porém são sensíveis e simpáticas. Toda a produção, seleção dos grupos, escolha do repertório será atribuída ao Merreca, visando seu futuro envolvimento na política, sendo que ele realmente apenas atua como vocalista nos Trouxas Esquizofrênicos, que tem no rock constrangido seu ponto alto, também adequado aos seus futuros discursos.”
E 008 segue, “Paul de Arake vai lançar num dos outros tributos uma dupla feminina de sertanejo, comum nos anos 60 e 70 e quase inexistente nos dias de hoje. Trata-se de Ogiva & Gengiva, esposas da dupla Polido & Visceral, que cantam e encantam nos barzinhos da Guanabara, ressaltando temas como a indolência, a gula, o tele marketing e a novela das oito. De Arake me confidenciou que vai investir o necessário nelas, pois tem uma queda absurda por Gengiva. Paul tem uma estrutura fenomenal, pois ele é o sócio majoritário da AEISA (Ajuda a Estabelecer Incompetentes SA). Esta auxilia a implementar empresas novas, sendo requisitados normalmente pelo financiador do incompetente (pai, esposa, marido, irmão, avô), que sente a fria na véspera e precisa de algum respaldo ou ombro amigo remunerado. De 1998 até os dias de hoje, Arake e seus comandados participaram de quase quatro mil empreendimentos com este perfil,
cobrando quantias condizentes com o trabalho e dando garantia de 18 meses sobre o serviço, ou seja, sem falência nem empréstimos neste período. ”
“Foi de Arake que veio o financiamento para o livro do religioso Vermy Barroso, “O livro das verdades” que originou em mais uma seita religiosa, “A verdade está lá fora”, tendo como bordão principal “Todos somos pecadores e telespectadores”. O cálculo do dízimo mensal é feito com esta equação: bens do doador + no. de herdeiros + no. de dádivas recebidas, sendo este total dividido pelo no. de verdades no coração de Vermy no dia do pagamento. O dinheiro arrecadado por Vermy e De Arake, em dois anos possibilitou a construção de hotéis luxuosos em paraísos fiscais e o financiamento para o filme que Emma Thomas Doy produziu aqui no Brasil, “O Silêncio dos Culpados”. Uma espécie de colagem ou seqüência não autorizada do grande sucesso mundial, tendo no papel principal Meritória Bráulio, irmã mais nova do musicista Índio Bráulio. Este filme causou polêmica entre os críticos, considerando o enredo confuso, com cenas misturando terror, pastelão, pegas de carros e cenas românticas tipo Love Story. Trilha sonora original de Enio Loreno Makeniti e Almir Bom Pastel”, concluiu 008 para as 9.
Hoje em dia não aturo mais esses tributos, dificilmente consigo ouvir algo assim. Há alguns anos atrás presenciei na TV parte de um deles, à Elis Regina, que considero nossa melhor cantora popular e com o repertório de mais nível que este país já ouviu, rivalizando com as melhores lá de fora. Bem, uma rede de TV prestou o tal do tributo, colocando uma patota desqualificada, que lhes convinha no momento, a “interpretar” músicas nas quais Elis havia deixado sua marca indelével. A coisa foi muito feia. Como me considero um cara chato, desliguei a TV e fui conversar com o meu cachorro.(Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-5/8/2009)
Xafurdaço
Vivemos num país maroto e irresponsável, com muitas riquezas naturais, um povo dócil e acomodado, que apenas quer viver da forma mais normal e natural, penso eu. Porém contrastes, fragilidades e distorções imensas na estrutura social e política, conspiram contra as aspirações da galera povão, como a falta de cultura e a manutenção dela da forma mais vil pelo sistema, para eternamente alguns usufruírem disso. De outro lado, na sua elite financeira que predomina, uma voracidade pela moeda, não deixando nada para ninguém, mesmo que esses “ninguéns” roubem e matem. É a clássica concentração de renda progressiva, se essas pessoas pudessem, deixariam o resto da população sem nada, só pra curtirem mais ainda a moeda. Essa situação prolongada por décadas, provoca a busca somente pelas necessidades primárias e urgentes, e por que ninguém é de ferro, por alguns brinquedinhos, ou espelhinhos, como Cabral ofertou aos nossos índios. Esses transportados para os dias de hoje seriam os celulares, mp43, carro do próximo ano, máquinas fotográficas digitais, CD’s de celebridades babacas, internet, roupas da moda, laptops, pager, miçangas, mil acessórios para tudo, que entretém as pessoas, sem faze-las progredirem financeira e culturalmente. Sempre aquele excesso de dados, músicas, fotos, informação, conversas e bagulhos, a maioria sem nenhuma utilidade, confundindo, desviando e comprando deles. E todos esses espelhinhos são criados e vendidos por aquele pequeno grupo, que se encarrega de concentrar nossa renda. E eles incrivelmente são perecíveis, pois já estão com outros mais modernos e/ou fashion nas mangas, visando nossos futuros reais. Não nego que essas tralhas possuem algumas utilidades e até divertem, assim como o espelho, que permite à madame e ao cavalheiro revisarem suas cabeleiras e bigodes. Porém existem coisas muito mais importantes e essenciais na vida, que dançar dia após dia em torno de entretenimentos, disparando o suado salário alegremente, como se fossem foguetes no São João. As tralhas são apenas paliativos, que alguns dias depois serão substituídos, renovando a sensação incrível de comprar (?) qualquer coisa. Como ter equilíbrio e bom senso se não sabemos discernir as necessidades necessárias, das fomentadas pelo mundo mágico da mídia no dia a dia, sob a chancela dos concentradores de renda para si.
conversa toda para relatar um modo diferente da elite de uma cidade faturar, porém prestando um favorzinho aos demais, que ficam com as migalhas, se cumprirem seu papel. O relato vem do Almirante Nelson, roadie dos Bananas Invisíveis e produtor dos Vasos Comunicantes Inibidos, tendo este apelido por sua semelhança com o ator do seriado Viagem Submarina. O fato ocorre na cidade de Campos Quase Verdes, próximo a Mato Sem Cachorro, conforme o Almirante passa a narrar: “como Verdes não possui nenhuma riqueza natural, nem seu povo tem pendores artísticos marcantes, tipo artesanato ou doces, eles aproveitaram a primeira grande chance desde sua emancipação, no dia do peixe em 1985. Tudo começou quando os afiliados dos hooligans, moradores da vizinha cidade Fonte Sinai, os visitavam em bando, para usufruírem na marra das regalias e belezas naturais humanas da cidade, bebendo todas e quebrando tudo que aparecesse pela frente. No fim de cada bagunça, o prefeito Alexandre Berro parlamentava com o grupo destruidor, que estava pra lá de marrakesh, conseguindo uma indenização bem acima do valor real da destruição. Os brasilien hooligans tinham receio da repercussão com seus pais ricos e da
ameaça de encaminhá-los às autoridades estaduais. A cada visita o lucro aumentava, assim como a baderna. Numa reunião ordinária na prefeitura, antes da páscoa, o estafeta Michael Jackson Prince Kravitz exclamou, perante alguns dignos membros da sociedade, “já estou aguardando ansioso o próximo chafurdaço”. Imediatamente as feições do prefeito Berro se iluminaram, seguido de um berro agudo. Ele havia vislumbrado o lance todo na sua frente, nascendo assim o “Xafurdaço”, com X de vamos ganhar alguns X’s e tirar o pé das M’s. Então a partir de 2002 o sistema foi montado pela elite da cidade, visando aumentar as receitas do município e as suas, com forte divulgação nas empresas de turismo nacionais e internacionais. Atrações similares as de um carnaval, somadas a algumas especiais, que bem conheciam e temiam os cidadãos quaseverdenses.
Através dos anos, o evento ficou em cima do trinômio arruaça, prostituição e bebedeiras. No quesito arruaça são famosos os quebra-quebras em locais pré-montados, brigas em bares tipo chaparral e bonanza, com a direção de cineastas consagrados. Bebedeiras em locais próprios, tipo currais, com muito feno e areia. No que diz respeito à prostituição, sempre em alto nível, com todas as mulheres, travestis e homens da região sendo incentivados a participarem, recebendo de acordo com o desempenho, isenção fiscal de IPTU, ISQN e coleta do lixo. Conforme as atuações dos munícipes, medalhas e mimos para os abnegados, entregue em evento posterior no anfiteatro da cidade, pelo vice-prefeito Fernando Sussurro. Outra pessoa importante no sistema, Emílio Caminho de Santiago, o responsável pela triagem dos munícipes que optarem em participar das pancadarias, fazendo a distinção e o devido treinamento dos que vão bater, daqueles que irão somente apanhar, satisfazendo os visitantes. Quanto à ordem e aos bons costumes, o controle sempre esteve a cargo do disciplinador Sargento Sarjeta, que dizem à boca pequena, tem instruções para atirar nos nativos desordeiros e usar seu charme e poder de persuasão com os visitantes. Além disso, o treinamento de um grupo de monitores, escoteiros e lobinhos, para solucionar as dúvidas dos visitantes, desde qual o melhor vinho ou prato típico, passando por onde se pode apanhar ou bater com qualidade, até
receitas sado góticas neo masoquistas modernas. Cursos intensivos de lutas corporais, tipo Batman e Robin, desarmamento de bombas, de como cavalgar feito Zorro e John Wayne, escalar muros e penhascos tal e qual o Homem Aranha, etc.
Os grupos Trapizonga Farenheit Special, do inglês Sam Pilla e os Walquírios de Xerox Holmes, todos os anos são os responsáveis pela animação das festas, assim como o DJ Liebe Augustin. Nestas, as bebedeiras de graus 9 e 10 são proibidas, ao contrário do restante do evento, onde a satisfação de gastar e beber não tem limite. Os borrachos que as atingirem, serão capturados pela equipe do Sarjeta, sendo seu porre curado por um grupo de monitoras loiras e morenas. O custo será debitado no cartão de crédito do infrator. O ponto alto do Xafurdaço é o Sopão Erótico, que angaria fundos para o comitê local da Paris Hilton Pró-Infelizes Club. Este tem no comando a primeira dama do município, Cândida Berro e a vice Audível Sussurro. O cheff, Mr. Veiga Dolarbelo, todos os anos altera e surpreende com novos ingredientes no sopão, como brócolis, alfafa, coxões, peitinhos, levando sempre em torno de 30 mil aficionados à loucura. Em 2008 houve uma afluência maciça de celebridades globais, ao ponto de algumas cenas de novelas serem encenadas no palco móvel do sopão, levando emoção à galera povão. Aproveitando o momento, chiques sombreros mexicanos coletaram óbolos dos assistentes, destinando parte aos globais para reforçar seus proventos e o restante para o Paris Hilton Pro-Infelizes Club. A principal atração no sopão fica por conta da indumentária dos 30 mil glutões, sendo obrigatório meia casca de coco ou moranga para os homens, três penas de pavão para as mulheres e um tubo do spray desodorizador “O Ligadão – para corpos expostos”, da Pereira Cosmetics . Tudo isso, mais o sopão, com o custo total de 300 US / pessoa.” Almirante concluiu seu relato laconicamente, revelando que a galera elite local faz a festa para quem a visita e consome, e a galera povão faz o serviço sujo, ficando com as migalhas do bolo, depois das moscas. E uma foto digital da Paris. (Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-3/3/2009)
Ghotic Axé Forever
Depois de oito meses de silêncio, recebo uma carta de Casquinha de Siri Novaes, relatando mais uma jogada de mestre em que ele está se metendo. Neste ele tem a companhia de dois americanos residentes há oito anos no nosso país, com experiências no mundo fonográfico, pois um deles era ajudante de limpeza no estúdio onde a Britney foi forjada e o outro, seus pais participaram do woodstock como assistentes e o conceberam ali mesmo. Casquinha, pela forma de se expressar no e-mail, denota uma euforia incomum, muita confiança nos dois gringos e com a verba necessária na mão, para transformar novamente sonhos em realidade, ou pesadelo, que faz parte de qualquer negócio. Segue o relato:
“Satisfação por falar com o senhor novamente, precisamos conversar sobre os rumos da nossa música, como daquela vez em Porto Periclitante, no Festival Bi-anual das Cucas, quando Índio Bráulio e os Vermes Saudáveis arrasaram e nós ficamos completamente enfarados com as cucas espaciais da Jack Nicholson Cake. Mas vamos ao que interessa, venho lhe expor sobre mudanças e novos rumos na brava música tupiniquim, a partir de sugestões de dois americanos que conheci nos bastidores do show dos Cornos Lúgubres, “Mata o pau e mostra a cobra”. Trata-se de Richard “Mococa” Distramberlain e Elvis “Mico” Sinatra, cujo papo me enfeitiçou. Eles alertaram sobre um problema que pode estourar logo adiante, pois o axé já está há 15 anos entre nós, catapultado nos anos 90 para todo o país, chacoalhando a moçada esse tempo todo, nem sei como ainda aguentam. Estamos com receio de que ele desapareça, substituído por um chochum, ou bumbumpum, ou ainda por derivativos como xuxaxé, ou xulézé(axé do xulé do Zé), inviabilizando o bem bom que são as receitas. No meu, tal queda arderia em 60% do que percebo atualmente. Os dois gringos estão propondo uma rejuvenescida nele, agregando novos elementos, alterando o antigo e caracterizando um “novo”, sem mexer no ritmo. Este é imutável, irrearranjável, sem discussão, pois a galera se perderia caso uma só batida fosse retirada ou acrescentada. Os gringos são visionários e trabalham à longo prazo. Para que continuemos faturando, por pelo menos mais 50 anos, eles bolaram novos formatos para o axé: o gótico, o resplandecente, new axé, neo axé e pós axé. Cada etapa durando em média dez anos. Na primeira delas, a gótica, a diferença estará nas letras, abordando temas como morte, abandono, abandono parcial com animais de estimação, solidão, consternação, almas vagando e estacionadas, dimensões paralelas desabitadas por falta de pagamento, destruição de jardins, playgrounds e canchas de bocha. Nas danças, a menina ao invés de usar os dois braços para cima, acenando, planta bananeira e agita as duas pernas freneticamente, enquanto seu parceiro de festa ou show faz malabarismos com um pé de cabra, símbolo do novo axé. A sugestão do pé é minha, e ele já estava sendo desenvolvido e testado pela holding do Pereira, acoplando ao seu corpo um celular, um pen drive e um recipiente para armazenar waffles, obtendo bons resultados também como taco de mini-golfe e vara de pescar. Para essa dança poderemos onerar os preços dos ingressos, pois o casal precisará de 2 m2 para que a movimentação surta efeito e seja notada, causando satisfação aos praticantes do estilo, possibilitando maior retorno para nós. O visual será totalmente preto, com muito piercing,
um mínimo de dez. O visual voltará ao colorido no axé resplandecente, sem os piercing e retornará ao preto com verde no new axé, e aos piercing. No neo axé, o verde abacate, sem os piercing e no pos axé, ainda estamos deliberando, porém com os piercing. A musa permanecerá a mesma das duas últimas décadas, pois a medicina avança mais rápido que o próprio axé, disponibilizando plásticas fantásticas, não valendo o investimento na confecção de nova personalidade. A musa se recicla e o povão solidário abraça”.
“Começaremos a mudança pelas beiradas, com o grupo Vera Anacrônica e os Grilos Ressabiados, letras de Almir Bom Pastel dentro da nossa proposta, sem investirmos muito, só lançando. O investimento total virá na figura de Hércules De Bulhões & Friends, um tenor fracassado das óperas e operetas, que irá fundo no axé gótico. A família De Bulhões é a maior fornecedora da banana moskouri, para os mercados do país. Nos Friends, que são seis, destaca-se a figura pitoresca de Peter Pinto, ator principal do filme “Três marmanjões e um baixinho, com um problema e três conflitos”. Pinto faz um soprano mascado tonitroante, lusco fusco. Ainda Lulu Papel de Bobo, ex Traseiros Infames, tocando um reco-reco com água boricada, mais o ex-político ranheta Gladimir Salve Simpatia nos back vocais e as dançarinas Magda Dada e Nakajii Xufisko. O sexto elemento do grupo é Georgineti Vez de Caminhar, descendente de família de fidalgos portugueses, radicados ao norte da Paraíba. Neti é andrógeno, transformista, transexual transponder, tri-sexual, gilete ambivalente tri dimensional, barbeador duas velocidades auto afiante e ex Safadinhas do Matagal, banda de um axéxório catupiri fogoso. Nos Friends passará a executar tarefas diferenciadas e estrambólicas no palco, como sinais de fumaça através de orifícios naturais, provas com cães, gatos e tigres adestrados e malabarismos escrafunchados e cintilantes com tarugos e assemelhados, para atrair o público teen e infantil. Neti é o maior colecionador mundial das cuecas do Village People. Ele arrematou 34 em leilões pela internet, gastando a fabulosa quantia de 250 mil dólares, da família De Bulhões. Entre as cuecas, destaca-se a usada por Ray, o lead do Villa, no histórico show de julho
de 1980, no Gayson Square Garden. Aqui as letras também serão de Almir Bom Pastel, um poeta bardo-brasileiro, que adora automóveis verdes e que transporta para suas letras as tristezas e revoltas de sua vida. Era vocal e letrista das Celebridades Anônimas, que fazia um rock tiro no pé, com climas tipo Alfred Hitchcock, onde Bom Pastel já demonstrava pendores incríveis para essas letras que fluem agora no axé gótico. Pouco a dizer de Hercules, o líder. Sujeito com carisma remendável, olhar arguto, semelhante aos comentaristas de tele jornais, tenor original com aquela batata no gogó, aparentando uma loucura platônica e um charme a óleo diesel. Aprendeu rapidamente a dançar o axé gótico, remexendo seu traseiro gordo ao lado das bundinhas descoladas das meninas. As seqüências de vogais características do axé estão bem ensaiadas, saindo com muito swingue de sua boca cheia de dentes, já com tratamento de canal. A intenção será cantar sempre em ditongo crescente”.
“O centro de inteligência do projeto “Axé Gótico” está a cargo de Bom Pastel, pois além das letras inteligentes, ele tem estofo para coordenar a mídia e filtrar o que deve ser dito ou escrito sobre este tema. Os dois americanos entram como consultores e arregimentadores de mão de obra feminina para as danças, pois na seqüência, conforme os resultados do De Bulhões, jogaremos de 160 a 185 grupos novos do estilo. Se cada um tem no mínimo duas meninas dançando, o trabalho deles será estafante e prazeroso, como ressaltaram Mico e Mococa. Aqui cabe um histórico da capacidade de Almir, ele com o irmão Silvio Bom Pastel, foram os responsáveis pelo merchandising do maior empreendimento turístico já realizado em Ventos Sopram, quando a cidade ficou conhecida mundialmente por sua Cloaca Afrodisíaca. Com a devida divulgação, ela passou a atrair curiosos e necessitados de todas as partes do mundo, inclusive com a comercialização de frascos caríssimos, com os odores característicos e mal cheirosos da Cloaca e o logotipo gravado em alto relevo do porquinho Simão, cheirando e demonstrando um misto de satisfação e desejo. Os irmãos Bons Pastéis foram condecorados pelo prefeito local, recebendo duas chaves da cidade, uma cadeira perpétua
no cinema da cidade e um mês grátis de zôo games, pelos inestimáveis serviços prestados”.
“Não fosse a necessidade premente de dinheiro, nunca estaríamos pensando no futuro, porém temos família e necessidades. Precisamos trocar de carro a cada ano, minha esposa Tainha Novaes ainda não conseguiu chegar num consenso sobre suas roupas, por isso gasta fortunas semanais atrás das ideais. Meus filhos, Neide Paramount, Adamastor Warner e Robin Twentieth Century Fox estão bem e é muito difícil dizer não para eles, assim também gasto bastante, pra não dizer os tubos de pvc. Portanto, gostaria de obter um parecer seu sobre o que estou lhe comunicando, pois não suportaria uma diminuição nos meus proventos, nem agora, nem daqui a 50 anos.” (Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-19/7/2009)
Vinde a nós, ó Patricinhas
Dia 29/08/2008, sexta feira chuvosa em Novo Hamburgo e recebo mais uma missiva do Casca de Siri,meu eterno quase amigo relatando mais diabruras econômicas/musicais/marketinianas. Ai vai, in natura:
“Venho por meio desta, eu 9/12 Avos Novaes, anunciar mais um plano para o nosso rebanho investidor, criar mais uma fonte de renda mensal com diversas nuances que poderão acrescer no montante. Trata-se do Clube Patisupimpa, especificamente para o segmento humano feminino denominado Patricinhas, de modo que estas possam se identificar e serem reconhecidas imediatamente, adoradas pelos outros, ou os demais. Este clube terá voz ativa na sociedede nacional, sua presidência será exercida por minha vizinha, Altiva Caradepau Badulaque III, que por motivos óbvios agirá como nossa frentista, pois possui experiência em vários condomínios, mestre de obras de 4 turmas de crochê alternativo, executiva do Sindicato dos Jovens Esteticistas Financeiros e diretora sênior do depto.de moral dos Guardalhões da Moral de Ventos Sopram.
Faremos parceria com 20 marcas das grandes, que terão além da mídia normal, preferência nas induções em geral. Essas marcas disponibilizarão além de seus produtos padrões, uma linha própria do clube criada por Brutus Cornelussem, sobrinho do cunhado de meu genro, onde fomentaremos a utilização pelas Patis de coturnos, cachimbos, charutos, desentupidores de pias portáteis, luvas para goleiras e box, sombrinha com celular e chave inglesa, caneleiras, bigornas em várias cores, tornos práticos e femininos, indumentárias bacanas para ordenhar vacas, extirpadores de meleca nasal à laser, etc. Incentivaremos esportes radicais como cabo de guerra, paraquedismo, salto em altura com jóias, alpinismo exotérico, sumô com tricô, rinha de pintinhos, 100 metros rasos atrás do porquinho, todos com as devidas roupas e acessórios caros para a prática. Teremos o credi-card Paticard Supimpa, dez chás caros, sete para emagrecer e três para não engordar e financiaremos a grife em parceria com a CrediFerrão. Mensalidade onerosa para fazermos frente aos investimentos, lucro razoável e afugentar os demais, que desqualificariam o clube, pois o que vale é a ostentação com sustentação financeira. O valor mensal será estipulado por nosso conselho financeiro e pedagógico, composto por cinco damas da sociedade com serviços prestados à causa. Uma governadora em cada estado e prefeitas nas cidades pólos, cada cargo contribuindo com mensalidade compatível e assim poderão encaminhar e destituir associadas a seu bel prazer, conforme as regras e normas constituídas na sociedade no que concerne à visual e comportamento.
Questionários e sugestões a pronta entrega, para que a Pati pressione e manipule o parceiro nas modalidades ficar, namorar, noivar e casar, com sugestões de ações jurídicas para sedimentar relações e ganhos futuros. Tabelas de posses mínimas exigíveis para os magrões usufruírem as Patis, em qualquer das situações de relacionamento citadas anteriormente. Tais como quantos carros possuem e quais as marcas, imóveis já quitados, contas em banco e no exterior e cargos que ocupam. Criaremos uma fundação de auxílio às Patis, que por motivos financeiros abandonaram a vida social, a Patiscomfort, doando o valor mensal correspondente ao IR, provando o valor social do clube e retornando algum para nossa empresa.
Na música Trajano Mocotó e Ilários Reverso, maestro e produtor respectivamente, encaminharão os grupos que serão os responsáveis em semear, alterar e fixar idéias. O principal, Pati’s Petulantes, vocal e instrumental exclusivamente feminino, fashion, ditando moda, induzindo e sugerindo comportamentos que desaguem em consumo. Para isso recrutamos uma banda masculina do primeiro time, a Abutres Desiludidos, visto que nenhuma das meninas selecionadas demonstrou aptidão para tocar baixo e guitarras (danifica as unhas e cria calos), bateria(força e suor em excesso), teclados(QI limitado) e vocal(talvez cantar), tivemos que resolver a questão de modo prático e moderno.Transformamos os Abutres em Patis maravilhosas e requintadas, cabelo chanel, depiladas, siliconizadas, anabolizadas e fono-audiolizadas. Os psicólogos Mentes Sadhia e Cérebro Exposto, trabalharam junto a eles conscientizando-os das suas novas personalidades, Patis radicais e assumidas, para que objetivos superiores sejam alcançados. O ex-Sapos Arrogantes, Trajeto Rombão, agora explorando um som eletrônico bien lounge daky, modernoso e mais lucrativo, será transformado na cantora bonitinha, simpática e que sabe o que quer, Quelly Quy-Naba, pronta a insinuar os produtos e idéias e a vender musiquinhas, no mesmo nível das que aí estão.
Ainda no setor sonoro, a novidade surgiu com Índio Bráulio, Tina Poisnão, esta um projeto de Pati, pois só lhe falta a verba e Verde Van Vilson, que vão atacar de trip-hop de barbearia. Este estilo surgiu quando Índio Bráulio, a caminho da Itália onde receberia um passe em italiano de Mamma Mia, parou em Sevilha para cortar o cabelo. Neste exato momento o barbeiro de Singapura visitava o barbeiro de Sevilha. Um fato estranho então ocorreu, um barbeiro cortou o cabelo do outro ao mesmo tempo e Bráulio, ouvindo o estalar das tesouras improvisou um baixo com suas bochechas e com seus pés chutava harmoniosa e compassadamente um arquivo de lata como percussão. Neste instante surgiu o trip-hop de barbearia, o qual foi desenvolvido por Bráulio e o barbeiro de Sevilha na semana seguinte. Bráulio voltou, reuniu-se com Tina e Verde e o projeto
decolou com Os Três Tenores Afônicos junto ao plano das Patis do Casca. Na real nenhum dos três canta nada, mas o trip de barbearia apenas requer climas tensos e extensos do tipo nada a ver, berros, uivos e gemidos e uma cozinha com algum swingue. “Atirei o pau no gato de botas sujas e fedorentas” é o álbum do grupo, na aquisição dele o sortudo ganha um número que proporciona concorrer a um closet inflável, reclinável com caixas de som 5.1, da marca Pereira.
Esse segmento humano, apesar das carrancas convencidas, possui a sabedoria milenar sobre beleza, classe e finesse e emprestam estas a lugares sombrios como casas de carnes, velórios, borracharias, cartórios, ambulatórios, delegacias, além de comprar e exibir roupas de marcas caras. Para destacar a sócia, crachá tridimensional. Cinquenta vezes a mensalidade, proporcionará a toda associada sua participação como modelo em qualquer desfile das marcas parceiras, conforme ordem de chegada. O Clube Patisupimpa terá centenas de personal: diet, reader, father, treiner, auto-ajuda, filósofo contemporâneo, TV orientador, persona non grata, guia espiritual, guia sexual, guia de auto-medicação, à disposição por poucas centenas de dólares.
Junto com Cervenel Melão de Lima Manjado, teremos um negócio de bichinhos alternativos de estimação, rompendo barreiras e inovando com terneiros, veados, sapos, guaxinins, cobras, codornas, lesmas, lagartos, bem treinados e afáveis para o deleite de figuras femininas exigentes. Cervenel é esposo de Mimi Manjado, executiva braço direito de Altiva na administração e RP para o bom andamento dos Pati-sistems. Manjado descende da família Extrumé, mais precisamente de Michél Extrumé, francês que veio para o nosso país em meados do Dia da Picanha, em 1913, construiu fortuna em Olinda onde teve que mudar seu nome, pois pelo que contam ela foi calcada em jogos de azar dos outros, extorsão e subornos. O nome escolhido foi o de Roberto Carlos Manjado, transferiu-se para o sul com a respectiva fortuna, teve filhos e Cervenel é o seu bisneto. A fortuna foi ampliada, inclusive por
Cervenel com os chamados negócios semi-honestos, sendo que cabia a Mimi trabalhar junto às entidades benefundacongpartidá para articular, filtrar e esquentar negócios e oportunidades até então não muito manjadas. Os três filhos, as meninas Cynara e Cybele e o garoto Cybeto, também participam nos negócios dos Manjados.
Na televisão Mimi Manjado e Brutus Cornelussem apresentarão “As Patis manjam”, com clips, shows e entrevistas somente de pessoas bonitas,caras e fashion ligadas ao projeto, ou que abasteceram a caixinha.Vamos concretizar um sonho antigo com a Expobulho SA, feira de produtos destinados a este público, com tralhas, bagulhos e coisinhas sem serventia para pessoas comuns, porém para elas.... Estamos falando de coisas maravilhosas e caras como suporte belga em prata para vaso gregoriano, escova com cerdas de camelo para cortinas finas, sabonete de marshmelow para unhas do dedo mindinho esquerdo, closet inflável, reclinável com caixas de som 5.1, suporte em mogno com encaixe para bigornas importadas, chapéus bufantes em tafetá para cachorrinhos e bebês, vergalhões em jacarandá para ornamentar pistas de equitação e canchas de tênis, e centenas de outras opções fenomenais.
Assim sendo, busco sócios para injetar numerário em mais esse esforço, que vai acrescentar no cenário nacional. Caso você tenha interesse de participar desse negócio, favor enviar R$50.000,00 pela filial da Credi-Ferrão aí do sul”. (Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-25/7/2007)
Casca's Book
Sirizinho está pensando em lançar um livro, contando principalmente suas experiências no mundo musical, visto que nos seus 18 anos como produtor/empresário passaram em torno de 26 mil artistas por suas mãos mágicas. Bandas, duplas, trios, solos, foram “trabalhados” por ele, com resultados dos mais diversos, misturando amor e ódio, alegrias e tristezas, ganhos e perdas de todo tipo. A intenção do Casca é colocar sua experiência e conhecimento para as novas gerações, além de como sempre faturar algum, nem que seja em cima de urina de molusco. Ele solicitou minha colaboração no sentido de criar atmosferas, dramatizar situações, ironizar um pouco, “pois ninguém é de ferro e você, depois daquela chamada de atenção parece que ficou mais sério e responsável” lasca Casca me deixando envaidecido.
Então vamos começar com algumas experiências, o Casca envia as histórias e eu tento dar um clima. Se ele aprovar, poderá transformar se em um livro, com estimativa para 725 capítulos e 4500 páginas de muita ação e principalmente história da música popular, pela qual ele nutre um apreço especial. Ele apenas solicitou que quando estivesse me referindo a ele(Casca), que o fizesse usando maiúsculo, pois Ele se considera muito bom no que faz e o país deve
muito a Ele, segundo Ele, Sua esposa e Seu cãozinho Otário.
Iniciamos com algumas histórias singelas, porém extremamente humanas e comoventes no relato do Siri: “no inverno de 1995 adentra em minha sala o contabilista Aristides Contamais, que possuía um escritório na outra quadra, contando que estava montando um grupo em cima de seus funcionários e do tenor pop Vilasboas McClusky. Tratava-se de “McClusky e os Fraudadores do IR”, com letras escritas pela dupla Juca Escapuleto e Phella Tangente e melodias celtas adaptadas ao emo. Não prestei muita atenção nas letras, elas me pareciam modernas e diferentes, então me associei na produção. Iniciamos uma turnê pelo interior de SP, tudo ia bem até que o juiz da comarca de Elocubrações Malévolas decretou a prisão preventiva de McClusky, por este estar incitando a insubordinação civil quanto aos impostos. McClusky corria pelo palco feito o sr. Jagger, ressaltando com caretas abomináveis a sonegação, meia nota, jeitinho brasileiro, compra de notas e subornos. Quando a coisa fedeu, Contamais e Eu viajamos para o Paraguai e nomeamos Fréderic Abapha como nosso advogado, oferecendo 5 salários mínimos mensais, por dois anos para McClusky assumir a autoria das letras sobre o IR. Assim este pegou 2 anos de trabalhos comunitários, bem longe dos palcos e os “Fraudadores do IR”, Escapuleto e Tangente foram contratados por uma financeira, sedenta por jeitinhos novos”.
No verão de 2001 Joana Kadas do “Joaninhas Obcekadas” me procurou para fazer a junção musical do seu grupo com o “Cornos Faceiros”, de Omelete Caçarola. A mescla exigia a fusão do rock de bermuda com o samba de roda, roda de bobo, roda de magnésio, axé piscante, funk mostardão, sertanejaulão, rock’n roll dos eletricitários e as belas cantigas dos enforcamentos no velho oeste. Convoquei o maestro Anúvio Vulgares como socorro nesta transition/fusion, pois as perspectivas financeiro-culturais pareciam tentadoras. Fomos para o estúdio Level Insuportável, do Nicolas Caiger, levamos os 12 músicos e tentamos por 15 dias extrair um som puro, dócil porém obcecado, faceiro mas nem tão corno. No décimo sexto dia surgiu a grande sacada, a magia de Joana, Omelete e Vulgaris fez surgir um maravilhoso bermuda piscante roda o mostardão dos eletricitários enforcados no jaulão, uma fusão
antológica e parasenoidal. Saímos do estúdio do Caiger, Vulgaris e Eu para comemorar a descoberta sonora. No dia seguinte voltamos ao local e constatamos uma tragédia dantesca, as Joaninhas haviam envenenado os Cornos, numa disputa pelas composições, lead vocal, lead guitar e lead opiniões. Cena final, Cornos enterrados, Joaninhas enjauladas e Vulgaris e Eu alcoólatras por duas semanas, com a lembrança daquela fusão mágica e o sucesso que poderia ter sido o grupo “Cornos Obcekados pelas Joaninhas Faceiras”.
“Com os “Lipídios Envernizados-Tintas Perenno”, no dia de “Graças à Ação” em 99, algo parecia estar mudando no cenário musical, com o patrocínio mais forte junto ao nome da banda. Neste caso Dr. Echarpe Perenno, diretor-presidente e fundador das Tintas Perenno participaria com mais efetividade e ingerência sobre repertório, aparições na mídia e vestimentas, estas sempre com o logo da empresa e ofertas do mês. Dr. Echarpe incidiu no primeiro grave erro quando colocou uma de suas amantes na banda, Carlotta Joaquinha,dizendo ser ela amante de Anúvio Vulgaris,um disfarce para a titular e as outras. Três funcionários de Perenno -Leco, Deco e Neco- participavam como músicos dos Envernizados e tinham affairs com Saja Justa Perenno, chilena, esposa de Echarpe. Á pedido de Carlotta foi incluído no projeto seu confessor, o padre Varcellos, popular “língua de sogra” como baixista, bem como o ex-maquinista de trem Dudu Schiavon Chama nos teclados e a própria esposa de Echarpe, Saja, já desconfiada de Joaquinha. Em seguida as esposas de Leco, Deco e Neco, sabendo dos esquemas também forçaram suas entradas nos Lipídios chantageando Saja Justa, mas tudo complicou mesmo quando as outras três amantes do Dr. Perenno, rodando a baiana entraram no grupo para sabe-se lá, fazerem o que. A esta altura o líder dos Lipídios, que não lembro mais quem era, estava ajoelhado no milho aos prantos, suplicando bom senso, quando o próprio Perenno determinou sua entrada efetiva na banda, num acesso de fúria. Tínhamos até então 15 elementos titulares nos
Envernizados e graves problemas de relacionamento a solucionar. Buscamos auxílio com Louvadeus Caneco, negociador da polícia e
dos bons para dirimir dúvidas e tentar tornar os Lipídios efetivos. Com o andar da carroça, as melancias foram se misturando e apodrecendo, após sete semanas o grupo já contava com 23 indivíduos, sem falar das amantes de Caneco e sua esposa. No final a Credi-Ferrão deu o tiro de misericórdia e comprou a Tintas Perenno, seu presidente Moustpha Di Ferrão limou todos da banda, exceto as 9 amantes e Saja Justa e montou a “Lipídias Envernizadas/TintasFerrão/CrediFerrão/Cell Ferrão”, quando saí fora desiludido, pois duas das minhas amantes também ficaram”.
“Na páscoa de 2003, o Capitão Colérico Manjericão me procurou. Ele havia abandonado o exército e estava retomando a carreira de vocalista punk, a qual abandonara em 82. Estava precisando de um grupo de apoio, com pegada e se possível com raiva do mundo, como ele. Eu lhe apresentei o de Índio Bráulio, os “Sem Refens”, os quais se metiam em pancadarias homéricas pois o prazer deles e de Bráulio era uma boa briga. Todos tinham passagens pela polícia e alguns até haviam cumprido pena, pois durante os shows provocavam o público, até que os mais indignados se dispunham ao confronto físico. Não mencionei estes fatos de forma precisa a Manjericão e ele adorou a garra deles quando os viu ensaiando. Chamou sua nova banda de “Capitão Manjericão e Os Desgostosos” e pediu que Eu os empresariasse. Por estar muito atarefado, passei a bola para Lady Stephanie, um ser andrógeno-empresário que conhecia os mundos e sub-mundos que ansiavam pela volúpia verbal de um Manjericão. No primeiro show em Contragosto do Sul, sala de teatro lotada por punks, hard-coreanos, 8 a 9 emos disfarçados, Manjericão vai detonando com suas letras político/racista/amoral/tarja preta. Paralelo a isso os antigos “Sem Refens” iniciam o processo de provocação para mais uma boa briga. As letras de Manjericão, combinadas com as provocações dos Desgostosos atiçaram de tal forma o público, que em 20 minutos o teatro transformou-se em uma
praça de guerra.O alvo principal da galera foi o Manjericão, microfone
na mão verborrageando, cabelos de peru em véspera de natal, correntes, pregos, arames e estanho pelo corpo, ele parecia um inquisidor da idade média, fora de si. Epílogo: Manjericão esfolado vivo e enterrado com honras militares e os “Desgostosos” se transformaram em “Os Gostosos”, passando a acompanhar o pessoal da axé music, principalmente Índio Bráulio, que a tudo assistiu.”
Na medida em que Casca for alcançando, vamos fazendo uma triagem e soltando as pérolas, prometendo mais sobre o Índio Bráulio. (Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-22/3/2008)
Criando moda
Tomei conhecimento de um fato ocorrido há três meses, que no mínimo demonstra interesse e boa vontade da sociedade em resolver seus problemas e os do nosso país. Os detalhes me foram passados pelo maestro Arquivo Morto, do clã dos Mortos do Vale Encantado da Serra, que faz divisa com Investimentos Saudáveis e com a belíssima cidade turística Aplicações Móveis. Encontrei Morto numa efeméride em Bom Jesus, onde ele me relatou que “participei de uma convenção em Ventos Sopram sobre os rumos da música brasileira, lá estavam pessoas do mais alto gabarito como o maestro Ambrósio Despachado, o musicólogo Assis Assado, o MC Liebe Augustin, DJ que mistura o rapp candonga e o funk mostardão com os explosivos ritmos alemães, foxtrot, valsa e polka. Ele foi o responsável pelo sucesso do Rapp do Inadimplente, que fez com que milhares de pessoas no Rio o entoassem em frente às imobiliárias, cartórios, fóruns e shoppings. Além deles Moustapha Di Ferrão da Credi-Ferrão, parceiro afetuoso de empreendimentos culturais do nosso país, Vital e sua moto agora com 750 cc, celular e pen-drive, Rodabella Gatilho, dançarina para 300 talheres e atualmente professora de danças tipo macabras , o antigo líder dos Sapos Arrogantes, Trajeto Rombão, além de inúmeras figurinhas carimbadas da nossa música que parece que dormem nos estúdios das televisões.”
E segue Morto, “estávamos buscando novos rumos para o setor musical, se nossas celebridades se sentem bem aqui e o que mais podemos fazer por elas e assim por diante. Quanto ao futuro do país não tenho bola de cristal, mas sempre soube que somos terceiro mundo, porque o primeiro e o segundo precisam disso, somos a casinha do cachorro, o quintal e a latrina do mundo, posição essa imutável financeira e culturalmente. Porém não custa lutar e tentar reverter, quando surge a palestra do Assis Assado fazendo um inventário dos caminhos já utilizados por nossos músicos e os de fora. Parecia que tudo já havia sido feito, quando Assado tem uma crise de arrotos, 15 a 20 em sequência que combinados com aumento de volume do dance/axé/pop-adulto “Mi casa, su casa, empretera casa”, que rolava ao fundo, incitou Rodabella Gatilho a dançar de forma frenética e sensual, num impulso incontrolável. Neste meio tempo, Rombão que havia ingerido refrigerantes gasosos corre pro palco e desanda a arrotar, o DJ Covarrasa, meu filho, tasca o Rapp do Inadimplente e a galera toda cai na farra. Foram 6 horas de festa com várias figuras da nossa música se revezando na arrotagem e discotecagem. Aquele 25 de maio ficou marcado nas nossas mentes e corações como o dia do Ficarroto”.
Morto levanta, pega mais um saco de amendoim torrado, reclama de uma obturação que caiu, volta à posição inicial e declara “é nestas situações que eu tiro o chapeu pro Casquinha de Siri. Já no dia 2 de junho ele funda o Conservatório Sinfonia de Arrotos e Afins de Ventos Sopram, chamando pra si a responsabilidade dessa nova descoberta musical e com isso a estrutura toda tem um novo gás. Todos os movimentos musicais atuais terão novas propostas, na medida que o estudo dessa forma de expressão se aprofundar, trazendo novo alento aos jovens que estão iniciando. Já se fala em arroto sustenido, escala arrotal, equivalência arrotal às notas musicais, tenorroto e sopranorroto e até em poesias especiais para quem utiliza
o arroto como arte. Casquinha já arregimentou no seu conservatório 20 turmas com 30 alunos cada, arrotando com sentimento e esperança num futuro promissor.”
Morto coça a cabeça, arregaça as mangas, solta um arroto em lá maior e ressuscita a conversa “o Casca já está trabalhando com bandas modernas utilizando o arroto como base e enfeite. O grupo
Mamão com Limão e Beterraba , Batata à Vapor e Carregador de Celular, que já fazia um axé avançado passou a realizar um rotaxé da melhor qualidade, a dupla Banho & Tosa também entrou no esquema com o arrotanejo, o qual além da modernidade economiza a confecção das letras, por demais surradas e batidas deste estilo. O Banho faz a primeira-rotovoz & Tosa a segunda-rotovoz, no rapp o próprio MC Liebe Augustin imediatamente se adaptou, talvez por dispensar os textos repetitivos, ele simplesmente adorou o rotorapp. No rock foi ainda mais fácil, o Casca com apenas 3 semanas arrotando arregimentou 25 bandas, estas sim mantendo as letras inspiradas e duelando-as com o arroto no que foi chamado de rotorockrooter. O projeto mais ambicioso está no setor do blues, com o grupo feminino Gatinhas Defumadas Anacrônicas, que realizam o blues metroviário/napolitano/gasoso nas coordenadas de 23,5 graus à estibordo. Neste caso os arrotos de Trajeto Rombão, convidado especial, faz o contraponto com o baixo. A gatinha vocalista, Ivethe
Comgalos vocifera, grita e geme adoidada no novo álbum delas -O reverso do verso, no contra-verso do inverso”,conclui Morto num último suspiro.
Morto interrompe a narrativa e comenta sobre o CD da orquestra de sua família, “Os Mortos de Sevilha interpretam os Grandes Sucessos de 5/12 Avos e 7/12 Avos”, lançado pelo selo do Casca, Siri Records, ressaltando os 5 hits “Sábado com você, Tarde ensolarada sem você, Noite de São João só com você, Meu chefe roubou você de mim e Você é quase tudo”. Morto movimenta os dedos da mão direita, pois a temperatura estava baixa, cerca de 12 graus, me
oferece sagu e segue na explanação, “tenho que lhe contar algo sobre o MC Liebe Augustin. Há cerca de 3 anos ele armou um esquema
fantástico com o Lourival Agudo, proprietário da lavanderia O Pistoleiro. Ele montou a danceteria “Siga na Balada” em Cipreste Oculto, fazendo um convênio com o Agudo em todas as noites de sábado. A festa denominada “Siga na Balada Pistoleiro” entregava mediante o ingresso, um pistola para cada participante da festa, sendo que o conteúdo dela variava da água à uma tinta especial, difícil de ser lavada. Lá pelas 3 horas da madruga o DJ Pentelhorto, meu mais novo, dava um tiro pro alto e o tiroteio iniciava. Toda a galera participava, inclusive garçons e seguranças duelavam freneticamente entre si. No final, na saída todos eram revistados e se molhados por água recebiam 50% do ingresso de volta, se pintados pela tinta, pagavam o ingresso novamente. Sendo a tinta especial, difícil de remover, Lourival Agudo por mais um ingresso pago resolvia o problema na sua lavanderia O Pistoleiro, em míseros 2 dias. Além disso MC Liebe tem outros predicados, como cuspir com expressividade e elegância e assim fatura extras lecionando aos atores globais, melhorando o desempenho deles neste quesito.” conclui Morto pigarreando.
Após renovar o ar de seus pulmões, Morto ergue o braço direito e brada em tom áspero, “falei com Casca semana passada e ele estava eufórico com os novos projetos e chegou a arrotar–o arroto se inseriu de tal forma que não se concebe mais a música popular sem ele”.
Após dialogar com o Morto, tentei lembrar na minha longa vida de ouvinte se em algum momento havia percebido a presença de arrotos explícitos e significativos. Nada me ocorreu. Talvez os índios americanos ou o último dos moicanos tenham feito experimentos neste sentido. Ouvindo John Coltrane, Dylan, Chico, Curtis Mayfield, King Crimson, Egberto Gismonti, Gil Scott-Heron, Beatles, Miles Davis, Steely Dan, Neil Young, Led, Paul Weller, Joni Mitchell, Elis, Nick Drake, Fairport Convention, Jethro Tull, Terry Callier, Tim Buckley, Richard Shindell e muitos outros, nunca senti a falta deles no contexto de quaisquer das centenas de temas ouvidos. Com o lixo abundante que as celebridades produziram ultimamente, o pobre do
arroto se adequa bem e será fator importante em muitos“ trabalhos ” . Exemplificando sobre o nível da “ coisa ”, a atual “provável maior” cantora nacional tem como “provável melhor música” da carreira, aquela da propaganda de uma cerveja, que roda a exaustão. Provavelmente as outras páginas musicais da “celebridade” já foram viradas e esquecidas, permanecendo sempre a imagem que é o que vende. O efeito do roto deve ser similar ao de um ou dois palavrões bem colocados no estribilho das “canções”, ou o deboche infantilizado do sexo nas letras, vide o funk carioca. O provável músico moderno explora isso como se ele fosse deus ou um ser perfeito, a galera fica extasiada com a aberração por um ou dois meses e depois procura outra excrescência dessas para alimentar sua “alma”.
Voltando ao roto, obviamente após uma boa refeição nosso novo herói vem com tudo, e o cidadão precisa dar um jeitinho para libertá-lo, com prazer e discrição, como se ele fosse um pássaro faceiro.
Obs: maior cantora ou banda. O que seria? Altura física, número de shows, número de gravações, aparições em TV ou volume de investimentos na figura ou no personagem? Quem julga? O empresário? A gravadora? Ou manipulam telefonemas interativos onde todos faturam e legitimam qualquer coisa.(Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-9/5/2008)
À Pedido
Algumas opiniões e situações relatadas neste site fizeram com que um ser ficasse extremamente chateado e pedisse espaço para se defender. Ele discorda frontalmente de muitas interpretações emitidas neste espaço, as quais, segundo ele só servem para denegrir sua imagem. Trata-se do meu ex-irmão Casquinha de Siri, aliás, senhor 9/12 Avos Novaes, que solicitou direito de resposta e assim foi concedido. Ai vai:
“Venho tentar reparar insinuações feitas em alguns textos a meu respeito. A imagem passada da minha pessoa sugere um empresário ordinário, que usa as pessoas, engana o consumidor com produtos musicais de baixa qualidade, os mascarando para serem vendidos. É a opinião de um cara que trabalhou muitos anos com sonorizações de eventos, PA para bandas, gravações em estúdios e provavelmente trata-se de um músico frustrado. Deve ter visto em sua vida muitos empresários bem sucedidos, que faziam o bem, empregando muitas pessoas e alegrando o povo. Afora isso, algumas celebridades passaram por seus microfones, o que deve ter acrescido em muito seu recalque e o ciúmes sobre essa categoria de privilegiados. Invisto nessa moçada criativa e de valor, para que nosso país tenha do que se orgulhar. E quanto ao passado musical comparado com o presente, tenho 38 anos e já ouvi muita coisa para poder afirmar que a qualidade permanece, claro que de outra forma, moderna, desafiadora e avançando para o futuro. Somente múmias embalsamadas pelo tempo não percebem isso ou se fazem de louco.
Tudo que foi relatado existe ou existiu de alguma forma, porém distorcido por este senhor, para que os textos ficassem de certa forma engraçados. “Jogadas e artifícios” insinuados com a mídia quando somente fizemos o corriqueiro, o aparato normal para que as celebridades atinjam o máximo proveito e o povão saiba das suas capacidades para venerá-los.
Nossas empresas são muito mais do que foi relatado naqueles testículos engraçadinhos, como por exemplo, uma clínica que modifica o rosto e o corpo do indivíduo, além dos trejeitos, fala e sotaques. Um grupo de cirurgiões plásticos, esteticistas, nutricionistas, personal trainers, fono audiólogos que com poucos milhares de dólares transformam o elemento no sósia de seu ídolo/celebridade preferido. Esta inovação encontra-se em pleno funcionamento na fronteira Brasil/Paraguai, do lado de lá. Os mais parecidos serão aproveitados nos nossos projetos.
Outra sacada nossa que não foi explicada pelo cidadão em questão, constatamos que boa parte das letras aborda a dor de cotovelo, enquanto outros problemas do dia a dia passam batidos. Tantas situações poderiam render músicas que fariam com que o ouvinte se identificasse com o intérprete, trazendo-lhe felicidade por compartilhar a dor. A partir daí selecionamos o grupo Gaivotas Levianas, antigo Bagres Devotados, e os entregamos ao produtor Alberto Desinfetante e ao letrista Tolo Sentimento, filho do obstetra Feliz Sentimento, para que desenvolvessem o novo produto. Desse arranjo notável surgiu o álbum “Não estamos sós neste mundo”, para dividir tristezas, frustrações e encostos com o povo, diminuindo assim o peso de seus ombros. Inicialmente o álbum está sendo trabalhado no Pará, após, no país. Faixas se destacam já na primeira audição como, “Foi um prego de meia polegada que passou em minha vida” onde Tolo denota conhecimento de causa, “quem ainda não se cortou
com um prego, taxinha ou similar ”. Outra quentinha é “ Fusca na poça, Nabuco molhado”, com Tolo Sentimento pegando pesado no coração do povão, principalmente quando chove. Em “Pandolfo, precisa requerer segunda via, crucis”, Tolo se solidariza com o povo e destaca a importância dos despachantes para diminuir o sofrimento. Na “Meu jovem, o plano de saúde não cobre e nem descobre” Tolo parte com sua fúria verbal para aplacar a dor popular, inclusive a minha. Na sublime “A tua careca não nega” ela dá uma injeção de ânimo (nos que possuem), inclusive no senhor participante deste site, suponho.
Na mesma linha temos o trio de sertanejo blockbuster /jabaculelê, formado pelos irmãos Silmar, Silceu & Silchão Camisola nos vocais, mais o caçula Silar nas guitarras Pereira e o primogênito Silhorto nos teclados. A família Camisola adota o azul turquesa como cor preferida e a palavra dinheiro como norte de vida. Neste grupo todas as composições são de Silchão, peidólogo formado e lotado na Faculdade de Peidologia de Ventos Sopram(FPVS), perito em aromas, sons e expressões relativas e casuais. Suas composições são voláteis, esparrentas e em efeito dominó, destacando se “Alfredo, estou grávida, são gêmeos”, “Alfredo, mamãe vai morar conosco”, “Alfredo, fundiu o motor da Brasília”, “Alfredo, o IR te pegou na malha fina” e “Madeleine, o Alfredo foi para o Iraque”. Esta última atingiu o primeiro lugar nas paradas da rádio Paguetoky de Cratera do Juazeiro, ao sul de Einkleinewurst do Norte e a oeste de Aspen dos Peões. Esse último hit é acompanhado pela dança “Celebridade dando e recebendo”, com as coreografias melodramáticas de Filisteus Ducrack, ser dançante e rebolativo, líder do grupo Franco Atirador Mentiroso.
Aliás, há sete anos que em Einkleinewurst do Norte acontece o Congresso Latino-Americano das Popozudas, onde participo na produção e realização. Neste ano de 2008, mais precisamente de 2 a 6 de maio, reunimos em torno de 55 mil Popozudas e tratamos de temas polêmicos e controversos, principalmente por que o ministério do trabalho exige certas definições e enquadramentos para que a
profissão seja reconhecida. Os palestrantes abordaram sem medo temas como: Aproveitamento racional dos atributos natos das Popô, Os juros e a correção não creditados na Popôpança Master(PPM-da Credi-Ferrão), O horizonte Popozudo no terceiro milênio, Popozuda é Celebridade?, e vice versa?, todas? ou só sindicalizada, Mobilização da categoria frente às turbulências econômicas e discriminações protuberantes, Combate enérgico ao silicone/ Viva a natureza e por aí afora. Com isso demonstro que também prezo pela qualidade de vida dos nossos irmãos e irmãs brasileiras. Na ocasião lancei os grupos musicais SKAI( Sensações Kavernosas no Âmago do Íntimo), Genitálias Macabras, Christmas Pirilampos e Ogros Simpáticos que se apresentaram na afamada casa de espetáculos e danceteria Studio 128.479.524.333,69. Aliás, os Ogros deram o toque especial estourando a boca do balão e as Popozudas com o hit “Não solta Puff, Daddy!”. O restante das noites foram animadas pelos DJ’s Couve-Flôr e Batata Podre, com os dance/rave/peixe crú da hora. Por sinal, o Batata Podre é o DJ mais antigo em atividade no Vale do Brocochô. O ponto alto no dia 5 de maio foi a presença das mulheres Kiwi, Agrião, Moranga, Rúcula, todas sem agro-tóxicos e de coisas estranhas como as mulheres Banana, Cenoura e Pepino.
Reconheço ser um trabalho simples, apenas um pequeno grão de um humilde amante da música, porém sincero e honesto que almeja sempre o melhor para a nossa juventude. Espero que uns e outros passem a respeitar meu trabalho, dando um voto de confiança aos empresários profissionais deste país”.
Reconheço ser um trabalho simples, apenas um pequeno grão de um humilde amante da música, porém sincero e honesto que almeja sempre o melhor para a nossa juventude. Espero que uns e outros passem a respeitar meu trabalho, dando um voto de confiança aos empresários profissionais deste país”.
(Luiz Carlos Peretto-Jam Sons Raros-5/7/2008)